• Āyurveda – Alimentação Saudável e āyurveda. Parte 2.

    Depois de termos visto os 8 factores que devem ser levados em consideração em relação à alimentação, vamos ver os métodos que o āyurveda prescreve para refeições saudáveis.

    Alimentos quentes e recém-cozidos

    A comida recém cozida tem um elemento de frescura e de sabor difícil de atingir quando comemos comida pré cozinhada ou preservada. A comida preparada e consumida na altura estimula o processo digestivo, tende a ser digerida mais rapidamente. Além disto, normaliza as funções dos doṣas ao evitar obstruções no processo de digestão.

    Por o āyurveda ter origem em tempos antigos, pode haver o argumento de que, sem os métodos de preservação como frigoríficos e congeladores de hoje em dia, a comida iria estragar-se e pôr a saúde em risco, daí a existência desta sugestão. Pode ser um argumento válido mas o impacto de comida fresca e recém cozinhada na digestão é inquestionável.

    Comida untuosa

    Quando uma refeição é demasiado seca parece que fica mais difícil de mastigar e de digerir. Imagine comer duas ou três daquelas famosas bolachas de arroz simples sem beber nada…

    Refeições mais untuosas estimulam o processo digestivo, digerem mais facilmente, nutrem o corpo, dão firmeza aos órgãos dos sentidos, aumentam a força e melhoram a tez.

    Untuoso não quer dizer que a refeição deva ser extremamente oleosa ou gordurosa. Hoje em dia, com o aumento de doenças cardiovasculares associadas a dietas demasiado ricas em gorduras temos de ter cuidado com as quantidades que ingerimos mas devemos garantir que existe a quantidade ideal de lubrificação  especialmente de gorduras saudáveis e o menos processadas possível.

    Quantidade adequada

    Da mesma forma que pôr demasiada lenha na fogueira põe em risco a integridade do fogo, o excesso de comida, ainda que saudável, pode prejudicar a digestão.

    É dito que devemos dividir o nosso estômago em três partes e encher ⅓ com comida, ⅓ com líquidos e deixar o último terço vazio para garantir um bom processo de digestão.

    Esta quantidade vai variar de pessoa para pessoa. Se a seguir à refeição não houver desconforto, sensação de peso ou dores no abdómen ou outras partes do corpo; se não houver desconforto ou sensação de peso a respirar, andar e sentar; se a mente e os sentidos estão energizados, então podemos dizer que a quantidade está adequada.

    Após a digestão completa das refeições anteriores

    A digestão é o processo que fundamentalmente nutre o nosso corpo. É um processo com princípio, meio e fim e o corpo deve ter o tempo necessário para completar este ciclo da melhor forma possível.

    O que acontece é que muitas vezes acabamos por começar um processo de digestão antes do anterior ter acabado. De acordo com o Ayurveda, isto é uma causa de viciação dos doṣas e acaba por gerar problemas a vários níveis.

    A recomendação básica é deixar um espaço mínimo de 3 horas entre refeições, pois este é o tempo médio de digestão. É claro que este intervalo varia de acordo com a quantidade, as qualidades dos alimentos e a capacidade digestiva da pessoa a dado momento.

    Combinação adequada de alimentos

    Este é um tópico complicado e controverso pois tem muitas variantes técnicas mas na sua maioria tem a ver com a combinação de alimentos de origem animal, por exemplo peixe com leite, leite com frutas ácidas, etc.

    Por outro lado, alimentos consumidos fora de localidade, por exemplo comida muito seca no deserto; fora de tempo, por exemplo alimentos frios no inverno; alimentos pesados e em quantidade excessiva para o agni, etc são consideradas combinações inadequadas.

    Lugar certo e com os acessórios certos

    Devemos comer num local favorável e com acessórios apropriados, pois é importante sentirmo-nos confortáveis e satisfeitos ao comer. Hoje em dia existe muita fast-food e comida de balcão que é conveniente em termos de tempo mas não nos permite tirar o proveito necessário da refeição. 

    Não muito rápido

    Não se deve comer muito rápido pois é necessário sermos capazes de verificar as qualidades do alimento, o seu sabor ou até mesmo detectar quaisquer defeitos no alimento. É importante garantir que o alimento não entre na passagem errada.

    Não muito devagar

    Não se deve comer muito devagar pois corremos o risco de não ficarmos satisfeitos, acabar por comer demais, a comida tende a ficar fria e acima de tudo é digerida irregularmente.

    Com a devida concentração na alimentação e com estado mental normal

    Se bem que a refeição é por vezes vista como um evento social, o āyurveda recomenda comer com a máxima concentração na comida. Existem várias razões para isto e podemos levar em consideração todos os pontos vistos anteriormente. É dito também que quando estamos num estado mental/emocional alterado, com raiva, tristeza excessiva, etc, devemos adiar a refeição pois o processo digestivo pode ficar prejudicado. 

    Com auto consciência

    A nossa alimentação deve ser o resultado de um processo de auto observação, devemos comer de acordo com a nossa individualidade, os nossos gostos e necessidades que provavelmente vão ser diferentes dependendo do dia, estação do ano e idade. A alimentação é um processo de nutrição do corpo, deve ser feita a partir de alimentos integrais e saudáveis sem comprometer o prazer da pessoa que a consome.

    Ricardo Barreto

    Terapeuta de Ayurveda

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  • भगवद्गितायाः व्याकरणम् – Análise gramatical da Bhagavadgītā – 15

    Símbolos usados na análise gramatical:

    √ –  raíz verbal; ⊘ –  indeclinável; m – género masculino; f – género feminino; n – género neutro; I/1 – primeira pessoa singular; II/1 – segunda pessoa singular (a numeração romana indica a pessoa, a numeração indo-arábica indica o número, que pode ser singular, dual ou plural; 1/1 – 1º caso singular; 1/2 –  1º  caso dual; 1/3 – 1º  caso plural; 2/1 – 2º  caso singular (existem oito casos, vibhaktis, no total; 7/1 – sétimo caso singular; P – parasmaipadī; Ā – ātmanepadī; U – ubhayapadī; VA – voz ativa (kartari prayoga); VP – voz passiva.

    पाञ्चजन्यं हृषीकेशो देवदत्तं धनञ्जयः ।

    पौण्ड्रं दध्मौ महाशङ्खं भीमकर्मा वृकोदरः ॥ १.१५ ॥

    पदच्छेदो (सन्धिच्छेदः) विभक्तिपरिच्छेदः पदार्थो व्युत्पत्तिश्

    पाञ्चजन्यम् 2/1n – Pāñcajanya (a concha do Senhor Kṛṣṇa), (पञ्चजने दैत्यविशेषे भवः इति पाञ्चजन्यम्, पञ्चनजदैत्यास्थिनिमित्तम्); हृषीकेशः 1/1m – Hṛṣīkeśa, o mestre dos órgãos dos sentidos  e de ação (Senhor Kṛṣṇa), (हृषीकाणाम् इन्द्रियाणाम् ईशः इति); देवदत्तम् 2/1n – Devadatta (a concha de Arjuna), (देवस्य दत्तम् इति); धनञ्जयः 1/1m – Dhanañjaya, aquele que conquistou riqueza (Arjuna), (धनं जयति इति धनञ्जयः); पौण्ड्रम् 2/1n – Pauṇḍram (a concha de Bhīma); दध्मौ III/1 1P√ध्मा, लिट् लकार – ele soprou;  महाशङ्खं 2/1n (विशेषन, adjetivo para पौण्ड्रम्) – Mahāśaṅkham, a grande concha (महान् च असौ अशङ्खः च); भीमकर्मा 1/1m (विशेषन, adjetivo para Bhīma) – Bhīmakarman, aquele de formidáveis proezas (भीमानि कर्माणि यस्य सः भीमकर्मा); वृकोदरः 1/1m (विशेषन, adjetivo para Bhīma) – Vṛkodara, aquele que tem um estômago como o de um lobo, (वृकस्य उदरम् इव उदरं यस्य सः वृकोदर).

    अन्वयः

    हृषीकेशो पाञ्चजन्यं धनञ्जयः देवदत्तं भीमकर्मा वृकोदरः महाशङ्खं पौण्ड्रं दध्मौ ॥ १.१५ ॥

    अनुवादः

    V.1.15 – Hṛṣīkeśa (o Senhor Kṛṣṇa) soprou (a sua concha denominada) Pāñcajanya, Dhanañjaya (Arjuna) soprou (a sua concha chamada) Devadatta, e Bhīma, homem de formidáveis proezas, que tem um estômago de lobo, soprou (a sua) grande concha Pauṇdra.

  • भगवद्गितायाः व्याकरणम् – Análise gramatical da Bhagavadgītā – 14

    (continuação)

    Símbolos usados na análise gramatical:

    √ –  raíz verbal; ⊘ –  indeclinável; m – género masculino; f – género feminino; n – género neutro; I/1 – primeira pessoa singular; II/1 – segunda pessoa singular (a numeração romana indica a pessoa, a numeração indo-arábica indica o número, que pode ser singular, dual ou plural; 1/1 – 1º caso singular; 1/2 –  1º  caso dual; 1/3 – 1º  caso plural; 2/1 – 2º  caso singular (existem oito casos, vibhaktis, no total; 7/1 – sétimo caso singular; P – parasmaipadī; Ā – ātmanepadī; U – ubhayapadī; VA – voz ativa (kartari prayoga); VP – voz passiva.

    ततः श्वेतैर्हयैर्युक्ते महति स्यन्दने स्थितौ ।

    माधवः पाण्डवश्चैव दिव्यौ शङ्खौ प्रदध्मतुः ॥ १.१४ ॥

    पदच्छेदो (सन्धिच्छेदः) विभक्तिपरिच्छेदः पदार्थो व्युत्पत्तिश्

    ततः Ø – depois (तद् शब्दः + तसिल् प्रत्ययः); श्वेतैः 3/3m – por brancos (विशेषण, adjetivo para cavalos); हयैः 3/3m – por cavalos (विशेष्य, substantivo); युक्ते 7/1m (विशेषण, adjetivo para carruagem) – na (carruagem) puxada; महति 7/1m (विशेषण, adjetivo para carruagem) – na grande; स्यन्दने 7/1m (विशेष्य, substantivo) – na carruagem; स्थितौ 1/2m (विशेषण, adjetivo para Mādhava e Pāṇḍava), permanecendo; माधवः 1/1m – Mādhava (Senhor Kṛṣṇa), (मा लक्ष्मी माया, तस्याः धावः माधवः);पाण्डवः 1/1m – Pāṇḍava (Arjuna) (पाण्डोः पुत्रः पाण्डवः); च Ø – e; एव Ø – de facto; दिव्यौ 2/2m – as duas extraordinárias (विशेषण, adjetivo para as duas conchas); शङ्खौ 2/2m – as duas conchas; प्रदध्मतुः III/2 लिट् लकार, कर्तरि प्रयोग, 1P√ध्मा) – os dois sopraram.

    अन्वयः

    ततः श्वेतैः हयैः युक्ते महति स्यन्दने स्थितौ माधवः पाण्डवश्चैव दिव्यौ शङ्खौ प्रदध्मतुः ॥

    अनुवादः

    V.1.14 – Depois, o Mādhava (Senhor Kṛṣṇa) e o Pāṇḍava (Arjuna), permanecendo numa magnífica carruagem puxada por cavalos brancos, sopraram, de facto, as suas extraordinárias conchas.

    Professor Paulo Vieira

  • O Valor da Verdade

    Nas aulas de Vedānta e também nas aulas de Yoga, encontrar-se-á, cedo ou tarde, a palavra satyam, que significa honestidade. A honestidade é um valor a ser seguido diligentemente por todos os buscadores da Verdade, pois ela é o meio e o fim. Como conseguirá um buscador descobrir a verdade última de todas as coisas levando uma vida de mentira e falsidade?! Não conseguirá!

    Dito isto, dizem os grandes mestres da nossa tradição que a prática da honestidade, ou da verdade, como quiser chamar-lhe, é um meio indireto para o conhecimento da Verdade. Por outras palavras, é uma porta que se abre para poder seguir o caminho espiritual, o caminho da compreensão da realidade última de todas as coisas chamada Verdade. A verdade relativa, que é a que pomos em prática como um valor para seguir, é o meio indireto para alcançar a verdade absoluta, chamada em Sânscrito, também Satyam ou Sat, existência.

    Assim como qualquer outro valor, como por exemplo, ahiṁsā, a não-violência, também satya, honestidade, contribui para o fortalecimento do carácter espiritual quando seguida com determinação e coragem pelo praticante. Sim, é preciso coragem para seguir o caminho da verdade, pois é necessário ser-se verdadeiro, o que, definitivamente, nos coloca em posições de muita vulnerabilidade, uma vez que ficamos expostos. Coragem será, então, neste contexto, a força e a determinação para se ser vulnerável perante a exposição e manter a honestidade em todas as nossas interações.

     O caminho da verdade é aqui e agora que começa, aliás, já começou se está a ler estas palavras. Quando olha para si com honestidade, quando fala de si com honestidade, quando fala com os outros honestamente, está a seguir esse caminho nobre. Há que respirar honestidade para se ser honesto, assim como há que respirar ar para se estar vivo, porque a vida espiritual depende da respiração do ar da honestidade.

    A mentira é como uma sala abafada, sem oxigénio, viciada pelas angústias mofentas do ego, que pretende passar uma falsa imagem de si para ser visto como importante. Abra as janelas do seu ser, seja transparente, deixe o ar entrar e purificar a sua mente. A verdade purifica, liberta a vergonha que se entranha nas paredes viscosas da mente, que aprisionam e condicionam, retirando-lhe a capacidade de viver espontaneamente livre como uma criança.

    Valorizar a verdade implica necessariamente o entendimento profundo da enorme perda causada pela mentira, pela falsidade e, simultaneamente, também implica o entendimento igualmente profundo do irreversível dano causado pela mentira.

    O que se ganha com a mentira? Ganha-se ser mentiroso, que, obviamente não é desejável nem louvável e incorre em demérito próprio, destruindo um dos alicerces mais bonitos das relações humanas – a confiança. A confiança é nutrida com a verdade. A desconfiança é nutrida com a mentira. Estas são as regras do jogo.

    Quando alguém é o recipiente da mentira de outro – sendo o mentiroso mais fácil de apanhar do que um coxo – mais cedo ou mais tarde, a mentira virá ao de cima. Quando a mentira vem ao de cima, uma e outra vez, e rotulamos o outro de mentiroso por força das circunstâncias, então, nessa altura nefasta e negra, a confiança, que demorou anos para ser construída e na qual assentou toda uma vida de relacionamento abençoado, vai a baixo, fica despedaçada em mil cacos, como um cristal de estimação que cai num passeio de rua sujo do calcar das pessoas.

    A verdadeira vítima da mentira é o mentiroso que perde a credibilidade, o valor, a dignidade, os amigos e os amores. O alvo da mentira – porque a mentira é uma seta que também corrói aqueles que levam com ela – fica triste, dececionado, irritado, incrédulo, desconfiado e lamenta muito. Pode até ficar traumatizado e ganhar pistantrofobia – a fobia ou o medo irracional de confiar novamente nas pessoas. Fica claríssimo para todos, mesmo para aqueles que ainda estão ensonados, que mentir gera sofrimento e que é, sem dúvida nenhuma, uma forma de hiṁsā, violência.

    Ninguém quer ter um amigo mentiroso, ninguém quer ter um pai ou uma mãe mentirosa, ninguém quer ter um companheiro ou companheira mentirosa. Todos esperam a verdade, até quando perguntam as horas ou por orientação. Todos querem a verdade quando lhe colocam uma pergunta, assim nos diz o senso comum. Se deseja a verdade, ofereça a verdade.

    O ganho conferido pela verdade é a integridade. A mente pensa a verdade, a boca diz a verdade, e as ações são a extensão dessa verdade. A pessoa fica inteira porque confia no seu potencial de vulnerabilidade e coragem. Aquele que mente obviamente esconde a sua fragilidade. A razão para isso pode ser o medo, a vergonha ou até segundas intenções. A razão é importante, claro, quando se tenta resolver problemas psicológicos e crescer emocionalmente, porém, mais importante é notar que a pessoa que mente fica dividida. Uma parte da pessoa quer mentir e mente; a outra parte, sabendo que mentir é errado, assiste passivamente, sendo incapaz de travar a mentira. De cada vez que se mente aumenta-se a divisão interna e a cada mentira mais e mais a pessoa fica dividida. Esta pessoa dividida acabará por deixar de confiar em si mesma, porque a força interna da verdade que assiste às mentiras tornou-se passiva e fraca.

    Esta pessoa que deixa de confiar em si mesma, inevitavelmente assistirá à manifestação concreta da falta de confiança que gerou à sua volta – ninguém confiará mais nela, ninguém acreditará nela. Se a pessoa não confia em si mesma, e mais ninguém confia nela, que tipo de estrutura relacional existe?! Nenhuma. Existe uma “pseudo-estrutura” relacional, tão volátil e útil como uma cadeira feita fumo.

    Por outro lado, a pessoa inteira, aquela que valoriza e implementa quotidianamente a verdade na sua vida, ganha a força da autoconfiança e a força da confiança que os outros depositam nela.

    Diga a verdade. Escolha o melhor momento para o fazer. Se o momento não chegar, não minta e também não a expresse. Diga que ainda não está preparada para o fazer. Quando o momento chegar, seja doce nas palavras que escolher. Se a verdade não trouxer benefício, não fale se não for perguntado. Se for perguntado, responda somente se existir benefício para o ouvinte.

    Deixo aqui um verso muito bonito da famosa Śrīmadbhagavadgītā para que possa contemplar no seu significado –

    अनुद्वेगकरं वाक्यं सत्यं प्रियहितं च यत् ।

    स्वाध्यायाभ्यसनं चैव वाङ्मयं तप उच्यते ॥ १७.१५ ॥

    anudvegakaraṁ vākyaṁ satyaṁ priyahitaṁ ca yat |

    svādhyāyābhyasanaṁ caiva vāṅmayaṁ tapa ucyate || 17.15 ||

    V.17.15 – O discurso que não causa sofrimento (ao ouvinte), que é verdadeiro, agradável e benéfico, e a prática da recitação do seu próprio Veda, é, de facto, chamado de disciplina espiritual referente ao discurso.

    Paulo Abreu Vieira

    Maia, 05/05/2022

  • Āyurveda – Alimentação Saudável e Āyurveda Parte 1

    Como já devem saber, a digestão é super importante para o Ayurveda. O exemplo tradicional é a comparação entre a nossa digestão e uma fogueira, onde o alimento é a lenha. Manter uma fogueira acesa tem os seus desafios: se a lenha for grande ou densa demais para a intensidade do fogo, este pode acabar por extinguir-se. Se a lenha for posta cedo demais não consegue manter o fogo. Se a lenha estiver húmida faz fumo mas não queima, etc. 

    Esta “fogueira”, ou melhor, a qualidade desta “fogueira” é importante pois é ela que permite ao nosso corpo, digerir, transformar e assimilar a comida que ingerimos num corpo humano saudável e funcional. Isto fica claro no texto clássico Caraka Samhita:

    “Aqueles alimentos que mantêm o estado de equilíbrio nos elementos do corpo e ajudam a eliminar distúrbios no caminho para o equilíbrio podem ser considerados alimentos saudáveis, enquanto aqueles que agem de maneira oposta são considerados prejudiciais. Esta seria a descrição mais precisa de alimentos saudáveis e não saudáveis.”

    Será que temos aqui uma possível descrição de uma alimentação saudável? 

    A alimentação é sempre um tópico complexo de apresentar. Envolve cultura, família, gostos pessoais, ideologias, saúde, finanças, etc. e por isso é difícil encontrar um ponto de vista unilateral. Ayurveda adiciona ainda mais alguns conceitos quando explica acerca dos seis sabores, das qualidades, das potências e dos efeitos pós digestivos das substâncias e alimentos. Conclusão… falar de alimentação no Ayurveda não é simples.

    No entanto existem alguns pontos de partida que podemos explorar e nesta primeira parte gostaria de trazer aqui algumas ideias descritas como os oito factores que devem ser tidos em consideração em relação à alimentação.

    prakṛti, a natureza do alimento 

    prakṛti é o atrubuto natural de uma substância. Uma substância pode ser considerada pesada ou leve levando em consideração o seu impacto na digestão. Por exemplo, arroz, feijão mungo e carnes de aves como a cordorniz e perdiz são consideradas leves. Preparações à base de leite, feijão preto e carne de porco são consideradas pesadas.

    kāraṇa, o processamento

    Processar os alimentos pode influenciar a prakṛti referida anteriormente em ambas as direções. Conseguimos tornar um alimento leve num alimento pesado para digerir, por exemplo, quando o fritamos, pois os óleos, de forma geral, são pesados para digerir. Por outro lado, cozer uma batata ou um brócolo torna-o mais fácil de digerir.

    saṃyoga, a combinação 

    A combinação de alimentos pode melhorar ou prejudicar a sua qualidade, sabe-se hoje do efeito sinergético de princípios activos da pimenta preta que potenciam os efeitos de princípios activos da curcuma. Por outro lado, Ayurveda refere também que substâncias de origem animal como carne e peixe não devem ser combinados com produtos laticínios pois têm o potencial de criar toxinas que podem causar problemas no corpo.

    rāśi, a quantidade

    Alimentos mais pesados devem ser consumidos em moderação enquanto alimentos mais leves poderão eventualmente ser consumidos em mais quantidade sempre de acordo com a capacidade digestiva. A quantidade também deverá ser ajustada de acordo com a realidade da pessoa que consome, uma criança, um adulto e um idoso precisam de quantidades diferentes de alimento; um atleta profissional e um condutor também, etc.

    deśa, o local

    De certa forma, sempre houveram trocas entre povos e populações humanas, mas acho que estaremos de acordo se disser que nunca tivemos este nível de globalização alimentar onde podemos, em grande parte, encontrar qualquer tipo de alimento a qualquer altura do ano mesmo que tenha sido cultivado no outro lado do planeta. E embora nos pareça normal, a verdade é que Ayurveda dá importância a este factor pois a dieta deve estar de acordo com as características do local e o impacto do local nos doṣas. Outro ponto de vista é que comer comida local tira grande parte das interrogações pois se o alimento cresce na área então, teoricamente o seu consumo seria adequado.

    kāla, o tempo 

    Em muitos aspectos o tempo e o local andam juntos e podemos falar acerca das estações e de alimentos sazonais. A natureza tem a habilidade de providenciar diferentes alimentos durante o ano que vão de acordo com as necessidades do corpo, alimentos mais pesadinhos como diferentes abóboras no outono e inverno onde a capacidade digestiva é maior, verduras mais amargas na primavera que ajudam o corpo  a desintoxicar e frutos silvestres no verão. Claro que com a tecnologia há mais e mais disponibilidade durante o ano mas a tendência continua a mesma.

    Por outro lado podemos referir tempo como a idade do consumidor ou por exemplo, o estágio de uma doença.

    upayoga samastha, as regras

    As regras de consumo vamos ver na parte 2

    upayoktra, o consumidor

    Esta é a variável mais complexa pois tudo que foi referido anteriormente vai ter de ser levado em consideração e ajustado à realidade da pessoa que consome a comida.

    Estas foram as características dos oito fatores que devem ser levados em consideração em relação à dieta. À primeira vista até pode parecer um exagero ter de levar em consideração todos estes elementos cada vez que me sento para almoçar ou jantar mas de uma forma prática podemos simplificar.


    Se eu estiver com boa capacidade digestiva (bom apetite, arroto limpo, sem inchaços, etc) devo escolher comidas que não sejam demasiado pesadas (por exemplo, evitar muita carne) que tenham sido processadas adequadamente (por exemplo evitar fritos), em quantidade apropriada (não comer até não poder mais), devo então escolher alimentos locais e sazonais e desfrutar a minha refeição.

    Continua….


    Ricardo Barreto

    Terapeuta de ayurveda

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    +351 925380997

  • ज्योतिष – JYOTIṢA

    Guru (Júpiter)

    Nos textos clássicos, Guru é descrito da seguinte forma:” Guru é corpulento, tem olhos e cabelo cor de mel, é kapha, inteligente e versado em todos os Śāstras.”
    Bṛhaspati ou Guru é considerado o grande benéfico, de natureza bondosa e compassiva, sinónimo de tolerância e sabedoria. Preside os seres humanos e relaciona-se com tudo o que é digno e sublime. Guru abençoa e tem a capacidade de mitigar grandes males. É o mais sábio de todos os grahas. É o mestre dos devas, o Guru, aquele que remove a escuridão com a luz do conhecimento divino. É o conselheiro, aquele que detém o mais nobre conhecimento e que confere uma visão otimista e espiritual da vida. É através de Guru que temos acesso ao conhecimento mais elevado, o conhecimento do “Eu” e a oportunidade de nele mergulhar profundamente.
    Outros nomes para Guru são: Bṛhaspati, Angirasa, Vachaspati, Śūri, Vāgīśā.
    Associa-se Guru a Indra, Vāmana, MahāViṣṇu e Sadāśiva.

    Outras caraterísticas de Guru
    É do género masculino e de constituição kapha e de natureza saumya (gentil) e sattva (pura e bondosa). Está associado ao elemento éter (ākāśa), à cor amarelo, rege a direção nordeste e a quinta feira e pertence à varṇa dos Brāhmaṇas (classe intelectual e dos sacerdotes).
    É regente do signo Sagitário (rāśi dhanu) e do signo de peixes (rāśi mīna). Exalta-se no signo de câncer (rāśi karka) e tem a sua debilitação no signo de capricórnio (rāśi makara).
    O seu movimento é lento, sendo o seu ciclo de cerca de 12 anos (uma volta completa ao zodíaco) transitando um rāśi (signo) em cada ano.
    As melhores posições por casa (bhāvas) num mapa para Guru são o bhāva 1, onde detém força máxima, e em todos os outros bhāvas, exceto os bhāvas 3, 6, 8 e 12.
    Ainda assim, em casa menos favoráveis, dada a sua natureza, Guru tem a capacidade de beneficiar tudo aquilo em que toca ou que influencia.
    O bhāva no nosso mapa onde está posicionado Guru, é o local/área da nossa vida com maior oportunidade de expansão, de conhecimento, de sabedoria e prosperidade.
    Os grahas amigos de Guru (Júpiter) são Sūrya (Sol), Chandra (Lua) e Maṅgala (Marte). Os inimigos são Budha (Mercúrio) e Śukra (Vénus) e Śani (Saturno) é neutro.
    Guru é significador de riqueza (bhāva 2), de felicidade (bhāva 4), de filhos, estudos e práticas espirituais (bhāva 5), de boa fortuna, leis, professores, dharma, filosofias, educação superior e viagens (bhāva 9) e de ganhos e irmãos mais velhos (bhāva 11).
    Alguns dos seus principais significados são: justiça, conhecimento, expansão, riqueza, sabedoria, otimismo, confiança, caridade, educação, religião, filosofia, espiritualidade, fé, graça divina, professores, conselheiros, boas ações, humildade, tolerância, devoção, nobreza, altruísmo, eloquência, filhos e netos, avós, dharma, educação superior, compaixão, ideais.
    Quando bem-disposto num mapa (bem configurado e bem posicionado por signo e casa), pode manifestar qualidades como generosidade, compaixão, sabedoria, eloquência, conhecimento, educação, respeito, devoção, confiança, equilíbrio, otimismo, erudição, idealismo, lealdade, ética, nobreza, pureza, bondade, caridade, justiça, jovialidade, responsabilidade.
    Por outro lado, quando mal posicionado/configurado num mapa (mal configurado e mal posicionado por signo e casa), pode revelar, entre outras, caraterísticas como exagero, irrealismo, preguiça, imoralidade, preconceito, mentira, deslealdade, hipocrisia, intolerância, arrogância, fundamentalismo, extravagância, imprudência e falta de fé.
    Relativamente ao corpo, podemos associar Guru ao crescimento, ao fígado, coxas, glândula pituitária, baço, vesícula, abdómen, pâncreas, circulação sanguínea, garganta e ouvidos.
    Está associado às doenças de kapha, tais como doenças do fígado e vesícula, baço, pâncreas, gorduras, fadiga, sistema imunitário deficiente, diabetes, excessos, preguiça e tumores.

    Hari Om
    Maria João Coelho

    Contactos:

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    Imagem – Fonte: https://mahabharata.fandom.com/wiki/Brihaspati

  • Testemunho dos Alunos – Elena Călinoiu

    Acho que cada pessoa, mais cedo ou mais tarde, de uma forma mais profunda ou mais leve, faz esta pergunta a si mesmo: “quem sou eu”? ou”o que é de facto esta vida?” ou “porque há tanto sofrimento neste mundo?”

    A verdade é que todos nós procuramos alguma coisa e por muitas vezes ficamos confusos, perdemos o sentido da vida, sentindo que há outra coisa maior que ainda não encontramos. A vida torna-se uma correria de um lado para o outro, de um trabalho para um outro, um relacionamento para um outro relacionamento etc.

    O professor Paulo apareceu como um farol que transmite conhecimento, sabedoria, carinho e integridade numa vida que precisa mais do que nunca destes valores fundamentais. Ele é um professor-amigo, um pai de todos nós os alunos e podemos sentir o carinho genuíno dele em cada aula e cada encontro juntos.

    O que me faz continuar o estudo com o professor Paulo já há 3 anos é a força e sabedoria de uma tradição antiga que se sentem em cada palavra do professor como também o exemplo pessoal do professor Paulo que vive aquilo que ensina. Ter um professor que realmente tem a experiência íntima e a assimilação da verdade é uma bênção para cada aspirante espiritual que quer encontrar, ele mesmo, a resposta mais importante da sua vida.

    Não há palavras para agradecer ao teu professor, para devolver todo o amor incondicional, mas cada mestre fica sempre contente ver mudanças na vida dos seus alunos, ver os alunos realizarem eles mesmos o auto-conhecimento. Por isso, espero ficar mais e mais estável no Eu maior e assim mostrar também o meu namaskaram e carinho para o nosso querido professor Paulo. Que esteja abençoado pela Graça Divina sempre! Gratidão.

    Elena Călinoiu

  • Rāma-navamī – O 9º dia lunar de Śrī Rāma

    No 9º dia lunar a partir da lua nova, portanto, em śukla-pakṣa, nos quinze dias em que a lua fica mais brilhante, no mês de Caitra, entre Março e Abril, celebra-se por toda a Índia o nascimento de Śrī Rāma, um dos mais populares avatāras de Śrī Viṣṇu, a deidade responsável pela preservação e proteção do universo.

    Diz-se que o nascimento dele foi há cerca de 5000 AC, em Ayodhya, Uttar Pradesh, no período do dia em que o Sol tem mais força, entre as 12h e as 13h horas.

    Sendo descendente da dinastia Solar, era filho de Daśaratha, rei de Ayodhya e Kauśalyā. Tendo casado com Sītā, uma reencarnação da Devī, Śrī Rāma vê-se obrigado a abandonar a tomada de posse do reinado por força da vontade de seu pai, Daśaratha, que lhe pede para abandonar Ayodhya, momentos antes da tomada de posse.

    Na realidade, Daśaratha viu-se obrigado a cumprir uma promessa feita no passado a Kaikeyī, sua segunda esposa, e mãe de Bharata, irmão mais novo de Daśaratha. Ela, Kaikeyī, exigiu que Daśaratha cumprisse, naquele momento, a promessa que lhe tinha feito, que era realizar um desejo, seja ele qual fosse. A razão da promessa de Daśaratha prende-se com o facto de querer reciprocar a ajuda que Kaikeyī lhe prestou no passado, tendo-lhe concedido um desejo, fosse este qual fosse. Portanto, Daśaratha passou um cheque em branco à sua segunda esposa.

    Qual foi o desejo de Kaikeyī? Foi a coroação de Bharata, filho dela, em vez de Śrī Rāma, filho de Kauśalyā, a primeira esposa. Alguns poderão pensar que o rei poderia recusar satisfazer esse desejo e dizer a Kaikeyī que pedisse outro. Todavia, isso não era possível para um rei dharmico, cuja palavra era muito importante e que se via obrigado, por ser um kṣatriya, a cumprir com a sua palavra.

    Na realidade, com a coroação de Bharata, o que Kaikeyī queria era ser a esposa mais importante de todas. Portanto, foi a avidez por reconhecimento, poder e fama que a fez proceder desse modo lamentável.

    Assim sendo, com muito sofrimento, Daśaratha coroa Bharata, que se torna o rei. Porém, Bharata não queria ser rei e achava que o seu irmão é que era o rei justo, não somente pelas qualidade e virtudes que genuinamente possuía, que faziam dele um rei muito justo e um líder muito amado, mas, porque, o povo queria Śrī Rāma como rei.

    Śrī Rāma, respeitando humildemente a decisão de seu pai parte para o exílio com Sītā, sua esposa, e com Lakṣmaṇa, seu irmão mais novo, filho da terceira esposa de Daśaratha, chamada Sumitrā. Enquanto viviam na floresta, Sītā é raptada por Ravaṇa, um asura, que tinha muitos poderes sobrenaturais e os usava para o mal e para ganhar mais poder.

    Śrī Rāma e Lakṣmaṇa, graças à incrível e corajosa ajuda do grande Hanumān, descobrem o paradeiro de Sītā, que estava refém em Lanka, o atual Shrilanka. A história diz que uma enorme batalha foi travada e que finalmente Śrī Rāma matou o demónio Ravaṇa e voltou com Sītā para finalmente governar Ayodhya.

    A vida de Śrī Rāma pode ser conhecida pelas narrativas do grande poema épico escrito por Vālmīki, intitulado Rāmāyaṇa, as ayanas, “idas”, aventuras ou feitos, de Śrī Rāma.

    Śrī Rāma inspira todos os seres humanos a conduzirem as suas vidas no sentido do dharma e da justiça, pois a sua própria vida foi um exemplo deles. Śrī Rāma era um exímio arqueiro que nunca falhava o alvo. Assim que ele se decidisse a soltar uma flecha, esta certamente iria acertar o alvo. A flecha é um indicador do karma que cada ser humano gera e que, inevitavelmente e infalivelmente, voltará a ele. Śrī Rāma é um avatāra de Viṣṇu, o Todo, o Absoluto, que é karmaphaladātṛ, o dador do resultado dos karmas. A flecha de Śrī Rāma indica isso mesmo, o karma que cada um irá ter.

    Rāma era muito amado pelo povo pelas suas qualidades de liderança, pela sua justiça e pelo amor genuíno que tinha ao povo e à humanidade. Por isso mesmo é um modelo de liderança, um modelo para todos nós seguirmos.

    A palavra Rāma é muito bonita e, para terminar, deixo aqui a sua derivação em Sânscrito para que possa apreciar a sua beleza –

    यस्मिन् अनन्ते नित्यानन्दे चिदात्मनि योगिनः रमन्ते इति रामः ।

    yasmin anante nityānande cidātmani yoginaḥ ramante iti rāmaḥ |

    “A infinitude, a felicidade ilimitada, que é o Eu-Consciência, no qual os Yogins residem é Rāma”

    Rāma é a Verdadeira Natureza, o Eu Ilimitado, o objeto de meditação espontânea dos Yogins.

    No dia de hoje é muito benéfico oferecer as suas orações e reverência, das 12h às 13h, a Śrī Rāma para que tudo aquilo que ele representa entre na sua vida. Pode fazer este mantra muito poderoso 108 vezes nessa altura.

    Oṁ Śrī Rāma, Jaya Rāma, Jaya Jaya Rāma ||

    Paulo Abreu Vieira, Porto, Abril, 2022

  • ज्योतिष – JYOTIṢA – Budha

    Budha (Mercúrio)

    Nos textos clássicos, Budha é descrito da seguinte forma:” Budha é imbuído de um corpo atrativo, senso de humor e da habilidade de fazer trocadilhos e usar palavras de sentido duplo. A sua constituição é uma mistura dos três doṣas, Vāta, Pitta e Kapha.”

    Filho da relação ilegítima entre Chandra e de Tārā (esposa de Guru), Budha representa o intelecto (buddhi), a capacidade de pensar e de comunicar, a tomada de decisões e a capacidade de discernimento, tão importante para o aprimoramento espiritual.

    Devido ao seu movimento rápido e à sua frequente proximidade com Sūrya (Sol), Budha detém uma enorme vivacidade, agilidade e rapidez, tal e qual uma criança/jovem, significadas também por este graha e é extremamente influenciável por outros grahas.

    Esta proximidade com Sūrya, o graha Rei, faz dele o Príncipe.

    Outros nomes para Budha são: Somaja, Bodhana, Kumāra, Vidhusuta.

    Associa-se Budha especialmente a Viṣṇu.

    Caraterísticas de Budha

    É considerado eunuco (sem género) e de natureza saumya (gentil) quando sozinho ou sob influência de saumya grahas e de natureza krūra (cruel) quando está sob influência de krūra grahas. Associado ao elemento terra (pṛthvī) e à cor verde, é de natureza rajas e rege a direção norte e a quarta feira. Pertence àvarṇa dos vaiśyas (comerciantes).

    É regente do signo gémeos (rāśi mithuna) e do signo de virgem (rāśi kanyā).  Exalta-se no signo de virgem (rāśi kanyā) e tem a sua debilitação no signo de peixes (rāśi mīna).

     As melhores posições por casa (bhāvas) num mapa para Budha são o bhāva 1 (onde detém máxima força) e todos os outros bhāvas, exceto os bhāvas 6 e 12.

    Os grahas amigos de Budha (Mercúrio) são Sūrya (Sol) e Śukra (Vénus). Chandra (Lua) é inimigo e os restantes são neutros Guru (Júpiter), Śani (Saturno) e Maṅgala (Marte).

    Budha, é significador de oratória (bhāva 2), de meios de comunicação e de escrita (bhāva 3), de estudos e intelecto (bhāva 5), de tios e tias maternas (bhāva 6) e de carreira (bhāva 10).

    O bhāva no nosso mapa onde está posicionado Budha, é o local/área da nossa vida onde podemos conhecer a inteligência do indivíduo, as suas capacidades de aprendizagem, a sua forma de comunicar e os temas pelos quais possui preferência.

    Alguns dos seus principais significados são: intelecto, oratória, discurso, escrita, educação, astrologia, comércio, meios de comunicação, viagens curtas, matemática, lógica, sentido de humor, socialização, crianças, juventude, homossexualidade, ensino, amigos, ciências.

    Quando bem-disposto num mapa (bem configurado e bem posicionado por signo e casa e sob influência de saumya grahas), pode manifestar qualidades como habilidade, agilidade, capacidade de comunicação, capacidade de aprendizagem, método, boa memória, capacidade de trabalho, inteligência, curiosidade, sabedoria, eloquência, talento, capacidade de argumentação, cultura, gentileza, objetividade, perfecionismo, sentido de humor, organização, versatilidade, adaptabilidade, perspicácia, entre outras.

    Por outro lado, quando mal posicionado/configurado num mapa (mal configurado e mal posicionado por signo e casa e sob influência de krūra grahas), pode revelar, entre outras, caraterísticas como a mentira, enganos, precipitação, nervosismo, desonestidade, ansiedade, problemas na comunicação, dispersão, sentido muito crítico, amoralidade, desorganização, hipocrisia, cinismo, confusão.

    Relativamente ao corpo, podemos associar Budha ao sistema nervoso, aos intestinos, aos braços, à boca, à língua, ao ouvido, à visão, às mãos, à tiroide, ao sistema respiratório.

    Está associado às doenças dos três doṣas (tridoṣa): problemas psicológicos e do sistema nervoso, problemas de pele, da garganta, nariz, pulmões, problemas da fala, vertigens e instabilidade mental.

    Hari Om

    Maria João Coelho

    Foto: https://www.hindu-blog.com/

  • Āyurveda-Prevenção é melhor que a Cura

    Prevenção é melhor que a Cura

    Num mundo perfeito, o tratamento de qualquer doença deveria acontecer com foco na sua reversão. A verdade é que os avanços na medicina que salvam milhões de vidas todos os anos, não vêem sem uma série de efeitos secundários e uma grande parte deles com um foco na supressão de sintomas.

    Se cada vez que eu tenho azia ou dor de cabeça a linha de tratamento for um anti-ácido ou um paracetamol, para além do alívio natural dos sintomas, o que é que eu estou realmente a fazer para lidar com a causa e a reversão do problema?

    Vamos ver o que o Ayurveda tem a dizer sobre isto.

    De uma forma geral, de acordo com o Ayurveda, as causas das doenças podem ser classificadas de três maneiras.

    – o uso inapropriado dos sentidos (asātmendriyārtha samyoga)
    – a transgressão da Sabedoria (pragnyāparadha)
    – o efeito do Tempo (kāla / pariṇāma)

    Pode parecer uma classificação simplista e irrelevante mas a longo prazo, o seu impacto na nossa saúde e bem-estar fica claro. Vamos ver uma a uma.

    Uso impróprio dos sentidos (asātmendriyārtha samyoga)

    Nós usamos os órgãos dos sentidos para perceber, analisar e realmente construir o conhecimento do mundo ao nosso redor. Os sentidos são nossos instrumentos de comunicação com o mundo exterior, portanto, se estes forem viciados de alguma forma, podemos perder a capacidade de “comunicar” adequadamente e distorcer os sinais sensoriais que recebemos.

    O uso dos sentidos pode acontecer de diversas formas:
    – uso excessivo (atiyoga)
    – falta de uso (hinayoga)
    – uso impróprio (mithyāyoga)

    Exemplos simples:
    – Se passamos muito tempo à frente do computador ou do telemóvel, estamos a usar demais o sentido da visão.
    – Se lermos num ambiente com pouca luz, estamos a esforçar a nossa visão de forma inadequada.
    – Se nos fecharmos num quarto escuro por muito tempo, acabamos por não usar o sentido da visão suficientemente.

    Isto são só alguns exemplos para o nosso sentido de visão mas o mesmo pode acontecer para os outros sentidos, a audição, o tacto, o paladar e o olfacto.

    Ter um contato equilibrado e adequado dos sentidos é benéfico como factor de prevenção, especialmente numa sociedade onde estamos constantemente a ser super-estimulados.

    Transgressão da Sabedoria  (pragnyāparadha)

    Existem 3 funções básicas ou aspectos da inteligência:
    – dhi (habilidade de aprender)
    – dhriti (poder de controle ou de retenção)
    – smriti (poder de relembrar)

    Cada ação que realizamos vai inevitavelmente gerar um resultado. De acordo com o Ayurveda, se alguma destas funções estiver comprometida, existe uma grande possibilidade de fazermos acções erradas que eventualmente levarão ao desequilíbrio dos doṣas.

    De várias maneiras, a transgressão da sabedoria é considerada a causa principal de qualquer doença. Por exemplo tabaco, consumo excessivo de açúcares, gorduras e alimentos processados; ou estar cansado/a e precisar de dormir mas ainda assim ver mais um episódio da minha série preferida são acções que se feitas regularmente podem a longo prazo gerar complicações na nossa saúde e bem-estar.

    Estes são exemplos simples mas basicamente assentam no princípio de haver algo que eu sei que não é necessariamente bom para mim mas eu acabo por fazê-lo de qualquer maneira.

    Numa vertente mais filosófica, a causa principal de pragnyāparadha é não saber quem somos. Um dos versos de Ayurveda diz:

“Se algo eterno é visto como efémero e algo prejudicial é visto como útil e vice versa, isto é indicação de de um intelecto comprometido. Pois um intelecto normal vê as coisas como elas são.”

    Efeito do Tempo (kala/pariṇāma)

    Existem diferentes perspectivas, mas de uma forma ou de outra, elas estão todas relacionadas com o tempo.

    Além da deterioração natural do corpo ao longo da vida, os doṣas manifestam-se com mais destaque em diferentes alturas do dia, digestão e idade. kapha no início, pitta no meio e vata no fim.

    O doṣa kapha é mais proeminente:
    – no início do dia e da noite,
    – na primeira parte da digestão (estômago)
    – no primeiro terço da vida (infância)  

    Os outros doṣas seguem respectivamente. pitta no meio do dia e da noite, na segunda parte da digestão (intestino delgado) e no segundo terço da vida (vida adulta) e finalmente vata, na última parte do dia e da noite, na última parte da digestão (intestino grosso) e na última parte da vida (3ª idade).

    Os doṣas também se movem através das estações do ano em ciclos de acumulação (caya), agravamento (prakopa) e pacificação (praśamana).

    O estágio das doenças também é outro fator temporal importante, pois decidirá o curso de ação adequado para o problema específico.

    Se fundamentalmente as doenças ocorrem por causa do distúrbio dos doṣas, esta nossa dança com eles ao longo da nossa vida vai contribuir e definir o nosso estado de saúde.

    Prevenção

    Existem dois objetivos principais no Ayurveda: prevenir a doença e remover a causa da doença.

    Escusado será dizer que é muito melhor investir na primeira, em vez de ter que iniciar um processo de cura que, em muitas situações, poderia ter sido evitado se nós cuidássemos adequadamente desde o início.

    No processo de lidar com um desequilíbrio, o primeiro passo é sempre parar a causa do problema (nidana parivarjana). Se houver um sintoma agudo, claro que deve ser tratado imediatamente, mas além disso não parece benéfico continuar a abordar os sintomas sem trabalhar para remover a sua causa.

    A prevenção só pode acontecer quando entendemos como funciona o sistema corpo/mente humano e aprendemos a estar em sintonia com as mudanças e flutuações naturais ao nosso redor, pois como afirma a tradição, somos apenas um microcosmo, um reflexo desse microcosmo que é a existência.

    Então, olhando para essas três principais causas de doenças, parece que existem dois pré-requisitos principais para a saúde: conhecimento e conscientização.

    Uma prática de pratyāhāra (abstracção dos sentidos), como por exemplo meditação, é muito importante. Dar uma pausa aos sentidos, não só ajuda a evitar problemas futuros, mas também nos dá o tempo e espaço adequados para digerir todas as informações sensoriais que recebemos do mundo exterior.

    Por exemplo, o estudo de Vedanta é uma ferramenta que a longo termo nos ajuda a evitar transgressões da sabedoria causadas por não saber quem Eu sou. Esse estudo ajuda também a reforçar aspectos diferentes do nosso intelecto.

    Ayurveda tem um vasto conhecimento adquirido de como nosso corpo funciona e como nosso sistema interage com a natureza ao nosso redor. Existe a recomendação de rotinas diárias (dinacaryā) e rotinas sazonais (ṛtucaryā) para garantir que a harmonia seja mantida através de todas as mudanças da vida.

    Mas, para que o conhecimento tenha valor, é preciso que este transite da teoria para a prática e que seja implementado regularmente. As exigências da vida moderna muitas vezes levam à desarmonia e temos que tentar fazer a coisa certa, conforme a situação em específico o exige. Infelizmente, “tamanho único” não é o lema da Ayurveda.

    Quando se trata de bem-estar, nossas ações só podem fazer duas coisas: apoiar ou negligenciar a nossa saúde. Quer estejamos conscientes disso ou não, a nossa saúde é o resultado das escolhas que fazemos no nosso dia-a-dia, todos os dias.

    A solução é simples… quaisquer que sejam as nossas escolhas diárias, devemos certificar-nos de que são as mais adequadas para nós e além disso temos de estar cientes das consequências que elas nos possam trazer no futuro, boas ou não.

    Simples nem sempre quer dizer fácil pois hoje em dia parece que, infelizmente, ser saudável dá mais trabalho do que ser doente.


    Ricardo Barreto

    Terapeuta de Ayurveda

    www.instagram.com/wayofayurveda_pt
    +351 925380997

  • Análise gramatical da Bhagavadgita Paulo Abreu Vieira

    भगवद्गितायाः व्याकरणम् – Análise gramatical da Bhagavadgītā -13

    (continuação)

    Símbolos usados na análise gramatical:

    √ –  raíz verbal; ⊘ –  indeclinável; m – género masculino; f – género feminino; n – género neutro; I/1 – primeira pessoa singular; II/1 – segunda pessoa singular (a numeração romana indica a pessoa, a numeração indo-arábica indica o número, que pode ser singular, dual ou plural; 1/1 – 1º caso singular; 1/2 –  1º  caso dual; 1/3 – 1º  caso plural; 2/1 – 2º  caso singular (existem oito casos, vibhaktis, no total; 7/1 – sétimo caso singular; P – parasmaipadī; Ā – ātmanepadī; U – ubhayapadī; VA – voz ativa (kartari prayoga); VP – voz passiva.

    ततः शङ्खाश्च भेर्यश्च पणवानकगोमुखाः ।

    सहसैवाभ्यहन्यन्त स शब्दस्तुमुलोऽभवत् ॥ १.१३ ॥

    पदच्छेदो (सन्धिच्छेदः) विभक्तिपरिच्छेदः पदार्थो व्युत्पत्तिश्

    ततः Ø – depois (तद् शब्दः + तसिल् प्रत्ययः);  शङ्खाः 1/3m – conchas; च Ø – e; भेर्यः 1/3f (भेरी शब्दः) – timbales ou tímpanos; च Ø – e; पणव-आनक-गोमुखाः 1/3m – tamborins, tambores e cornetas ( पणवाः च अनकाः च गोमुखाः च पणव-आनक-गोमुखाः इतरेतरद्वन्द्वासमासः); सहसा Ø (uso adverbial) – de repente, de súbito; एव Ø – de facto; अभ्यहन्यन्त III/3 लङ् लकारः, कर्मणि प्रयोगः (अभि2P√हन्) – foram tocados; सः 1/1m तद् शब्दः, सर्वनाम – ele (o som); शब्दः 1/1m – som, barulho; तुमुलः 1/1m – tumultuoso; अभवत् III/1 लङ्लकारः, कर्तरि प्रयोगः (1P√भू) – foi.

    अन्वयः

    ततः शङ्खाः च भेर्यः च पणवानकगोमुखाः सहसा एव अभ्यहन्यन्त सः शब्दः तुमुलः अभवत् ॥

    अनुवादः

    V.1.13 – Depois, de súbito, conchas, timbales, tamborins, tambores e cornetas foram tocados e o som foi tumultuoso.

  • Testemunho dos alunos – Maristela Córdova

    Meu nome é Maristela, nasci no sul do Brasil, e me transferi para Portugal porque minha filha única se casou, veio para Portugal e logo nasceu meu netinho Miguel (hoje com 5 anos de idade). Mas toda essa mudança aconteceu num momento da minha vida em que eu havia decidido viver uma boa temporada na Índia, só que não foi possível concretizar esse plano. Temas como espiritualidade, autoconhecimento, yoga,  āyurveda e Vedānta já faziam parte da minha vida por diversos caminhos e diferentes formas.  
    Sendo aluna de  Vedānta   desde 2015 no Brasil, ao chegar em Portugal (em 2018) eu soube que havia aqui o professor Paulo Vieira que havia retornado a pouco tempo do seu retiro de quase quatro anos na Índia. Pesquisei nas redes sociais e acompanhei virtualmente um pouco da história da criação e abertura do Centro Ārṣavidyā, e das atividades e palestras que o professor promovia em vários locais na região do Porto. 
    No início de 2020 tive o privilégio de participar presencialmente da celebração de inauguração do Centro, na Maia, e foi aí que começou a minha conexão com o professor Paulo Vieira. Lembro-me muito bem do meu encantamento, naquela tarde, ao ouvir do professor Paulo a história de como o Centro foi criado a partir de uma antiga casa e um celeiro que pertencem à sua família por gerações! E hoje, neste momento, cá estamos nós alunos a oferecer nossos depoimentos e a honrar nosso estudo e nosso crescimento interno tendo o professor Paulo como nosso guia. 
    Ouvir as aulas do Professor Paulo, interagir e receber dele o conhecimento, tem sido para mim uma fonte constante de transformação pessoal e de quebra de paradigmas internos. 
    O professor tem ao mesmo tempo uma generosidade, uma suavidade e uma força na sua forma de ensinar e de interagir. Às vezes ele é suave como a brisa, às vezes ele é como a força do vento a nos tirar do lugar-comum em que o ego insiste em permanecer. Sinto a verdade das palavras do professor. As palavras dele têm muita vida! Quando desdobra de forma tão hábil a Upanishad numa aula, quando fala do Eu e do Absoluto, de Iswara e do Jiva, do Ego e do Ser… suas palavras ecoam em mim de uma forma tal que naquele momento eu tenho certeza absoluta de que é sobre mim que ele está a falar. 
    E essa certeza se manifesta na minha mente com a mesma clareza de que – antes de mais nada – o professor é um ser humano, possui sua vulnerabilidade própria, carrega uma história de vida, passou pelo seu próprio processo de transformação pessoal através dos mestres, foi abençoado com o conhecimento, e por isso mesmo ele compreende a minha humanidade, a minha limitação, a minha vulnerabilidade e pode guiar-me nesta senda para a dissolução da minha ignorância.  
    Estudar  Vedānta   é algo tão raro neste mundo, ainda mais no mundo ocidental! Estudar  Vedānta   com o professor Paulo, e interagir em colaboração ao Centro Ārṣavidyā, é uma oportunidade que a vida me deu de estar próxima do conhecimento e permitir que esse conhecimento envolva meu ser e provoque na minha mente a transformação que precisa ser feita até que essa personagem cheia de limitações e karmas seja dissolvida na luz da verdade. 
    A esse querido professor que me tira do lugar-comum e me conduz para fora da minha limitação eu ofereço meu reconhecimento, a minha  reverência e essa gratidão imensa que brota no meu coração por essa oportunidade de ser sua aluna.  Hari Om!


    Maristela Córdova

  • ज्योतिष – JYOTIṢA

    Nos textos clássicos, Maṅgala é descrito da seguinte forma:” Maṅgala é cruel, tem olhos vermelhos como o sangue, é inquieto, liberal, de constituição pitta, dotado de uma cintura fina e de um corpo magro”.

    Filho da Terra, de natureza maléfica, Maṅgala é a deidade que preside a guerra e a disputa. Relaciona-se com a ambição e o desejo. É ele quem comanda os sentidos e o instinto animal do homem. Diferente do fogo de Sūrya, o fogo de Maṅgala destrói. Num mapa, Maṅgala “queima” e danifica os grahas a ele relacionados, devido à sua energia da juventude, mais impulsiva, apaixonada e violenta.

    Outros nomes para Maṅgala são: Angāraka, Raktavarna, Kuja, Bhauma, Lohitānga, Kartika.

    Associa-se Maṅgala a deidades como Skanda ou Rudra (em signos masculinos), Narasiṁha (quando exaltado) ou Bhadrakālī e Cāmuṇḍā (em signos femininos).

    Caraterísticas de Maṅgala

    É do género masculino e de natureza krūra (cruel), ligado ao elemento fogo (pitta), associado à cor vermelho-sangue, rege a direção sul e a terça feira. Pertence àvarṇa dos kṣatriyas (guerreiros – classe militar).

    É regente do signo áries/carneiro (rāśi meṣa) e do signo de escorpião (rāśi vṛścika).  Exalta-se no signo de capricórnio (rāśi makara) e tem a sua debilitação no signo de câncer/caranguejo (rāśi karka).

     As melhores posições por casa (bhāvas) num mapa para Maṅgala são o bhāva 10 (onde detém máxima força) e os bhāvas 3, 6 e 11.

    Os grahas amigos de Maṅgala (Marte) são Sūrya (Sol), Chandra (Lua) e Guru (Júpiter). Śani (Saturno) e Śukra (Vénus) são neutros e Buddha (Mercúrio) é inimigo.

    Maṅgala, no bhāva 3 é significador de irmãos, armas e coragem, no bhāva 4 de terras e propriedades e no bhāva 6 é significador de inimigos, acidentes e cirurgias.

    O bhāva no nosso mapa onde está posicionado Maṅgala, é o local/área da nossa vida onde colocamos a nossa energia, força, a nossa resiliência e coragem.

    Alguns dos seus principais significados são: força, coragem, poder, energia, paixão, atividade física, irmãos, homens jovens, amantes, esposo, armas, fogo, guerreiros, competições, acidentes, propriedades, lógica, objetividade, liderança, rapidez, sexo, inimigos, litígios, conflitos, coisas quentes, objetos afiados e que cortam, máquinas, crimes, ladrões, luxúria.

    Quando bem-disposto num mapa (bem configurado e bem posicionado por signo e casa), pode manifestar qualidades como coragem, força de vontade, energia, determinação, ambição, foco, dinamismo, lógica, independência, força, destreza, concentração, ousadia, cooperação, entre outros.

    Por outro lado, quando mal posicionado/configurado num mapa (mal configurado e mal posicionado por signo e casa), pode revelar, entre outras, caraterísticas como fúria, impulsividade, acidentes, traição, egoísmo, intensidade, hostilidade, impaciência, inflexibilidade, vícios, inveja, violência, imoralidade, mentira, insensibilidade, secura, má conduta.

    Relativamente ao corpo, podemos associar Maṅgala ao sangue, vesícula, medula óssea, músculos, órgãos reprodutores, bexiga, sentido do olfato e paladar e cabeça.

    Está associado às doenças ligadas ao calor, como as febres, às erupções cutâneas, doenças do fígado, úlceras e a todo o tipo de queimaduras, cortes e cirurgias.

    Hari Om


    Maria João Coelho

    Foto: https://www.pillaicenter.com