Escrita e(m) partilha

V.6.29 – A pessoa cuja mente está dotada da contemplação (no Eu), que tem a
visão da igualdade (não-dualidade) relativamente a tudo, vê (aprecia) o Eu em todos os seres, e todos os seres no Eu.

Paz

Em momentos de solitude com vista para esta plenitude
Eu fico estanque observando um longínquo horizonte, um alto céu.
Lá no alto vejo uns seres esvoaçantes, num bater de asas flutuante.
Em inspirações profundas
Sinto este ar comum a todos os seres entrar
Um ar que serpenteando, subtilmente entra pelo corpo adentro
Transportando uma paz
Transmitindo uma energia arrepiante, energizante
Fecho os olhos
E continuo a sentir
Tapo os ouvidos
E continuo a sentir
É uma energia imensa
É uma paz profunda
É uma envolvência absoluta
É um unir de formas
É uma fusão completa
Eu não sou apenas eu
Eu sou o todo
E o todo sou eu!
om̐ śāntiḥ śāntiḥ śāntiḥ
ॐ शान्तिः शान्तिः शान्तिः॥

Aluna: Susana Santos

Aconteceu

Aconteceu que naquele dia eu me vi suspensa no eterno presente.E assim fiquei, simplesmente saboreando toda a eternidade.Para sempre num abraço quente, que me fez sentir que todo o lugar é casa.

Aluna: Ana Carolina

Soma

Se o tempo em paragem
me permite inspirar…
Expirar…
Concentrar
em pequenos pedaços
da minha existência
o que observo…
É bem maior do que eu…
É muito além do meu ser…
A minha existência
é a soma…
A soma da experiência…
A soma das existências…
A reunião com sentido
do contexto que me abrange,
do subtexto que interpreto,
da envolvência dos seres
com que interajo,
da integração de tudo e
do momento em que o faço.

Aluna: Carla Santos

Sonho um sonho


E vejo-me existente em todas as formas, cores e sons.
Visto todas as vestes de todas as raças.
Oro todas as orações que existem para orar.
Edifico templos e destruo-os.
Sou a guerra e a paz
A fome e as lágrimas de toda a humanidade
Mas também a pureza das gargalhadas das crianças.
O amor no coração de cada mãe
O útero que dá vida à vida.
Ignorante de mim renego-me
Até ao momento em que me reconheço em tudo e tudo se reconhece em mim
Ai acordo do sonho e Durmo

Aluna: Adelina Carvalho

Você

Aquele que você machucou, é você.
Aquele que você não perdoou, criticou, humilhou, esnobou e até mesmo ignorou, também é você.
Aquele ao qual você estendeu a mão, amou, cuidou, invejou, fez promessas, é você.
Qual desses você gostaria de ser se pudesse escolher?
Também há outros de você menores, e até imóveis. Tudo o que você pode perceber e até mesmo o que não pode, é você.
Tudo o que existe, desde do solo no qual você pisa, até a brisa que assanha os seus cabelos está vivo, e advinha, é você.
Como você trataria você mesmo?
Você que é matéria prima de tudo.
Você que é único e múltiplo.
Talvez tratasse com o amor, que é você.

Aluna: Licia Medeiros

Movimento

No movimento
A vida se expressa
O personagem surge
Para sua história contar

Ao movimento me entrego
Me ponho em pedaços
Me divido em papéis
Tentando me juntar

De mim me perco
Desesperadamente me busco
Além de mim
Preciso me encontrar

Após tantas andanças
No palco da vida
O movimento me ponho
Somente a contemplar

O que estava encoberto
Contemplando descubro
O que estava oculto
Pode então se revelar

Num mundo de possibilidades
Só há uma verdade
O que mais além de mim
Poderia eu encontrar?

Aluna: Juliana Giarola

Dualidade

Nem mesmo este dia de frio e vento, impediram a minha caminhada diária.
Meus olhos lagrimaram
muito, devido à intensidade do vento que parecia anunciar algo, pois o seu grito, ecoava por todos os cantos no bosque, que junto com o trincar dos troncos das árvores, tornou-se uma sinfonia musical.
Algumas árvores não resistiram à sua ira e desprenderam-se.
Outras perderam galhos que estavam espalhados por toda parte.
Senti o vento gelado machucar os meus dedos descobertos, assim como meu rosto. Sentia sua potente força, vinda de frente ao meu caminhar. Porém por um breve momento me entreguei ao grande mensageiro,”o vento “, em prece, solicitei que sua força e magnitude penetrasse em meu Ser, para purificar-me.
Foi mágico, senti o vento forte me envolvendo.
E nesse momento veio ao pensamento uma reflexão:
Como vivemos em dualidade e fazendo divisões, como por exemplo de bem e mal, luz e escuridão, céu e inferno, certo e errado e assim por diante!
Sim, a vida é dual do ponto perspectivo de onde nos encontramos, porém se você se move um pouquinho, consegues ver e sentir essa dualidade e a separação dissipando.
Libertador…
Pois com a purificação do meu Ser, pode presenciar um lindo e fascinante pôr do Sol num dia frio do inverno Dinamarquês!

Aluna: Aildes Andersen

Florir

A estrada está florindo no nosso caminhar, olha que coisas mais lindas que estamos a contemplar!
E o perfume e nectar das flores estão atraindo mais beleza, olha em volta de ti e veja as lindas borboletas!
Que maravilha! É hora de se entregar! Para essa magia que Brahma está a proporcionar!
Agora olhe e sinta dentro de tie verás,as cores mais lindas que os seus chakras estão a emanar!
Isso é transformação !

Viva e celebre esse momento com amor e gratidão.

Aluna: Aildes Andersen

Enraizando

Em pleno jardim rodeada de seres
Seres deste universo
Vivos e não vivos
Sinto o respirar vivo de todos eles
Inspiro essa energia
Ao sabor do vento, um arrepio vem, a mente agita
É um vai e vem

Os meus cabelos esvoaçam
O meu tempo pára
Conecto-me
e enraizo
Com a força do meu sorriso

Sorrio porque assim estou completa
estou submersa
neste chão
nesta imensidão

Toco com uma mão no chão
com ternura
sinto esta bravura
deixo de me questionar
deixo-me levar

Contigo estou
Contigo vou
para sempre sou
para sempre serei!

Aluna: Susana Santos

O jogo

Um dia, num jogo de faz de conta (dinâmica de grupo) perguntaram-me se eu fosse um animal que animal seria.Eu respondi, de imediato, que seria um cavalo mas um cavalo selvagem, belo, livre veloz imponente, majestoso.O jogo prosseguiu e pediram para escolher um envelope, de entre uns quantos, e ver que animal continha.Assim fiz e, surpresa minha, o animal era uma tartaruga.Ri-me e reagi dizendo!Eu nunca seria uma tartaruga, até porque é um animal com que nem sequer simpatizo muito.No seguimento do jogo (e eu estava lá para jogar) disseram-me para encarnar a tartaruga. E eu, da melhor forma que me foi possível lá adotei a posição da tartaruga.Joelhos no chão, sentada nas coxas e com as pernas afastadas para fora. Antebraços apoiados no chão, igualmente afastados o mais possível para fora.Foram necessários talvez dois ou três segundos para perceber que não podia levantar a cabeça e olhar o céu.E lá caminhei, desajeitada e lentamente, carregando o enorme peso da minha carapaça.Um turbilhão de emoções e sentimentos me assaltaram. Desde uma profunda tristeza a um enorme sentimento de libertação.Nesse momento entendi que antes de poder cavalgar livremente, antes de poder voar tenho de caminhar rastejando.Antes de olhar e almejar o que está acima, tenhode olhar amar fazer parte do que está abaixo.Entendi que tudo tem o seu tempo e que devia, calmamente, aguardar o meu momento de me erguer aos céus e voar.Percebi que este corpo, que tantas vezes senti que me aprisionava (como a tartaruga) é o mesmo corpo que me acolhe e permite estar aqui, experiênciar aqui e agora.Amo este corpo como aprendi a amar todos os corpos que já vesti e quando chegar o momento de despi-lo, fa-lo-ei sem dor mas com uma enorme gratidão por me ter recebido.Creio não ser errado desejar ser o cavalo belo e livre ou o pássaro que cruza os céus, apenas não nos devemos deixar de amar enquanto tartaruga.Afinal antes de se ser borboleta e-se lagarta.

Aluna: Adelina Carvalho

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