A luz na escuridão
“Karma is nothing compared to God’s grace. Love people, feed people, serve people.”
Ouvi esta frase há pouco tempo do meu professor Mark Boney, e, desde então, reflito nela com muita frequência..tornou-se um lembrete diário, uma luz que está sempre presente.
Esta frase traz uma visão muito profunda da espiritualidade: por mais que o karma organize a vida através de causa e efeito, ele não é maior do que a graça divina. O karma fala de justiça mas a graça fala de misericórdia.
Dentro de muitas tradições espirituais, e dentro do jyotiṣa, o karma é visto como a lei que equilibra as nossas ações. Tudo o que fazemos gera consequências. Aquilo que plantamos, colhemos. Essa compreensão traz responsabilidade: somos participantes ativos da própria jornada. No entanto, a frase lembra que existe algo além dessa matemática espiritual.
Dizer que o karma não se compara à graça não significa negar a lei de causa e efeito, mas reconhecer que existe uma dimensão superior onde o amor pode transformar destinos. A graça é aquilo que interrompe ciclos de repetição e que suaviza dores.
A segunda parte da frase mostra o caminho prático para nos alinharmos com essa graça: amar pessoas, alimentar as pessoas, servir as pessoas. Não se trata de ideias abstratas, mas de ações concretas. Amar é reconhecer a dignidade do outro; alimentar é sustentar a vida e servir é colocar o ego em segundo plano.
Quando alguém ama, serve e alimenta, deixa de agir apenas por interesse próprio.E é justamente nesse movimento que a graça se manifesta com mais força.
Esta frase também nos lembra que espiritualidade não é isolamento, é relação, cuidado e presença. A forma mais direta de viver sob a graça não é fugir do mundo, mas agir nele com compaixão.
Porque a graça talvez não seja algo distante, abstrato e inatingível, mas sim algo que se manifesta exatamente quando escolhemos amar, servir e cuidar uns dos outros.
Hari Om
Maria João Coelho