• योगविश्वदिनम् – Yogaviśvadinam – O Dia Mundial do Yoga

    Hoje em todo o mundo celebra-se o dia mundial do Yoga. Por essa razão, hoje decidi compartilhar consigo algumas palavras sobre o Yoga e sobre o que ele representa ou deverá representar.

    Yoga, como já muito bem sabe, significa:

    1 – Meditar, contemplar ou ficar absorto.

    2 – Unir, associar

    3 – Controlar ou parar.

    Estes são os significados[1] que podemos extrair de acordo com a gramática do Sânscrito e com o dhātupāṭha, a lista das raízes verbais.

    Assim, sendo, vamos mais fundo naquilo que é o Yoga –

    Yoga é todo o processo físico, respiratório, emocional/mental e cognitivo que permite a um ser humano chegar a um estado calmo de absorção meditativa.

    Yoga é físico porque está na forma de uma disciplina física, que envolve o corpo. Essa disciplina física faz uso de posturas físicas, denominada āsanas, que têm como principais objetivos a saúde muscular, ligamentosa e articular, promovendo e melhorando a circulação dos fluidos e da energia vital pelo corpo. Para este efeito existem muitos e variados āsanas com graus de dificuldade diferentes e com efeitos diferentes, proporcionando aos praticantes, tanto um estímulo para evoluírem dentro da prática, como também efeitos de saúde diferentes.

    Yoga é respiratório porque uma das suas partes é o prāṇāyāma, as técnicas de expansão, contração e contenção do fluxo respiratório. Estas técnicas são variadas e têm efeitos diferentes, podendo acalmar a mente, ou então estimulá-la, podendo aquecer o corpo, ou então arrefecê-lo, etc. A respiração no Yoga é muito importante, pois faz a ponte entre o físico e o mental, influenciando e harmonizando ambos.

    Yoga é emocional/mental pela simples e importante razão de que o yogin, o praticante, é convidado a aprender a conviver saudavelmente com as suas emoções. Este convívio saudável passa pela identificação correta das emoções que se manifestam, passa pela compreensão das necessidades que não foram supridas e que estão na base da manifestação das emoções, passa pela arte de saber estar com as emoções – principalmente as desagradáveis, como a raiva, a tristeza, o medo, etc., e passa finalmente, pela arte de expressar adequadamente as emoções às pessoas ao nosso redor, o que implica não vitimizar nem violentar ninguém devido às emoções.

    Yoga é cognitivo, pois, ultimamente, terá que haver uma mudança cognitiva na forma como a pessoa se vê. Esta mudança advém do estudo de Vedānta, que revela a verdadeira natureza do Eu, do mundo e de Deus como a única realidade imutável e transcendente, a que chamamos Sat, Existência, Cit, Consciência e Ānanda, Plenitude.

    Fica assim muito claro através desta pequena partilha na forma de palavras sobre o que é o Yoga, que Yoga é uma viagem profunda de transformação pessoal, sem dúvida alguma para melhor, que culmina na visão única de que a essência de tudo é o Ser, e que tomos somos esse Ser.

    21 de Junho de 2022,

    Paulo Abreu Vieira


    [1] 1 – 7√युज् (युजिर्), योगे – raiz verbal “yuj”, pertencente à 7ª conjugação, com o significado de unir, associar.

    2 – 4√युज् (युज), समाधौ – raiz verbal “yuj”, pertencente à 4ª conjugação, com o significado de meditar, contemplar, absorção.

    3 – 10 √युज् (युज), संयमने – raiz verbal “yuj”, pertencente à 10ª conjugação, com o significado de parar, controlar, conter, do qual advém o significado autodomínio.

  • Yoganidrā

    Uma das técnicas da aula de yoga mais preferidas por alguns, é o relaxamento final, chamado de yoganidrā. Vulgarmente é traduzido como o sono dos yogis. Mais do que um mero exercício de descontração, ele repara níveis de cansaço físico, emocional e mental, sendo que, estudos revelam que uma hora desta prática equivale a quatro horas de sono profundo.Em algumas escolas o yoganidrā surge no fim da prática, após as posturas corporais (āsanas) e pode ser orientado pelo professor ou apenas permitir que o aluno fique quieto, deitado, em silêncio, desfrutando e usufruindo da sua experiência individual.Existem várias frequências em que o nosso cérebro atua: Delta (sono profundo), Theta (estado de sonho), Alfa (meditação e relaxamento), Beta (estado acordado de atenção e foco) e Gama (estado mais agitado, tarefas de alto processamento cognitivo). O yoganidrā pretende também trazer o praticante a um estado de frequência mais Alfa, pacifico, calmo, relaxado.Deixo o link para um artigo interessante sobre este assunto:


    https://www.ibccoaching.com.br/portal/estados-mentais-e-frequencias-de-ondas-cerebrais/


    A postura corporal para a prática de yoganidrā chama-se de śāvāsana (traduzido como posição do cadáver). Apesar de não parecer agradável executarmos a posição do cadáver, esta prática permite-nos encarar a morte com mais suavidade e até aceitação, como um processo natural de todos os corpos, e a cada regresso de yoganidrā, um renascimento, para a vida, com mais uma oportunidade de continuar a aprendizagem e crescimento pessoal. Várias são as sensações e etapas desta técnica: primeiro, ao tornarmos consciente a nossa atenção no corpo, quando nos deitamos, ele está pesado, e o relaxamento total ainda não aconteceu. Escutando as palavras de um professor de yoga, e confiando, deixando-nos entregar pela sua orientação, o processo inicia. O professor vai nos conduzir pelas várias partes do corpo, convidando a relaxar desde os pés até à cabeça, embora existam outras formas, e direções, e o aluno mentalmente descontrai cada articulação, músculo, desde a superfície da pele, até às partes mais internas do corpo. Escutando a voz mais pausada, suave e num tom mais baixo do professor o aluno permite que o corpo afrouxe e solte, até chegar a um estado onde deixa de sentir o peso do corpo. A respiração torna-se subtil, impercetível, e a mente fica mais leve. Podem acontecer viagens tipo sonhos acordados, e muitos até chegam a adormecer. O mais importante é que no regresso, e no fim do exercício, nos sintamos bem, reparados, com mais energia e boa disposição.Há, contudo, muitos, que por falta de confiança, medo, questões pessoais, por vezes originadas de traumas do passado, não conseguem relaxar, nem tão pouco, usufruir dos benefícios desta técnica. Poderá ser necessário acompanhamento individualizado, ou até terapia. Aulas de yoga mais vigorosas facilitam a entrada no estado de descontração, que surge como um refresco numa tarde de verão!É também um excelente exercício para quem tem dificuldade em adormecer, por ter a mente muito agitada, quando vai para a cama. Assim comece por se deitar em decúbito dorsal (deitado de barriga para cima). Coloque o corpo alinhado, da forma mais simétrica possível, com as mãos orientadas para cima ou com estas apoiadas no abdómen. Acompanhe o fluir da respiração, e alongue o momento da expiração. Faça uma contagem regressiva de oito até um, três vezes, mentalizando que no número oito está mais desperto e acordado, e no número um, está mais relaxado e descontraído. Facilmente vai conseguir adormecer. Outra forma foi mencionada acima, é o Body Scan, relaxe primeiro os dedos dos pés, pés, tornozelos, pernas, joelhos, coxas, bacia, as costas, abdómen, peito, ombros, braços, antebraços, pulsos, mãos, dedos das mãos, pescoço e cabeça. A maioria nem sequer chega ao fim… Há quem oriente esta prática de forma isolada duma aula de yoga tradicional, descrevendo várias etapas, onde a proposta é uma cura física e energética, utilizando o estado de aproximação do nível subconsciente, para implementar mensagens de reforço positivo, numa reprogramação emocional subtil e profunda. Caso pretenda realizar este exercício, certifique-se que o professor tem formação na área, para que os benefícios possam ser realmente alcançados, e a experiência seja vantajosa e útil.


    Sónia Monteiro

  • Dia Mundial do Yoga – 21 Junho

    Hoje, dia 21 de Junho, é um dia de luz. Primeiramente, é um dia de luz pois celebra-se o Solstício de Verão que marca o início do Verão, a estação quente, luminosa, que nos permite viver com energia e entusiasmo! Este é o dia mais longo do ano, portanto é também a noite mais curta do ano. Neste dia, o pôr-do-sol acontece no ponto mais a norte e depois deste dia o Sol começará aos poucos a pôr-se cada vez mais para sul, até chegar ao ponto máximo, o dia 21 de Dezembro, o Solstício de Inverno, que marca o início do Inverno, a partir do qual o Sol começará novamente a sua viagem para norte.

    Dentro da nossa Tradição a luz representa o conhecimento e a escuridão representa a ignorância. A luz, pela mera presença e nada mais, remove a escuridão, que simplesmente e impotentemente desaparece. Da mesma forma, pela mera e simples presença, o conhecimento implacavelmente remove a ignorância, que nada pode contra ele.

    Segundamente, este é um dia de luz porque é o dia mundial do Yoga, considerado e bem como Património da Humanidade. O Yoga não precisa de um dia para ser celebrado, pois ele é celebrado todos os dias por milhares de yogins por esse mundo fora. Sempre que um yogin faz uma saudação ao Sol, ele celebra o Yoga, e celebra as forças da Natureza, exaltando-as, seja por intermédio de preces, rituais, ou outros meios de expressão, como os āsanas, por exemplo, dos quais muitos mimetizam posturas de animais.

    Nem tão pouco o Yoga precisa de um dia mundial, pois o Yoga não pertence a um determinado país, não está feito refém de nenhum reino, por isso não precisa de ser libertado e entregue ao mundo todo.

    O Yoga é uma prenda dada à humanidade para que esta se contrua e reconstrua, para que esta aprenda a viver em harmonia, para que esta aprenda intimamente que faz parte da Natureza.

    Sendo uma prenda, uma bênção, que feliz que ficamos quando todas as pessoas por esse mundo fora podem proferir a palavra Yoga contemplando no seu significado. YOGA, YOGA, YOGA. Que este seja um mantra Universal – que haja Yoga para todos.

    Yoga significa união, significa absorção ou contemplação, e ainda autodomínio[1]. Yoga é o meio ou a disciplina do autodomínio, da conduta apropriada e disciplinada, indicada pelos yamas e niyamas, os fundamentos do Yoga. Yoga, significando união, é a integração de todos os aspetos da pessoa: físico, energético, mental, emocional, cognitivo e espiritual. Quando todos se unem com um só propósito, o do autoconhecimento, é como se as cordas do instrumento estivessem finalmente afinadas e prontas para ressoar juntas, em união. Nessa afinação estão juntas e em harmonia, e o instrumento, a pessoa, pode tocar a linda música da vida harmoniosa; então é dito que a pessoa tem Yoga.

    Yoga como absorção ou contemplação é o resultado de uma vida espiritual, que é, no fundo, uma vida de Vedānta, uma vida de exposição ao conhecimento do Ser. Este conhecimento é revelado nos vários śāstras com a ajuda de um professor e trás a profunda e libertadora descoberta da liberdade como sendo a Realidade Última da pessoa. Após esta descoberta, após esta mudança cognitiva, resta a última prática, a contemplação no Ser. Esta contemplação chama-se Yoga.

    Com a contemplação constante no Ser obtém-se o hábito de contemplar no Ser. Com o hábito de se contemplar no Ser, a contemplação torna-se espontânea, significando que o conhecimento do Ser foi assimilado. Esta assimilação completa do conhecimento do Ser também é chamada de Yoga, conhecida aqui no ocidente pelo romântico e místico nome de Iluminação. Por esta última razão também, o dia de hoje também é um dia de Luz.

    Paulo Abreu Vieira, 21 Junho, 2021

    [1] A – 7√युज् (युजिर्), योगे – raiz verbal “yuj”, pertencente à 7ª conjugação, com o significado de unir, associar. B – 4√युज् (युज), समाधौ – raiz verbal “yuj”, pertencente à 4ª conjugação, com o significado de meditar, contemplar, absorção. 3 – 10 √युज् (युज), संयमने – raiz verbal “yuj”, pertencente à 10ª conjugação, com o significado de parar, controlar, conter, do qual advém o significado autodomínio.

  • O yoga pós pandemia

    Desde há milhares de anos que a tradição e ensino do yoga se tem feito de mestre a discípulo, num ambiente de partilha directa, dos ensinamentos e da relação que se estabelece entre ambos.
    Esta relação vai para além da de professor aluno, pois baseia-se em confiança, amor, sinceridade, cuidado, e onde QUEM ensina tenta fazer com que AQUELE que aprende vá mais além que ele. O professor vê no aluno uma extensão dele mesmo e do divino, e conhece a responsabilidade de lhe passar tudo o que sabe, para um dia o aluno fazer o mesmo com outros, numa linha de sucessão, que deve ser mantida e preservada…
    Em 2020 essa forma de relação mudou, pois o professor e o aluno foram separados por um ecrã, confinados, distantes, uma realidade de que ninguém estava à espera, digna de um filme de Hollywood… Agradecemos a evolução nos ter permitido manter as praticas de yoga on-line, o que abriu a possibilidade de chegar a mais alunos distantes, de outras cidades, e até outros países. No entanto a relação ficou frágil, pois não conhecemos tão bem quem está do outro lado, a receber, as condições de prática nem sempre são as melhores, nas nossas casas, com tantas distrações. Também para o aluno, que escolhia o seu professor, na sua área de residência, agora pode ter a oportunidade de praticar com outros professores de outros países, e muitas vezes usufruir de aula gratuitas.
    Muita gente começou a fazer aulas através do Facebook e do Instagram, alinhando em desafios de posturas com pessoas cuja formação e cujo passado desconhecem, mas que têm muitos seguidores, e a fazer aulas apenas porque eram gratuitas, e não por serem verdadeiramente “boas”. O yoga passou a ser muito mais físico do que espiritual, acessível a todos, e por vezes, “des-sacralizado”. Muito mais pessoas estão agora a praticar um novo tipo yoga.
    É claro que há vantagens e desvantagens, falta saber qual o impacto a médio prazo, agora com a re-abertura dos espaços de yoga, pelo menos dos que conseguiram sobreviver ao fecho, exigido pela situação de emergência.
    É um assunto que preocupa a todos, professores até mais antigos, detentores da experiência da vida e da maturidade dada pelo tempo de prática de yoga, que não se souberam adaptar tão facilmente a esta revolução do yoga nas redes sociais e on-line, que têm agora a insegurança e a dificuldade em manter as suas escolas abertas…
    Escrevo sobre este assunto pois é algo que me preocupa e sensibiliza, por também ter um espaço e por estar a sentir a necessidade de constantemente re-inventar soluções que agradem a todos, mas que ao mesmo tempo, seja mantida a visão, a seriedade do trabalho e a capacidade de prestar um bom serviço para a comunidade.
    Nada substitui uma aula orientada por um professor ao vivo, que pode prestar a ajuda, a orientação, os ajustes, e estabelecer essa base de confiança fundamental, no guiar cada aluno no caminho da luz e do auto-conhecimento.
    Deixo por isso a minha sugestão, a ti, que já fazias aulas de yoga com alguém, procura de novo o teu professor, a tua casa, a tua escola, a tua família. Se nunca passaste por uma escola de yoga, escolhe uma da tua área ou visita algumas, para sentires em qual te sentes em casa, e te identificas. O yoga on-line veio para ficar, mas garanto que não é a mesma coisa, sentares-te em frente a um professor, numa sala, um representante de Shiva, da tradição, e sentires na pele essa relação tão bonita e sincera, que se estabelece quando encontras a pessoa certa, para te orientar.
    Boas práticas e Namaste!

    Sónia Monteiro