• Navarātrī – As nove noites da Durgā

    Do dia 26 de Setembro ao dia 5 de Outubro celebra-se o Princípio Feminino e a vitória do bem contra o mal, num Festival Hindu chamado Navarātrī, as nove noites. Este Festival, é bianual. Um ocorre na primavera, por isso é chamado de Vasanta Navarātrī, o outro, mais importante e popular, ocorre no Outono, sendo chamado de Śarada Navarātrī.

    São 9 noites de prece, de rituais e de muita devoção à Durgā, a Mãe do Universo, e consorte do Senhor Śiva, nas quais os devotos expressão a sua devoção ao máximo para poderem beneficiar de uma vida mais harmoniosa e pacífica.

    Nestas nove noites, 9 formas da Durgā são reverenciadas ritualmente para conferirem os resultados desejados e respetivos. Em baixo seguem três estrofes que referem as nove formas da Durgā, que podem ser encontradas numa obra de reverencia à Devī, intitulada Śrīdurgāsaptaśati, e muito conhecida e adorada pelos Śāktas, aqueles que seguem a adoração da Śakti.

    प्रथमं शैलपुत्री च द्वितीयं ब्रह्मचारिणी ।

    तृतीयं चन्द्रघण्टेति कूष्माण्डेति चतुर्थकम् ॥

    prathamaṃ śailaputrī ca dvitīyaṃ brahmacāriṇī |

    tṛtīyaṃ candraghaṇṭeti kūṣmāṇḍeti caturthakam ||

    पञ्चमं स्कन्दमातेति षष्ठं कात्यायनीति च ।

    सप्तमं कालरात्रीति महागौरीति चाष्टमम् ॥

    pañcamaṃ skandamāteti ṣaṣṭhaṃ kātyāyanīti ca |

    saptamaṃ kālarātrīti mahāgaurīti cāṣṭamam ||

    नवमं सिद्धिदात्री च नवदुर्गाः प्रकीर्तिताः ।

    उक्तान्येतानि नामानि ब्रह्मणैव महात्मना ॥

    navamaṃ siddhidātrī ca navadurgāḥ prakīrtitāḥ |

    uktānyetāni nāmāni brahmaṇaiva mahātmanā ||

    Tradução:

    As nove Durgās são chamadas: primeiro Śailaputrī, em segundo, Brahmacāriṇī, em terceiro Candraghaṇṭā, em quarto Kūṣmāṇḍā, em quinto, Skandamātā, em sexto, Kātyāyanī, em sétimo Kālarātrī, em oitavo, Mahāgaurī e em nono, Siddhidātrī. Estes nomes (sagrados) foram revelados por Brahmā, cuja mente é imensa (em sabedoria).

    Assim sendo, em cada noite uma das formas de Durgā é reverenciada de acordo com as estipulações e procedimentos.

    1 – Śailaputrī – A Filha da Montanha

    2 – Brahmacāriṇī – A Asceta

    3 – Candraghaṇṭā – Aquele cujo sino (brilha) como a Lua

    4 – Kūṣmāṇḍā – Aquela que tem calor no Ventre – representa a fertilidade

    5 – Skandamātā, a Mãe de Skanda

    6 – Kātyāyanī – Representa a forma suprema, representa o poder

    7 – Kālarātrī – A Noite Escura – representa a dissolução do cosmos

    8 – Mahāgaurī – A Imensamente Brilhante – representa o conhecimento

    9 – Siddhidātrī – A que confere sucesso – Mokṣa.

    O festival Navarātrī pode ser festejado de forma diferente, sem a reverência das nove formas da Devī, reverenciando, ao invés, nas três primeiras noites, Durgā, nas três noites do meio, Lakṣmī, e nas últimas três noites, Sarasvatī.

    Durgā representa a coragem, a saúde, e é a consorte de Śiva. Lakśmī, representa a riqueza e a beleza e é a consorte de Viṣṇu. Sarasvatī representa as artes e a sabedoria, sendo a consorte de Brahmā.

    Este festival representa a vitória da Deusa sobre o mal, representado por Mahiśasura, um demónio com a forma de um búfalo que derrotou todos os devas. Derrotados, os devas reúnem e unificam os seus poderes, criando, a Durgā, que derrotará o demónio, no 10º dia da batalha, dia esse que recebe o nome de vijaya daśamī, o décimo dia lunar da vitória.

    A vitória sobre os demónios indica a capacidade de vencer as tendências destrutivas da mente. A batalha é representada externamente, servindo como espelho e pretexto para a reflexão que visiona o crescimento emocional e a maturação espiritual.

    Posto isto, claro é que estas nove noites são nove oportunidades de expressarmos as imensamente terapêuticas qualidades que um mumukṣu deve ter: devoção e gratidão.

    Possam estas noites ser mágicas para todos!

    Setembro de 2022

    Paulo Abreu Vieira

  • Testemunho dos Alunos – Vanessa Sander

    Conheci o Professor Paulo em um momento que vinha pedindo muito a luz, o amparo da verdade, e a presença de Deus, fazia a leitura de um material ou outro e recém tinha rompido um relacionamento ao qual tinha muito apego. Mesmo com essa dedicação tinham dúvidas e sombras que pairavam na minha mente e tiravam minha alegria de viver, constantemente. Um certo dia, enviei um áudio para o professor, solicitando ajuda, eu me via presa em situações que minha experiência, e conhecimento não conseguiam resolver. Quero ressaltar aqui, o quanto a compassividade do Professor Paulo, a ausência de julgamento fizeram com que eu conseguisse ver uma Vanessa, sem as sombras que a perseguiam, pedi então qual curso deveria fazer e ele recomendou Tattvabodha – aqui realmente eu consegui me conectar com o imperecível, com a verdade! Chega a ser difícil mensurar as consequências desse aprendizado.

    Para mim, particularmente o que teve de mais rico, foi a compreensão do meu papel, isso me ajudou a ser muito mais assertiva com minha filha, paralelamente a isso, eu senti mais força e me capacitei para me diferenciar das dores e sofrimentos, sejam eles meus ou não, com essa força, tenho conseguido me empenhar em projetos profissionais que sempre sonhei, mas que não saiam do papel. Tenho mantido minhas práticas e mantras diariamente, conforme a recomendação do Professor, me sinto mais feliz e realizada do que nunca, sinto também que dou mais liberdade para as pessoas do que jamais experimentei e ainda assim consigo entregar coisas valorosas para a Vida, porque tomei para mim tudo aquilo que recebi com profunda gratidão. Sei que minha jornada só está começando, Obrigada Professor e toda equipe, serei sempre grata!


    Vanessa Sander
    Psicóloga e Coach


    psicololgaonlinevanessa.com.br
    https://m.facebook.com/psicologaonlinevsander
    https://www.linkedin.com/in/psicologaecochonline/

    www.youtube.com/vanessasanderpsicologa

  • ज्योतिष – JYOTIṢA –  Rahu

     Rahu

    Rahu e Ketu (irá ser abordado no próximo mês), são os chamados chāyā grahas, ou planetas sombra/invisíveis, pois não possuem corpo físico. Correspondem aos pontos astronómicos no céu chamados de nodo norte da Lua ou cabeça do dragão (Rahu) e nodo sul da Lua ou cauda do dragão (Ketu). Fazem parte do eixo kármico das nossas vidas – uma espécie de ligação invisível entre vidas passadas e os nossos dilemas psicológicos desta vida atual. Estes pontos, os nodos lunares, são os lugares de interseção entre a órbita da Lua e a órbita aparente do Sol – o caminho simbólico traçado pelo astro rei no decorrer do ano, tendo como ponto de referência a observação aqui da Terra.  Nos dois pontos em que as trajetórias lunar e solar se cruzam, são delimitados o Nodo Norte (Rahu) e o Nodo Sul (Ketu). Nestes pontos acontecem os chamados eclipses solar ou lunar. O eclipse Solar ocorre durante a Lua Nova, quando o Sol está em exato alinhamento com a Terra e a Lua está mais ou menos 18° distante dos Nodos; o eclipse Lunar acontece quando a Terra está em exato alinhamento entre a Lua Cheia e o Sol, e a Lua está mais ou menos 11° distante da posição nodal.

    Os Nodos são exatamente contrários, diametralmente opostos. Se o Nodo Norte está em Áries (Carneiro), por exemplo, o Nodo Sul estará em Libra (Balança), que é o signo oposto.

    São considerados inimigos do Sol e da Lua, pois no momento dos eclipses, eles escurecem o céu, tirando todo e qualquer brilho, luz e força a estes. Estes momentos de eclipse (grahaṇa), são bastante poderosos e transformadores, normalmente relacionados com mudanças, inícios e finais.

    Existe uma história da mitologia védica que está associada ao surgimento de Rahu e Ketu:

    “O Simbolismo do Oceano de Leite e o Néctar da Imortalidade”

    “Para descobrir o néctar da imortalidade, devas e asuras resolveram se juntar para bater o Oceano de leite. Pegaram uma montanha e colocaram no meio do oceano. Amarraram uma cobra no meio e cada um deles puxou de um lado fazendo a cobra como corda para que, assim, a montanha batesse o oceano de leite.  Começaram a bater e coisas lindas e maravilhosas surgiram desse oceano de leite. As coisas que foram surgindo e foram sendo divididas entre eles. Porém, antes de surgirem essas coisas lindas, surgiu um veneno. O veneno (halahalā) começou a se espalhar pela superfície do oceano e a matar todos os seres do oceano. Devas e asuras assustados, chamaram Shiva para resolver a situação. Ele resolveu tomar o veneno inteiro. Após ele tomar, Uma, apertou o seu pescoço que começou a ficar a azul (nīlakaṇṭha). Então eles continuaram a bater e bater.

    Finalmente conseguiram o Amrita, o néctar da imortalidade. Assim que apareceu esse Amrita, os asuras o roubaram e fugiram com o veneno. Os Devas então chamaram Vishnu para restaurar a harmonia. Vishnu transformou-se numa mulher linda, chamada Mohini e assim apareceu entre os asuras e todos ficaram surpresos e maravilhados e começaram a ouvi-la. Ela então sugeriu que poderia ela mesma distribuir o néctar. Atônitos com rara beleza, obviamente os asuras aceitaram a proposta e logo Mohini começou a distribuir o néctar entre todos, devas e asuras.

    O plano dele era distribuir entre os devas e quando chegasse a vez dos asuras ele diria que o acabou o néctar. Mas entre os asuras havia um espertinho que entrou na fila dos devas para receber o néctar. Então, quando a primeira gota caiu em sua boca, Vishnu se deu conta, mas a gota já havia caído. Ele jogou seu disco e cortou a cabeça do asura. Mas como o asura bebeu o néctar, ele já era imortal. Então a Cabeça foi para um lado e o corpo para o outro: estes são Rahu e Ketu. Cabeça do dragão e cauda do dragão, que estão presentes na astrologia védica.

    Detalhe, na hora que Mohini estava distribuindo o néctar, a lua e o sol estavam lá e se deram conta de que o asura não era deva e o denunciaram para Vishnu. O asura viu e ficou com raiva. E por isso eles, divididos, Rahu e Ketu, tiram o brilho do sol e da lua de vez em quando, causando os eclipses.”

    Retirado de www.vidadeyoga.com.br (Tales Nunes) (Texto baseado em aulas de Marília, do Centro de Estudos Vidya Mandir www.vidyamandir.org.br)

    Nos textos clássicos, Rahu é descrito da seguinte forma: “Rahu tem um corpo azulado como a fumaça, vive em florestas e é horrível. O seu temperamento é vāta e é inteligente. É de casta inferior, sofre de doenças de pele, é irreligioso e sofre com soluços.”

    Rahu é a cabeça da serpente e está ligado ao nosso karma material, pelo que Rahu representa o desejo pela matéria. Pelo facto de não ter um corpo físico, este desejo manifesta-se mais ao nível do subconsciente. Rahu representa as nossas obsessões e apegos e leva-nos ao limite, para que possamos transcender a matéria e libertar-nos da ilusão. Mas até isso acontecer, as lições que Rahu traz consigo, são habitualmente acompanhadas de grandes sofrimentos.

    Outros nomes para Rahu são: Tamas, Asura, Sarpa, Agu, Svarbhānu, Vidhuntuda, Bhujaṅga.

    Associa-se Rahu especialmente a Durgā, mas associa-se a espíritos e demónios quando posicionado em krūra rāśi. 

    Outras caraterísticas de Rahu

    É do género masculino, de natureza vāta, krūra(cruel) e tamas (inércia, escuridão). Está associado ao elemento ar (vāyu) e pertence àvarṇa dos mlecchas e chandalas (párias e comedores de cães). Está associado à cor esfumaçada e à direção sudoeste.

    Não rege nenhum rāśi (signo) e não se exalta nem se debilita em nenhum rāśi (embora existam correntes astrológicas que consideram que sim, eu sigo opiniões de astrólogos, com as quais concordo, que não consideram). É significador do bhāva 8, pois é significador de temas como doenças crónicas e incuráveis, escândalos, heterodoxia.

    O seu movimento é bastante lento e retrógrado, transitando cerca de um rāśi (signo) a cada ano e meio.

     As melhores posições por casa (bhāvas) num mapa para Rahu são os bhāvas 3, 6, 10 e 11.

    O bhāva no nosso mapa onde está posicionado, é o local/área da nossa vida onde temos a maior tendência para gerar apegos e desejos e onde manifestamos a nossa singularidade e /ou excentricidade.

    Alguns dos seus principais significados são pessoas estrangeiras, loucura, desilusões, deceções, roubos, serpentes e outros répteis, sonhos, heterodoxia, ladrões e espiões, pecado, hipocrisia, deficiências, florestas, terras distantes.

    Algumas caraterísticas positivas associadas a Rahu são: independência, audácia, coragem, pioneirismo, iniciativa, força de vontade, aventura, originalidade, curiosidade, ambição.

    Algumas caraterísticas negativas associadas a Rahu são: loucura, ganância, corrupção, obsessão, alucinação, vícios, perturbações, crueldade, confusão, escapismo, excesso, ilusão, excentricidade.

    Rahu está associado às doenças de vāta, doenças do foro psicológico, loucura, doenças incuráveis e / ou de difícil diagnóstico, lepra, problemas com espíritos e fobias, medos, envenenamentos e picadas de animais como serpentes e escorpiões.

    Hari Om

    Maria João Coelho

    Imagem – fonte: https://www.rudraksha-ratna.com/

    Contactos:

    saraswativalongo@gmail.com

    https://instagram.com/mariajoaooliveiracoelho?igshid=YmMyMTA2M2Y=

  • आयुर्वेद- Āyurveda -Rotinas simples para um Outono Saudável

    Quando falamos de estações temos sempre de nos relembrar que o mais importante é compreender as qualidades dos doṣas.

    Tradicionalmente na India, o Outono tende a ser uma estação quente que que sucede a estação chuvosa, esta sucessão de qualidades tende a agravar o pitta doṣa. No entanto em Portugal,  o Outono é geralmente associado a um tempo mais fresco, seco e ventoso que são qualidades que tendem a aumentar vāta doṣa.

    Assim sendo as rotinas de Outono devem levar em consideração um possível aumento de vāta. Ficam aqui algumas sugestões.

    Alimentação

    • comidas quentes e nutritivas
      • por exemplo, se toma pequeno almoço uma das sugestões seria papas de aveia com frutas cozidas com especiarias como a canela, cardamomo, etc
      • esta é uma altura perfeita para começar a re-introduzir sopas quentes na sua dieta.
      • batata doce, todas as variedades de abóbora, beterraba, vegetais cozidos ao vapor etc
    • chás
      • gengibre, cardamomo, etc
        • este ajudam a melhorar a digestão e ajudam a manter o corpo quente

    Estilo de Vida

    • deitar cedo e cedo erguer
      • sono apropriado é fundamental para saúde a geral mas é um hábito ainda mais importante para manter nesta altura em que o vāta tende a desequilibrar
    • rotina de yoga, meditação, pranayama
      • rotinas menos vigorosas e de enraizamento
    • proteção dos elementos
      • manter o corpo protegido do excesso de vento e frio
    • aplicação de óleo
      • esta é a altura em que a pele tem tendência a secar por causa da tendência do aumento de vāta

    A Evitar

    • comida demasiado seca
    • jejum prolongado
    • bebidas frias ou geladas
    • noitadas
    • excesso de actividade física

    Na prática sabemos que a mudança de estações não acontece com a passagem de uma data no calendário mas sim nas mudanças do ambiente à nossa volta. É importante observar e ir sentindo como as alterações climatéricas vão influenciando o funcionamento do nosso corpo e ir fazendo os ajustes necessários para evitar o desequilíbrio dos doṣas.

    Não posso deixar de relembrar que estas sugestões são recomendadas para pessoas saudáveis.

    Desejos de um Outono Saudável 🍁🍁🍁

    Ricardo Barreto

    Terapeuta de Ayurveda

    www.instagram.com/wayofayurveda_pt

    +351 925380997

  • भगवद्गितायाः व्याकरणम् – Análise gramatical da Bhagavadgītā – 16

    Símbolos usados na análise gramatical:

    √ –  raíz verbal; ⊘ –  indeclinável; m – género masculino; f – género feminino; n – género neutro; I/1 – primeira pessoa singular; II/1 – segunda pessoa singular (a numeração romana indica a pessoa, a numeração indo-arábica indica o número, que pode ser singular, dual ou plural; 1/1 – 1º caso singular; 1/2 –  1º  caso dual; 1/3 – 1º  caso plural; 2/1 – 2º  caso singular (existem oito casos, vibhaktis, no total; 7/1 – sétimo caso singular; P – parasmaipadī; Ā – ātmanepadī; U – ubhayapadī; VA – voz ativa (kartari prayoga); VP – voz passiva.


    काश्यश्च परमेष्वासः शिखण्डी च महारथः ।

    धृष्टद्युम्नो विराटश्च सात्यकिश्चापराजितः ॥ १.१७ ॥

    द्रुपदो द्रौपदेयाश्च सर्वशः पृथिवीपते ।

    सौभद्रश्च महाबाहुः शङ्खान्दध्मुः पृथक्पृथक् ॥ १.१८ ॥


    पदच्छेदो (सन्धिच्छेदः) विभक्तिपरिच्छेदः पदार्थो व्युत्पत्तिश्

    काश्यः 1/1m – o rei de Kāśī; च Ø – e; परमेष्वासः 1/1 – que é um grande arqueiro (परमः च असौ ईष्वासः च इति परमेष्वासः); शिखण्डी 1/1m – Śikhaṇḍī; च Ø; महारथः 1/1m, adjetivo para Śikhaṇḍī – grandioso guerreiro; धृष्टद्युम्नः 1/1m – Dhṛṣṭadyumna; विराटः 1/1m Virāṭa; च Ø – e; सात्यकिः 1/1m Sātyaki; च Ø – e; अपराजितः 1/1m, adjetivo para Sātyaki – invencível; द्रुपदः 1/1m – Drupada;  द्रौपदेयाः 1/3m – Os filhos de Draupadī; च Ø – e; सर्वशः Ø – todos eles; पृथिवीपते 8/1m – Ó senhor da terra (Ó rei) (पृथिव्याः पातिः इति पिथिवीपतिः); सौभद्रः 1/1m – Saubhadra (Abhimanyu, o filho de Subhadrā); च Ø – e; महाबाहुः 1/1m, adjetivo para Saubhadra – cujos braços são grandes/poderosos (महान्तौ बाहू यस्य सः); शङ्खान् 2/3m – conchas; दध्मुः III/3, १प्√ध्मा, लिट् लकारः – sopraram;  पृथक् Ø पृथक् Ø (वीप्सा, repetição) – um a um, respetivamente.

    अन्वयः

    हे पृथिवीपते, परमेष्वासः काश्यः च महारथः शिखण्डी च धृष्टद्युम्नः विराटः च अपराजितः सात्यकिः च द्रुपदः (च) द्रौपदेयाः च महाबाहुः सौभद्रः च सर्वशः पृथक्पृथक् शङ्खान् दध्मुः ॥

    अनुवादः

    V.1.17 e 1.18 – Ó senhor da terra, o rei de Kāśī, que é um grande arqueiro, o grandioso guerreiro Śikhaṇḍī, Dhṛṣṭadyumna, Virāṭa, o invencível Sātyaki, Drupada, os filhos de Draupadī, e Saubhadra (Abhimanyu, o filho de Subhadrā), que tem braços grandes, todos eles, um a um, sopraram (as suas respetivas) conchas. 

  • Mensagem Importante do dia do Guru

    A vida é uma grande viagem. A morte é outra grande viagem. Entramos neste mundo e dele sairemos um dia. Somos eternos viajantes perdidos na eternidade do saṁsāra quando nascemos. Indefesos e caídos neste mundo complexo, tremendamente dinâmico e instável, tentamos navegar com estabilidade, quase sempre sem sucesso. Os despistes e as colisões são constantes, inevitáveis, são o dia-a-dia cru de muitos de nós e deixam marcas profundas, individualmente e coletivamente.

    Não bastava o universo ser instável, as pessoas tornam-se instáveis nele. Vivem numa instabilidade quotidiana composta de ansiedades, medos, raivas, irritações, incompreensões, ódios, indiferenças e muitas mais questões do foro psicológico que quebram a sanidade outrora vivida em criança, fazendo dela uma utopia confirmada.

    Olhe à sua volta e aprecie as pessoas. Vivem freneticamente, apressadas para a morte, hipnotizadas por uma promessa de bem-estar que nunca chega. Correm como loucas atrás dessas promessas sem saberem que nada mais são do que uma cruel miragem assassina projetada pela ignorância.

    A mensagem é clara: “Desperta! Acorda! Está na hora de questionares o que andas aqui a fazer! Vives ou sobrevives?! Ou direi mesmo “sub-vives”?! Estas a seguir o teu talento, alinhado por um propósito maior?!”

    Se a resposta a estas perguntas não é clara como água cristalina, então reflete. Repara que nada até ao momento te trouxe o que realmente procuras e que muito provavelmente irá continuar a ser assim. Como esperas ter resultados diferentes fazendo a mesma coisa?!

    Está na hora de trazer para a Vida uma boa dose de espiritualidade e descobrir o que significa a Vida para ti. A necessidade coletiva é de conexão, de amor, de paz e de felicidade. Sempre foi, sempre será. O Guru é importante porque ele é a chave que abre a porta para a dimensão espiritual da vida, onde, precisamente a conexão, o amor, a paz e a felicidade residem à espera de serem descobertas.

    Quando penso no Guru, o Mestre, penso Nele como o enviado especial e capaz de quebrar o feitiço da hipnose da ignorância. Ele é o Despertador, aquele que desperta os demais. Ele é a Luz que remove a ignorância. Ele é o Cantor que canta a Canção do Absoluto embalando de amor os corações da humanidade. Ele é o Cirurgião, que opera os olhos e remove a cegueira existencial. Ele é a Mãe que acolhe a nossa dor e nos nutre com o alimento espiritual. Ele é o Pai que nos indica onde poderemos errar e nos protege das adversidades. Ele é o Espelho que espelha as nossas dificuldades. Ele é o Guerreiro interno que habita em cada um de nós. Ele é a Humildade que tempera o Conhecimento. Ele é a Força do Universo que quer o nosso maior bem. Jaya Guru!

    Paulo Abreu Vieira,

    Maia, 13/07/2022

  • Testemunho dos Alunos – Ana Carolina Teibão

    Recordo algo que o professor disse numa das nossas aulas : “quando esgotamos todas as possibilidades, todos os escapes mundanos em prol daquela necessidade que sentimos e é natural no ser humano de libertação, encontramos o Vedanta” . 

    Foi em plena pandemia que, pela mão de uma grande amiga e astróloga, a Maria João Coelho,  comecei a participar das aulas de zoom do professor Paulo Vieira. Aquele tornou – se o meu espaço semanal de rendez-vous e fé, enquanto atravessava certas tempestades desafiantes no alto mar da minha existência. Como me tocou tanto e foi tão especial, decidi ingressar no estudo da Kathopanishad. 

    Para além do conhecimento intelectual, de toda uma visão do mundo que este estudo traz, de vislumbre lógico e inteligente de como tudo no mundo está perfeitamente interconectado; é um conhecimento que nos transforma internamente,destrói maus hábitos e crenças de pensamento, favorecendo uma mente mais tranquila. Por conseguinte, concretiza-se numa maior harmonia nos relacionamentos  e num maior discernimento para fazer escolhas e encontrar soluções . A forma como o professor exprime o conhecimento é divertida, suave, clara, e extremamente profunda. Muitas vezes fico dois, três dias ou até uma semana a sentir o efeito de uma aula. 

    Este estudo materializou-se também numa nova vida para mim, a vida da minha filha Inês. Vivenciei, com a bênção de Ishvara a beleza de toda a conexão em verdade do que me foi instruído pelo professor, a quem sou eternamente grata. 

    Atualmente continuo o meu estudo, agora da Mundaka Upanishad e o meu maior desejo é de que eu possa seguir neste caminho, a cada dia me permitindo, abrindo e entregando a mais e mais transformação, rumo a moksha. Assim termino o meu testemunho em gratidão profunda 🙏Namaste. 

    Ana Carolina Teibão

  • ज्योतिष – JYOTIṢA

    Śani (Saturno)

    Nos textos clássicos, Śani é descrito da seguinte forma:” Śani tem um corpo magro, alto, olhos cor de mel, um temperamento vāta, dentes grandes, cabelo grosso e áspero, é indolente e manco.”

    Filho de Sūrya (Sol) e de Chāyā (sombra), esposa de Sūrya, e irmão de Yama (Senhor da Morte), Śani (Saturno) é o mais temido dos grahas, na medida em que representa tudo aquilo que o ser humano tende a evitar na vida, como responsabilidade, lentidão, desapego, maturidade, disciplina, paciência, miséria, tristeza, sofrimento, isolamento, morte.

    É o Senhor do tempo (Kāla), aquele que se move lentamente (Śanaiścara) e cujos resultados do karma demoram a frutificar, na medida em que o seu trânsito em cada rāśi (signo)dura cerca de 2,5 anos, ou seja, uma volta completa ao zodíaco demora cerca de 29, 5 anos.

    Por ser o graha mais distante de Sūrya (Sol), Śani é associado à escuridão, ao contrário deSūrya que representa a luz, a consciência. No entanto, esta escuridão é a própria ignorância do ser humano relativamente, não só à forma de viver neste mundo terreno, mas também ao conhecimento da sua própria natureza.  A humildade e as adversidades trazidas por Śani à nossa vida, permitem-nos fazer uma viagem de introspeção bem profunda e, através da aceitação, força de vontade e de um esforço bem direcionado, destruir falsas ideias e conduzir-nos em direção a um bem maior, a uma superação das nossas batalhas internas e externas.

    Os rāśis (signos) ebhāvas (casas) regidos e /ou afetados por Śani no nosso mapa, representam áreas da vida de grande aprendizagem, muitas vezes com bastante sofrimento e dificuldade, mas com um enorme amadurecimento.

    Outros nomes para Śani são: Manda, Sūryaputra, Kṛṣṇa, Śanaiścara, Kāla, Yama, Chāyāsuta.  

    Associa-se Śani especialmente a Yama, mas também a Nārāyaṇa. 

    Outras caraterísticas de Śani

    É eunuco (sem género definido), frio e seco, de constituição vāta e de natureza krūra(cruel) e tamas (inércia, escuridão). Está associado ao elemento ar (vāyu), à cor negro e azul escuro, rege a direção oeste e o sábado e pertence àvarṇa dos śūdra (classe dos trabalhadores).

    É regente do signo Capricórnio (rāśi makara) e do signo de Aquário (rāśi kumbha).  Exalta-se no signo de Libra/Balança (rāśi tulā) e tem a sua debilitação no signo de Áries/Carneiro (rāśi meṣa).

    O seu movimento é muito lento, transitando cerca de um rāśi (signo) a cada dois anos e meio.

     As melhores posições por casa (bhāvas) num mapa para Śani são o bhāva 7 onde detém força máxima, e nos bhāvas 3, 6 e 11.

    O bhāva no nosso mapa onde está posicionado, é o local/área da nossa vida onde podemos experimentar maiores atrasos, dificuldades, inseguranças e necessidade de maior esforço.

    Os grahas amigos de Śani (Saturno) são Śukra (Vénus) e Budha (Mercúrio). Sūrya (Sol), Chandra (Lua) e Maṅgala (Marte) são inimigos e Guru (Júpiter) é neutro.

    Śani é significador de doenças e servidão (bhāva 6), longevidade, morte e doenças crónicas (bhāva 8) e de perdas, renúncia e isolamento (bhāva 12).  

    Alguns dos seus principais significados são sofrimentos, perdas, morte, longevidade, tempo, disciplina, responsabilidade, pobreza, doença, dificuldade, trabalho árduo, lentidão, desconforto, velhice, cansaço, preguiça, limitações, ignorância, solidão, agricultura, antepassados, pecados, desgraça, fundações, animais de grande porte, humilhação, coisas sujas e feias.

    Quando bem-disposto num mapa (bem configurado e bem posicionado por signo e casa), pode manifestar qualidades como determinação, responsabilidade, cautela, maturidade, disciplina, organização, concentração, capacidade de trabalho, humildade, honestidade, sinceridade, resiliência, seriedade, sabedoria.

    Por outro lado, quando mal posicionado/configurado num mapa (mal configurado e mal posicionado por signo e casa), pode revelar, entre outras, caraterísticas como preguiça, sonolência, medo, timidez, melancolia, sentido crítico, maldade, hipocrisia, frieza, rigidez, mesquinhez, perversidade, controlo e manipulação, estupidez, ignorância, infelicidade, loucura, oportunismo, negligência.

    Relativamente ao corpo, podemos associar Śani ao intestino grosso, ossos, coluna, dentes, joelhos, pés, pernas, ânus, sistema linfático.

    Está associado às doenças de vāta, às doenças crónicas ou incuráveis, doenças dos nervos, pés, pernas, cólon, problemas de audição, dentes e ossos, depressão, esgotamento, fraqueza e paralisia, tumores, insanidade, problemas causados por quedas e problemas com espíritos e fantasmas.

    Hari Om

    Maria João Coelho

    Imagem – fonte: https://www.bhagwankiphotos.com/shani-dev-images/

    Contactos:

    saraswativalongo@gmail.com

    https://instagram.com/mariajoaooliveiracoelho?igshid=YmMyMTA2M2Y=

  • आयुर्वेद- Āyurveda

    ORIGENS DO ĀYURVEDA 

    uma breve história de acordo com o Caraka Saṃhitā

    A certa altura, após alterações ao estilo de vida que desconectaram os seres humanos dos ciclos da natureza, doenças começaram a dificultar a vida da humanidade ao criar impedimentos à observação de práticas físicas, mentais e espirituais que garantiam a longevidade. 

    Cheios de compaixão, sábios sagrados reuniram-se para uma assembleia num local auspicioso perto dos Himalaias para tentar arranjar respostas para este problema que se tinha tornado um grande obstáculo para o ser humano.

    Esta assembleia era composta de grandes sábios dotados de grande conhecimento espiritual, grande autocontrole e iluminação. Após terem feito as suas preces começaram as suas deliberações auspiciosas. Todos concordaram que a saúde era a melhor fonte de virtude, riqueza, gratificação e emancipação; enquanto as doenças eram destruidoras desta fonte, do bem-estar e da própria vida. Os sábios concentraram-se em encontrar a solução. 

    Em estados de alta contemplação, perceberam que Indra (Rei das Deidades) seria quem lhes diria os meios corretos para superar as doenças. Este conhecimento tinha sido passado para Indra pelos gémeos Aśvin (médicos celestiais), que por sua vez o receberam de Prajāpati (Senhor de todos os seres) que o aprendeu de Brahmā (o Criador) que por sua vez se tinha lembrado desta ciência.

    Mas agora, quem deveria ir à residência de Indra para perguntar sobre os meios corretos para combater e prevenir as doenças? 

    O sábio Bharadvāja voluntariou-se.

    Bharadvāja, tendo chegado à residência celestial de Indra, viu-o sentado no meio de grupos de sábios divinos, a brilhar como fogo.

    Aproximou-se dele com palavras de louvor e humildemente submeteu a mensagem dos sábios:

    “Manifestaram-se doenças aterrorizantes para todas as criaturas, ó Senhor das Deidades! Aconselhe-me acerca das medidas adequadas para as corrigir!”. 

    Indra, tendo sentido a ampla inteligência deste grande sábio, transmitiu-lhe o Āyurveda. Bharadvāja, inteligente e focado, adquiriu o Āyurveda de forma adequada e alcançou uma vida longa e imensamente feliz. 

    Āyurveda revelou-se como conhecimento de saúde e bem estar tanto para os saudáveis como para os doentes. 

    Os outros sábios, desejosos de longa vida, também receberam de Bharadvāja, o benevolente conhecimento para melhorar a vida. Os grandes sábios compreenderam adequadamente os princípios pelos quais atingiram o mais alto nível de bem-estar e longevidade.

    Um destes sábios, Punarvasu Atreya, pela sua benevolência, concedeu o conhecimento de Āyurveda a seis dos seus discípulos. Estes discípulos foram então encorajados a escrever textos de Āyurveda que mais tarde seriam apresentados de volta a Atreya.

    Agniveśa, um dos discípulos escreveu o primeiro tratado e os outros seguiram. De forma auspiciosa, estes compêndios foram aprovados pelos sábios e foram estabelecidos como bases fortes para o bem-estar dos vivos.

    Os grandes sábios, benfeitores de todas as criaturas, foram elogiados pela sua compaixão para com os seus semelhantes. Estas palavras enfáticas e sábias foram ouvidas pelas deidades, que ficaram extremamente satisfeitas.

    A versão original desta história aqui resumida está presente no Caraka Saṃhitā. De facto, o texto original chama-se Agniveśa Tantra, uma obra que continha a documentação dos diálogos entre Agniveśa e colegas com o seu mestre Purnavaso Atreya. Mais tarde, o texto Agniveśa Tantra foi editado pelo ācārya Caraka tornando-se o Caraka Saṃhitā, que acabou por se tornar, possivelmente, o livro mais importante da história do Āyurveda.

    Nesta história podemos apreciar o uso da palavra “relembrado” que aponta para o facto de que Āyurveda não é um conhecimento “inventado”, mas sim um conhecimento “relembrado” pelo Criador. Como se o Āyurveda fosse o reflexo de uma observação natural do funcionamento do corpo/mente humana e da maneira como estes interagem com o meio ambiente ao seu redor. Por outro lado aceitando ou não a história mitológica, a verdade é que este conhecimento tem vindo a ser transmitido de professor para aluno há milhares de anos criando um fluxo de conhecimento, a que nós hoje temos acesso e usufruirmos, devido ao trabalho das pessoas que se têm vindo a dedicar ao estudo e à transmissão desta ciência.

    Neste guru pūrṇimā agradeço com reverência todos os sábios/as, mestres/as, professores/as e alunos/as que mantiveram e mantêm o Ayurveda vivo até aos dias de hoje.  🙏🙏🙏

    Ricardo Barreto

    Terapeuta de Ayurveda

    www.instagram.com/wayofayurveda_pt

    +351 925380997

  • भगवद्गितायाः व्याकरणम् – Análise gramatical da Bhagavadgītā – 15

    Símbolos usados na análise gramatical:

    √ –  raíz verbal; ⊘ –  indeclinável; m – género masculino; f – género feminino; n – género neutro; I/1 – primeira pessoa singular; II/1 – segunda pessoa singular (a numeração romana indica a pessoa, a numeração indo-arábica indica o número, que pode ser singular, dual ou plural; 1/1 – 1º caso singular; 1/2 –  1º  caso dual; 1/3 – 1º  caso plural; 2/1 – 2º  caso singular (existem oito casos, vibhaktis, no total; 7/1 – sétimo caso singular; P – parasmaipadī; Ā – ātmanepadī; U – ubhayapadī; VA – voz ativa (kartari prayoga); VP – voz passiva.

    अनन्तविजयं राजा कुन्तीपुत्रो युधिष्ठिरः ।

    नकुलः सहदेवश्च सुघोषमणिपुष्पकौ ॥ १.१६ ॥

    पदच्छेदो (सन्धिच्छेदः) विभक्तिपरिच्छेदः पदार्थो व्युत्पत्तिश्

    अनन्तविजयं 2/1m – a concha chamada Anantavijaya, Infinitas Vitórias); राजा 1/1m – o rei (Yudhiṣṭhira); कुन्तीपुत्रः 1/1m – o filho de Kuntī (कुन्त्याः पुत्रः इति कुन्तीपुत्रः); युधिष्ठिरः 1/1m – (Yudhiṣṭhira); नकुलः 1/1m – Nakula; सहदेवः 1/1m – Sahadeva; च Ø – e; सुघोषमणिपुष्पकौ 2/2m– as conchas chamadas Sughoṣa, a que tem um som alto, e Maṇipuṣpaka, a que tem flores e joias, (सुघोषः च मणिपुष्पकः च इति सुघोषमणिपुष्पकौ).

    अन्वयः

    राजा कुन्तीपुत्रः युधिष्ठिरः अनन्तविजयं (दध्मौ) नकुलः सहदेवः च सुघोषमणिपुष्पकौ (दध्मतुः) ॥ १.१६ ॥

    अनुवादः

    V.1.16 – O rei Yudhiṣṭhira, filho de Kuntī (soprou a sua concha chamada) Anantavijaya, Nakula e Sahadeva (sopraram as suas duas conchas chamadas) Sughoṣa e Maṇipuṣpaka (respetivamente).

    Paulo Vieira

    Julho 2022

  • योगविश्वदिनम् – Yogaviśvadinam – O Dia Mundial do Yoga

    Hoje em todo o mundo celebra-se o dia mundial do Yoga. Por essa razão, hoje decidi compartilhar consigo algumas palavras sobre o Yoga e sobre o que ele representa ou deverá representar.

    Yoga, como já muito bem sabe, significa:

    1 – Meditar, contemplar ou ficar absorto.

    2 – Unir, associar

    3 – Controlar ou parar.

    Estes são os significados[1] que podemos extrair de acordo com a gramática do Sânscrito e com o dhātupāṭha, a lista das raízes verbais.

    Assim, sendo, vamos mais fundo naquilo que é o Yoga –

    Yoga é todo o processo físico, respiratório, emocional/mental e cognitivo que permite a um ser humano chegar a um estado calmo de absorção meditativa.

    Yoga é físico porque está na forma de uma disciplina física, que envolve o corpo. Essa disciplina física faz uso de posturas físicas, denominada āsanas, que têm como principais objetivos a saúde muscular, ligamentosa e articular, promovendo e melhorando a circulação dos fluidos e da energia vital pelo corpo. Para este efeito existem muitos e variados āsanas com graus de dificuldade diferentes e com efeitos diferentes, proporcionando aos praticantes, tanto um estímulo para evoluírem dentro da prática, como também efeitos de saúde diferentes.

    Yoga é respiratório porque uma das suas partes é o prāṇāyāma, as técnicas de expansão, contração e contenção do fluxo respiratório. Estas técnicas são variadas e têm efeitos diferentes, podendo acalmar a mente, ou então estimulá-la, podendo aquecer o corpo, ou então arrefecê-lo, etc. A respiração no Yoga é muito importante, pois faz a ponte entre o físico e o mental, influenciando e harmonizando ambos.

    Yoga é emocional/mental pela simples e importante razão de que o yogin, o praticante, é convidado a aprender a conviver saudavelmente com as suas emoções. Este convívio saudável passa pela identificação correta das emoções que se manifestam, passa pela compreensão das necessidades que não foram supridas e que estão na base da manifestação das emoções, passa pela arte de saber estar com as emoções – principalmente as desagradáveis, como a raiva, a tristeza, o medo, etc., e passa finalmente, pela arte de expressar adequadamente as emoções às pessoas ao nosso redor, o que implica não vitimizar nem violentar ninguém devido às emoções.

    Yoga é cognitivo, pois, ultimamente, terá que haver uma mudança cognitiva na forma como a pessoa se vê. Esta mudança advém do estudo de Vedānta, que revela a verdadeira natureza do Eu, do mundo e de Deus como a única realidade imutável e transcendente, a que chamamos Sat, Existência, Cit, Consciência e Ānanda, Plenitude.

    Fica assim muito claro através desta pequena partilha na forma de palavras sobre o que é o Yoga, que Yoga é uma viagem profunda de transformação pessoal, sem dúvida alguma para melhor, que culmina na visão única de que a essência de tudo é o Ser, e que tomos somos esse Ser.

    21 de Junho de 2022,

    Paulo Abreu Vieira


    [1] 1 – 7√युज् (युजिर्), योगे – raiz verbal “yuj”, pertencente à 7ª conjugação, com o significado de unir, associar.

    2 – 4√युज् (युज), समाधौ – raiz verbal “yuj”, pertencente à 4ª conjugação, com o significado de meditar, contemplar, absorção.

    3 – 10 √युज् (युज), संयमने – raiz verbal “yuj”, pertencente à 10ª conjugação, com o significado de parar, controlar, conter, do qual advém o significado autodomínio.

  • Testemunho dos Alunos – João Luz

    Olá, o meu nome é João, sou aluno de Vedanta,  nem sempre tive uma vida espiritual, aliás tive uma adolescência, algo rebelde. Contudo a idade trouxe-me, discernimento e vontade de aceitar, tudo aquilo que a sociedade tem para oferecer.  Pôrem apesar de ter tido bons resultados, tanto a nível financeiro, como conjugal com dois filhos e um grupo de amigos influentes, constatei que não era realmente feliz, vivia num estado de angústia e ansiedade, com um sentimento de inadequação, perante as pessoas que me rodeavam, e seus objetivos de quererem sempre mais.

    E foi assim, que cheguei até ao yoga, na expectativa de encontrar equilíbrio físico e mental. Depois, Vedanta que ouvi falar pela primeira vez, em conversa com os meus professores de Yoga, a palavra Vedanta, captou de imediato a minha atenção e curiosidade, o que me levou  a pesquisar sobre o tema. Tudo ressoou em mim de tal forma, que decidi aprofundar este  conhecimento e procurar um professor, como sugere a tradição.

    A escolha de um professor atualmente, não é tarefa fácil, na medida que se encontra todo o tipo de informação da internet.

    No entanto, na primeira abordagem com o Professor Paulo, fui tocado pelo seu discurso afável, simples  e objetivo.  Sinto-me abençoado, por ter encontrado um professor assim notável, dedicado e comprometido com o ensinamento.

    Em que aula após aula foi dissolvendo os meus paradigmas, removendo crenças, trouxe-me Insights, clareza e objetividade. As minhas questões mais profundas foram tendo respostas e o modo como via o mundo e a mim próprio foi mudando, e tudo se transformou, em harmonia e quietude.

    Gratidão, querido Professor!

    João Luz

  • ज्योतिष – JYOTIṢA

    Śukra (Vénus)

    Nos textos clássicos, Śukra é descrito da seguinte forma:” Śukra é alegre, de um corpo encantador, olhos belos e brilhantes, cabelo ondulado, constituição mista kapha e vāta, além de ser um poeta.”

    Śukra (Vénus), é o guru dos Asuras, em oposição a Bṛhaspati, Júpiter, guru dos Devas. Está relacionado aos desejos e prazeres de todo tipo, em especial às artes e à sexualidade e fertilidade. Estando ligado ao sémen e ao ato gerador e criativo, Śukra é Śakti, tem a capacidade de geral algo novo. Śukra é pura arte e amor!

    Após os luminares, Śukra é o graha mais brilhante do céu, aquele com capacidade e força que nos impele à ação, a qual faz movimentar a nossa vida. É um grande benéfico, tal como Guru, e possui uma forte influência na nossa vida. Śukra representa a força e o entusiasmo de viver.

    Outros nomes para Śukra são: Bhārgava, Bhrigusutha, Sītā, Kāvya, Bhṛgu.

    Associa-se Śukra especialmente a MahāLakṣmī e outras deidades femininas.

    Outras caraterísticas de Śukra 

    É do género feminino e de constituição mista, kapha e vāta e de natureza saumya (gentil) e rajas (ação). Está associado ao elemento água (jāla), à cor branco, rege a direção sudeste e a sexta feira e pertence àvarṇa dos Brāhmaṇas (classe intelectual e dos sacerdotes), tal como Guru.

    É regente do signo Touro (rāśi vṛṣabha) e do signo de balança ou libra (rāśi tulā).  Exalta-se no signo de peixes (rāśi mīna) e tem a sua debilitação no signo de virgem (rāśi kanyā).

    O seu movimento é rápido, transitando cerca de um rāśi (signo) por mês.

     As melhores posições por casa (bhāvas) num mapa para Śukra são o bhāva 4 onde detém força máxima, e em todos os outros bhāvas, exceto os bhāvas 6, 8 e 12.

    O bhāva no nosso mapa onde está posicionado Śukra, é o local/área da nossa onde expressamos mais a nossa criatividade, beleza, talentos artísticos, os nossos gostos, paixões, romantismo e sexualidade.

    Os grahas amigos de Śukra (Vénus) são Budha (Mercúrio) e Śani (Saturno). Sūrya (Sol) e Chandra (Lua) são inimigos e Maṅgala (Marte) e Guru (Júpiter) são neutros.

    Śukra é significador de ornamentos (bhāva 2), de habilidades artísticas (bhāva 3) de conforto, luxo e veículos (bhāva 4), de paixões (bhāva 5) e de casamento e sexualidade (bhāva 7).

    Alguns dos seus principais significados são relacionamentos, amor, sexualidade, confortos, veículos, riqueza, beleza, prazeres, pedras preciosas, joias, criatividade, artes, música, instrumentos musicais, dança, poesia, harmonia, diplomacia, recetividade, feminilidade, festas, casamento, recetividade, amabilidade, virilidade, paixões, cultura, habilidades, fama, prosperidade, felicidade conjugal.

    Quando bem-disposto num mapa (bem configurado e bem posicionado por signo e casa), pode manifestar qualidades como felicidade conjugal, sensualidade, conforto, equilíbrio, gentileza, harmonia, afeto, gratidão, compaixão, diplomacia, elegância, alegria, bom-humor, sensibilidade, sociabilidade, sentido estético, cultura, refinamento.

    Por outro lado, quando mal posicionado/configurado num mapa (mal configurado e mal posicionado por signo e casa), pode revelar, entre outras, caraterísticas como vaidade, preguiça, futilidade, comportamento lascivo, ignorância, ciúmes, orgulho, vícios, vulgaridade.

    Relativamente ao corpo, podemos associar Śukra à garganta, rins, veias, ovários, útero, sémen, sistema endócrino e sistema urinário.

    Está associado às doenças de kapha e vāta tais como excessos, fraqueza física, doenças do sistema urinário e do sistema reprodutor, infertilidade, impotência, doenças dos rins, tiroide, diabetes e doenças do pâncreas.

    Hari Om

    Maria João Coelho

    saraswativalongo@gmail.com

    https://instagram.com/mariajoaooliveirac

    Imagem – fonte: https://www.astroved.com/