Escrita e(m) partilha

O tema desta semana é o seguinte verso da Bhagavdgītā


V.5.10 – Aquele que realiza (ações) tendo-as oferecido a Brahman e tendo
abandonado o apego (pelo resultado das ações), essa pessoa não é afetada
(aprisionada) pelo pāpa, (o resultado indesejável de ações inapropriadas), assim
como uma pétala de lótus (não é afetada) pela água.

MAHADEVA

Agora entendo como sempre Te procurei.

Quando em vão busquei nos sentidos preencher o vazio,
quando em vão me agarrei à paixão para não me perder.
Quando em vão despoletei incêndios porque a minha alma estava gelada,
quando em vão desesperei por um sinal de amor do mundo.

Quando em vão Te procurei em todo o lado menos em mim, sem entender que o meu coração batia ao ritmo do Teu tambor e que cada oração minha era uma conta do Teu Mala.
Sem entender que o Teu tridente era o que me erguia para o mundo e que era a luz da Tua lua que me guiava o caminho.

Hoje olho para mim e sei que tudo o que vejo és Tu e que me vou continuar a olhar até em Ti me dissolver.

Aluno: Ricardo Louro

Inevitabilidade

Perscrutar as emoções,
na intenção de definições,
impacta a percepção real.
Distanciando-se do objeto palpável que nos motiva,
com desapego pela expectativa,
alcançaremos o núcleo das realizações.
O resultado não nos moverá em emoções diversas,
o ensinamento surgirá independentemente da concretização atingida.
E aí a verdade fluirá.

Aluna: Carla Santos

O CAMINHO DO MEIO

O importante é a calma no nosso Ser despertar,
para suavizar as ações que estamos a realizar,

E obter a compreensão,
da Centelha Divina que habita em cada Ser da criação.

Nós somos o microcosmo na existência,
Sendo a porta para o Macrocosmo a nossa consciência.

E no relaxar, deixar a nossa alma se manifestar.
Sair da prisão,
de ter na forma a identificação.

O nosso verdadeiro corpo é espiritual,
o sopro Divino o Manancial.

Entre desejos e aversões,
tem o caminho do meio que neutraliza as nossas ações e reações.

Assim podemos caminhar,
sem fazer julgamentos e expectativas criar.

Nessa iniciação é muito importante desenvolver na mente, a contemplação.
E no experienciar,
retira o aprendizado que irá te elevar.

É muito relevante o desapego compreender.
Não fique preso no que vais obter,
Somente desfrute do que está a viver.

Aluna: Aildes Andersen

JUNTOS

Sorrio ao recuar no tempo e nas memórias.

Quanto recebi de ti sem que pedisse!
Quanto te pedi e não recebi!

Lembras-te quando, jovem, tentava negociar contigo com promessas em que não acreditava?

Quando, zangada, dizia que não tinha pedido para nascer?

Tu rias-te
porque sabias o que é crescer.

Lembras-te das pessoas de quem não gostava
e com quem me obrigaste a viver?
Das situações que, sem entender, aceitei e disse
“está bem…se é o que queres”
Das vezes em que me odiei e quis desistir e te culpei do meu sofrer?

Quantos papéis representados, umas vezes bem outras nem tanto.
Filha, amiga, irmã, amante.

E a primeira vez em que me vesti de mãe.
O medo que tinha do palco!
Tu disseste
“vai correr tudo bem “
Grata e orgulhosamente fui aprendendo a ser.

Guardo em mim os que partiram e a quem digo até já.
As palavras proferidas de amor e desamor.
Os intensos abraços partilhados.

Percorremos um longo caminho e não sei o que falta percorrer.

Mas sei que tudo o que me dás vem de mim
e tudo o que te dou vem de ti
e que iremos juntos, de mão dada, nesta aventura por ti, por mim sonhada.

Aluna: Adelina Carvalho

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