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भगवद्गितायाः व्याकरणम् – Análise gramatical da Bhagavadgītā
(continuação)Símbolos usados na análise gramatical:
√ – raíz verbal; ⊘ – indeclinável; m – género masculino; f – género feminino; n – género neutro; I/1 – primeira pessoa singular; II/1 – segunda pessoa singular (a numeração romana indica a pessoa, a numeração indo-arábica indica o número, que pode ser singular, dual ou plural; 1/1 – 1º caso singular; 1/2 – 1º caso dual; 1/3 – 1º caso plural; 2/1 – 2º caso singular (existem oito casos, vibhaktis, no total; 7/1 – sétimo caso singular; P – parasmaipadī; Ā – ātmanepadī; U – ubhayapadī; VA – voz ativa (kartari prayoga); VP – voz passiva.तत्रापश्यत्स्थितान्पार्थः पितॄनथ पितामहान् ।
आचार्यान्मातुलान्भ्रातॄन्पुत्रान्पौत्रान्सखींस्तथा ॥ १.२६ ॥
श्वशुरान्सुहृदश्चैव सेनयोरुभयोरपि ।पदच्छेदो (सन्धिच्छेदः) विभक्तिपरिच्छेदः पदार्थो व्युत्पत्तिश्च
तत्र Ø – Ali, lá; अपश्यत् III/1 लङ् 1P√दृश्; स्थितान् 2/3n √स्था + क्त – os que estavam presentes, estacionados, parados; पार्थः 1/1m – Pārtha (पृथायाः अपात्यं पुमान् इति पार्थः आर्जुनः); पितॄन् 2/3m – os pais; अथ – e também; पितामहान् 2/3m – os avós; आचार्यान् 2/3m – os professores; मातुलान् 2/3m – os tios maternos; भ्रातॄन् 2/3m – os irmãos; पुत्रान् 2/3m – os filhos; पौत्रान् 2/3m – os netos (पुत्रस्य अपत्यम् इति पौत्रः); सखीन् 2/3m – os amigos; तथा Ø – bem como; श्वशुरान् 2/3m – os sogros; सुहृदः 2/3m – os amigos; च Ø – e; एव Ø – de facto; सेनयोः 7/2f – nos dois exércitos; उभयोः 7/2f – nos dois; अपि Ø – também.अन्वयः
तत्र उभयोः सेनयोः अपि पार्थः स्थितान् पितॄन् अथ पितामहान् आचार्यान् मातुलान् भ्रार्तॄन् पुत्रान् पौत्रान् सखीन् तथा श्वशुरान् सुहृदः च एव अपश्यत् ॥अनुवादः
Tradução:
V.1.26 e 1.27 – Ali, Arjuna, o filho de Pṛthā, viu os que estavam presentes nos dois exércitos, (como) os pais e também os avós, os professores, os tios maternos, os irmãos, os filhos, os netos, os amigos, bem como os sogros e os simpatizantes.Paulo Abreu Vieira
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A Necessidade de Uma Mente Madura para a Libertação
Vedānta é um caminho só de ida no qual é inevitavelmente necessário deixar para trás a tralha que só atrapalha a viagem. Isso passa obrigatoriamente por crescer emocionalmente, e quem não quiser crescer ou achar que não precisa de crescer, não conseguirá fazer a viagem e estará a enganar-se a si mesmo, lamentavelmente.
Para a pessoa com inteligência média assistir às aulas de Vedānta e ganhar o vislumbre do ensinamento não é assim tão difícil, especialmente se o professor for um comunicador hábil que transmita o conhecimento de forma simples e clara. De facto, é inevitável que esse vislumbre aconteça; irá certamente acontecer. Se a pessoa tiver foco mental e a fase da vida em que a pessoa assiste mais entusiasticamente às aulas for boa, é de esperar que a pessoa ganhe um entendimento superficial da natureza da realidade. Digo isto porque o Vedānta, sendo um pramāṇa, meio de conhecimento, funciona, é eficaz.
O entendimento não é tudo no Vedānta, é uma parte de um todo que precisa de ser completo para que o fruto do conhecimento se manifeste. O estilo de vida chamado de Yoga é uma parte importante e fundamental, sem a qual, Vedānta está destinado a fracassar. O Yoga deverá preceder o Vedānta – esta é a condição intransponível. Se deseja ganhar o conhecimento inabalável do Eu maior, da realidade, então, nesse caso, viva uma vida de Yoga.
Yoga é o processo de vida através do qual certas qualidades e virtudes são ganhas e a que chamamos de maturidade emocional e espiritual. A Bhagavadgītā, o maior tratado de Autoconhecimento e Yoga, menciona algumas – amānitvam, ausência da exigência de respeito, adambhitva, ausência de exibicionismo ou pretensão, ahimsā, não-violência, kṣānti, aceitação objetiva, arjavam, integridade ou alinhamento entre pensamento palavra e ação, etc. Noutras obras, outros mestres mencionam as virtudes que constituem em si a elegibilidade para o entendimento, chamadas de sādhana-catuṣtaya, o conjunto dos quatro meios (indiretos) para o conhecimento: viveka, discriminação e discernimento, vairāgya, desapego ou desprendimento, śamādi, calma e tranquilidade, etc. A lista das qualidades e virtudes a serem ganhas é grande e importante. Todos os mestres as realçam e não se cansam de lhes atribuir valor.
Sem o ganho destas virtudes a mente será instável, conflituosa, irrequieta e tremendamente problemática, causando muita aflição. As virtudes ou os valores incidem na mente, pois é na mente que grande parte do trabalho tem que ser feito, tanto a nível emocional como focal.
Sem emoções relativamente apaziguadas e sem capacidade de gestão emocional não há conhecimento que aguente e o vislumbre ganho na aula não impacta. Sem capacidade de foco continuado não há a possibilidade de contemplação séria e sem contemplação não há assimilação do conhecimento. As qualidades e valores a serem buscados pelo aluno de Vedānta tornam a mente um recipiente saudável onde o conhecimento permanece para ser apreciado. Caso contrário, a mente é como um recipiente rachado e disfuncional. O conhecimento esvair-se-á pelas rachadelas da sua mente e por mais que se queira retê-lo, a impossibilidade da retenção impõe-se tiranicamente.
Se a mente é o recipiente onde o conhecimento é recebido e retido, nutra-a. Diligentemente aprenda a melhorar a condição da sua mente. Impregne-a de compaixão, de compreensão, de calma, de discernimento, de foco, de paciência e de todos os valores que o Vedānta menciona.
Não tente contornar a tradição de ensino, pensando que é mais esperto ou sábio do que ela. Receba de coração aberto os ensinamentos, sejam sobre Yoga ou Vedānta, e entenda que sem maturidade a libertação é um castelo nas nuvens.
Maia, Março de 2023
Paulo Abreu Vieira -
आयुर्वेद – Āyurveda – Detox: Sim ou Não? – Parte 2
Hoje vamos falar de pañcakarma, os 5 procedimentos.
pañcakarma é um processo de purificação que tem como objectivo eliminar os doṣas em excesso do corpo e restabelecer o equilíbrio.
Tradicionalmente estes são os 5 procedimentos
- virecana – purgação terapêutica
- vamana – vómito terapêutico
- vasti / basti – “enema” terapêutico
- raktamokṣaṇa – venecção
- nasya – instilação nasal
Cada uma destas terapias, devido à sua área de acção é considerada a melhor para cada um dos doṣas:
- nasya e vamama na zona do corpo associada a kapha
- virecana na zona do corpo associada a pitta
- basti na zona do corpo associada a vāta
Como referido anteriormente o objectivo de pañcakarma é eliminar os doṣas em excesso do corpo, vamos então ver, de acordo com os textos clássicos, quais poderão ser esses indicadores.
Entre outros, estes são alguns exemplos de sinais de doṣas agravados:
Indigestão, perda de peso excessiva, excesso de peso, anemia, sensação de peso, exaustão, fraqueza, mau cheiro do corpo, falta de energia, insónia ou sonolência excessiva, impotência, perda de força e tez apesar de uma dieta nutritiva.
Tendo em consideração alguns dos exemplos listados podemos facilmente pensar que todos nós de uma forma ou de outra estamos a precisar de pañcakarma mas na verdade estes procedimentos só deveriam acontecer se os doṣas estiverem muito agravados.
Embora pañcakarma seja, muitas vezes, promovida como experiência de spa, com pacotes na Índia de 4, 15, 20 dias, não é de facto, uma experiência muito prazerosa.
Quando é bem feito, precisa de 3 etapas
- uma etapa de preparação que normalmente passa por beber ghee/manteiga clarificada durante vários dias até chegar ao ponto de saturação e fazer várias terapias físicas de oleação e sudação.
- uma etapa onde se aplicam os procedimentos de pañcakarma necessários que podem e normalmente deixam a pessoa fraca e com a digestão prejudicada
- uma etapa pós tratamento que visa e trazer ao corpo força e vitalidade, e este é considerado o passo mais importante com reintrodução alimentar, rotinas diárias e formulações medicinais direccionadas ao rejuvenescimento.
Se o processo de pañcakarma for bem sucedido na remoção dos doṣas em excesso do corpo e o restabelecimento do poder digestivo as doenças devem pacificar, a saúde da pessoa deve ser estabelecida, deve haver melhora a nível dos órgãos dos sentidos, da mente, intelecto e compleição, a pessoa deve sentir-se rejuvenescida. Da mesma forma, se o processo for feito de forma inadequada ou de forma excessiva claro, terá os resultados opostos aos benefícios.
Então existem então algumas considerações a fazer.
O āyurveda é de facto a favor da purificação do corpo. Esta purificação pode ser feita de forma mais solta com algum controle de alimentação, exercício físico e uso de substâncias que ajudem nesse processo (como referido no artigo anterior) ou, como vimos hoje por um processo de pañcakarma que embora apresente benefícios maravilhosos, é normalmente caro, longo e não muito agradável de se fazer.
E apesar destas terapias de purificação serem recomendadas regularmente nos textos ayuvédicos como parte de uma rotina sazonal, se olharmos para o nosso contexto actual, existe uma grande diferença na maneira como vivemos e no que consumimos em termos de alimentos e percepções. A questão aqui é, se realmente não houver uma alteração nas coisas que fazemos diariamente será pañcakarma a solução a longo termo?
Na última década, passei muitos meses no vaidyagrama, um hospital tradicional de ayurveda no sul da Índia e testemunhei resultados maravilhosos com pancakarma. Ao investigar o histórico destas pessoas, em muitos casos, a sua condição poderia, quase com toda a certeza, ter sido evitada por uma alimentação e estilo de vida mais conscientes.
A prevenção é sempre a melhor cura.
Ricardo Barreto
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ज्योतिष– JYOTIṢA
Lunações
Como tivemos oportunidade de abordar numa edição anterior, Chandra (Lua), tal como os pensamentos, movimenta-se de forma rápida e oscilante. Chandra relaciona-se com os nossos processos mentais, emocionais e (in)decisões, representando a nossa mente emocional.
Governante da noite, Chandra está também intimamente ligado ao conceito das nākṣatras, conceito também já abordado numa edição anterior. Estas são asterismos, mansões lunares ou constelações de 13 graus e 20 minutos cada, que corresponde a uma divisão zodiacal em 27 partes, cada uma com a sua especificidade e deidade associada, e representam, na mitologia, as 27 esposas de Chandra Deva. Na medida em que Chandra leva aproximadamente 27 dias a dar a volta completa ao zodíaco, é referido que Chandra se deitaria cada noite com uma esposa diferente. Dado aos prazeres, Chandra acaba por receber influência de cada uma das nākṣatras, sendo que também esse facto é extremamente relevante na análise da personalidade de um jīva (indivíduo).
Relativamente ao mapa natal, praticamente todos os autores clássicos são da opinião que nascer em śukla-pakṣa (quinzena brilhante) outorga bons resultados, enquanto que nascer em kṛṣṇa-pakṣa (quinzena escura) pode levar a maus resultados. No entanto, Chandra é especialmente fraco durante o quarto minguante, que vai de kṛṣṇa aṣṭāmi (oitavo dia lunar da quinzena escura) à śukla pratipad (primeiro dia da quinzena brilhante), sendo que em kṛṣṇa-chaturdaśī (décimo quarto dia da quinzena escura) e em āmāvāsya (lua nova) Chandra outorga os piores resultados, pois esses dois dias lunares são classificadas nos clássicos como doṣas (defeitos ou desarmonias que afetam o mapa natal de forma integral).
Chandra é especialmente forte no quarto crescente, que vai de śukla aṣṭāmi (oitavo dia da quinzena brilhante) à kṛṣṇa pratipad (primeiro dia da quinzena escura), pois é nesse período que a sua luminosidade é maior e ainda coincide com a sua fase ascendente.
Na fase cheia, pūrṇimā, Chandra detém máxima luz e outorgará bons frutos. Por sua vez na fase nova, āmāvāsya e no dia anterior a este (14º dia da quinzena escura), em kṛṣṇa-chaturdaśī, Chandra detém pouca ou nenhuma luz.
Devido às suas diferentes fases, é inevitável que possamos sentir nas nossas vidas, no nosso dia a dia, os efeitos destas oscilações de Chandra, assim como pela sua passagem pelos diferentes rāśis (signos), os quais irão impregnar Chandra com as suas caraterísticas peculiares.
No entanto, cada diferente fase tem a sua energia e deve ser aproveitada para agir de determinada forma:
– Lua Nova (āmāvāsya): indica quando o mês lunar começa, ou seja, uma nova lunação. Esta fase é boa para criação/planeamento de novas ideias/atividades nas várias áreas da vida. Momento excelente para reflexão, contemplação, estudos.
– Lua Crescente: fase da lua que convida a agir. Por isso, é um bom momento para iniciativas e resultados rápidos.
– Lua Cheia (pūrṇimā): momento excelente para exposição, visibilidade. Representa o ápice do mês lunar que começou na Lua Nova, de colheita de resultados anteriormente semeados. Fase com muita energia, na qual as emoções poderão manifestar-se de forma mais intensa.
– Lua Minguante: Esta é uma fase para começar a desacelerar o ritmo, de observação e de maior recolhimento, fase para analisar os resultados das ações das semanas anteriores.
Fica aqui um calendário das diferentes fases da lua para os próximos três meses, para melhor planeamento e direcionamento das nossas ações.
Nota: Importante consultar as newsletters referentes aos rāśis (signos) e às nākṣatras, para um melhor entendimento.

Hari Om
Maria João Coelho
Foto – Fonte: https://www.sitedecuriosidades.com/
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A Coragem de Olhar para Dentro
Geralmente quando se pensa em coragem associamo-la aos atletas de desportos de combate, de desportos radicais, ou a profissões de risco nas quais é grande e constante a convivência com a iminência da morte. Penso que tal associação está correta e é muito válida, porque, de facto, esses atletas e profissionais acima referidos têm muita coragem. Afinal de contas, enfrentar a própria morte ou a possibilidade elevada de uma lesão física que poderá limitar para sempre a vida é um sinal de grande coragem e é, definitivamente, louvável e memorável.
Contudo, agora gostaria de trazer a atenção do leitor para outro tipo de direcionamento dessa força interna chamada coragem. Falo-lhe da coragem para olhar para dentro e ver, muito honestamente, o que precisa de ser visto, sem rodeios, sem desculpas e sem negações.
Somos feitos de bom e de mau. Em cada um há um tanto de coisas boas a que poderemos chamar de virtudes e valores e há, também, inevitavelmente, outro tanto de coisas más – ou que conotamos como más – a que podemos chamar de defeitos ou desvirtudes. Nem tudo são rosas nos seres humanos.
Acontece que somos ou estamos treinados para mostrar o nosso bom e esconder o nosso mau, até porque essa é uma forma segura de sermos aceites e amados pelos outros, como é óbvio, facilmente entendível, necessário e muito desejável numa sociedade, pois, para que uma sociedade funcione bem, é necessário que todos nos possamos entender e respeitar, no mínimo, e, utopicamente, que nos possamos amar e acolher, mesmo perante as enormes divergências mútuas.
Será que o bom que mostramos é realmente o nosso genuíno bom? Ou será o bom que os outros querem ver e que é necessário mostrarmos para sermos aceites e amados? Ou seja, será que estamos a fazer de conta que somos bons, ou estamos mesmo a mostrar bondade genuína? A resposta a estas questões é difícil e cada um tem que olhar para dentro e descobrir. Para olhar para dentro é necessário muita coragem pois corremos o risco de ver coisas das quais não gostamos. Este é o risco de descobrir a verdade – pode ser dura de aguentar.
Falo-lhe do lado sombra que tende a ficar na penumbra, em silêncio, esquecido, adorando passar despercebido como se não existisse. E uma parte de nós sabe que ele existe, mas é conivente e negligente, ou mesmo covarde – é preferível não olhar para o que é feio, pois assim não se sente a dor da feiura. E todos temos muita feiura escondida para a qual nos recusamos a olhar.
O guerreiro interno recusa-se à covardia pois sabe muito bem que dela advém a estagnação ou a regressão do processo de maturidade e isso é insuportável para ele, que já descobriu a glória que lhe é destinada por direito. Por isso cavalga para essa glória, deseja esse triunfo sobre a sombra, sobre o seu lado de feiura.
Amor que é amor, ama o feio e o bonito, simplesmente por que ama, e quando esse amor ama, vê o feio como bonito. Tal é o poder do amor e a sua intrínseca incondicionalidade. Seguindo o mesmo trajeto de pensamento, o amor próprio é aquele que acolhe todas as dimensões psicológicas que coabitam internamente, sejam elas de carácter esteticamente belo ou não. Então, olhar para o lado sombrio da psique é amor próprio e é coragem também, pois é a certeza do encontro da feiura que jaze em cada um e do sentir das dores subsequentes desse triste mas glorioso encontro.
Não é fácil admitir a mentira entranhada na forma de ser e esculpida anos a fio pelo cinzel da ignorância e da vergonha. Não é fácil admitir a inveja do sucesso dos nossos irmãos e amigos, que desejam intimamente a mesma felicidade e realização que todos os outros. Não é fácil admitir as raivas suprimidas por desejos de agradar e de aceitação, que tantas vezes nos separam daquilo que deveríamos ter sido. Não é fácil brilhar na presença daqueles que ainda não têm luz pois a antecipação da pena crucifica essa nossa luz. Não é fácil chorar as nossas fraquezas quando todos esperam a nossa força, porque eles mesmos são fracos. Não é fácil olhar para dentro, pois se o fizermos de forma honesta e corajosa iremos descobrir o quanto falta crescer.
Olhar para dentro é amor próprio e amar nunca foi fácil. Todavia, se amar é incondicional e acolher, então amor próprio é o acolhimento incondicional de tudo aquilo que somos, tanto de mau, quanto de bom.
Fevereiro 2023
Paulo Abreu Vieira
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आयुर्वेद – Āyurveda – Detox: Sim ou Não? – Parte 1
Será o detox nos dias de hoje mais importante do que nunca? Será o detox nos dias de hoje mais importante do que nunca? O que o āyurveda diz sobre “detox”?
O conceito de detox está longe de ser novo, inúmeras culturas e religiões reconhecem o conceito de limpeza não só a nível do corpo mas também a nível mental e espiritual mas a verdade é que, hoje em dia, a palavra detox está em praticamente em qualquer círculo envolvido em serviços ou produtos de saúde e bem estar.
Certamente nunca terá havido algum período na história em que estivéssemos mais expostos a poluição e a toxinas ambientais, no ar, na água, no solo (plásticos, pesticidas, cosméticos e produtos de limpeza). E como isso não fosse já por si problemático junta-se à lista uma quantidade alarmante de comidas ultra processadas e um estilo de vida sedentário. No nosso dia a dia, consciente ou inconscientemente, estamos expostos a estas substâncias “tóxicas” mas nem sempre o corpo sabe o que fazer com elas. Algumas destas toxinas são expelidas juntamente com as excretas e outras acumulam nos tecidos do corpo onde, temporariamente causam menos mal.
O nosso corpo está programado para fazer detox: o nosso fígado, rins, pulmões, sistema digestivo e pele estão constantemente a desintoxicar-nos. O grande problema acontece quando nós sobrecarregamos estes órgãos ou sistemas do corpo e prejudicamos a sua capacidade de se auto desintoxicar. Então na verdade, nós não conseguimos fazer detox, nós simplesmente podemos facilitar o processo ao não nos expormos a “toxinas” ou a suportar estes órgãos a fazerem o seu trabalho com mais eficácia.
No āyurveda o foco são os doṣas, os tecidos do corpo, os excretos (principalmente fezes, urina e suor) e o importante fogo digestivo. doṣas em desequilíbrio afectam e prejudicam a digestão que por sua vez prejudica os tecidos corporais e os canais de excreção. Desta forma o fogo digestivo, o sistema digestivo e tracto gastro intestinal tem um papel fundamental nos processos de purificação do corpo.
Quando a comida não é digerida apropriadamente torna-se numa “toxina” chamada āma. A palavra āma pode ser traduzida como cru, não digerido, verde (contrário de maduro) e, como o nome indica, é que algo que não foi digerido apropriadamente pelo corpo. Se este āma não for eliminado pode movimentar-se pelo corpo, alojar-se nos tecidos e causar diversas doenças. Os sintomas de āma podem ir de fatiga, falta de energia, passando por diversos problemas digestivos (indigestão, prisão de ventre, diarreia, etc), problemas de circulação, dor e inflamação nas articulações até problemas mais graves como a aterosclerose, por exemplo. Este āma não deve então, de forma alguma permanecer no corpo.
Um “detox” ayurvédico passaria primeiramente por digerir este āma.
- Se for em pouca quantidade e se não estiver associado aos doṣas ou aos tecidos, o processo de digestão de āma pode passar por jejum na dieta, exercício físico, etc.
- Se for em mais quantidade, a estas medidas adicionaria-se o uso de substâncias que ajudem a cozinhar o āma como por exemplo gengibre, pimenta preta, canela etc,
- Se for em grande quantidade, outros procedimentos de pañcakarma (tópico do próximo artigo) seriam utilizados.
Uma vez que o āma esteja cozinhado, os canais desobstruídos, os doṣas pacificados, o fogo digestivo equilibrado os diferentes sistemas do corpo funcionam de forma apropriada e o “detox” acontece naturalmente.
Um modelo para um simples “detox” ayurvédico apropriado para pessoas saudáveis ou que, de forma geral não têm grandes problemas de saúde poderia passaria por:
- favorecer comida vegetariana, leve, cozinhada e de fácil digestão
- evitar ou mesmo eliminar lacticínios, fritos, alimentos crus, comidas ultra-processadas, etc
- preferir canjas e sopas leves, fruta cozida
- consumir água morna, chá de gengibre, cominhos, etc
- exercícios gentis sem muito esforço como yoga, caminhadas
- descanso adequado, número de horas necessário, deitar cedo e cedo erguer
- diferentes terapias de oleação e de suor
Uma semana com esta rotina deverá ajudar o corpo a “desintoxicar” mas como sempre, a prevenção continua a ser o melhor remédio. Se não nos intoxicarmos com alimentos ou produtos alimentares insalubres, um dia jejum semanal ou quinzenal e actividade física regular são suficientes para manter o corpo limpo.
Este artigo é simplesmente informativo e não substitui parecer profissional personalizado.
No próximo artigo vamos falar mais detalhadamente acerca de pañcakarma, os processos que o āyurveda recomenda quando doṣas e āma estão em grande quantidade e faremos a nossa conclusão final.
Até já!
Ricardo Barreto
Terapeuta de Ayurveda
www.instagram.com/wayofayurveda_pt
+351 925380997
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भगवद्गितायाः व्याकरणम् – Análise gramatical da Bhagavadgītā – 20
Símbolos usados na análise gramatical:
√ – raíz verbal; ⊘ – indeclinável; m – género masculino; f – género feminino; n – género neutro; I/1 – primeira pessoa singular; II/1 – segunda pessoa singular (a numeração romana indica a pessoa, a numeração indo-arábica indica o número, que pode ser singular, dual ou plural; 1/1 – 1º caso singular; 1/2 – 1º caso dual; 1/3 – 1º caso plural; 2/1 – 2º caso singular (existem oito casos, vibhaktis, no total; 7/1 – sétimo caso singular; P – parasmaipadī; Ā – ātmanepadī; U – ubhayapadī; VA – voz ativa (kartari prayoga); VP – voz passiva.
एवमुक्तो हृषीकेशो गुडाकेशेन भारत ।
सेनयोरुभयोर्मध्ये स्थापयित्वा रथोत्तमम् ॥ १.२४ ॥
भीष्मद्रोणप्रमुखतः सर्वेषां च महीक्षिताम् ।
उवाच पार्थ पश्यैतान्समवेतान्कुरूनिति ॥ १.२५ ॥
पदच्छेदो (सन्धिच्छेदः) विभक्तिपरिच्छेदः पदार्थो व्युत्पत्तिश्च
सञ्जयः 1/1m – Sañjaya; उवाच III/3 √वच्, लिट् – disse; एवम् Ø – desta forma; उक्तः 1/1m, √वच् + क्त – foi falado; हृषीकेशः 1/1m – Hṛṣīkeśa, o mestre dos órgãos dos sentidos e de ação (Senhor Kṛṣṇa), (हृषीकाणाम् इन्द्रियाणाम् ईशः इति); गुडाकेशेन 3/1m – por Gudākeśa (Arjuna) (गुडाका निद्रा ईशः गुडाकेशः); भारत 8/1 – ó Bhārata (Dhṛtarāṣṭra); सेनयोः 6/2f – dos dois exércitos; उभयोः 6/2f – dos dois; मध्ये 7/1n – no meio; स्थापयित्वा Ø (√स्था णिच् क्त्वा); रथोत्तमम् 2/1m – a excelente carruagem; भीष्मद्रोणप्रमुखतः Ø – mesmo à frente de Bhīṣma e Droṇa; सर्वेषां 6/3m – de todos; च Ø – e; महीक्षिताम् 6/3m – dos governantes da terra (मह्याम् ईष्टे इति महीक्षित्, तेषां महीक्षिताम्); उवाच III/1 √वच्, लिट् – disse; पार्थ 8/1m – ó Pārtha (Arjuna); पश्य II/1 √दृश्, लोट् – vê, que vejas; एतान् 2/3m एतद् शब्दः – estes; समवेतान् 2/3m – reunidos, juntos; कुरून् 2/3m – Kauravas; इति Ø – assim disse (o Senhor Kṛṣṇa).
अन्वयः
सञ्जय उवाच, (हे) भारत गुडाकेशेन एवम् उक्तः हृषीकेशो, उभयोः सेनयोः मध्ये रथोत्तमम् स्थापयित्वा
भीष्मद्रोणप्रमुखतः सर्वेषां च महीक्षिताम्, (हे) पार्थ, एतान् समवेतान् कुरून् पश्य इति उवाच ॥
अनुवादः
Tradução:
V.1.24 e 1.25 – Sañjaya disse: Ó Bhārata (Dhṛtarāṣṭra), sendo Hṛṣīkeśa (Senhor Kṛṣṇa, o mestre dos órgãos dos sentidos) comunicado (comandado) desta forma por Guḍākeśa (Arjuna), (e) tendo posicionado a excelente carruagem entre os dois exércitos, mesmo à frente de Bhīṣma, Droṇa e de todos os governantes da terra, (o Senhor Kṛṣṇa) disse: “ó Pārtha (Arjuna), vê estes Kauravas (aqui) reunidos”.
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A Importância do Yoga em Vedānta
Grandes objetivos geralmente exigem grandes esforços. Grandes conquistas exigem grandes compromissos. Grandes viagens exigem grandes preparações. Quanto maior for a dimensão daquilo que deseja, em princípio maior será o investimento necessário.
Dito isto, mokṣa, a libertação do sofrimento, é o derradeiro objetivo do Vedānta, que definitivamente não é ganho com uma atitude casual perante a vida. Para que a libertação seja ganha é necessário um compromisso constante acompanhado de muita resiliência.
Yoga é o meio para ganhar o necessário e essencial para a frutificação do Vedānta, e isso abrange ganhar uma mente afiada e um coração relativamente pacificado e bondoso. Para que estes, mente afiada e coração bondoso, sejam ganhos, a pessoa tem que levar uma vida de valores éticos e morais. Quanto a isto não há dúvida alguma.
Para além disso, uma vida de valores éticos e morais é chamada uma vida de dharma e certamente vai atrair circunstâncias de vida conducentes e imensamente favoráveis para o processo de estudo de Vedānta.
O processo de estudo requer uma certa introspeção saudável. Esta só é possível se existir uma certa preparação emocional. Se não for assim o aluno não consegue estar consigo mesmo em paz e irá procurar distrações e o Yoga torna a pessoa capaz e elegível para a introspeção sem causar escapismo.
Somente o aluno que tenha ganho o valor pela solitude, pela meditação e pelos valores éticos e morais é que terá a disposição interna de mergulhar no ensinamento de Vedānta e torná-lo parte de si. Sem a disposição interna gerada por uma vida de Yoga, o Vedānta é incapaz de germinar a semente do conhecimento, assim como uma semente é incapaz de germinar em cimento.
Não há Vedānta sem Yoga e Yoga sem Vedānta fica incompleto. O Yoga completa-se com Vedānta e tudo o que ajudar a pessoa a ganhar maturidade, foco mental, capacidade meditativa e a seguir o dharma pode ser chamado de Yoga, seja ele vindo da Índia ou de outro lugar.
Então, lembre-se de que o processo de crescimento está nas suas mãos, pois mais ninguém poderá crescer por si. Crescer é algo que terá que fazer sozinho. E lembre-se também que o Vedānta está nas mãos do professor. Chegue às aulas de Vedānta munido de Yoga, deixe que o ensinamento e o professor façam a sua função e verá em primeira mão como é bom resultado das aulas.
Paulo Abreu Vieira
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ज्योतिष – JYOTIṢA- Principais Indicações Astrológicas – Ano 2023
Apesar do ano astrológico apenas iniciar quando o Sol dá entrada no rāśi (signo) de Mesha (Carneiro / Áries) no mês de Abril, é comum, no ocidente, considerar o início do ano civil como um momento importante de reflexão e de previsão acerca das promessas mais importantes para o ano que se inicia.
Desta forma, a minha proposta neste texto, é colocar as principais orientações astrológicas para este ano de 2023, para que cada um possa refletir nas mesmas, tentando integrar todas essas energias na sua vida, quer externa como interna, de forma a navegar nas ondas do samsara de forma mais segura, firme e consciente, tomando as melhores decisões a todo o momento, sempre que possível.
O ano de 2023 é um ano com uma energia muito forte. Uma energia dinâmica, rápida e intensa que poderá levar a mudanças muito significativas. No entanto, essas mudanças não serão efetuadas de forma tranquila e lenta, mas sim de forma mais impulsiva e talvez até abrupta. É, sem dúvida, um ano de grandes oportunidades para aqueles que estão dispostos a abrir mão do controlo e fluir com a vida, numa atitude de maior flexibilidade e desapego do que já não faz mais sentido permanecer nas suas vidas.
Um ano que nos vai levar a quebrar padrões, se queremos aproveitar as novas oportunidades que a vida tem reservada para nós.
Um ano que nos vai trazer desafios quer a nível material como a nível espiritual. O maior deles será tentar encontrar uma ponte segura entre os dois lados, o que apenas será possível se existir uma verdadeira conexão interna e uma vontade sincera no nosso crescimento.
Se essa vontade estiver presente, assim como a nossa entrega, fé e confiança na consciência divina, então não haverá motivos para preocupação. Tudo ocorre dentro da ordem universal!
Śani (Saturno) em Kumbha (Aquário)
A entrada de Śani no signo de Aquário, a 17 de janeiro, é, sem dúvida, um dos assuntos mais relevantes.
Śani ficará neste signo até 29 de março de 2025. Neste signo, para além de ser um dos signos regidos por Śani, é o signo onde detém mais força.
É um signo de ar e de modalidade fixa, muito associado ao coletivo, pelo que o tema social e mudanças na sociedade em geral, estarão em destaque durante este período.
Antes de continuar, convido todos os que não tiveram ainda oportunidade de ler a newsletter na qual falo acerca de Saturno, para o fazerem, pois entender o que Saturno representa, é fundamental para perceber tudo aquilo pelo qual ele nos poderá fazer passar ao longo deste período. Saturno não é apenas o que restringe e pune, é também aquele com maior capacidade de nos ensinar e fazer crescer. Não da forma mais leve, isso é certo, mas da forma como precisamos e, claro, sempre de acordo com os nossos karmas.
Importante verificar, em primeiro lugar, em que casa astrológica temos o signo de aquário no nosso mapa e quais os grahas (planetas) ali presentes assim como as casas e os planetas situados nos signos de Áries (carneiro), Leão e Escorpião, pois serão ativados também pelo olhar de Śani.
Como graha maléfico, Śani atua predominantemente de forma mais severa, podendo levar a perdas e prejuízos, desonras, infortúnios, medos e inseguranças, desentendimentos, mas, atuando de forma mais benéfica, pode levar a progresso material, vitórias, capacidade de trabalho e foco, persistência, honras.
Tudo irá depender do mapa de cada um, dos karmas individuais espelhados nas diferentes configurações presentes no mapa natal. Desta forma, os resultados poderão variar muito consoante a pessoa em questão.
No entanto, e de forma mais generalizada, coloco abaixo os possíveis principais resultados para este trânsito de Śani em Aquário, pelas casas, tendo em conta o lagna (ascendente):
Lagna/Ascendente
Mesha (Carneiro / Áries)
Śani estará na casa 11 a partir do lagna, é o regente da casa 10 na casa 11 e aspecta (olha), com maior força, as casas 1, 5 e 8.
O trabalho árduo poderá vir a ser recompensado, com progresso económico e material. Importante não deixar para depois o que há para fazer. Não perder tempo e trabalhar com dedicação, para colher esses frutos.
Poderão existir algumas dificuldades para a mãe e para os amigos. É um excelente momento para refletir acerca das verdadeiras amizades.
Vrshabha (Touro)
Śani estará na casa 10 a partir do lagna, é o regente da casa 9 na casa 10 e aspecta (olha), com maior força, as casas 12, 4 e 7.
Posicionamento muito favorável para progresso na carreira, honras, prosperidade. Possibilidade de mudanças a nível profissional e a nível de residência.
É tempo para investir na profissão e ter em atenção os possíveis conflitos a nível relacional.
Mithuna (Gémeos)
Śani estará na casa 9 a partir do lagna, é o regente da casa 8 na casa 9 e aspecta (olha), com maior força, as casas 11, 3 e 6.
É o final da passagem de Śani pela casa 8 nos últimos 2,5 anos o que pode ter trazido alguns infortúnios. Não ficar preso ao passado, mas, apesar disso, é importante evitar o excesso de otimismo.
Possibilidade de viagens e deslocações, tendência para problemas de saúde, problemas com inimigos. Conselho: dedicação a causas sociais.
Karka (Caranguejo /Câncer)
Śani estará na casa 8 a partir do lagna, é o regente da casa 7 na casa 8 e aspecta (olha), com maior força, as casas 10, 2 e 5.
É o início do período da passagem de Śani pela casa 8, o que pode representar um período desafiante. Perdas, doenças e sofrimentos, mudanças no trabalho, incapacidade de levar projetos para a frente, são alguns dos possíveis resultados. É muito importante fortalecer a mente e o corpo. Poderão existir ganhos materiais provenientes de heranças e recursos de outros.
Simha (Leão)
Śani estará na casa 7 a partir do lagna, é o regente da casa 6 na casa 7 e aspecta (olha), com maior força, as casas 9, 1 e 4.
O tema afetivo estará em destaque. Ter em atenção os relacionamentos (afetivos e parcerias profissionais), os quais poderão passar por uma fase mais delicada. Possibilidade de problemas de saúde. Necessidade de observar os desejos com cuidado e tomar decisões acertadas e objetivas.
Kanya (Virgem)
Śani estará na casa 6 a partir do lagna, é o regente da casa 5 na casa 6 e aspecta (olha), com maior força, as casas 8, 12 e 3.
Possibilidade de prosperidade, vitória sobre os inimigos e boa saúde. Importante cuidar do corpo, instaurar bons hábitos, focar em pensamentos positivos, escutar os outros e não cair em comportamentos de procrastinação.
Tula (Balança / Libra)
Śani estará na casa 5 a partir do lagna, é o regente da casa 4 na casa 5 e aspecta (olha), com maior força, as casas 7, 11 e 2.
O principal foco estará no tema dos filhos (poderá haver algumas questões mais difíceis de lidar). Possibilidade de mudanças na carreira, estabilidade financeira (evitar empréstimos e dívidas). Maior interesse pelos estudos.
Vrishkha (Escorpião)
Śani estará na casa 4 a partir do lagna, é o regente da casa 3 na casa 4 e aspecta (olha), com maior força, as casas 6, 10 e 1.
Aqui, o principal objetivo de Śani é fazer com que a pessoa saia da sua zona de conforto. Aprender a deixar fluir e usufruir de novas experiências. Poderão existir mudanças/problemas familiares e relacionados com habitação, imóveis. Possibilidade de deslocações e mudanças de residência.
Dhanus (Sagitário)
Śani estará na casa 3 a partir do lagna, é o regente da casa 2 na casa 3 e aspecta (olha), com maior força, as casas 5, 9 e 12.
Boas perspetivas: vitórias, felicidade, honras, aquisições, coragem capacidade de iniciativa, libertação de medos. Cuidado com as promessas irrealistas.
É o fim do Sade Sati para os que possuem a Lua (Chandra) neste signo – período difícil de 7,5 anos no qual Śani transita pelo signo da lua, pelo signo anterior (casa 12 a partir da lua) e pelo signo seguinte (casa 2 a partir da lua).
Possíveis problemas relacionados com o pai e irmãos.
Makara (Capricórnio)
Śani estará na casa 2 a partir do lagna, é o regente da casa 1 na casa 2 e aspecta (olha), com maior força, as casas 4, 8 e 11.
Última fase do Sade Sati (últimos 2,5 anos) para os que possuem a Lua (Chandra) neste signo – período difícil de 7,5 anos no qual Śani transita pelo signo da lua, pelo signo anterior (casa 12 a partir da lua) e pelo signo seguinte (casa 2 a partir da lua).
Infortúnios, problemas com familiares e financeiros, deslocações e mudanças de residência. Necessidade de ter em atenção a forma de comunicação. Bom momento para tratar do corpo, para dietas.
Kumbha (Aquário)
Śani estará na casa 1 a partir do lagna, é o regente da casa 12 na casa 1 e aspecta (olha), com maior força, as casas 3, 7 e 10.
Auge do Sade Sati (últimos 2,5 anos) para os que possuem a Lua (Chandra) neste signo – período difícil de 7,5 anos no qual Śani transita pelo signo da lua, pelo signo anterior (casa 12 a partir da lua) e pelo signo seguinte (casa 2 a partir da lua).
Possibilidade de dificuldades nos relacionamentos, problemas de saúde (necessidade de prestar muita atenção à saúde). Probabilidade de conquistas e honras. Possibilidade de deslocações e mudança de residência. Necessidade de maior conexão interna e capacidade de desapego dos resultados.
Mina (Peixes)
Śani estará na casa 12 a partir do lagna, é o regente da casa 11 na casa 12 e aspecta (olha), com maior força, as casas 2, 6 e 9.
Início do Sade Sati (últimos 2,5 anos) para os que possuem a Lua (Chandra) neste signo – período difícil de 7,5 anos no qual Śani transita pelo signo da lua, pelo signo anterior (casa 12 a partir da lua) e pelo signo seguinte (casa 2 a partir da lua).
Possibilidade de aumento dos gastos, despesas, prejuízos, tristezas, isolamento, mudanças de residência e deslocações. Aprender a diminuir as expectativas e fluir com a vida.
Guru (Júpiter) em Mesha (Carneiro / Áries)
Guru entrará no signo de Mesha (Áries/Carneiro) em 21 de abril. Guru sairá de Peixes, signo que rege e ficará em Áries por cerca de um ano, disposto por Maṅgala (Marte), regente deste signo.
Sendo Áries um signo de fogo e cardinal, ou seja, com uma energia de impulso, iniciativa e ígnea, podemos verificar que a passagem de Guru por este signo não passará despercebida.
Os aspectos materiais da vida poderão vir a estar em destaque, trazendo conquistas e ganhos e persecução de objetivos mais práticos e lógicos. Como significador máximo do conhecimento e da espiritualidade, Guru, no signo de Áries poderá trazer muita vontade de enveredar por estudos e práticas espirituais, com grande energia, com muito fogo, mas com risco de pouco aprofundamento. A conjunção que acontecerá em abril entre Guru e Rāhu, um dos nodos lunares, contribuirá eventualmente ainda mais por uma busca repentina e obsessiva, mas com alguma falta de discernimento e ilusão.
De qualquer forma, tudo aquilo em que Guru toca, tem tendência para expandir e ser abençoado. É esperada uma energia bastante ativa no que toca a todos os assuntos significados por Guru, assim como o que ele representa no nosso mapa natal e a casa onde está situado no nosso mapa natal.
A casa no nosso mapa por onde transitará Guru, em Áries, terá tendência a ser expandida e beneficiada. Se durante este trânsito Guru tocar em grahas maléficos, tenderá a suavizá-los e se tocar em grahas benéficos, trará boa fortuna, mas possivelmente alguma indulgência.
Guru aspecta com a máxima força as casas 7, 5 e 9 a partir da sua posição, logo, em Áries, poderá ter um impacto maior nas casas onde temos os signos de Libra (Balança), Leão e Sagitário.
O impacto mais ou menos positivo dependerá muito da força do Guru no nosso mapa e das configurações restantes. Mais uma vez, aconselho a leitura da newsletter que foca o tema de Guru, para melhor entendimento.
Eclipses 2023
Nota: Para melhor entendimento do fenómeno dos eclipses, aconselho a leitura das newsletters referentes aos nodos lunares: Rāhu e Ketu.
Os nodos lunares andam sempre em sentido retrógrado e demoram cerca de 19 meses em cada signo. Rāhu e Ketu, os Chāyā grahas (planetas sombra) correspondem aos pontos do eclipse.
Desde 2022 que o eixo no qual os eclipses têm ocorrido corresponde ao eixo. Áries – Libra e assim continuará durante todo o ano de 2023.
A nível pessoal, este eixo está relacionado a questões envolvendo o eu e o outro, o desejo de se afirmar, ter iniciativas e agir conforme a própria individualidade versus a manutenção de relações e acordos.
Este eixo vai continuar a despertar questões como o quanto cada um consegue manter a sua individualidade e independência (Áries) versus a sua participação em parcerias, relações e a sua habilidade de interação (Libra).
Os eclipses ocorrerão nas seguintes datas:
20 abril – eclipse solar (total) em Áries
Será visível na Austrália Ocidental, Timor-Leste, Indonésia, Sudeste Asiático e Nova Zelândia.
5 de maio – eclipse lunar (penumbral) em Libra
Será visível na Europa, Ásia, Austrália e África.
14 de outubro – eclipse solar (anelar) em Libra
Será visível na América do Sul (exceto sul do Chile e da Argentina), América do Norte (exceto Groenlândia) e América Central.
28 de outubro – eclipse lunar (parcial) em Áries
Será visível na Europa, Ásia e África, extremo leste da América e parte da Austrália. No Brasil, parte da Região centro-Norte poderá contemplar o fenômeno.
Quanto mais visível o eclipse na região onde nos encontramos, maior os seus efeitos.
Os eclipses afetarão em particular quem tiver grahas no eixo áries – libra ou quando esse eixo corresponde a áreas importantes do mapa. De qualquer forma, as casas onde ocorrem os eclipses terão os seus temas afetados por estas energias.
Os efeitos dos eclipses podem ocorrer até cerca de seis meses após a sua ocorrência, sendo responsáveis, muitas vezes, por mudanças abruptas na vida da pessoa, correspondendo a finais ou inícios de novos ciclos. São períodos que fogem por completo ao nosso controlo e quando decisões são tomadas, mudam, por completo, a nossa vida.
Como o eixo é o mesmo de 2022, é natural que os temas em foco permaneçam os mesmos, com variações dos seus efeitos, mais ou menos positivas. Tudo irá sempre depender das configurações gerais do mapa de cada um.
Estes eclipses ativarão também Guru e os temas e casa a ele associados, pois durante a sua passagem pelo signo de Áries, estará sujeito a uma influência maior destes eventos.
Períodos de Retrogradação
Os períodos de retrogradação são períodos para fazer pausas, de reflexão, de revisitar assuntos pendentes, períodos em que os assuntos significados pelo graha retrógrado, são convidados a serem revistos e ponderados.
São vários os grahas que ficam retrógrados todos os anos e encontram, nesse período, possibilidade de estarem em destaque nas nossas mentes, nas nossas vidas.
Listo aqui os períodos de retrogradação dos diferentes grahas neste ano de 2023:
Śani – 17/06/23 a 4/11/23
Guru – 5/09/23 a 31/12/23
Maṅgala- esteve retrógrado desde final de outubro e ficou em movimento direto a 12 de janeiro. Nâo volta a retrogradar este ano.
Śukra – 22/07/23 a 3/09/23
Budha – Fica hoje, 18/01/23, em movimento direto
21/04/23 a 14/05/23
23/08/23 a 15/09/23
13/12/23 a 31/12/23
Ciclos lunares
É também muito importante estar atento aos ciclos lunares, observando os diferentes momentos da lua cheia e da lua nova, movimentos naturais aos quais também nós nos devemos adaptar e fluir com os mesmos.
Porque há momentos de expansão, de dinamismo e de trabalho, mas também são necessários os momentos de pausa, descanso e interiorização, é fundamental que entendamos que, tal como a natureza, tudo é cíclico e devemos observar, aceitar e integrar esses mesmos ciclos nas nossas vidas.
Na próxima edição da Mukti, elaborarei e anexarei um documento com todas as lunações do ano de 2023 com os seus posicionamentos por rāśi (signo) e por nakshatra (consultar este tema na newsletter do mês de dezembro).
Hari Om
Maria João Coelho
Imagem – Fonte: https://marceladiomede.es/
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आयुर्वेद -Āyurveda – O Mundo Moderno
Āyurveda tem vindo a ganhar popularidade nas últimas décadas. Cada vez mais pessoas procuram abordagens naturais e holísticas para a saúde pois e apesar das suas raízes milenares, o āyurveda parece estar a tornar-se cada vez mais relevante no mundo moderno ao oferecer perspectivas únicas sobre saúde e bem-estar.
Um dos princípios fundamentais do āyurveda é o princípio dos opostos. Este princípio define que o excesso de certas qualidades deve ser equilibrado com os seus opostos. Isto pode parecer básico pois é o que fazemos naturalmente por exemplo, com o uso de diferentes guarda roupas consoante o calor do verão e o frio do inverno. Mas vamos expandir um pouco mais este conceito.
Ao olhar para o mundo moderno podemos constatar que este é rápido, irregular e instável. Ainda que existiram problemas em qualquer momento da existência humana, não será errado assumir que nunca houve uma altura em que mudanças se dessem tão rápido. Mudanças rápidas criam mais irregularidades e aumentam a instabilidade não só no mundo exterior como no mundo interior. Aplicando o princípio dos opostos, o remédio para algumas aflições do mundo moderno seriam calma, regularidade e estabilidade.
āyurveda reconhece que para saúde e bem estar verdadeiros tem de haver equilíbrio a conexão entre o corpo, a mente, e o Eu. O corpo humano efectivamente não precisa de instruções. A nossa anatomia e fisiologia foi muito bem estruturada para dar sinais claros de quando precisa de manutenção, quando precisa de energia a fome chega, quando precisa de eliminar sentimos necessidades fisiológicas, quando sente frio treme, e por aí adiante. De uma forma simplista o corpo apenas requer que seja nutrido e usado adequadamente. A mente é mais complexa mas, de acordo com as ciências védicas, a sua natureza é sattva. A mente está equilibrada quando não está influenciada negativamente pela energia de rajas ou inércia de tamas. Uma mente equilibrada é uma mente presente e pacífica, capaz de navegar as manipulações dos gostos e das aversões. Finalmente, de acordo com o āyurveda, o Eu é eterno e não sofre qualquer tipo de aflições.
Quando um carro está a ir rápido demais, de forma irregular e instável a coisa mais segura a fazer é mesmo parar.
Da mesma forma, devíamos aprender a baixar o nosso ritmo excessivo nem que seja uns minutos por dia. Parar… respirar fundo… deixar a mente acalmar e de forma consciente voltar aos nossos afazeres. Quer queiramos quer não, o corpo gosta de rotinas. O corpo nutre-se ou desnutre-se dependendo da qualidade dos hábitos que criamos para eles. Portanto, ter uma rotina regular de saúde favorável ao desempenho do corpo é uma forma de criar regularidade e estabilidade.
Com os desenvolvimentos tecnológicos e com a maneira como a tecnologia infiltrou quase todas as áreas das nossas vidas, acabamos por viver uma desconexão nunca vista em relação ao mundo natural. No contexto virtual, a tecnologia permite conectar mais pessoas do que nunca, mas será que estamos realmente mais conectados ao mundo real? Aos poucos fomos trocando tempo ao ar livre na natureza por entretenimento na TV, actividades lúdicas por consolas e telemóveis. Chegamos ao ponto de vermos famílias sentadas na mesma mesa e cada elemento a olhar para um aparelho que aos poucos se tornou a sua conexão com a realidade.
Qualquer solução para os problemas do mundo moderno não passa necessariamente por mudar o que é, mas sim como aprender a lidar com tudo o que se encontra à nossa volta de forma mais saudável. Perceber as qualidades a que estamos expostos e nos causam desequilíbrios, usar princípios apropriados para nos equilibrarmos. Coisas simples como parar para respirar fundo, ter rotinas saudáveis, passar mais tempo na natureza e reavivar contacto humano são exemplos de como o āyurveda e outras ciências milenares terão sempre muito a oferecer pois os princípios sobre quais foram desenvolvidas não mudam.
Ricardo Barreto
Terapeuta de Ayurveda
www.instagram.com/wayofayurveda_pt
+351 925380997
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भगवद्गितायाः व्याकरणम् – Análise gramatical da Bhagavadgītā – 19
भगवद्गितायाः व्याकरणम् – Análise gramatical da Bhagavadgītā
(continuação)
Símbolos usados na análise gramatical:
√ – raíz verbal; ⊘ – indeclinável; m – género masculino; f – género feminino; n – género neutro; I/1 – primeira pessoa singular; II/1 – segunda pessoa singular (a numeração romana indica a pessoa, a numeração indo-arábica indica o número, que pode ser singular, dual ou plural; 1/1 – 1º caso singular; 1/2 – 1º caso dual; 1/3 – 1º caso plural; 2/1 – 2º caso singular (existem oito casos, vibhaktis, no total; 7/1 – sétimo caso singular; P – parasmaipadī; Ā – ātmanepadī; U – ubhayapadī; VA – voz ativa (kartari prayoga); VP – voz passiva.
योत्स्यमानानवेक्षेऽहं य एतेऽत्र समागताः ।
धार्तराष्ट्रस्य दुर्बुद्धेर्युद्धे प्रियचिकीर्षवः ॥ १.२३ ॥
पदच्छेदो (सन्धिच्छेदः) विभक्तिपरिच्छेदः पदार्थो व्युत्पत्तिश्च
योत्स्यमानान् 2/3m √युध् + लृट् + शानच् – os que estarão a lutar; अवेक्षे I/1, अव√ईक्ष् – eu desejo ver; अहं 1/1 अस्मद् शब्दः – eu; ये1/3m यद् शब्दः – os que; एते 1/3m, एतद् शब्दः – estes; अत्र – aqui; समागताः 1/3m, सम+आ√गम्+क्त – reunidos; धार्तराष्ट्रस्य 6/1m – do filho de Dhṛtarāṣṭra (धृतराष्ट्रस्य पुत्रः इति धार्तरष्ट्रः दुर्योधनः); दुर्बुद्धेः 6/1m – cuja forma de pensar é errada (कुत्सिना बुद्धिः यस्य सः); युद्धे 7/1n – na guerra; प्रियचिकीर्षवः 1/3m – desejosos de fazer o que é favorável (प्रियं कर्तुम् इच्छवः).
अन्वयः
ये एते अत्र समागताः दुर्बुद्धेः धार्तराष्ट्रस्य युद्धे प्रियचिकीर्षवः अहं योत्स्यमानान् अवेक्षे ॥
अनुवादः
Tradução:
V.1.23 – Eu desejo ver estes que estão aqui reunidos prontos para lutar na guerra e desejosos de fazer o que é favorável para Duryodhana, o filho de Dhṛtarāṣṭra, cuja forma de pensar é errada.
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ज्योतिष – JYOTIṢA- Nākṣatra
O nakṣatras são vinte e sete asterismos que foram descritos na antiguidade, nos Vedas, tendo por base o ciclo sideral lunar de 27,321 dias. Na mitologia, os nakṣatras são considerados as noivas de Chandra, o deva que preside a Lua e que, por ser inquieto e lascivo, cada dia deita-se com uma das suas esposas, percorrendo, desta forma, os 27 nakṣatras ao longo de um mês. De acordo com a astrologia, o zodíaco tem 360 graus, sendo que cada um dos nakṣatras ou constelações se estende por cerca de treze graus e vinte minutos., iniciando no grau zero do signo de Áries. Estes signos lunares ou mansões lunares constituem a referência mais antiga nos textos clássicos e são de crucial importância, possuindo um sistema de interpretação próprio e independente dos signos solares. Daqui se depreende a importância da análise efetuada a partir de Chandra (lua) e do signo que ela ocupa. No entanto, para certas análises, é igualmente importante verificar qual o nakṣatra do lagna (ascendente), do regente do ascendente e outros grahas.
Ainda hoje são extremamente utilizados não só na análise das caraterísticas individuais de cada pessoa (como o seu temperamento e motivações) e na confirmação dos karmas desta vida, como também para eleger dias propícios para a realização de rituais (como casamentos) e início de atividades específicas e momentos mais auspiciosos para certas atividades (astrologia eletiva ou Muhūrta). São igualmente utilizados nas sinastrias (verificação de compatibilidade entre mapas), retificação de horário de nascimento e cálculo das daśās (períodos planetários).
Na medida em que os 27 nakṣatras podem ser convenientemente divididos em três grupos de nove, e visto que 9 vezes 13 graus e 20 minutos equivale a 120 graus, o que equivale a três signos completos (4 vezes 30 graus), os primeiros nove nakṣatras, de Ashvini até Ashlesha, cobre as constelações de Áries até Câncer; o segundo grupo, de Magha até Jyeshtha, calha precisamente dentro das constelações de Leão até Escorpião, e o último grupo, de Mula até Revati, cai entre Sagitário e Peixes. Cada um destes grupos começa com um signo de fogo (Áries, Leão e Sagitário) e termina num signo de água (Câncer, Escorpião e Peixes).
A interpretação dos nakṣatras é feita a partir de referências deixadas na literatura sagrada, ou seja, nos Vedas, Pūraṇas e Tantras. Nela encontramos histórias sobre os devas que foram relacionados a cada nakṣatra, o que nos auxilia no processo de compreensão deles. Outra referência importante em relação à interpretação dos nakṣatras são os atributos que foram listados nos clássicos de jyotiṣa, o que inclui classificação relativamente a varṇa, guṇa, natureza, tattva, Śakti, meta, atividade, qualidades, gaṇa, gênero, natureza, nāḍī, partes do corpo, etc., além de descrições dos autores clássicos a respeito dos resultados a serem esperados de Chandra em cada nakṣatra.
Nas próximas edições, irei focar nestes aspetos mais específicos dos nakṣatras.
Abaixo apresento a listagem dos nakṣatras, com a sua distribuição longitudinal ao longo dos rāśis (signos) e o deva/devī relacionado a cada um deles.

Fonte tabela: https://sriganesa.blogspot.com/
Hari Om
Maria João Coelho
Fonte foto https://atcaminhante.wordpress.com
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Testemunho dos Alunos- Joel Monteiro
Conheci o professor Paulo Vieira em Junho de 2018, quando da vinda do professor Jonas Masetti a Portugal para fazer o caminho de Santiago. Nessa altura, houve dois workshops sobre o tema “O caminho do buscador na Tradição Védica”. Gostei de os ouvir falar e fiquei satisfeito por, finalmente, termos um português com o Conhecimento de Vedanta obtido junto de um mestre como o Swami Dayananda. O professor Paulo tinha acabado de lançar o seu primeiro livro “Preces matinais antigas da Índia”.
A vida tem sido uma sucessão de encontros, uns bons e outros nem por isso, mas que me serviram para ganhar experiência e encontrar o meu caminho.
Foi por curiosidade que comecei a praticar Yoga em 1997. Encontrei um “pseudo mestre” de uma Associação e tirei lá um curso de professor de Yoga. Em 2006 abri um Centro de Yoga (Alverca do Ribatejo). Saí dessa Associação por discordar do comportamento incoerente e egocêntrico do dito “mestre”. Senti-me então perdido, enganado e sem apoio prático e filosófico, mas continuei sempre com as aulas de Yoga.
Na dita Associação por onde andei, tinham-me ensinado que o Vedanta era oposto ao Sāṃkhya, que o Sāṃkhya é que era o primeiro, o mais genuíno, puro e antigo darshana (doutrina filosófica hindu), que o Vedanta não era tântrico, não era matriarcal, que o Vedanta preconizava o celibato, enfim, que o Vedanta não interessava.
Ouvi então falar do professores de Yoga Pedro Kupfer, Miguel Homem e da professora de Vedanta Glória Arieira. De workshop em workshop fui percebendo o novo caminho do Vedanta. Fui esclarecendo dúvidas, eliminando fantasmas psicológicos ligados aos aspectos religiosos (na época considerava-me um ateu convicto). Houve uns textos do Swami Dayananda, que fizeram o “click” que eu precisava. Esses textos chamam-se “Dois estilos de vida”, “Trazendo o Vedanta para a vida” e “Só Deus”. Aquelas palavras que li fizeram sentido para mim, era assim mesmo que eu pensava. Finalmente, encontrei quem tinha um conhecimento firme, coerente, lógico e esclarecedor. Alguém que ia ao fundo das questões, as colocava de modo simples, não dogmático e respondia com lógica e sabedoria.
Em 2009 comecei a ouvir as lições da professora Glória Arieira todas as semanas, durante 3 anos. Foi quando, pela primeira vez, comecei a ouvir com detalhe e de um modo mais profundo, o conhecimento transmitido pela Bhagavad GÍtā e a desmistificar o que era o Vedanta e o Sāmkhya. Depois, em Fevereiro de 2015, estive em Rishikesh onde tive a bênção de estar em palestras do Swami Dayananda, ao vivo. Mais tarde, em 2017, ao pesquisar na internet, encontrei o professor Jonas Masetti. Como ele pertencia á linhagem do Swamiji, inscrevi-me como aluno.
O estudo mais profundo do Vedanta, levou-me ao contacto com o professor Paulo. Hoje, já reformado, estou mais tranquilo relativamente às minhas dúvidas iniciais e sei que o professor Paulo é capaz de fazer crescer a divulgação deste Conhecimento, de nos ajudar a assimilar e contemplar que afinal tu já és Pleno. Sinto-me confiante por este bem tão precioso, que é o Conhecimento, ter continuidade.
Om namah Shivaya.