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ज्योतिष – JYOTIṢA – Sandhi
Hoje falaremos sobre o termo “Sandhi”, que, literalmente significa junção. Na astrologia falamos deste termo quando os grahas (planetas) se localizam no final de um signo, início do outro. Como o sistema de casas mais utilizado na astrologia védica é um sistema de casas inteiras, através do qual as fronteiras de um signo correspondem às fronteiras de uma casa astrológica, tal equivale a dizer que este fenómeno também ocorre quando os grahas se situam no final de uma casa astrológica, quase no início da casa seguinte.
Ocorre quando se situam no último grau de um signo (aproximadamente entre o grau 29 de um signo e o grau 0 do outro signo). Estes pontos do mapa são considerados pontos difíceis, pois enfraquecem os grahas ali situados, prejudicando todos os seus temas e significados num mapa natal.
Como é um ponto de mudança, muito sensível, reflete uma certa falta de posicionamento e direção do graha.É um ponto de transição entre duas energias diferentes, no qual o planeta ali posicionado, perde a sua expressão e integridade. Um graha localizado no meio de um signo, expressar-se-á de forma muito mais forte e evidente, do que um graha localizado nos inícios ou finais de um signo.
Se nós possuirmos no nosso mapa natal um graha nestas condições, teremos então que prestar mais atenção a este graha, tentando entender a sua forma de atuação e por vezes, utilizar um Upāya (um “remédio astrológico”) para amenizar o potencial negativo deste graha.
À semelhança do que acontece num mapa natal, também não é auspicioso dar início a qualquer nova atividade ou projeto, quando um graha, em trânsito, se encontra em mudança de signo, principalmente se o graha em questão, estiver relacionado com o tema do novo projeto (exemplo: desfavorável para casamentos ou inícios de novos relacionamentos, o momento em que Vénus se encontra nesta posição).
Destes pontos de junção, existem alguns mais relevantes que se situam nas junções dos signos de água e de fogo, jala e agni-rāśis, ou seja, entre os signos de peixes e áries, câncer e leão, escorpião e sagitário. Estes pontos sensíveis são conhecidos como gaṇḍānta, “o fim do nó”, que corresponde, simultaneamente, ao ponto de junção ou transição (sandhi) de duas nakṣatras e de dois rāśis (signos). Este assunto foi já anteriormente abordado numa outra edição da newsletter. Recomendo a sua leitura.
Hari Om
Maria João Coelho
Imagem – Fonte: https://myastrology.com -
Vedānta não é “fast-food”
Numa sociedade que corre desenfreadamente e competitivamente em busca de resultados rápidos somos condicionados e treinados para desejar resultados rápidos. A ideia é esta: queremos tudo, e queremos para ontem.
Desta forma, cultiva-se, quase inevitavelmente, a cultura da impaciência e a cultura da desistência. Não há paciência para esperar por resultados que não sejam rápidos, ou, pior ainda, há a tendência para desistir daquilo que aparenta não dar resultados imediatos.
Olhando para a natureza apreciamos que tudo surge no tempo que tem que surgir. Uma semente poderá permanecer na terra sem germinar por duas semanas inteiras após ter sido semeada. Uma árvore poderá demorar anos para dar frutos. Os seres humanos só se tornam férteis na adolescência, etc. Há certas coisas na vida que demoram para dar fruto e talvez sejam as que mais realização trazem. Vedānta é uma delas. Vedānta não é fast-food. Não existe algo chamado Mac-mokṣa.
O estudo demora o seu tempo e não há milagres. Há sim, um compromisso com um projeto de amadurecimento emocional que acompanha o estudo de Vedānta apoiado pelas práticas coadjuvantes que em si constituem o que é chamado de “uma vida de karmayoga”.
Mokṣa é um projeto que requer a dedicação de uma vida, é um compromisso vitalício. Quem “vende” resultados rápidos está enganado e no seu engano engana os demais. Não se deixe enganar. Empenhe-se, mantenha-se empenhado e o fruto do Vedānta certamente virá.Paulo Abreu Vieira
Professor de Vedanta e Fundador do Centro Arshavidya
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आयुर्वेद – Harmonia do Ser: Abordagem Holística do Ayurveda
A abordagem holística do Ayurveda está directamente ligada à interconexão de sharira (corpo), indriya (sentidos), sattva (mente) e ātmā (o Eu). Esta perspectiva diz que o nosso bem-estar e saúde está dependente do alinhamento harmonioso destes elementos fundamentais.
sharira
O corpo é onde o Eu assenta. É formado pelos 5 elementos fundamentais, espaço, ar, fogo, água e terra. É organizado por doshas, dhatus (tecidos corporais) e malas (excretas). O corpo é um dos lugares onde a saúde e a doença se expressam.
Compreender como os doshas, dhatus e malas são impactados directamente pelas nossas acções e hábitos é fundamental dentro da sabedoria ayurvédica. Das escolhas alimentares às práticas de estilo de vida, o Ayurveda ensina-nos a nutrir o nosso corpo de uma forma que este mantenha o seu estado natural, promovendo o equilíbrio e a vitalidade.
indriya
O termo “indriya” abrange tanto as faculdades sensoriais como as faculdades motoras, abrange também o sistema interno de percepção do conhecimento. No Ayurveda, a noção de indriya vai além da mera existência estrutural de órgãos dos sentidos, como olhos, ouvidos, nariz, pele e língua. Cada sentido possui a capacidade de estabelecer uma conexão com a consciência e pode evoluir para um sentido intensificado na presença da mente e do Eu.
De acordo com o āyurveda, o processo de cognição começa dentro da pessoa. o Eu expressa vontade de percepção do conhecimento através da mente. A mente então conecta-se com o sentido particular. Este procura e conecta-se com a fonte para saber sobre aquele objeto específico. De um certo ponto de vista, a decisão de coisas boas/más, corretas/incorretas dependem da coordenação dos órgãos dos sentidos, dos sentidos, do intelecto, do Eu.
Desta forma, a saúde dos sentidos é fundamental para o equilíbrio pois servem como portas entre o mundo externo e nossa paisagem interna.
sattva
Num contexto āyurvédico a palavra sattva é muitas vezes como sinónimo da mente visto sattva ser a sua natureza. Já vimos que tem um papel importante no processo de cognição. É com a mente que pensamos, analisamos, ponderamos, criamos hipóteses, nos concentramos, temos auto controle, etc.
Desta forma é importante cultivar uma mente tranquila, com qualidades de pureza e da clareza para que desta forma possamos tomar decisões apropriadas. O Ayurveda ensina que uma mente serena é indispensável para o bem-estar geral. Aprimorar o nosso discernimento, exercitar perseverança e conhecimento do Eu são terapias recomendadas como práticas que promovem equilíbrio mental.
ātmā
De acordo com o āyurveda, ātmā não é afectado por doenças, é eterno, é o observador de todas as actividades. Entre outros é responsável pela consciência, individualidade, usufrui do resultado das acções e mantem a memória individual
O reconhecimento do ātma, a nossa essência é também parte de um bem-estar holístico. É importante descobrir como alinhar as nossas ações com nosso Eu superior e desenvolver um profundo senso de propósito, realização e conexão com o universo.
A abordagem holística do Ayurveda, fundada nos pilares sharira, indriya, sattva e ātmā, convida-nos a embarcar numa jornada de autodescoberta. À medida que aprimoramos o equilíbrio destes elementos, encontramos não apenas saúde física e mental, mas também uma existência harmoniosa que ressoa com os ritmos eternos do universo.Ricardo Barreto
Terapeuta de AyurvedaFoto de Nandhu Kumar
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ज्योतिष – JYOTIṢA
Combustão e Retrogradação
Sūrya é considerado o Ātman, a alma, regendo a vida e a consciência e é a luz que
permite que todo o universo de manifeste. Apesar disto e embora de natureza
sattvica, pura, ele é considerado um graha maléfico pois pelo seu excesso de calor e
secura pode ser causa de dificuldades, principalmente se existir algum graha muito
próximo dele. Nesse caso, dá-se um fenómeno chamado de astangata (combustão). A
combustão é um fenómeno astrológico que acontece quando os grahas (planetas) se
movem tão próximos do Sol que se tornam invisíveis para nós. Quanto mais um graha
se aproxima do Sol, mais distante se torna da Terra e quanto maior a sua proximidade
ao astro rei, menor será a sua força e o seus significados sairão prejudicados, tanto
quanto no mapa natal de um indivíduo, como quando em trânsito pelo mesmo.
Devido ao trânsito de Budha (Mercúrio), ser muito idêntico ao de Sūrya, ele nunca fica
muito distante, podendo estar afastado dele no máximo um signo. Apesar desta
proximidade, a conjunção dos dois grahas é considerada uma configuração que denota
também inteligência e capacidades cognitivas.
Os grahas benéficos naturais (Guru e Śukra) quando combustos, perdem a sua
habilidade para exercer a sua influência benéfica nas áreas do mapa com as quais se
relacionam. Por exemplo, Guru combusto poderá prejudicar o tema “filhos” (um dos
temas significados por Guru) e Śukra, quando combusto, prejudicará a área afetiva (um
dos temas significados por Śukra). Os grahas maléficos naturais (Maṅgala e Śani), por
sua vez, ganham a habilidade de exercer uma influência mais maléfica. Isto acontece
em termos gerais, pois outras configurações do mapa podem atenuar ou acentuar
estas tendências, como a força do graha, a casa astrológica na qual se situa, as casas
astrológicas que rege, aspetos que recebe de outros grahas, entre outros.
Como referido anteriormente, quanto maior a proximidade de Sūrya, mais severos
tenderão a ser os resultados. Outro aspeto que importa referir é que, os efeitos
negativos são mais evidentes quando o graha caminha em direção ao Sol do que
quando ele começa a afastar-se, mesmo que esta distância seja a mesma: os aspetos
aplicativos são sempre mais potentes que os aspetos separativos.As orbes de combustão (distância em graus do Sol) variam de um graha para o outro.
Hart de Fouw considera as seguintes orbes: 17º para Maṅgala, 14º para Budha (12º
quando retrógrado,), 11º para Guru, 10º para Śukra (8º quando retrógrado) e 15º para
Śani. No entanto, a combustão é considerada significativa a partir de 10º, severa a
partir de 6º e muito severa a partir de 3º.
Quando um graha se encontra retrógrado (aparentemente a movimentar-se em
sentido oposto zodiacal), ele distancia-se do Sol e fica mais próximo da Terra. Neste
caso, o fenómeno da retrogradação é considerado um fator de força para o graha. Ele
é considerado śākta (forte, poderoso), mas também irreverente, pois um graha
retrógrado está associado a um comportamento menos previsível do graha, estando
também associado a indecisões e mudanças de direção. Um graha śākta estará mais
forte, podendo a sua influência ser potencialmente mais benéfica ou mais maléfica do
que quando se encontra no estado de movimento direto.
Desta forma, quando śāktas (em movimento retrógrado), Budha e Śukra, embora
combustos, estarão mais fortalecidos do que se estiverem combustos e em movimento
direto, sendo os seus significados beneficiados.
Outros grahas que também possuem movimento retrógrado, para além de Budha e
Śukra, são Maṅgala, Guru e Śani.Hari Om
Maria João Coelho
Imagem – Fonte: https://socientifica.com.br/ -
Vedanta Camp no ashram do Swami Dayananda em Rishikesh
De 10 a 14 de novembro de 2023, o Acarya Paulo Abreu Vieira, fundador do Centro Arsha Vidya em Portugal, conduziu um Vedanta camp onde ensinou aos alunos versos selecionados do Bhagavadgita, transmitindo-lhes também o conhecimento do karmayoga como a visão da unidade.
O grupo contou com as bênçãos de Swami ji Sakshakrtananda na forma de sua presença e também na forma de duas aulas de Vedanta, a primeira ocorrendo no início do camp e a segunda no final.
Swami ji falou sobre a história do Dayananda Ashram e também sobre a grandeza de Pujya Swami Dayananda. Em seguida, ele ensinou aos alunos que o eu é diferente de todos os papéis que desempenhamos na vida, transmitindo de forma brilhante o conhecimento de que a consciência está sempre intocada pelos problemas e fricções que fazem parte do desempenho de papéis.
Os alunos tiveram também a oportunidade de frequentar aulas de Yoga uma vez que o grupo contava com duas professoras de Yoga, Sónia Monteiro e Sónia Vilela, ambas portuguesas. Esta foi uma oportunidade para todos os estudantes, alguns de Portugal e outros do Brasil, vivenciarem em primeira mão o estilo de vida num ashram Vedanta. Todos gostaram e foram enriquecidos pela experiência e pelo ensino.
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Amizades e Vedānta
O estudo de Vedānta só é efetivo se o estilo de vida for adequado. Por estilo de vida digo uma vida de karmayoga, que é uma vida de valores éticos e morais, e também uma vida de contribuição social e comunitária na qual se deseja diminuir o impacto mental nocivo das paixões e aversões, em sânscrito chamadas de rāgas e dveṣas, respetivamente. Como diz um dos meus mestres, o Swami Sadātmānanda, não existem dois compartimentos de vida diferentes, “a vida de Vedānta” e a “a minha vida pessoal”. Para Vedānta funcionar, Vedānta é o compartimento e a vida deverá ser Vedānta.
Se Vedānta é uma prioridade, terão que haver escolhas de vida conducentes e de suporte ao Vedānta. As escolhas são relativas ao uso do tempo de vida e ao uso das companhias que escolhemos para usar esse tempo. A verdade é que uma boa parte do tempo de vida tem que ser usado para o Vedānta para que este dê frutos. Outra verdade é que as amizades ou companhias deverão, pelo menos, não atrapalhar o estudo.
“Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és” – este é um dito popular muito conhecido e que tem muito de verdade. Portanto, rodeie-se de pessoas que o apoiem nos seus objetivos. Rodeie-se de pessoas que o ajudem a ser uma pessoa melhor. Rodeie-se de pessoas que tragam inspiração para a sua vida. Evite a companhia de pessoas que não seguem o dharma. Se alguns amigos seus não têm valores éticos e morais e são dados a ações impróprias, talvez seja melhor ponderar se essas amizades são benéficas para si. Talvez não sejam. Se não forem, não invista nelas.Paulo Abreu Vieira
Professor de Vedanta e Fundador do Centro Arshavidya
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आयुर्वेद – Como tornar a sua refeição ayurvédica
A alimentação é um dos pilares da saúde mais importantes no ayurveda. Nas redes sociais e na internet passa-se muitas vezes a ideia de que uma receita de comida indiana é ayurvédica. Naturalmente a comida indiana utiliza muitos ingredientes que estão descritos nos textos clássicos mas muitas vezes, estes não são preparados nem consumidos de forma adequada. Então vamos ver como podemos tornar a nossa refeição ayurvédica.
Apetite e digestão: a chave para a absorção de nutrientes
A nossa digestão é considerada a base de uma boa saúde. Para melhorar a digestão, é preciso sintonizar com sinais de fome do corpo. Coma apenas quando tiver apetite de verdade, não pela hora ou a situação. Comer sem fome pode levar à comida não ser digerida nem absorvida apropriadamente e isto é suficiente para criar desequilíbrios no corpo especialmente se for feito repetidamente. Respeite sua fome, se sente que não tem apetite para a refeição tente fazer jejum. O mesmo se aplica em casos de indigestão.
Quantidade certa: manter a digestão equilibrada
O Ayurveda incentiva a moderação em todos os aspectos da vida, e a alimentação não é excepção. Sobrecarregar o prato é sobrecarregar o sistema digestivo e perturbar o equilíbrio do corpo. A quantidade ideal de comida é aquela que garante que o nosso fogo digestivo não se extinga nem por falta de combustível nem por excesso dele. Tente sempre acabar de comer antes de estar com a satisfação a 100%.
Ingredientes frescos e sazonais: a recompensa em cada prato
A natureza fornece diferentes alimentos em diferentes estações para ajudar o nosso corpo a adaptar-se às mudanças ambientais. Escolha uma variedade de frutas e vegetais coloridos, grãos integrais e legumes da estação. Isto não só garante que a sua refeição esteja repleta de nutrição, mas também que esteja alinhada com os ritmos naturais. Dê ênfase a ingredientes frescos, sazonais e de origem local.
Sem distrações: comer com consciência
Coma com o mínimo de distrações. Desligue a TV, guarde o telefone e saboreie cada garfada. Preste atenção aos sabores, texturas e aromas da comida. Comer devagar permite que o corpo entenda os sinais de saciedade evitando comer demais. Esta abordagem consciente promove uma conexão mais profunda entre o corpo e a alimentação.
Alimentos para a saúde e a recuperação: adaptando sua dieta às suas necessidades
A alimentação, além de manter a saúde, também é um tratamento. Cada pessoa é única e a sua condição de saúde ou de doença varia. As recomendações alimentares devem estar adequadas ao estado da pessoa. Os hábitos alimentares de uma pessoa doente não devem ser os mesmos de uma pessoa saudável. Muitas vezes não tomar uma refeição, simplificar uma receita, evitar certos alimentos, usar diferentes especiarias é suficiente para redirecionar o corpo para um estado de equilíbrio. De forma geral, consumir comida quente, leve e não muito seca é recomendado.
Incorporar ayurveda nas refeições vai além de estilos culinários e ingredientes indianos. Uma refeição ayurvédica resulta da aplicação de princípios baseados na manutenção da digestão e nutrição dos tecidos corporais com alimentos saudáveis processados de forma adequada. Além disso, é uma abordagem consciente e intencional para nutrir o corpo. Existem outros factores como os 6 sabores, os alimentos incompatíveis que também devem ser levados em consideração mas ao abraçar estes simples cinco aspectos – apetite e digestão, quantidade certa, ingredientes frescos e sazonais, comer com consciência e adaptar a sua dieta às suas necessidades – pode transformar a sua refeição numa refeição ayurvédicas; uma refeição que não crie desequilíbrios no corpo e seja fonte de vitalidade e bem-estar.
Até já!
Ricardo Barreto
Terapeuta de Ayurveda
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Otimismo ou realismo
Entre o ideal e o factual a distância geralmente é grande. Aquilo que consideramos ótimo para nós é muitas vezes uma forma de idealismo, uma meta quase inalcançável, uma utopia. O factual é a verdade crua e nua que se relaciona com os factos da vida, aqueles que permanecem inalteráveis mesmo perante um idealismo de grande potencial.
Estas duas posições, chamemos-lhes assim, vêm de duas atitudes diferentes. A primeira é o positivismo, que descamba no otimismo. A segunda é o objetivismo, força que nos coloca da apreciação real das coisas, tal e qual elas são, sem desculpas ou negacionismos. Ser positivo é interessante, porém é falacioso, pois na sua génese reside a omissão daquilo que é negativo.
Tal omissão degenera num conhecimento parcial das coisas, que é aquele que prefere e elege as ditas coisas positivas, agradáveis, convenientes até. Esta parcialidade cognitiva é a causa de muitos prolemas da vida, aqueles derivados da falta de coragem de lidar com aquilo que é considerado negativo e que precisa de ser visto como tal, para que se possa melhorar e crescer. Ser realista, por outro lado, permite a obtenção de um conhecimento mais integral, pois aqui há ausência de um negacionismo covarde, e dá-se então, desejavelmente, claro, a contemplação e a confrontação daquilo que consideramos ser negativo, para que se possa melhorar e crescer.
Dito isto, cabe a cada um escolher ou descobrir para onde tende, se para o otimismo ou para o realismo. Se o propósito é crescer e é para isso que cá estamos, não somente como estudantes de Vedānta mas também como humanos, então, certamente o realismo bate em muitos pontos o realismo na corrida de ajuda ao crescimento. E ainda, ser maduro deverá incluir a capacidade de análise daquilo que realmente consideramos negativo nas nossas vidas, para que a mudança para melhor efetivamente aconteça. Aponte para o céu, mas esteja pronto para acertar na terra.
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ज्योतिष – JYOTIṢA
Sinastria (ānukūlya)
A palavra ānukūlya tem como significado aquilo que é favorável, aquilo que é adequado. Desta forma,
esta técnica da astrologia indiana, no ocidente conhecida como sinastria, tem como objetivo analisar o
grau de compatibilidade entre duas pessoas, especificamente entre casais, através da análise individual
e conjunta dos seus mapas natais.
Kāma, a satisfação sensorial, é um dos quatro objetivos do ser humano (puruṣārtha). No entanto, para
obter kāma, é ideal a existência do casamento ou alguma situação similar. O próprio desejo sexual é
essencial para a manifestação de novas vidas, pelo que uma vida conjugal pode e deve ser algo muito
auspicioso.
A vida em família, gṛhāstha, através da prática do karma yoga, é uma das mais bonitas formas que o ser
humano tem ao seu alcance para ganhar a maturidade emocional e a purificação da mente, para poder
estar apto para o autoconhecimento, para o estudo do “Eu” ilimitado. É desejável que possamos, neste
caminho em família, estar acompanhados de alguém que nos compreenda, respeite, possua valores
semelhantes e nos apoie neste caminho. Para tal, é muito importante que possa existir harmonia entre
o casal em diversas áreas da sua vida.
Através desta técnica, conseguimos compreender se a experiência afetiva será boa ou não. Convém
frisar que, embora esta técnica seja aplicada essencialmente a casais, ela pode ser utilizada para
verificar compatibilidade entre pessoas com diferentes vínculos familiares, de amizade ou mesmo
profissionais.
Desta forma, a sinastria implica analisar, em primeiro lugar, o mapa individual de cada pessoa, pois é
neste mapa que observamos as tendências mais ou menos favoráveis da experiência afetiva dessa
pessoa, os seus padrões kármicos de relacionamento. A análise do mapa natal individual revela as
promessas natais do indivíduo nessa área, pelo que será sempre prioridade face à análise conjunta. A
conjugação nunca se poderá sobrepor às promessas do mapa de cada um.
Assim, o estudo começa com a análise individual do mapa de cada um dos membros do casal, com o
estudo das casas astrológicas relacionadas com o tema e com o estudo dos significadores de
relacionamento. Através deste estudo, podemos concluir acerca da duração dos relacionamentos, do
número de relacionamentos, da tendência para divórcio e/ou viuvez, da fidelidade e /ou adultério, da
natureza dos parceiros ou parceiras.
O passo seguinte é, então, a sinastria. Esse tipo de análise envolve, tradicionalmente, aṣṭa ou daśa-kuta,
(técnica que analisa oito ou dez itens distintos), todos inferidos a partir do rāśi (signo) e nakṣatra
ocupado por Chandra (Lua) nos mapas dos casais. O mais utilizado é o modelo do sul da Índia, o daśa-
kuta. (analisa: rāśi, rāśyadhipati, vaśya, mahendra, gaṇa, yonī, dina, strī-dīrgha, rajju e vedha).
A técnica da sobreposição de jātakas (mapas natais), é mais contemporânea, mas extremamente eficaz
para evidenciar as dinâmicas relacionais, através dos relacionamentos estabelecidos entre os grahas
(planetas) de duas pessoas.Aqui analisam-se variadíssimas conexões entre os principais significadores do mapa de cada um, sendo
as principais as que se estabelecem entre o lagna (ascendente), Chandra (lua), Sūrya (sol) e Śukra
(vénus).
Quanto mais e harmoniosas conexões se estabelecerem entre estes significadores, maiores as hipóteses
de existir harmonia entre o casal a diversos níveis: emocional, intelectual, capacidade de comunicar,
forma de expressar amor, semelhança de educação e valores, entre outros.
Como é natural, na maior parte das vezes deparamo-nos com um misto de conexões harmoniosas e
menos harmoniosas, o que se traduz em relacionamentos mais desafiantes, mas com potencial de
crescimento, caso haja maturidade nos dois elementos do casal.
Para além disso, existe sempre a possibilidade da utilização de upāyas (remédios astrológicos), para
casar/ relacionar-se e preservar relacionamentos.
Para além da prática do mantra pessoal e do autoconhecimento, é dito que é favorável o estudo dos
kāma-śāstras, seguir as recomendações do āyurveda no que diz respeito à vida sexual e afetiva, realizar
vratas como o Soma-vrata, Kātyāyaṇī-vrata, recitar o Svayaṁvara Pārvatī mantra e ainda escutar a
narração do casamento de Śiva e Pārvatī, conforme o Śiva-purāṇa.
Hari Om
Maria João Coelho -
आयुर्वेद – Como viver uma vida realizada: Sabedoria do Caraka Samhita
O Caraka Samhita é indiscutivelmente o texto clássico de referência de ayurveda. Supostamente terá sido compilado por volta de 1500 AC e contém nele conhecimentos profundos sobre a biologia humana. Encontramos também conceitos que esclarecem a natureza holística do ser humano, a constituição individual, os cinco elementos fundamentais, os meandros da digestão, do metabolismo e muitos outros. Estes conceitos servem como pilares de conhecimento que contribuem significativamente para o estudo, a prática e pesquisa de ayurveda até aos dias de hoje.
O texto pinta um quadro vívido do que significa viver verdadeiramente, e não apenas de existir, mas de prosperar.
A vida ideal, definida
Uma vida de verdadeira realização é aquela em que o corpo e a mente estão em harmonia, livres de doenças. É uma vida marcada pela exuberância da juventude, um espírito robusto, força física e uma boa reputação. Uma vida verdadeiramente plena incorpora as qualidades de coragem e uma compreensão das artes e das ciências.
Uma vida de riqueza sensorial
Na busca por uma vida plena, os sentidos desempenham um papel fundamental. O texto incentiva-nos a abraçar uma vida de riqueza sensorial, onde nossos sentidos são saudáveis e os objetos de nossa percepção sensorial são uma fonte de alegria. Por outro lado é também uma vida marcada por uma capacidade inata de discernir o que é verdadeiro e o que é falso, que é permanente e o que é passageiro.
Liberdade , autonomia e o caminho virtuoso
Talvez um dos aspectos mais marcantes de uma vida plena seja a liberdade de seguir os próprios desejos. Aqueles que vivem uma vida assim têm o poder de atingir os seus objetivos e a liberdade. Este senso de autonomia é essencial para a felicidade. Mas uma vida que vale a pena viver não envolve apenas ganhos pessoais. O texto lembra-nos da importância de desejarmos o bem a todos os seres, mostrando que nossa felicidade está intrinsecamente ligada à felicidade dos outros. Exige uma vida livre do desejo pela riqueza dos outros, marcada pela veracidade, pelo amor à paz e por ações ponderadas.
Acto de equilíbrio
Para saborear verdadeiramente a essência da vida, o texto enfatiza a necessidade de equilíbrio. Isto significa experimentar os objectivos fundamentais da vida – dharma, artha, kama e moksha – sem que um comprometa o outro. Envolve respeitar nossos superiores e servir os mais velhos com a maior reverência.
Auto-domínio
Uma vida plena também envolve auto domínio . Quem segue este caminho têm controle inabalável sobre sua luxúria, raiva, inveja, arrogância e orgulho. A pessoa entrega-se a actos de caridade, meditação, aquisição de conhecimento e abraça a tranquilidade da solitude.
Uma busca por conhecimento e espiritualidade
Na busca por uma vida significativa, o conhecimento desempenha um papel crucial. Aqueles que levam uma vida verdadeiramente benéfica são versados nas artes e nas ciências e são devotados à sabedoria espiritual. Trabalham incansavelmente, não apenas no presente, mas com um olhar atento para a próxima vida, e são abençoados com memória e inteligência.
Concluindo, o texto em seja um texto de medicina geral, oferece-nos insights profundos sobre o que significa levar uma vida plena e verdadeiramente significativa. Lembra-nos que a verdadeira felicidade não é apenas a ausência de dor e sofrimento, mas a presença de alegria, equilíbrio e um compromisso inabalável com o bem-estar de todos os seres. É uma vida bem vivida, repleta de sabedoria, virtude e uma busca incessante por conhecimento e espiritualidade.
Até já!
Ricardo Barreto
Terapeuta de Ayurveda
Foto de Marian Strinoiu – pexels.com
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Vedānta não é erudição académica
A exposição continuada ao ensinamento de Vedānta, que consiste em assistir às aulas de forma regular e comprometida põe o aluno em contacto com a imensa vastidão e a profundidade da literatura de Vedānta existente, que dá suporte e ajuda aos professores, e que coadjuva e complementa o ensinamento das Upaniṣads, que por vezes é encriptado e precisa de mais explicações.
Perante tal visão da imensamente vasta e profunda literatura de Vedānta e perante a visão da incapacidade humana de estudar tudo numa só vida, a tentativa de alguns é a de cobrir o máximo de literatura, num esforço mais académico e de erudição do que o de ganhar a verdadeira compreensão e visão da não dualidade, que afinal de contas é o grande objetivo do estudo. O objetivo do estudo de Vedānta não é a erudição académica, mas sim, o ganho da visão de que o Eu é Absoluto e Ilimitado.
Esquecendo este propósito, ou, talvez, estando presos aos padrões consumistas antigos e muito enraizados da mente ignorante, inconscientemente redirecionam a mente consumista e samsārika para a “aquisição” de mais “um texto de Vedānta”. O objetivo passa a ser a aquisição de textos estudados para fins académicos e de massagem ao ego, e não para o ganho da visão da não dualidade.
Estas palavras não são uma crítica, apesar de poderem ser interpretadas erradamente como tal. São sim, e esse é que é o propósito, uma chamada de atenção para o objetivo do estudo, que é, e repito, o ganho da visão do Eu Ilimitado e não o academismo intelectual.
Também poderá ser comum em alguns alunos mais antigos e em alguns professores, desenvolverem para si mesmos e por si mesmos uma “pseudo-hierarquia” do género: “como já estudei mais textos, sou mais avançado, sou hierarquicamente superior”, ou “como residi mais anos na Índia, sei mais de Vedānta”, etc. Estas hierarquias são fantasiadas por egos inseguros que ainda precisam de aprovação e revelam que algures o caminho desviou-se. Como dizia o Swami Chinmayananda: “Não interessa em quantas Upaniṣads tocaste, interessa sim quantas te tocaram”.
Relembre que o propósito do estudo são dois tipos de maturidade: 1 – emocional; 2 – espiritual. Boa sorte para os seus estudos!Paulo Abreu Vieira
Professor de Vedanta e Fundador do Centro Arshavidya
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आयुर्वेद – pāda abhyaṅga – rotina de oleação dos pés
No Ayurveda, abhyaṅga refere-se à aplicação de óleo. Este óleo pode ser simples ou medicado. De forma geral esta aplicação de óleo pode, e por vezes deve ser personalizada com base na constituição do indivíduo, idade, estação do ano, doenças específicas e fatores ambientais.
Seguindo os princípios descritos nos textos clássicos ayurvédicos a aplicação de óleo deve fazer parte de uma rotina diária pois desacelera o envelhecimento, ajuda na recuperação da fadiga e ajuda em problemas causados por vāta dosha. abhyaṅga refere-se à aplicação de óleo no corpo mas é dito que, na impossibilidade de a fazer na integra, a cabeça, os ouvidos e os pés são os locais que não devem ser descuidados.
Hoje vamos falar brevemente de pāda abhyaṅga
Alguns benefícios de pāda abhyaṅga
- suaviza a rugosidade das solas dos pés
- alivia a rigidez
- corrige a secura excessiva
- alivia a exaustão
- trata da dormência nos pés
- promove força e estabilidade nos pés
- nutre os olhos, prevenindo diversas doenças oftalmológicas
É também associada a uma melhora do sono, sistema nervoso, ansiedade, stress e outros.
Procedimento
- aquecer o óleo em banho maria até estar confortável ao toque
- espalhar uma pequena quantidade de óleo nas mãos
- com pressão moderada e lentamente:
- massajar do tornozelo aos dedos dos pés
- massajar cada dedo do pé individualmente, da base à cabeça
- massajar o espaço entre os dedos
- massajar as solas dos pés
- massagem pode demorar entre 5 a 15 minutos por pé
- colocar uma meia e deixar o tempo desejado *
*Normalmente em ayurveda não é recomendado deixar o óleo no corpo mas no caso de pāda abhyaṅga, como se usa uma pequena quantidade até pode ser deixado durante o sono.
Pode utilizar simples óleo de sésamo, oléo de amêndoas, azeite, ghee, etc ou um óleo medicado para o efeito.
pāda abhyaṅga deve ser feito de estômago vazio portanto é normalmente recomendado como uma rotina matinal ou uma rotina de sono.
pāda abhyaṅga e de facto quaisquer terapias de oleação devem ser evitados durante gripe, febres, indigestão, doenças de pele.
Já experimentou?
Até já!
Ricardo Barreto
Terapeuta de Ayurveda
Foto de Towfiqu barbhuiya. pexels.com
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ज्योतिष – JYOTIṢA
Trânsitos astrológicos final do ano
A minha proposta neste texto, é colocar as principais orientações astrológicas para este final de ano de
2023, para que cada um possa refletir nas mesmas, tentando integrar todas essas energias na sua vida,
quer externa como interna, de forma a navegar nas ondas do samsara de forma mais segura, firme e
consciente, tomando as melhores decisões a todo o momento, sempre que possível.
O ano de 2023 tem sido um ano com uma energia muito forte. Uma energia dinâmica, rápida e intensa
que certamente levou e ainda levará a mudanças muito significativas na vida de cada um. Tem sido,
certamente, um ano de grandes oportunidades para aqueles que estão dispostos a abrir mão do
controlo e fluir com a vida, numa atitude de maior flexibilidade e desapego do que já não faz mais
sentido permanecer nas suas vidas.
Um ano para quebrar padrões, de forma a aproveitar as novas oportunidades que a vida reserva.
Um ano com desafios quer a nível material como a nível espiritual. O maior deles será tentar encontrar
uma ponte segura entre os dois lados, o que apenas será possível se existir uma verdadeira conexão
interna e uma vontade sincera no nosso crescimento.
Eclipses de final do ano
Teremos ainda, neste final do ano, dois eclipses:
14 de outubro: Lua nova -eclipse solar (anular) a 26º de virgem.
Será visível na América do Sul (exceto sul do Chile e da Argentina), América do Norte
(exceto Groenlândia) e América Central.
28 de outubro: Lua cheia- eclipse lunar (parcial) a 10º de áries
Será visível na Europa, Ásia e África, extremo leste da América e parte da Austrália. No Brasil, parte da
Região centro-Norte poderá contemplar o fenômeno.
Quanto mais visível o eclipse na região onde nos encontramos, maior os seus efeitos.
Os eclipses afetarão em particular quem tiver grahas no eixo áries – libra ou quando esse eixo
corresponde a áreas importantes do mapa. De qualquer forma, as casas onde ocorrem os eclipses terão
os seus temas afetados por estas energias. Este eixo áries-libra tem sido alvo da passagem dos nodos
lunares – Rahu e Ketu – nos últimos 18 meses, aproximadamente. Estes dois eclipses fecham aqui a
passagem por estes signos, encerrando assuntos ligados a estes dois signos no mapa de cada um. Um
ciclo se fecha e outro se abre, num novo eixo.
Os efeitos dos eclipses podem ocorrer até cerca de seis meses após a sua ocorrência, sendo
responsáveis, muitas vezes, por mudanças abruptas na vida da pessoa, correspondendo a finais ou
inícios de novos ciclos. São períodos que fogem por completo ao nosso controlo e quando decisões são
tomadas, mudam, por completo, a nossa vida.Novo eixo dos eclipses
A passagem dos nodos, Rahu e Ketu, irá ocorrer, entre 30/10/23 e 18/05/25, no eixo Virgem/Peixes.
Rahu transitará por Peixes e Ketu transitará por Virgem. Verifique em que casas astrológicas tem estes
dois signos, pois os assuntos significados por essas casas, serão alvo de mudanças e muita atividade/
instabilidade.
Existe neste trânsito um elevado potencial espiritual. Que possamos aproveitá-lo para crescer, através
de do estudo e da devoção.Recomendações para os eclipses
O mais relevante será mesmo a prática de japa com o mantra pessoal.
É igualmente recomendado escutar o “Hanuman Chalisa”.Algumas orientações dos śāstras relacionadas aos eclipses são:
- Numa faixa de três dias antes e após o eclipse, nenhuma atividade material auspiciosa deve ser
iniciada. - Mulheres grávidas jamais devem olhar um grahana (eclipse) e nem sequer sair de casa durante tal
evento. Mulheres grávidas também não devem quebrar varas, moer grãos, fazer pão, cozinhar, cortar e
limpar durante grahanas, pois tudo isso afetará a criança. - Não se deve cochilar numa faixa de quatro horas antes e depois do grahana.
- Não se deve comer durante Sūrya ou Chandra grahana. Idealmente, a última refeição deve ser
feita doze horas antes do Sūrya grahana ou nove (outros dizem seis) antes do Chandra grahana.
5- Crianças, velhos e doentes são exceção e podem jejuar por três horas apenas. Alimento cozido antes
de um grahana não deve ser consumido após este, deve ser jogado fora. Quando o luminar se põe antes
do fim do grahana, só se deve comer no dia seguinte, após ter visto o luminar novamente
em sua ascensão. Um banho é necessário nessa situação antes de se alimentar. - Os resultados dos sacrifícios/práticas espirituais realizados durante saṅkrānti, Sūrya vāsara, sap-tamī,
vaidhṛti, vyatīpāta, hasta, tvaṣṭṛ, punarvasu, ekādaśī, caturdaśī, aṣṭamī, āmāvāsya e pūrṇimatithī são
multiplicados centenas de vezes, mas os dos grahanas multiplicam-se milhões de vezes, de acordo o
Padma purāṇa. Entre os muitos sacrifícios propostos nos textos sagrados, nenhum se equipara ao cantar
do santo nome de Śrī Hari. Na própria Gītā, Śrī Kṛṣṇa diz que entre os sacrifícios espirituais, Ele é o
cantar murmurado do mantra – yajñānāṁ japa-yajño’smi. - Atividade sexual é desaconselhável 24 horas antes e depois de um grahana, mas, idealmente, deve-se
considerar 72 horas antes e depois. Crianças nascidas após o ato sexual realizado durante um grahana,
podem nascer com anomalias, mau caráter, etc.
8.Folhas de tulasī podem ser depositadas sobre os alimentos para protegê-los da contaminação inerente
ao momento dos eclipses. - Não se deve cultivar a terra durante um grahana, nem remover as folhas de uma tulasī.
- Até o fim do grahana deve-se recitar japa, jejuando de sono.
- Após o grahana deve-se trocar de roupas.”
Final da Retrogradação de Śani (Saturno)
Śani está retrógrado desde 17/06/23 e findará este período a 4/11/23.
Śani transita o signo de aquário desde o início deste ano e apenas irá para peixes no final de março de
2025.
Este trânsito de Śani por aquário e seus efeitos para cada ascendente, foram já descritos na newsletter
do início do ano.
Assuntos significados por Śani no mapa natal, têm sido alvo de revisão desde junho. Devemos aproveitar
este período até início de novembro, para rever valores, observar as limitações na nossa vida, as áreas
em que sentimos maiores dificuldades e encontrar novas soluções, com mais maturidade,
responsabilidade, assertividade e discernimento. Através de uma maior conexão e fortalecimento
internos, temos agora a possibilidade extraordinária de transcender limites, principalmente os da
mente.
Esta retrogradação pela nakshatra shatabhisha, ajudará nesse processo de cura interna e de
crescimento emocional.
Situações mais complexas e lentas iniciadas em junho, tenderão a começar a fluir (também lentamente)
a partir do início de novembro.Retrogradação de Guru (Júpiter)
Guru entrou no seu movimento retrógrado no passado dia 5/09/23 e apenas voltará ao movimento
direto no último dia do ano, 31/12/23.
Guru transita por Áries até à primavera do próximo ano, trazendo força, dinamismo e energia aos
assuntos significados por Guru. Durante este período de retrogradação, há a oportunidade de revisitar
temas de Guru: espiritualidade, estudos, formações, ensino, relação com professores, finanças, filhos,
repensando na direção a tomar e escolhas relativas a cada um deles.
Este trânsito de Guru poderá beneficiar, em particular, os que possuem o Lagna (ascendente) e /ou
Chandra (Lua) nos signos de gémeos, câncer, leão, sagitário, capricórnio e peixes.
Neste período de retrogradação, Guru transitará pela nakshatra Bharani e pela nakshatra Aswini. O
momento será propício para atividades ligadas à cura, para cuidar da saúde a todos os níveis, para dar
inícios a novos empreendimentos, novos estudos, dar expressão aos talentos. O momento é favorável à
fertilidade e à prosperidade. A conexão espiritual será muito favorecida neste período, pelo que o
momento pede força, convicção e devoção.
Hari Om
Maria João Coelho
Imagem – Fonte: https://www.sevenwindsyoga.com/ - Numa faixa de três dias antes e após o eclipse, nenhuma atividade material auspiciosa deve ser