• A Importância do Yoga em Vedānta

    Grandes objetivos geralmente exigem grandes esforços. Grandes conquistas exigem grandes compromissos. Grandes viagens exigem grandes preparações. Quanto maior for a dimensão daquilo que deseja, em princípio maior será o investimento necessário.

    Dito isto, mokṣa, a libertação do sofrimento, é o derradeiro objetivo do Vedānta, que definitivamente não é ganho com uma atitude casual perante a vida. Para que a libertação seja ganha é necessário um compromisso constante acompanhado de muita resiliência.

    Yoga é o meio para ganhar o necessário e essencial para a frutificação do Vedānta, e isso abrange ganhar uma mente afiada e um coração relativamente pacificado e bondoso. Para que estes, mente afiada e coração bondoso, sejam ganhos, a pessoa tem que levar uma vida de valores éticos e morais. Quanto a isto não há dúvida alguma.

    Para além disso, uma vida de valores éticos e morais é chamada uma vida de dharma e certamente vai atrair circunstâncias de vida conducentes e imensamente favoráveis para o processo de estudo de Vedānta.

    O processo de estudo requer uma certa introspeção saudável. Esta só é possível se existir uma certa preparação emocional. Se não for assim o aluno não consegue estar consigo mesmo em paz e irá procurar distrações e o Yoga torna a pessoa capaz e elegível para a introspeção sem causar escapismo.

    Somente o aluno que tenha ganho o valor pela solitude, pela meditação e pelos valores éticos e morais é que terá a disposição interna de mergulhar no ensinamento de Vedānta e torná-lo parte de si. Sem a disposição interna gerada por uma vida de Yoga, o Vedānta é incapaz de germinar a semente do conhecimento, assim como uma semente é incapaz de germinar em cimento.

    Não há Vedānta sem Yoga e Yoga sem Vedānta fica incompleto. O Yoga completa-se com Vedānta e tudo o que ajudar a pessoa a ganhar maturidade, foco mental, capacidade meditativa e a seguir o dharma pode ser chamado de Yoga, seja ele vindo da Índia ou de outro lugar.

    Então, lembre-se de que o processo de crescimento está nas suas mãos, pois mais ninguém poderá crescer por si. Crescer é algo que terá que fazer sozinho. E lembre-se também que o Vedānta está nas mãos do professor. Chegue às aulas de Vedānta munido de Yoga, deixe que o ensinamento e o professor façam a sua função e verá em primeira mão como é bom resultado das aulas.

    Paulo Abreu Vieira

  • ज्योतिष – JYOTIṢA- Principais Indicações Astrológicas – Ano 2023

    Apesar do ano astrológico apenas iniciar quando o Sol dá entrada no rāśi (signo) de Mesha (Carneiro / Áries) no mês de Abril, é comum, no ocidente, considerar o início do ano civil como um momento importante de reflexão e de previsão acerca das promessas mais importantes para o ano que se inicia.

    Desta forma, a minha proposta neste texto, é colocar as principais orientações astrológicas para este ano de 2023, para que cada um possa refletir nas mesmas, tentando integrar todas essas energias na sua vida, quer externa como interna, de forma a navegar nas ondas do samsara de forma mais segura, firme e consciente, tomando as melhores decisões a todo o momento, sempre que possível.

    O ano de 2023 é um ano com uma energia muito forte. Uma energia dinâmica, rápida e intensa que poderá levar a mudanças muito significativas. No entanto, essas mudanças não serão efetuadas de forma tranquila e lenta, mas sim de forma mais impulsiva e talvez até abrupta. É, sem dúvida, um ano de grandes oportunidades para aqueles que estão dispostos a abrir mão do controlo e fluir com a vida, numa atitude de maior flexibilidade e desapego do que já não faz mais sentido permanecer nas suas vidas.

    Um ano que nos vai levar a quebrar padrões, se queremos aproveitar as novas oportunidades que a vida tem reservada para nós.

    Um ano que nos vai trazer desafios quer a nível material como a nível espiritual. O maior deles será tentar encontrar uma ponte segura entre os dois lados, o que apenas será possível se existir uma verdadeira conexão interna e uma vontade sincera no nosso crescimento.

     Se essa vontade estiver presente, assim como a nossa entrega, fé e confiança na consciência divina, então não haverá motivos para preocupação. Tudo ocorre dentro da ordem universal!

           Śani (Saturno) em Kumbha (Aquário)

    A entrada de Śani no signo de Aquário, a 17 de janeiro, é, sem dúvida, um dos assuntos mais relevantes. 

    Śani ficará neste signo até 29 de março de 2025. Neste signo, para além de ser um dos signos regidos por Śani, é o signo onde detém mais força.

    É um signo de ar e de modalidade fixa, muito associado ao coletivo, pelo que o tema social e mudanças na sociedade em geral, estarão em destaque durante este período.

    Antes de continuar, convido todos os que não tiveram ainda oportunidade de ler a newsletter na qual falo acerca de Saturno, para o fazerem, pois entender o que Saturno representa, é fundamental para perceber tudo aquilo pelo qual ele nos poderá fazer passar ao longo deste período. Saturno não é apenas o que restringe e pune, é também aquele com maior capacidade de nos ensinar e fazer crescer. Não da forma mais leve, isso é certo, mas da forma como precisamos e, claro, sempre de acordo com os nossos karmas.

    Importante verificar, em primeiro lugar, em que casa astrológica temos o signo de aquário no nosso mapa e quais os grahas (planetas) ali presentes assim como as casas e os planetas situados nos signos de Áries (carneiro), Leão e Escorpião, pois serão ativados também pelo olhar de Śani.

    Como graha maléfico, Śani atua predominantemente de forma mais severa, podendo levar a perdas e prejuízos, desonras, infortúnios, medos e inseguranças, desentendimentos, mas, atuando de forma mais benéfica, pode levar a progresso material, vitórias, capacidade de trabalho e foco, persistência, honras.

    Tudo irá depender do mapa de cada um, dos karmas individuais espelhados nas diferentes configurações presentes no mapa natal. Desta forma, os resultados poderão variar muito consoante a pessoa em questão.

    No entanto, e de forma mais generalizada, coloco abaixo os possíveis principais resultados para este trânsito de Śani em Aquário, pelas casas, tendo em conta o lagna (ascendente):

    Lagna/Ascendente

    Mesha (Carneiro / Áries)

    Śani estará na casa 11 a partir do lagna, é o regente da casa 10 na casa 11 e aspecta (olha), com maior força, as casas 1, 5 e 8.

    O trabalho árduo poderá vir a ser recompensado, com progresso económico e material. Importante não deixar para depois o que há para fazer. Não perder tempo e trabalhar com dedicação, para colher esses frutos.

    Poderão existir algumas dificuldades para a mãe e para os amigos. É um excelente momento para refletir acerca das verdadeiras amizades.

    Vrshabha (Touro)

    Śani estará na casa 10 a partir do lagna, é o regente da casa 9 na casa 10 e aspecta (olha), com maior força, as casas 12, 4 e 7.

    Posicionamento muito favorável para progresso na carreira, honras, prosperidade. Possibilidade de mudanças a nível profissional e a nível de residência.

    É tempo para investir na profissão e ter em atenção os possíveis conflitos a nível relacional.

     Mithuna (Gémeos)

    Śani estará na casa 9 a partir do lagna, é o regente da casa 8 na casa 9 e aspecta (olha), com maior força, as casas 11, 3 e 6.

    É o final da passagem de Śani pela casa 8 nos últimos 2,5 anos o que pode ter trazido alguns infortúnios. Não ficar preso ao passado, mas, apesar disso, é importante evitar o excesso de otimismo.

    Possibilidade de viagens e deslocações, tendência para problemas de saúde, problemas com inimigos. Conselho: dedicação a causas sociais.

    Karka (Caranguejo /Câncer)

    Śani estará na casa 8 a partir do lagna, é o regente da casa 7 na casa 8 e aspecta (olha), com maior força, as casas 10, 2 e 5.

    É o início do período da passagem de Śani pela casa 8, o que pode representar um período desafiante. Perdas, doenças e sofrimentos, mudanças no trabalho, incapacidade de levar projetos para a frente, são alguns dos possíveis resultados. É muito importante fortalecer a mente e o corpo. Poderão existir ganhos materiais provenientes de heranças e recursos de outros.

    Simha (Leão)

    Śani estará na casa 7 a partir do lagna, é o regente da casa 6 na casa 7 e aspecta (olha), com maior força, as casas 9, 1 e 4.

    O tema afetivo estará em destaque. Ter em atenção os relacionamentos (afetivos e parcerias profissionais), os quais poderão passar por uma fase mais delicada. Possibilidade de problemas de saúde. Necessidade de observar os desejos com cuidado e tomar decisões acertadas e objetivas.

    Kanya (Virgem)

    Śani estará na casa 6 a partir do lagna, é o regente da casa 5 na casa 6 e aspecta (olha), com maior força, as casas 8, 12 e 3.

    Possibilidade de prosperidade, vitória sobre os inimigos e boa saúde. Importante cuidar do corpo, instaurar bons hábitos, focar em pensamentos positivos, escutar os outros e não cair em comportamentos de procrastinação.

    Tula (Balança / Libra)

    Śani estará na casa 5 a partir do lagna, é o regente da casa 4 na casa 5 e aspecta (olha), com maior força, as casas 7, 11 e 2.

    O principal foco estará no tema dos filhos (poderá haver algumas questões mais difíceis de lidar). Possibilidade de mudanças na carreira, estabilidade financeira (evitar empréstimos e dívidas). Maior interesse pelos estudos.

    Vrishkha (Escorpião)

    Śani estará na casa 4 a partir do lagna, é o regente da casa 3 na casa 4 e aspecta (olha), com maior força, as casas 6, 10 e 1.

    Aqui, o principal objetivo de Śani é fazer com que a pessoa saia da sua zona de conforto. Aprender a deixar fluir e usufruir de novas experiências. Poderão existir mudanças/problemas familiares e relacionados com habitação, imóveis. Possibilidade de deslocações e mudanças de residência.

    Dhanus (Sagitário)

    Śani estará na casa 3 a partir do lagna, é o regente da casa 2 na casa 3 e aspecta (olha), com maior força, as casas 5, 9 e 12.

    Boas perspetivas: vitórias, felicidade, honras, aquisições, coragem capacidade de iniciativa, libertação de medos. Cuidado com as promessas irrealistas.

     É o fim do Sade Sati para os que possuem a Lua (Chandra) neste signo – período difícil de 7,5 anos no qual Śani transita pelo signo da lua, pelo signo anterior (casa 12 a partir da lua) e pelo signo seguinte (casa 2 a partir da lua).

    Possíveis problemas relacionados com o pai e irmãos.

    Makara (Capricórnio)

    Śani estará na casa 2 a partir do lagna, é o regente da casa 1 na casa 2 e aspecta (olha), com maior força, as casas 4, 8 e 11.

    Última fase do Sade Sati (últimos 2,5 anos) para os que possuem a Lua (Chandra) neste signo – período difícil de 7,5 anos no qual Śani transita pelo signo da lua, pelo signo anterior (casa 12 a partir da lua) e pelo signo seguinte (casa 2 a partir da lua).

    Infortúnios, problemas com familiares e financeiros, deslocações e mudanças de residência. Necessidade de ter em atenção a forma de comunicação. Bom momento para tratar do corpo, para dietas.

    Kumbha (Aquário)

    Śani estará na casa 1 a partir do lagna, é o regente da casa 12 na casa 1 e aspecta (olha), com maior força, as casas 3, 7 e 10.

    Auge do Sade Sati (últimos 2,5 anos) para os que possuem a Lua (Chandra) neste signo – período difícil de 7,5 anos no qual Śani transita pelo signo da lua, pelo signo anterior (casa 12 a partir da lua) e pelo signo seguinte (casa 2 a partir da lua).

    Possibilidade de dificuldades nos relacionamentos, problemas de saúde (necessidade de prestar muita atenção à saúde). Probabilidade de conquistas e honras. Possibilidade de deslocações e mudança de residência. Necessidade de maior conexão interna e capacidade de desapego dos resultados.

    Mina (Peixes)

    Śani estará na casa 12 a partir do lagna, é o regente da casa 11 na casa 12 e aspecta (olha), com maior força, as casas 2, 6 e 9.

    Início do Sade Sati (últimos 2,5 anos) para os que possuem a Lua (Chandra) neste signo – período difícil de 7,5 anos no qual Śani transita pelo signo da lua, pelo signo anterior (casa 12 a partir da lua) e pelo signo seguinte (casa 2 a partir da lua).

    Possibilidade de aumento dos gastos, despesas, prejuízos, tristezas, isolamento, mudanças de residência e deslocações. Aprender a diminuir as expectativas e fluir com a vida.

    Guru (Júpiter) em Mesha (Carneiro / Áries)

    Guru entrará no signo de Mesha (Áries/Carneiro) em 21 de abril. Guru sairá de Peixes, signo que rege e ficará em Áries por cerca de um ano, disposto por Maṅgala (Marte), regente deste signo.

    Sendo Áries um signo de fogo e cardinal, ou seja, com uma energia de impulso, iniciativa e ígnea, podemos verificar que a passagem de Guru por este signo não passará despercebida.

    Os aspectos materiais da vida poderão vir a estar em destaque, trazendo conquistas e ganhos e persecução de objetivos mais práticos e lógicos. Como significador máximo do conhecimento e da espiritualidade, Guru, no signo de Áries poderá trazer muita vontade de enveredar por estudos e práticas espirituais, com grande energia, com muito fogo, mas com risco de pouco aprofundamento. A conjunção que acontecerá em abril entre Guru e Rāhu, um dos nodos lunares, contribuirá eventualmente ainda mais por uma busca repentina e obsessiva, mas com alguma falta de discernimento e ilusão.

    De qualquer forma, tudo aquilo em que Guru toca, tem tendência para expandir e ser abençoado. É esperada uma energia bastante ativa no que toca a todos os assuntos significados por Guru, assim como o que ele representa no nosso mapa natal e a casa onde está situado no nosso mapa natal.

    A casa no nosso mapa por onde transitará Guru, em Áries, terá tendência a ser expandida e beneficiada. Se durante este trânsito Guru tocar em grahas maléficos, tenderá a suavizá-los e se tocar em grahas benéficos, trará boa fortuna, mas possivelmente alguma indulgência.

    Guru aspecta com a máxima força as casas 7, 5 e 9 a partir da sua posição, logo, em Áries, poderá ter um impacto maior nas casas onde temos os signos de Libra (Balança), Leão e Sagitário.

    O impacto mais ou menos positivo dependerá muito da força do Guru no nosso mapa e das configurações restantes. Mais uma vez, aconselho a leitura da newsletter que foca o tema de Guru, para melhor entendimento.

    Eclipses 2023

    Nota: Para melhor entendimento do fenómeno dos eclipses, aconselho a leitura das newsletters referentes aos nodos lunares: Rāhu e Ketu.

    Os nodos lunares andam sempre em sentido retrógrado e demoram cerca de 19 meses em cada signo. Rāhu e Ketu, os Chāyā grahas (planetas sombra) correspondem aos pontos do eclipse.

    Desde 2022 que o eixo no qual os eclipses têm ocorrido corresponde ao eixo. Áries – Libra e assim continuará durante todo o ano de 2023.

     A nível pessoal, este eixo está relacionado a questões envolvendo o eu e o outro, o desejo de se afirmar, ter iniciativas e agir conforme a própria individualidade versus a manutenção de relações e acordos. 

    Este eixo vai continuar a despertar questões como o quanto cada um consegue manter a sua individualidade e independência (Áries) versus a sua participação em parcerias, relações e a sua habilidade de interação (Libra).

    Os eclipses ocorrerão nas seguintes datas:

    20 abril – eclipse solar (total) em Áries

    Será visível na Austrália Ocidental, Timor-Leste, Indonésia, Sudeste Asiático e Nova Zelândia.

    5 de maio – eclipse lunar (penumbral) em Libra

    Será visível na Europa, Ásia, Austrália e África.

    14 de outubro – eclipse solar (anelar) em Libra

    Será visível na América do Sul (exceto sul do Chile e da Argentina), América do Norte (exceto Groenlândia) e América Central. 

    28 de outubro – eclipse lunar (parcial) em Áries

    Será visível na Europa, Ásia e África, extremo leste da América e parte da Austrália. No Brasil, parte da Região centro-Norte poderá contemplar o fenômeno.

    Quanto mais visível o eclipse na região onde nos encontramos, maior os seus efeitos.

    Os eclipses afetarão em particular quem tiver grahas no eixo áries – libra ou quando esse eixo corresponde a áreas importantes do mapa. De qualquer forma, as casas onde ocorrem os eclipses terão os seus temas afetados por estas energias.

    Os efeitos dos eclipses podem ocorrer até cerca de seis meses após a sua ocorrência, sendo responsáveis, muitas vezes, por mudanças abruptas na vida da pessoa, correspondendo a finais ou inícios de novos ciclos. São períodos que fogem por completo ao nosso controlo e quando decisões são tomadas, mudam, por completo, a nossa vida.

    Como o eixo é o mesmo de 2022, é natural que os temas em foco permaneçam os mesmos, com variações dos seus efeitos, mais ou menos positivas. Tudo irá sempre depender das configurações gerais do mapa de cada um.

    Estes eclipses ativarão também Guru e os temas e casa a ele associados, pois durante a sua passagem pelo signo de Áries, estará sujeito a uma influência maior destes eventos.

    Períodos de Retrogradação

    Os períodos de retrogradação são períodos para fazer pausas, de reflexão, de revisitar assuntos pendentes, períodos em que os assuntos significados pelo graha retrógrado, são convidados a serem revistos e ponderados.

    São vários os grahas que ficam retrógrados todos os anos e encontram, nesse período, possibilidade de estarem em destaque nas nossas mentes, nas nossas vidas.

    Listo aqui os períodos de retrogradação dos diferentes grahas neste ano de 2023:

    Śani – 17/06/23 a 4/11/23

    Guru – 5/09/23 a 31/12/23

    Maṅgala- esteve retrógrado desde final de outubro e ficou em movimento direto a 12 de janeiro. Nâo volta a retrogradar este ano.

    Śukra – 22/07/23 a 3/09/23

    Budha – Fica hoje, 18/01/23, em movimento direto

                   21/04/23 a 14/05/23

                   23/08/23 a 15/09/23

                   13/12/23 a 31/12/23

    Ciclos lunares

    É também muito importante estar atento aos ciclos lunares, observando os diferentes momentos da lua cheia e da lua nova, movimentos naturais aos quais também nós nos devemos adaptar e fluir com os mesmos.

    Porque há momentos de expansão, de dinamismo e de trabalho, mas também são necessários os momentos de pausa, descanso e interiorização, é fundamental que entendamos que, tal como a natureza, tudo é cíclico e devemos observar, aceitar e integrar esses mesmos ciclos nas nossas vidas.

    Na próxima edição da Mukti, elaborarei e anexarei um documento com todas as lunações do ano de 2023 com os seus posicionamentos por rāśi (signo) e por nakshatra (consultar este tema na newsletter do mês de dezembro).

    Hari Om

    Maria João Coelho

    Imagem – Fonte: https://marceladiomede.es/

  • आयुर्वेद -Āyurveda – O Mundo Moderno

    Āyurveda tem vindo a ganhar popularidade nas últimas décadas. Cada vez mais pessoas procuram abordagens naturais e holísticas para a saúde pois e apesar das suas raízes milenares, o āyurveda parece estar a tornar-se cada vez mais relevante no mundo moderno ao oferecer perspectivas únicas sobre saúde e bem-estar.

    Um dos princípios fundamentais do āyurveda é o princípio dos opostos. Este princípio define que o excesso de certas qualidades deve ser equilibrado com os seus opostos. Isto pode parecer básico pois é o que fazemos naturalmente por exemplo, com o uso de diferentes guarda roupas consoante o calor do verão e o frio do inverno. Mas vamos expandir um pouco mais este conceito.

    Ao olhar para o mundo moderno podemos constatar que este é rápido, irregular e instável. Ainda que existiram problemas em qualquer momento da existência humana, não será errado assumir que nunca houve uma altura em que mudanças se dessem tão rápido. Mudanças rápidas criam mais irregularidades e aumentam a instabilidade não só no mundo exterior como no mundo interior. Aplicando o princípio dos opostos, o remédio para algumas aflições do mundo moderno seriam calma, regularidade e estabilidade.

    āyurveda reconhece que para saúde e bem estar verdadeiros tem de haver equilíbrio a conexão entre o corpo, a mente, e o Eu. O corpo humano efectivamente não precisa de instruções. A nossa anatomia e fisiologia foi muito bem estruturada para dar sinais claros de quando precisa de manutenção, quando precisa de energia a fome chega, quando precisa de eliminar sentimos necessidades fisiológicas, quando sente frio treme, e por aí adiante. De uma forma simplista o corpo apenas requer que seja nutrido e usado adequadamente. A mente é mais complexa mas, de acordo com as ciências védicas, a sua natureza é sattva. A mente está equilibrada quando não está influenciada negativamente pela energia de rajas ou inércia de tamas. Uma mente equilibrada é uma mente presente e pacífica, capaz de navegar as manipulações dos gostos e das aversões. Finalmente, de acordo com o āyurveda, o Eu é eterno e não sofre qualquer tipo de aflições.

    Quando um carro está a ir rápido demais, de forma irregular e instável a coisa mais segura a fazer é mesmo parar.

    Da mesma forma, devíamos aprender a baixar o nosso ritmo excessivo nem que seja uns minutos por dia. Parar… respirar fundo… deixar a mente acalmar e de forma consciente voltar aos nossos afazeres. Quer queiramos quer não, o corpo gosta de rotinas. O corpo nutre-se ou desnutre-se dependendo da qualidade dos hábitos que criamos para eles. Portanto, ter uma rotina regular de saúde favorável ao desempenho do corpo é uma forma de criar regularidade e estabilidade.

    Com os desenvolvimentos tecnológicos e com a maneira como a tecnologia infiltrou quase todas as áreas das nossas vidas, acabamos por viver uma desconexão nunca vista em relação ao mundo natural. No contexto virtual, a tecnologia permite conectar mais pessoas do que nunca, mas será que estamos realmente mais conectados ao mundo real? Aos poucos fomos trocando tempo ao ar livre na natureza por entretenimento na TV, actividades lúdicas por consolas e telemóveis. Chegamos ao ponto de vermos famílias sentadas na mesma mesa e cada elemento a olhar para um aparelho que aos poucos se tornou a sua conexão com a realidade.

    Qualquer solução para os problemas do mundo moderno não passa necessariamente por mudar o que é, mas sim como aprender a lidar com tudo o que se encontra à nossa volta de forma mais saudável. Perceber as qualidades a que estamos expostos e nos causam desequilíbrios, usar princípios apropriados para nos equilibrarmos. Coisas simples como parar para respirar fundo, ter rotinas saudáveis, passar mais tempo na natureza e reavivar contacto humano são exemplos de como o āyurveda e outras ciências milenares terão sempre muito a oferecer pois os princípios sobre quais foram desenvolvidas não mudam.

    Ricardo Barreto

    Terapeuta de Ayurveda

    www.instagram.com/wayofayurveda_pt

    +351 925380997

  • भगवद्गितायाः व्याकरणम् – Análise gramatical da Bhagavadgītā – 19

    भगवद्गितायाः व्याकरणम् – Análise gramatical da Bhagavadgītā

    (continuação)

    Símbolos usados na análise gramatical:

    √ –  raíz verbal; ⊘ –  indeclinável; m – género masculino; f – género feminino; n – género neutro; I/1 – primeira pessoa singular; II/1 – segunda pessoa singular (a numeração romana indica a pessoa, a numeração indo-arábica indica o número, que pode ser singular, dual ou plural; 1/1 – 1º caso singular; 1/2 –  1º  caso dual; 1/3 – 1º  caso plural; 2/1 – 2º  caso singular (existem oito casos, vibhaktis, no total; 7/1 – sétimo caso singular; P – parasmaipadī; Ā – ātmanepadī; U – ubhayapadī; VA – voz ativa (kartari prayoga); VP – voz passiva.

    योत्स्यमानानवेक्षेऽहं य एतेऽत्र समागताः ।

    धार्तराष्ट्रस्य दुर्बुद्धेर्युद्धे प्रियचिकीर्षवः ॥ १.२३ ॥

    पदच्छेदो (सन्धिच्छेदः) विभक्तिपरिच्छेदः पदार्थो व्युत्पत्तिश्च

    योत्स्यमानान् 2/3m √युध् + लृट् + शानच् – os que estarão a lutar; अवेक्षे I/1, अव√ईक्ष् – eu desejo ver; अहं 1/1 अस्मद् शब्दः – eu; ये1/3m यद् शब्दः – os que; एते 1/3m, एतद् शब्दः – estes; अत्र – aqui; समागताः 1/3m, सम+आ√गम्+क्त – reunidos; धार्तराष्ट्रस्य 6/1m – do filho de Dhṛtarāṣṭra (धृतराष्ट्रस्य पुत्रः इति धार्तरष्ट्रः दुर्योधनः); दुर्बुद्धेः 6/1m – cuja forma de pensar é errada (कुत्सिना बुद्धिः यस्य सः); युद्धे 7/1n – na guerra; प्रियचिकीर्षवः 1/3m – desejosos de fazer o que é favorável (प्रियं कर्तुम् इच्छवः).

    अन्वयः

    ये एते अत्र समागताः दुर्बुद्धेः धार्तराष्ट्रस्य युद्धे प्रियचिकीर्षवः अहं योत्स्यमानान् अवेक्षे ॥

    अनुवादः

    Tradução:

    V.1.23 – Eu desejo ver estes que estão aqui reunidos prontos para lutar na guerra e desejosos de fazer o que é favorável para Duryodhana, o filho de Dhṛtarāṣṭra, cuja forma de pensar é errada.

  • ज्योतिष – JYOTIṢA- Nākṣatra

    O nakṣatras são vinte e sete asterismos que foram descritos na antiguidade, nos Vedas, tendo por base o ciclo sideral lunar de 27,321 dias. Na mitologia, os nakṣatras são considerados as noivas de Chandra, o deva que preside a Lua e que, por ser inquieto e lascivo, cada dia deita-se com uma das suas esposas, percorrendo, desta forma, os 27 nakṣatras ao longo de um mês.  De acordo com a astrologia, o zodíaco tem 360 graus, sendo que cada um dos nakṣatras ou constelações se estende por cerca de treze graus e vinte minutos., iniciando no grau zero do signo de Áries. Estes signos lunares ou mansões lunares constituem a referência mais antiga nos textos clássicos e são de crucial importância, possuindo um sistema de interpretação próprio e independente dos signos solares. Daqui se depreende a importância da análise efetuada a partir de Chandra (lua) e do signo que ela ocupa. No entanto, para certas análises, é igualmente importante verificar qual o nakṣatra do lagna (ascendente), do regente do ascendente e outros grahas.

    Ainda hoje são extremamente utilizados não só na análise das caraterísticas individuais de cada pessoa (como o seu temperamento e motivações) e na confirmação dos karmas desta vida, como também para eleger dias propícios para a realização de rituais (como casamentos) e início de atividades específicas e momentos mais auspiciosos para certas atividades (astrologia eletiva ou Muhūrta). São igualmente utilizados nas sinastrias (verificação de compatibilidade entre mapas), retificação de horário de nascimento e cálculo das daśās (períodos planetários).

    Na medida em que os 27 nakṣatras podem ser convenientemente divididos em três grupos de nove, e visto que 9 vezes 13 graus e 20 minutos equivale a 120 graus, o que equivale a três signos completos (4 vezes 30 graus), os primeiros nove nakṣatras, de Ashvini até Ashlesha, cobre as constelações de Áries até Câncer; o segundo grupo, de Magha até Jyeshtha, calha precisamente dentro das constelações de Leão até Escorpião, e o último grupo, de Mula até Revati, cai entre Sagitário e Peixes. Cada um destes grupos começa com um signo de fogo (Áries, Leão e Sagitário) e termina num signo de água (Câncer, Escorpião e Peixes).

    A interpretação dos nakṣatras é feita a partir de referências deixadas na literatura sagrada, ou seja, nos Vedas, Pūraṇas e Tantras. Nela encontramos histórias sobre os devas que foram relacionados a cada nakṣatra, o que nos auxilia no processo de compreensão deles. Outra referência importante em relação à interpretação dos nakṣatras são os atributos que foram listados nos clássicos de jyotiṣa, o que inclui classificação relativamente a varṇa, guṇa, natureza, tattva, Śakti, meta, atividade, qualidades, gaṇa, gênero, natureza, nāḍī, partes do corpo, etc., além de descrições dos autores clássicos a respeito dos resultados a serem esperados de Chandra em cada nakṣatra.

    Nas próximas edições, irei focar nestes aspetos mais específicos dos nakṣatras.

    Abaixo apresento a listagem dos nakṣatras, com a sua distribuição longitudinal ao longo dos rāśis (signos) e o deva/devī relacionado a cada um deles.

    Fonte tabela: https://sriganesa.blogspot.com/

    Hari Om

    Maria João Coelho

    Fonte foto https://atcaminhante.wordpress.com

  • Testemunho dos Alunos- Joel Monteiro

    Conheci o professor Paulo Vieira em Junho de 2018, quando da vinda do professor Jonas Masetti a Portugal para fazer o caminho de Santiago. Nessa altura, houve dois workshops sobre o tema “O caminho do buscador na Tradição Védica”. Gostei de os ouvir falar e fiquei satisfeito por, finalmente, termos um português com o Conhecimento de Vedanta obtido junto de um mestre como o Swami Dayananda. O professor Paulo tinha acabado de lançar o seu primeiro livro “Preces matinais antigas da Índia”.

    A vida tem sido uma sucessão de encontros, uns bons e outros nem por isso, mas que me serviram para ganhar experiência e encontrar o meu caminho.

    Foi por curiosidade que comecei a praticar Yoga em 1997. Encontrei um “pseudo mestre” de uma Associação e tirei lá um curso de professor de Yoga. Em 2006 abri um Centro de Yoga (Alverca do Ribatejo). Saí dessa Associação por discordar do comportamento incoerente e egocêntrico do dito “mestre”. Senti-me então perdido, enganado e sem apoio prático e filosófico, mas continuei sempre com as aulas de Yoga.

    Na dita Associação por onde andei, tinham-me ensinado que o Vedanta era oposto ao Sāṃkhya, que o Sāṃkhya é que era o primeiro, o mais genuíno, puro e antigo darshana (doutrina filosófica hindu), que o Vedanta não era tântrico, não era matriarcal, que o Vedanta preconizava o celibato, enfim, que o Vedanta não interessava.

    Ouvi então falar do professores de Yoga Pedro Kupfer, Miguel Homem e da professora de Vedanta Glória Arieira. De workshop em workshop fui percebendo o novo caminho do Vedanta. Fui esclarecendo dúvidas, eliminando fantasmas psicológicos ligados aos aspectos religiosos (na época considerava-me um ateu convicto). Houve uns textos do Swami Dayananda, que fizeram o “click” que eu precisava. Esses textos chamam-se “Dois estilos de vida”, “Trazendo o Vedanta para a vida” e “Só Deus”. Aquelas palavras que li fizeram sentido para mim, era assim mesmo que eu pensava. Finalmente, encontrei quem tinha um conhecimento firme, coerente, lógico e esclarecedor. Alguém que ia ao fundo das questões, as colocava de modo simples, não dogmático e respondia com lógica e sabedoria.

    Em 2009 comecei a ouvir as lições da professora Glória Arieira todas as semanas, durante 3 anos. Foi quando, pela primeira vez, comecei a ouvir com detalhe e de um modo mais profundo, o conhecimento transmitido pela Bhagavad GÍtā e a desmistificar o que era o Vedanta e o Sāmkhya. Depois, em Fevereiro de 2015, estive em Rishikesh onde tive a bênção de estar em palestras do Swami Dayananda, ao vivo. Mais tarde, em 2017, ao pesquisar na internet, encontrei o professor Jonas Masetti. Como ele pertencia á linhagem do Swamiji, inscrevi-me como aluno.

    O estudo mais profundo do Vedanta, levou-me ao contacto com o professor Paulo. Hoje, já reformado, estou mais tranquilo relativamente às minhas dúvidas iniciais e sei que o professor Paulo é capaz de fazer crescer a divulgação deste Conhecimento, de nos ajudar a assimilar e contemplar que afinal tu já és Pleno. Sinto-me confiante por este bem tão precioso, que é o Conhecimento, ter continuidade.

    Om namah Shivaya.

  • Mensagem de Natal

    O Natal está à porta e com ele vem o ano novo que nos pede sempre uma reflexão retrospetiva na qual pesamos as coisas boas e as más para fazermos um balanço do que foi o ano.

    Para uns é uma época de muita felicidade, que reencontrarão a família e celebrarão o amor e a felicidade familiar na companhia dos filhos, netos e até bisnetos. Para outros restam a solidão e as memórias dos natais de outrora, quando a família era numerosa, unida e feliz.

    Cada um vive o natal à sua maneira, como deseja ou como pode, seguindo as tradições culturais e familiares, que muitas vezes diferem entre si. Apesar de todas as diferenças superficiais, há um espírito que une todas as pessoas no mundo, é o espírito natalício, que nada mais é do que o espírito de amor, o espírito de Jesus.

    A mensagem que neste Natal de 2022 gostaria de passar é a seguinte: O amor deverá ser bidirecional: deverá ser dirigido para os demais seres vivos que partilham este planeta connosco, e deverá ser também dirigido para si próprio. A prática do amor – sim o amor é uma prática – só ficará completa se se amar e se amar os demais.

    Estas são algumas expressões do amor:

    1 – Amor é cuidar. Cuide-se e ajude os outros a cuidarem-se.

    2 – Amor é compreender: Compreenda-se e faça um esforço compreenda os demais.

    3 – Amor é compaixão: Às vezes é fácil sentir compaixão pelos outros. Sinta-a por si também.

    4 – Amor é respeito: Respeite-se e aprenda a respeitar os demais.

    5 – Amor é gratidão: Agradeça-se a si por ser quem é e seja grato por tudo o que recebe.

    6 – Amor é dar: Dê, partilhe, ofereça, pois quando o faz, está a dar a si próprio

    7 – Amor é receber: Aprenda a receber, e faça feliz aquele que dá.

    8 – Amor é lutar: Lute pelos seus ideais e pelos seus valores.

    9 – Amor é sonhar: Sonhe o futuro lindo e benéfico que quer para si.

    10 – Amor é amar: pratique em pensamento, em palavras e em ações o amor; certamente descobrirá o que é amar.

    Desejo a todos um Bom Natal e um Feliz 2023!

    Paulo Abreu Vieira

    Dezembro, 2023

  • आयुर्वेद – Āyurveda – A mente e o Ayurveda. Parte 2

    No último artigo falámos de algumas considerações acerca da mente de acordo com o āyurveda, hoje seguimos com perspectivas acerca de saúde mental e possíveis tratamentos.

    Saúde mental

    Embora não existam textos clássicos específicos sobre saúde mental, baseado nas informações espalhadas neles, podemos dizer que as doenças da mente são caracterizadas por:

    • diminuição das funções gerais da mente (controle dos órgãos dos sentidos, autocontrole, hipótese e consideração)
    • diminuição do discernimento, memória, etc
    • falta de força de vontade
    • viciação de rajas e tamas
    • possível envolvimento de elementos fisiológicos

    Alguns factores gerais que podem comprometer a saúde mental

    • contacto insalubre com o tempo, intelecto e sentidos (3 factores referidos noutro artigo)
    • não seguir uma boa conduta de valores pessoais, sociais, éticos, espirituais, etc
    • supressão inadequada de impulsos mentais, verbais e físicos.
      • por exemplo, medo, vaidade, mentiras, insultos, etc devem ser suprimidos
      • impulsos naturais como urina, fezes, fome e sono, etc não devem ser suprimidos
    • karma de vidas passadas
    • a natureza ou constituição do indivíduo
    • concretização de desejos ou aversões

    Sendo āyurveda um sistema holístico é por vezes, muito difícil fazer uma distinção clara ou separação do funcionamento do corpo e da mente visto estarem sempre interligados. Mas, de acordo com o āyurveda, distúrbios emocionais como inveja, depressão, ansiedade, raiva são causados por rajas e tamas desregulados. Outras patologias mais complexas têm também um envolvimento com vāta, pitta e kapha.

    Tratamento

    Existem três grandes correntes de tratamento

    • daivavyapāśraya (terapia espiritual) – inclui mantras, oferendas, rituais, peregrinações, etc
    • yuktivyapāśraya – regime de alimentação e estilo de vida, medicação, tratamentos
    • sattvāvajaya – controle da mente ou afastamento da mente de objectos insalubres

    Todas estas correntes terapêuticas podem e são normalmente utilizadas em qualquer doença, mas no contexto específico da mente gostaria de explorar um pouco sattvāvajaya. A palavra sattvāvajaya é composta por sattva, que neste caso quer dizer mente e avajaya que pode ser traduzida como conquista, vitória, etc. Então sattvāvajaya quer dizer: conquista ou vitória sobre a mente.

    A verdade é que esta palavra aparece uma única vez nos textos clássicos e é simplesmente explicada como: “a remoção da mente de objectos prejudiciais”. Mas se olharmos para o resto dos textos, normalmente terapias para a mente assentam no autoconhecimento, conhecimento em geral, aumento do discernimento, coragem, memória e do poder de concentração.

    Então na verdade, uma intervenção ayurvédica no contexto de saúde mental, passa sempre por uma reavaliação de nutrição e estilo de vida, um possível reforço fitoterápico com formulações que suportem as funções mentais e também algumas técnicas de suporte que passam por uma espécie de “psicoterapia” que pode inclui trabalho emocional, regulação dos processos mentais, reformulação de ideias, orientar objectivos, auto controlo, auto conhecimento, reavaliação da realidade, etc.

    Embora não esteja implícito nos textos em si, podemos apreciar a importância que uma vida e prática de yoga, o estudo de vedanta, meditação, e variadas terapias têm nestes processos. De uma perspectiva āyurvedica estes não só são úteis para a prevenção, mas também como um suporte fundamental no tratamento de doenças da mente.

    Existem certas teorias ou opiniões de que o facto de os textos clássicos não se debruçarem muito sobre doenças da mente corpo em comparação a doenças do corpo.

    Uma das teorias diz que possivelmente haveriam pessoas especializadas nesta terapia de sattvāvajaya por isso não havia necessidade de muita explicação.

    Outra seria devido ao facto de que, devido a um estilo de vida mais simples e mais alinhado com a natureza e de forma geral menos stressado, havia menos recorrências de problemas relacionados com a mente.

    Fica aqui uma contemplação para o novo ano!

    Ricardo Barreto

    Terapeuta de āyurveda

    www.instagram.com/wayofāyurveda_pt

    +351 925380997

  • भगवद्गितायाः व्याकरणम् – Análise gramatical da Bhagavadgītā – 19

    Símbolos usados na análise gramatical:

    √ –  raíz verbal; ⊘ –  indeclinável; m – género masculino; f – género feminino; n – género neutro; I/1 – primeira pessoa singular; II/1 – segunda pessoa singular (a numeração romana indica a pessoa, a numeração indo-arábica indica o número, que pode ser singular, dual ou plural; 1/1 – 1º caso singular; 1/2 –  1º  caso dual; 1/3 – 1º  caso plural; 2/1 – 2º  caso singular (existem oito casos, vibhaktis, no total; 7/1 – sétimo caso singular; P – parasmaipadī; Ā – ātmanepadī; U – ubhayapadī; VA – voz ativa (kartari prayoga); VP – voz passiva.

    अर्जुन उवाच ।

    सेनयोरुभयोर्मध्ये रथं स्थापय मेऽच्युत ॥ १.२१ ॥

    यावदेतान्निरीक्षेऽहं योद्धुकामानवस्थितान् ।

    कैर्मया सह योद्धव्यमस्मिन्रणसमुद्यमे ॥ १.२२ ॥

    पदच्छेदो (सन्धिच्छेदः) विभक्तिपरिच्छेदः पदार्थो व्युत्पत्तिश्च

    अर्जुनः 1/1m – Arjuna; उवाच III/1, 2P√वच्, लिट् – disse, falou; सेनयोः 6/2f – dos dois exércitos; उभयोः 6/2f, उभ शब्द, सर्वनाम – dos dois; मध्ये 7/1n – no meio; रथं 2/1m – a carruagem; स्थापय II/1, 1P√स्था, णिजन्त, लोट् – por favor posicione; मे 6/1m अस्मद् शब्द, सर्वनाम – meu (minha); अच्युत 8/1m – ó Acyuta (Aquele que é imperecível, Senhor Kṛṣṇa); यावत् Ø – até;  एतान् 2/3m, एतद् सर्वनाम – estes; निरीक्षे III/1, निर्1A√ईक्ष्, लट्; अहं 1/1, अस्मद् शब्दम्, सर्वनाम – eu; योद्धुकामान् 2/3m विशेषणम् para एतान् – desejos de lutar (योद्धुं कामः, तन्); अवस्थितान् 2/3m विशेषणम् para एतान् – reunidos, estacionados;

    कैः 3/1m, किम् शब्द, सर्वनाम – (por) quais?; मया 3/1, अस्मद् शब्द, सर्वनाम – por mim; सह Ø – com; योद्धव्यम् 1/1n – (a guerra) deve ser lutada; अस्मिन् 7/1m इदम् शब्द, सर्वनाम – neste; रणसमुद्यमे 7/1m – no começo da guerra, no esforço que é a guerra (रणस्य समुद्यमः रणसमुद्यमः, तस्मिन्).

    अन्वयः

    अर्जुन उवच, (हे) अच्युत, उभयो सेनयोः मध्ये मे रथम् स्थापय, यावत् अहम् एतान् अवस्थितान् योद्धुकामान् निरीक्षे,

    अस्मिन् रणसमुद्यमे कैः सह मया योद्धव्यम् ॥

    अनुवादः

    Tradução:

    V.1.21 e 1.22 – Arjuna disse: Ó Acyuta (Senhor Kṛṣṇa, aquele que é imperecível), por favor posicione a minha carruagem entre os dois exércitos até eu (poder) ver estes (guerreiros aqui) reunidos e desejosos de lutar, e (para poder ver) com quem terei que lutar neste começo da guerra.

  • Testemunhos dos alunos – Ricardo Louro

    A minha jornada no Vedanta com o professor Paulo começou em 2020, fruto de uma sede insaciável de aprofundar a minha relação comigo e com o mundo que me rodeia.

    Desde muito cedo comecei a sentir uma insatisfação profunda em relação aos caminhos de vida que me eram apresentados pela sociedade. Vivia com uma certeza inabalável (sabe-se lá de onde) que a vida podia ser muito mais do que aquilo que via à minha volta a acontecer, e com uma frustração extremamente dolorosa de não saber onde procurar aquilo pelo qual o meu coração ansiava. Foram anos em que andei literalmente à procura, de cidade em cidade, de estudo em estudo, de experiência em experiência, de algo que a minha mente racional não fazia a menor ideia do que poderia ser. Foram também tempos de grande tristeza e ansiedade.
    Foi neste panorama emocional que, num dia em que me encontrava particularmente deprimido, surgiu na minha mente a ideia de ir a uma aula de Yoga. Fui no dia seguinte a uma aula em que de longe era a pessoa mais nova da sala. A prática não era de todo uma prática tradicional e, apesar de não me identificar com muita coisa que estava a ser dita, senti que, como o professor costuma dizer, tinha encontrado a ponta solta do novelo.

    A busca continuou agora com uma direção, o Yoga e a espiritualidade indiana. A sensação de insatisfação continuava presente, embora estivesse agora concentrada neste novo mundo que tinha acabado de descobrir. Foi precisamente essa insatisfação (que hoje vejo como uma bênção) que me fez, poucos meses depois de ter começado a praticar, numa procura incansável por profundidade e autenticidade, aterrar numa escola tradicional de Ashtanga Yoga. Daí ao Vedanta foi um pulinho.
    No momento em que entrei pela porta do shala foi como se tivesse reencontrado um passado há muito perdido. Tudo era simultaneamente estranho e familiar. As fotografias dos mestres, as deidades, o altar, as flores, as velas, o incenso. A prática era intensa e a professora direta e assertiva. Lembro-me particularmente da primeira vez que a professora parou a prática para recitarmos todos em conjunto, de pé, o mantra inicial, sentir o meu peito a fervilhar de devoção. Entendi que o que procurava era Deus e que estava no caminho certo para conhecê-Lo.

    Escusado será dizer que mergulhei nesta tradição de cabeça. Rapidamente a minha prática ganhou um ritmo diário e os meus romances favoritos da altura começaram a desaparecer em baixo de livros de Yoga e filosofia indiana. Acabei a muito custo a licenciatura que frequentava na altura e mal tive oportunidade viajei para Mysore, Índia, onde fica a escola raiz deste sistema de Yoga que pratico. Na altura já tinha tido contacto com Vedanta, sobretudo na Internet, mas foi em Mysore que tive o primeiro contacto direto com a tradição de ensino de Shankaracarya.
    Começar a estudar Vedanta foi, na verdade, uma consequência natural do meu caminho espiritual. A prática de Yoga dá-nos a força necessária para lidarmos com o que inevitavelmente vai aparecendo à superfície mas é insuficiente na altura em que precisamos de respostas.

    Lembro-me que quando ouvi pela primeira vez que o guru da família Jois (família disseminadora do Ashtanga Yoga) era Sri Shankaracarya e que Pattabhi Jois (guru desse sistema de Yoga) tinha sido, antes de ensinar Yoga, professor de Advaita Vedanta no colégio de Sânscrito de Mysore, sentir que tinha encontrado a palavra que ia finalmente responder à minha crónica insatisfação espiritual.
    Durante dois meses estudei, diariamente, Vedanta com um professor que também é da tradição do Swamiji, em Mysore, com certeza a de que quando voltasse a casa continuaria os estudos com o professor Paulo, que na altura só conhecia através do Instagram.

    Começar esta jornada de estudos no centro Arsha Vidya foi, portanto, o culminar de toda uma busca intensiva por respostas, busca essa que provavelmente esteve sempre presente em mim, de uma forma mais ou menos consciente.
    Entrei para as turmas da Bhagavadgita e da Kathopanishad e devagarinho comecei a entender a vastidão e complexidade que é a tradição védica com as suas várias disciplinas. Para conseguirmos navegar de forma segura neste oceano de conhecimento sem corrermos o risco de nos afogarmos, precisamos seguramente de alguém que já tenha feito este caminho antes de nós e que tenha conseguido chegar ao final. O professor Paulo é sem qualquer dúvida esse Yogi que, conhecendo o trajeto com todas as suas planícies e montanhas agrestes, tem o conhecimento e a compaixão necessários para guiar quem pretende seguir o mesmo trilho.

    É importante salientar também que, paralelamente às aulas de Vedanta, que funcionam como uma auto-estrada rumo à Liberdade, o centro oferece uma vasta oferta de disciplinas acessórias a este conhecimento, como aulas de Sânscrito, Canto Védico ou Puja, para que não nos faltem ferramentas de imersão com o Divino, tornando substancialmente mais fácil a compreensão de que Deus e eu somos um só.

    A minha gratidão ao professor Paulo e a toda a equipa do centro Arsha Vidya.

  • ज्योतिष – JYOTIṢA- Períodos Planetários

    A mudança na vida é inevitável! Embora o mapa natal evidencie os karmas a frutificar nesta vida, eles irão manifestar-se em períodos específicos. A influência de cada graha (planeta) tornar-se á- mais proeminente em certos períodos da vida de uma pessoa. O Jyotish avalia e mostra tanto a permanência como a mudança na vida. Enquanto que uma avaliação mais estática revela todo o potencial do mapa, uma avaliação dinâmica mostra quando esse potencial se irá desenvolver.

    O Jyotish utiliza várias técnicas de previsão que auxiliarão o astrólogo na determinação dos períodos mais prováveis para a manifestação dos karmas de um indivíduo. Uma dessas técnicas tem o nome de daśā ou período planetário. É sobre ela que falaremos hoje.

    A palavra daśā significa estado ou condição de vida, indicando as condições das experiências na vida de um indivíduo e a cronologia das mesmas.

    Algumas das daśās mais utilizadas são a Kālacakra daśā, a Yogiṇī daśā, a Ashtottari daśā e a Vimshottari daśa.

    A daśā mais utilizada na Índia, pela sua precisão e simplicidade de cálculo é a Vimshottari daśa, também conhecida como Nakṣatra daśā ou Udu daśā.

    Vimshottari daśa

    Vimshottari daśa é igualmente conhecida como Nakṣatra daśā, pois o ponto inicial dos vários períodos planetários é a nakṣatra da lua, ou seja, a janma nakṣatra ou “estrela de nascimento” correspondente à posição da lua no mapa no momento do nascimento. Na próxima edição focarei no tema das nakṣatras. Cada nakṣatra tem um planeta regente e a cada um desses regentes é atribuído um período de regência entre 6 e 20 anos.

    Vimshottari significa literalmente 120, logo um ciclo inteiro que abarca todos os regentes, duraria cerca de 120 anos, embora seja muito difícil alguém viver todos os períodos planetários.

    O início dos períodos variará de indivíduo para indivíduo, de acordo com a sua janma nakṣatra, a partir da qual todo o cálculo é efetuado.

    Cada período pode ser dividido no período principal, denominado de mahādaśa e no período secundário (uma divisão do principal), denominado de bukti ou antardaśa. Existem outros subperíodos, subdivisões, mas nem sempre a sua precisão é 100% fiável, pois é necessária uma exatidão muito grande no horário de nascimento.

     Assim, teremos um regente principal e um co-regente. O planeta da mahādaśa, o regente principal, confere a tonalidade para aquele período específico e o regente da antardaśa, o co-regente, irá trazer nuances a esse período. Os efeitos dos grahas (planetas) no mapa natal, irão manifestar-se principalmente durante os seus períodos de ativação. Estes períodos, daśas, vão trazer à tona todos os significados desses planetas no mapa natal. A qualidade da manifestação irá depender da natureza funcional benéfica ou maléfica dos grahas envolvidos. As daśas mais favoráveis serão aquelas em que os planetas regentes têm qualidades, força e boas configurações no mapa natal, tal como foi pormenorizado para cada graha, nas edições anteriores. Caso contrário, os efeitos nesses períodos serão mais desfavoráveis.

    Normalmente são mais impactantes os períodos iniciais e finais de cada daśa e antardaśa, pois são considerados momentos de transição, logo mais delicados.

    A duração de cada ciclo de Mahādaśa de cada planeta é a seguinte:

    Chandra (Lua): 10 anos; Maṅgala (Marte): 7 anos; Rahu: 18 anos; Guru (Júpiter): 16 anos; Śani (Saturno): 19 anos; Budha (Mercúrio): 17 anos; Ketu: 7 anos; Śukra (Vénus): 20 anos; Sūrya (Sol): 6 anos.

    Relembro que todos os indivíduos iniciam as suas vidas em períodos distintos (conforme referido anteriormente) e que não irão vivenciar todos os períodos.

    Uma boa análise do mapa será muito importante para entender os desafios, obstáculos e oportunidades que cada período trará para a vida de um indivíduo. Esta análise está sempre afeta ao mapa natal, pois é com base nele que podemos averiguar da qualidade de manifestação de cada graha.

    No fim, está sempre tudo no tempo e lugar certos, para que cada indivíduo possa experienciar tudo aquilo que faz parte do seu caminho! O autoconhecimento é, sem dúvida, a pérola que, residindo dentro de cada um, contribuirá para uma viagem da vida mais consciente e plena, mais feliz!

    Hari Om

    Maria João Coelho

    Imagem – fonte: https://www.ayurvedicayoga.com/

    Contactos:

    saraswativalongo@gmail.com

    https://instagram.com/mariajoaooliveiracoelho?igshid=YmMyMTA2M2Y=

  • 10 Dicas Importantes Para o Bem-Estar Psicológico

    O percurso de qualquer pessoa é muitas vezes assolado pelas tempestades karmicas que trazem inesperadamente eventos e situações de vida catastroficamente avassaladores. Há períodos onde essas intempéries são mais frequentes e intensas e há períodos onde a bonança predomina e a vida é um alternar entre estes dois.

    Ser objetivo e maduro implica viver com o entendimento claro de que a dualidade experiencial é um facto acerca das nossas vidas do qual ninguém escapará. Esta objetividade madura é assente na compreensão de que o escapismo não é, nunca foi, nem nunca será uma solução; no máximo, se é que pode ser usado – e raras vezes – é um adiamento do inevitável, talvez necessário para se poder obter algum tempo de resposta a uma situação que ainda não a tem, para depois, ser seguido da apropriada resolução.

    Tenho visto intimamente no acompanhamento de muitos alunos que um dos desafios maiores, para talvez 80% deles, é o bem-estar psicológico. Assim sendo, pensei em deixar aqui 10 dicas simples e importantes para que cada um possa trabalhar conscientemente para o seu bem-estar psicológico e se torne o principal protagonista desse seu dever individual, sobre o qual, ninguém – mesmo ninguém – tem autoridade ou jurisdição. Por outras palavras, somente o leitor – você – e mais ninguém, pode e deve zelar pela criação do seu bem-estar psicológico e, se não o fizer, não tem direito de culpar ninguém pela sua negligência ou apatia, porque, realmente, ninguém tem culpa daquilo que você não valoriza e aprimora.

    Seguem então 10 dicas para que possa começar a CRIAR o seu Bem-Estar Psicológico:

    1 – Aprenda a dizer Não quando é preciso: quem diz sim a tudo, eventualmente, nega-se a si mesmo. Esta auto-negação resulta em frustração, raiva, depressão, etc.

    2 – Faça OBRIGATORIAMENTE uma atividade física pelo menos 5 dias por semana. Pode ser caminhar, correr, andar de bicicleta, ou outra atividade fitness. Se for em grupo pode ser ainda mais benéfico. A ciência médica aconselha o exercício físico regular e moderado para todos, ajustado, obviamente à idade de cada um.

    3 – Pratique Yoga duas vezes por semana. Pode alternar o Yoga com os dias do exercício físico. O Yoga ajuda-o a conectar-se com a sua intimidade num ambiente equilibrado que é o da sala de aula. Vai aprender muito sobre o seu corpo, a sua respiração, as suas emoções e a sua mente.

    4 – Pratique Meditação TODOS OS DIAS. Comece por cinco minutos diários e depois vá aumentando gradualmente para 10, 20, até chegar aos 45 minutos diários se o seu tempo permitir. A ciência já descobriu que as pessoas que meditam regularmente são mais felizes e têm mais qualidade de vida interior.

    5 – Faça algum tipo de voluntariado ou atividade onde deliberadamente ajuda o próximo sem esperar nada em troca. Descubra a intensa riqueza interna que é ajudar os outros.

    6 – Recorde-se de uma atividade que o fazia feliz em criança ou jovem e recomece a fazê-la. Pode ser cantar, dançar, pintar, tocar um instrumento, jogar futebol, etc. Pelo menos uma vez por semana faça 30 minutos a 1h dessa atividade. Irá com certeza reconectar-se com a força da sua criança interior.

    7 – Estabeleça pequenas metas diárias na expressão da gratidão e do amor. Estabeleça, por exemplo, que vai expressar a sua gratidão e o seu amor duas vezes de manhã e duas vezes de tarde à sua esposa, à sua mãe, aos seus filhos, etc. Sinta-se criança de novo nessa expressão dos sentimentos nobres.

    8 – Alimente-se conscientemente para que possa estabelecer-se no peso adequado à sua altura.

    9 – Em vez de passar tempo nas redes sociais, leia um bom livro, veja um bom filme, dê bons passeios na natureza.

    10 – CHEGA DE DESCULPAS. Se ao ler as 9 dicas anteriores a sua mente colocou objeções e desculpas, então repita para si mesmo: CHEGA DE DESCULPAS e comece a trabalhar para criar o seu bem-estar.

    Para a maior parte das pessoas, quer estudem Vedānta ou não, as dicas aqui apresentadas vão trazer imenso benefício se seguidas diligentemente. Só há uma forma de saberes se resultam ou não – é seguindo-as.

    21, Novembro 2022

    Paulo Abreu Vieira

  • भगवद्गितायाः व्याकरणम् – Análise gramatical da Bhagavadgītā – 18

    Símbolos usados na análise gramatical:

    √ –  raíz verbal; ⊘ –  indeclinável; m – género masculino; f – género feminino; n – género neutro; I/1 – primeira pessoa singular; II/1 – segunda pessoa singular (a numeração romana indica a pessoa, a numeração indo-arábica indica o número, que pode ser singular, dual ou plural; 1/1 – 1º caso singular; 1/2 –  1º  caso dual; 1/3 – 1º  caso plural; 2/1 – 2º  caso singular (existem oito casos, vibhaktis, no total; 7/1 – sétimo caso singular; P – parasmaipadī; Ā – ātmanepadī; U – ubhayapadī; VA – voz ativa (kartari prayoga); VP – voz passiva.

    अथ व्यवस्थितान्दृष्ट्वा धार्तराष्ट्रान् कपिध्वजः ।

    प्रवृत्ते शस्त्रसम्पाते धनुरुद्यम्य पाण्डवः ॥ १.२० ॥

    हृषीकेशं तदा वाक्यमिदमाह महीपते ।

    पदच्छेदो (सन्धिच्छेदः) विभक्तिपरिच्छेदः पदार्थो व्युत्पत्तिश्च

    अथ Ø – então, depois; व्यवस्थितान् 2/3m, वि-अव-1P√स्था + क्त – em formação (prontos para lutar) (adjetivo de धार्तराष्ट्रान्); दृष्ट्वा Ø √दृ + क्त्वा – tendo visto, avistando, vendo; धार्तराष्ट्रान् 2/3m – os filhos de Dhṛtarāṣṭra (धृतराष्ट्रस्य पुत्रान्); कपिध्वजः 1/1m – aquele que tem Hanumān na bandeira (कपिः हनुमान् ध्वजे यस्य अर्जुनस्य सः आर्जुनः); प्रवृत्ते 7/1m प्र1A√वृत्+क्त – no começo, na iminência do começo (adjetivo para शस्त्रसम्पते, सति सप्तमि); शस्त्रसम्पाते 7/1m – no encontro, na colisão das armas; धनुः 2/1n – o arco; उद्यम्य Ø उत् 1P√यम् + ल्यप् – tendo pegado; पाण्डवः 1/1m – o filho de Pāṇḍu (Arjuna); हृषीकेशं 2/1m – Hṛṣīkeśa (Senhor Kṛṣṇa) (o mestre dos órgãos dos sentidos, हृषीकानां इन्द्रियाणां ईषः हृषीकेशः); तदा Ø – depois; वाक्यम् 2/1n – discurso, frase, palavras; इदम् 2/1n सर्वनाम् इदं शब्दः) – este; आह III/1, 2P√ब्रू, लट्, forma opcional para ब्रवीति; – diz (disse); महीपते 8/1m – ó senhor da terra, ó governante da terra (Dhṛtarāṣṭra).

    अन्वयः

    हे महीपते, अथ प्रवृत्ते शस्त्रसम्पाते कपिध्वजः पाण्डवः व्यवस्थितान् धार्तराष्ट्रान् दृष्ट्वा धनुः उद्यम्य तदा हृषीकेशं इदं वाक्यम् आह ॥

    अनुवादः

    Tradução:

    V.1.20 e 1.21 – Ó senhor (governante) da terra (Dhṛtarāṣṭra), então, na iminência do começo do desferir das armas, o filho de Pāṇḍu (Arjuna), aquele que tem Hanumān na sua bandeira, tendo visto os filhos de Dhṛtarāṣṭra em formação (e prontos para lutar), depois de ter pegado no seu arco, disse a Hṛṣīkeśa (Senhor Kṛṣṇa, mestre dos órgãos dos sentidos), as seguintes palavras.