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ज्योतिष – JYOTIṢA – 5
Bhāvas (Casas Astrológicas)
A palavra “bhāva” é utilizada para designar as casas astrológicas, divisões imaginárias, divisões do céu a partir da perspetiva terrestre. Mas o seu significado vai muito além desta definição, é muito mais profundo. Na realidade a palavra “bhāva” refere-se a um sentimento, a um estado da mente, a um estado da existência. É um campo de ação onde se desenrolam várias experiências de um indivíduo, de acordo com os seus karmas. Cada bhāva vai relacionar-se com uma área específica da vida do ser humano e será o palco da experimentação dos assuntos tratados por si.
Existem 12 bhāvas, sendo que o primeiro corresponde ao “lagna” ou ascendente. Este corresponde ao grau exato em que um “rāśi” (signo) ascende a leste. Para o seu cálculo é fundamental conhecer a hora exata de nascimento e local (coordenadas terrestres).
Através destas doze divisões, é colocada à luz toda a vida do indivíduo e respetivos karmas, desde o nascimento até à morte.
Tendo por base o mapa modelo do Norte da Índia, analisemos estes 12 bhāvas. Classificação dos bhāvas
1- De acordo com o Puruṣārtha:
– Dharma: bhāvas 1, 5 e 9. Estes bhāvas relacionam-se com o desenvolvimento espiritual e moral do indivíduo, com o sentido de dever, de missão de vida, filosofia de vida, a forma como se progride a nível espiritual. São consideradas as casas mais auspiciosas.
– Artha: bhāvas 2, 6 e 10. Estes bhāvas relacionam-se com o desenvolvimento material do indivíduo, nomeadamente a prosperidade, a riqueza, o trabalho, sucesso e o reconhecimento material.
– Kāma: bhāvas 3, 7 e 11. Estes bhāvas relacionam-se com os desejos e a forma de os realizar, o que implica também a interação com os outros.
– Mokṣa: bhāvas 4, 8 e 12. Estes bhāvas estão relacionados com a libertação do mundo material e emocional, implicando o desapego pelo mundo.
2 – De acordo com a sua natureza.
– Kendras: bhāvas angulares – bhāvas 1, 4, 7 e 10. Representam as áreas mais importantes do mapa e são a força do mapa pois tratam dos temas mais relevantes da vida da pessoa: (1) a vida pessoal, (4) a vida familiar, (7) a vida conjugal e (10) a vida profissional.
– Koṇas: bhāvas 5 e 9. São consideradas as casas mais auspiciosas do mapa, pois estão relacionadas com os méritos das vidas passadas e sua influência nesta vida. Estão ligadas à boa sorte, sabedoria, conhecimento, sucesso e virtude.
– Upachayas: bhāvas 3, 6, 10 e 11. São as chamadas casas de crescimento e ajudam a ultrapassar dificuldades que surgem ao longo da vida. Estão muito ligadas à vida material, pois tratam das lutas diárias e da sobrevivência.
– Dusthanas: bhāvas 2, 6 e 8. São as chamadas casas de sofrimento e dificuldades. Relacionam-se com experiências difíceis, mas que também contribuem para o desenvolvimento espiritual.
– Marakas: bhāvas 2 e 7. São chamadas de casas destruidoras ou assassinas pois causam morte e sofrimento, na medida em que desgastam a vida.
12 bhāvas: Temas associados
De forma sucinta, apresento aqui apenas alguns dos assuntos que estão ligados a cada bhāva.
1 – Tanu Bhāva (corpo / lagna) – O nascimento, a pessoa, o seu corpo, a vitalidade, a longevidade, a aparência física, a saúde, a felicidade, a coragem, a inteligência, a disposição geral da vida, a cabeça.
2 – Dhana Bhāva (riqueza) – Riqueza, dinheiro, meios de subsistência, nutrição, alimentos e roupas, longevidade do casamento ou cônjuge, oratória, suporte familiar, olhos, boca, garganta, face.
3 -Bhrātṛ Bhāva (Irmãos) – Irmãos mais novos, vizinhos, coragem, iniciativa, viagens curtas, deslocações, escrita, capacidade de comunicar, vigor, ouvido direito, ombros, braços, mãos, tiroide.
4 – Mātṛ Bhāva (Mãe) – A mãe, casas, propriedades, felicidade familiar, agricultura, ancestrais, confortos, educação, amigos, caixa torácica, pulmões, coração, peito e seios.
5 – Putra Bhāva (Filhos) – Filhos, estudos, conhecimento, devoção, virtudes, capacidade de discernimento, intelecto e talentos, memória, felicidade emocional, amor e romance, capacidade de organização e gestão, investimentos, crianças, sabedoria, barriga, digestão, fígado, vesícula, pâncreas, baço, estômago.
6 – Ari Bhāva (Inimigos) – Disputas, doenças, lutas, inimigos, acidentes, medo, preocupações, trabalho árduo, serviço, tios maternos, confrontos, mal-entendidos, madrastas, escravos, intestinos, costas.
7 – Yuvati Bhāva (jovem mulher) – Casamento, relacionamentos, desejos e sexualidade, parcerias de negócio, conduta moral, prazeres, adultério, comércio, vida conjugal, órgãos sexuais, rins, região pélvica.
8 – Randhra Bhāva (Buraco) – Longevidade, locais escuros e horríveis, agonias mentais, stress, culpa, batalhas, impureza, transformação, experiências místicas, heranças, morte, medo, perdas, desgraças, conhecimentos místicos, órgãos excretores.
9 – Dharma Bhāva (Religião) – Pai, Gurus, devoção, espiritualidade, estrangeiro, viagens longas, estudos superiores, peregrinações, religiosidade, caráter, sorte, fortuna em geral, benevolência, filosofias, direito, méritos de vidas passadas, os mais velhos, coxas, articulações.
10 – Karma Bhāva (Ocupação) – Ocupação profissional, honra, reconhecimento, sucesso, liderança, fama, pai, conduta, cargos importantes, carreira, vocação, status, ambição, joelhos, ossos.
11 – Labha Bhāva (Ganhos) – Ganhos em geral, salários, lucros, prosperidade, amigos, dinâmica social, irmãos mais velhos, aspirações, esperanças e projetos, ambições, ouvido esquerdo, calcanhares.
12 – Vyaya Bhāva (Perdas) – perdas, despesas, isolamento, renúncia, terras distantes, prisões, hospitais, centros de retiro, ascetismo, caridade, exílio, fim da vida, separações, transcendência, prazeres carnais, destino após a morte, pobreza, pecado, inconsciente, sono, sonho, pernas, pés.
Maria João Coelho
Foto 1: https://www.astrologiatradicional.com.br/
Foto 2: http://astrologiaabav.org/
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ज्योतिष – JYOTIṢA -IV
Dvādaśa-rāśi – Os doze signos na Astrologia Védica
A palavra rāśi designa uma das doze frações de 30º presentes ao longo dos 360º da eclíptica (cinturão dentro da esfera celeste observável), o caminho aparente do Sol. Rāśi ou signo descreve as doze frações do zodíaco, palavra originária do grego “zōdiakós kýklos” ou “círculo de animais”.
Na Índia, apenas no séc. I a. c., o termo zodíaco encontrou significado, uma vez que a divisão do céu pelos indianos continha 27/28 partes, as nakṣatras, (acerca das quais falaremos noutra altura), baseadas no mês lunar sideral de 27,32 dias.Nos textos clássicos, é descrita a forma (svarupa) dos rāśis, tantos em termos da sua imagem constelacional como em relação aos seus atributos.
Os 12 rāśis:

Carneiro (Áries): Mesha
Touro: Vrshabha
Gémeos: Mithuna
Caranguejo (Câncer): Karka
Leão: Simha
Virgem: Kanya
Balança (Libra): Tula
Escorpião: Vrishkha
Sagitário: Dhanus
Capricórnio: Makara
Aquário: Kumbha
Peixes: MinaGraha (planeta) que rege cada rāśi
Chandra (Lua): Caranguejo
Sūrya (Sol): Leão
Budha (Mercúrio): Gémeos e Virgem
Śukra (Vénus): Touro e Balança
Maṅgala (Marte): Carneiro e Escorpião
Guru (Júpiter): Sagitário e Peixes
Śani (Saturno): Capricórnio e AquárioClassificação dos rāśis
1- Género: Masculino e feminino
Masculinos: Carneiro, Gêmeos, Leão, Balança, Sagitário e Aquário
Femininos: Touro, Caranguejo, Virgem, Escorpião, Capricórnio e Peixes2- Grupo: Quadrúpedes, bípedes, centípedes e aquáticos
Quadrúpedes: Carneiro, Touro e Leão
Bípedes: Gêmeos, Virgem, Balança e Aquário
Centípedes: Caranguejo e Escorpião
Aquáticos: Peixes
Sagitário é metade bípede e metade quadrúpede
Capricórnio é metade quadrúpede e metade aquático1- Natureza: Krūra (cruel) e saumya (gentil)
Os krūra-rāśis (signos de natureza cruel) são: Carneiro, Leão, Escorpião, Capricórnio e Aquário.
Os saumya-rāśis (signos de natureza gentil) são: Touro, Gêmeos, Caranguejo, Virgem, Balança, Sagitário e Peixes.2- Qualidade: Móvel, fixo ou dual
Cardinais ou Móveis: Carneiro, Caranguejo, Balança e Capricórnio
Fixos: Touro, Leão, Escorpião e Aquário
Duais ou mutáveis: Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes3- Tattva: Agni (fogo), pṛthvī (terra), vāyu (ar) e jala (água)
Elemento fogo: Carneiro, Leão e Sagitário
Elemento terra: Touro, Virgem e Capricórnio
Elemento ar: Gêmeos, Balança e Aquário
Elemento água: Caranguejo, Escorpião e Peixes4- Guṇa: Sattva, rajas e tamas
Rajas: Carneiro, Touro, Gêmeos e Balança
Sattva: Caranguejo, Leão, Sagitário e Peixes
Tamas: Virgem, Escorpião, Capricórnio e Aquário5- Varṇa: Brāhmaṇas (sacerdotes), Kṣatriyās (militares e governantes), Vaiśyas (comerciantes) e Śūdras (trabalhadores de quarta classe)
Kṣatriyās: Carneiro, Leão e Sagitário
Śūdras: Touro, Virgem e Capricórnio
Vaiśyas: Gêmeos, Balança e Aquário
Brāhmaṇas: Caranguejo, Escorpião e Peixes6- Puruṣārtha: Artha, kāma dharma, mokṣa
Artha: Touro, Virgem e Capricórnio
Kāma: Gémeos, Balança e Aquário
Dharma: Carneiro, Leão e Sagitário
Mokṣa: Caranguejo, Escorpião e PeixesOs rāśis e as partes do corpo
Kālapuruṣa representa a personificação do tempo, ŚrīViṣṇu manifesta a Sua forma através dos doze rāśis, na qual cada signo corresponde regiões específicas do corpo.
Carneiro: Cabeça, cérebro, nervos
Touro: Face/pescoço/garganta
Gêmeos: Ombro, braços, mãos, parte superior do tórax, pescoço, boca e ouvidos
Caranguejo: Peito, coração, pulmões
Leão: Estômago, coração, fígado, vesícula biliar, baço, intestino delgado
Virgem: Intestino grosso e parte abdominal inferior
Balança: Região pélvica, órgãos reprodutores, rins, bexiga
Escorpião: Partes íntimas e órgãos excretores
Sagitário: Coxas, região lombar
Capricórnio: Joelhos
Aquário: Tornozelos e calcanhares
Peixes: Pés
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ज्योतिष – JYOTIṢA -III
III – O mapa natal (Jātaka)
A posição dos corpos celestes num determinado momento e local é simbolicamente representada num mapa, denominado horóscopo ou mapa natal, quer estejamos perante o nascimento de um indivíduo ou perante um determinado evento.Apenas quando está perante dados muito precisos em termos temporais e espaciais, o astrólogo possui condições para efetuar interpretações e previsões corretas e fiáveis.A representação gráfica do mapa natal na astrologia védica (imagem A) difere graficamente do que é utlizado na astrologia ocidental (imagem B).
Imagem A
Imagem B

Dentro da representação gráfica dos mapas védicos, os astrólogos do norte da Índia utilizam o estilo de losango (Imagem A, lado esquerdo) enquanto que os astrólogos do sul da Índia utilizam o estilo em formato de quadrado (imagem A, lado direito).Em todos os mapas a divisão é feita em 12 partes ou casas (bhavas) representando 12 áreas da vida de um ser humano, sendo que cada casa corresponderá, na maior parte das abordagens dos astrólogos, a um signo inteiro: 12 casas, 12 signos.No mapa do norte da Índia, o mapa é lido no sentido anti-horário. Todos os ângulos de cada casa apontam para o centro e são bem visíveis. Neste estilo, as casas (de 1 a 12) são fixas nesta posição e os signos vão “rodando” de acordo com o signo do ascendente (acerca do qual falaremos mais tarde), um dos pontos mais importantes do mapa (a posição da lua é igualmente muito importante na astrologia védica, sendo muitas vezes utilizada esta posição também como ponto ascendente).
No mapa do sul da Índia, o mapa é lido no sentido horário. Aqui cada signo é uma “caixa”. Os signos estão fixos e são as casas astrológicas que “rodam”, com os signos na mesma posição fixa. Muitas vezes o signo ascendente é marcado com uma linha diagonal.Ao contrário do que acontece na representação utilizada no ocidente, estes mapas védicos contêm muito pouca informação no interior dos mesmos. São utilizadas tabelas anexas com toda a informação.
O mapa é o palco onde todos os karmas se expressam e revelam. Campo material, mental, emocional, espiritual, tudo se manifesta e interage neste grande jogo que é a vida. Através dos corpos celestes, das suas posições no mapa e das relações que estabelecem entre si, o jīva (indivíduo) obtém a oportunidade de se conhecer melhor, compreender os seus múltiplos papéis nesta sua manifestação física, compreender e aceitar os seus karmas e com base numa maturidade emocional e vivência espiritual, transcender o ahaṃkāra (ego, senso de individualidade) e integrar a visão da realidade única, ilimitada e plena da consciência divina universal.
Maria João Coelho
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ज्योतिष – JYOTIṢA -Parte II
Antes de prosseguimos pelos caminhos luminosos do jyotiṣa, convém começar por entender as diferenças existentes entre o zodíaco sideral, no qual o jyotiṣa se baseia, e o zodíaco tropical, base da astrologia ocidental.Começo por enfatizar que ambos os sistemas funcionam muitíssimo bem, de acordo com pressupostos distintos.A grande diferença entre as duas astrologias consiste na utilização de diferentes sistemas zodiacais.
O sistema védico, ou “astrologia sideral” é uma representação astronómica da posição do Sol em relação ao Céu, enquanto a astrologia ocidental, ou “astrologia tropical” enfatiza a relação do Sol com a Terra.Na astrologia sideral, os planetas e os seus movimentos são estudados e examinados tendo por base a posição das estrelas fixas e, por esse motivo, favorece a posição astral.A astrologia tropical beneficia o ponto de vista da Terra, estudando e avaliando os planetas e seus movimentos em referência aos equinócios.Assim, presume-se que o Sol esteja a zero graus do signo de Carneiro no Equinócio da Primavera. Desta forma, todos os outros planetas são ajustados para uma posição teórica com base nas estações observáveis e não representam a posição real dos planetas no céu em relação às estrelas.
Há cerca de 2000 anos, as duas astrologias coincidiam e o signo de Carneiro começava quando o Sol efetivamente entrava em Carneiro, ou seja, quando os signos tropicais e as constelações estavam na mesma posição.Devido ao fenómeno da “Precessão dos Equinócios”, que era conhecido na era védica, os signos tropicais sofreram um afastamento das constelações, o que se traduz hoje numa diferença de cerca de 24º (vinte e quatro graus) relativamente ao início do ano astrológico, entre um e outro sistema.
No Equinócio Vernal (Primavera), o Sol visto da Terra não está no mesmo ponto contra o fundo das estrelas fixas em relação ao ponto onde se situava na mesma época um ano atrás. Ele chega ao ponto do equinócio vernal uma fração mais cedo, tornando o ano sazonal cerca de 20 minutos mais curto do que o ano sideral.Isso ocorre porque a Terra balança como um topo conforme gira em torno do Sol devido à sua leve inclinação. O eixo polar não aponta para a mesma estrela ao longo de uma órbita ao redor do Sol, ele desloca-se ligeiramente para trás. Como a direção da oscilação em torno do eixo da Terra está em oposição ao Sol, parece que o ponto vernal está se movendo para trás através dos 12 signos (traçando um cone imaginário). Isso é chamado de Precessão do Equinócio e o processo é tão lento, que o movimento é de cerca de um grau por 72 anos ou leva quase 2.160 anos para regredir através de um signo inteiro e 25.920 anos para traçar uma forma semelhante a um cone (ver figura abaixo).Devido a este fenómeno, hoje, o 1º grau de Carneiro na astrologia ocidental corresponde aproximadamente a 7º do signo de Peixes na astrologia védica.
Maria João Coelho
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ज्योतिष – Jyotisha – Parte 1
I – Origem e Fundamentos
A palavra jyotisha vem da palavra jyoti que significa luz, ou corpo celeste. Desta forma o jyotisha é definido como o estudo das luzes, ou seja, o estudo dos ciclos dos corpos celestes e os seus efeitos na vida de todos os seres.Em termos simbólicos, a luz é vista como o princípio divino da vida, pois onde não existe luz não existe vida. Tal como a luz dissipa a escuridão, a luz do conhecimento dissipa a ignorância.Estima-se que o jyotisha se tenha começado a desenvolver por volta do terceiro milénio antes de Cristo, no vale do Indo, com base em certas passagens contidas do ṛgveda. Na medida em que este conhecimento surge nos Vedas, é também denominado de astrologia védica. Porém, o primeiro texto que fala diretamente sobre o assunto é o Vedāṇgajyotisha, do sábio Laghada, que data de aproximadamente 1900 a.C. Nesse texto podemos ver que o conhecimento astrológico e astronómico da época se restringia ao cálculo de calendários e a eleição de momentos auspiciosos para a realização de certas atividades religiosas. Inclusive, signos, planetas e casas não eram ainda considerados nesse período, mas apenas os nakṣatras e os luminares – Sūrya e Chandra.
Um dos fundamentos principais do jyotisha está presente na afirmação “o que há no macrocosmo está também presente no microcosmo”. O céu que vemos acima de nós, com suas estrelas e grahas (planetas) errantes, refletem o nosso próprio espaço interior, com todos os seus elementos em movimento contínuo. Por outras palavras, todos os movimentos do macrocosmo, pela lei da sincronicidade, refletem os movimentos do microcosmo. Por isso é possível, pelo estudo dos ciclos dos grahas, compreendermos os nossos próprios ciclos pessoais. Assim, é possível entender que existe uma analogia entre os movimentos do céu e os eventos na Terra.
O jyotisha baseia-se também na lei do karma. Tudo no universo está sob o controle do karma e é por meio dos três corpos, o grosso (sthula–śarīra), o subtil (sukṣma–śarīra) e o causal (karaṇa–śarīra), que o karma aprisiona os seres às suas leis desde um tempo sem princípio, condicionando o jīva (indivíduo) aos três guṇas, o que o leva consequentemente ao enredamento no ciclo de repetidos nascimentos e mortes (saṁsāra).Com base em dados e cálculos astronómicos, é possível analisar, medir e concluir acerca dos eventos e respetivos efeitos na vida passada, presente e futura de um indivíduo.O karma que estudamos num mapa astrológico é o prārabdhakarma, ou seja, aquela porção que amadureceu, o karma que nos fez reencarnar e que determina o nosso destino atual. O prārabdha nada mais é do que o somatório de frutos do karma passado a serem experienciados nesta vida, por meio dos sentidos que se agruparam num novo corpo. O astrólogo, estuda, principalmente este tipo de karma.
“Quando uma pessoa, através do seu corpo atual, termina de experimentar os frutos de suas ações em vidas passadas – prārabdha-karma –, a sua morte é certa. Após a morte, ela inevitavelmente nascerá novamente para poder experimentar os resultados das ações de sua vida anterior. Ninguém pode escapar do inevitável ciclo de nascimento e morte.”
Śrīla Viśvanātha Chakravarti Ṭhākura (Séc.XVII)Na medida em que o jyotisha se baseia na compreensão das causas do sofrimento, na tomada de consciência acerca do karma e na aceitação do destino, funciona também como um sistema holístico de cura. Esta visão espiritual da vida é fundamental no jyotisha e está bem presente nos textos clássicos, tais como Bṛhat Jātaka, Sārāvalī, Phaladīpikā e Jātaka Pārījāta, que são descritos pelos paṇḍitas do jyotiṣha como os quatro textos mais importantes. O livro Brihat Parashara Hora Shastra é também um livro fundamental do jyotisha.
Dentro do jyotisha, podemos encontrar três secções distintas ou skandhas: siddhānta, horā e saṁhitā.Horā é a seção genetlíaca ou natal da astrologia a qual Maitreya, discípulo de Parāśara, se refere como sendo superior. Consiste na interpretação dos dados objetivos, a compreensão daquilo que os grahas (planetas), bhāvas (casas), rāśis (signos), nakṣatras (asterismos), etc., representam. Horā divide-se em vários membros como horóscopo (jātaka), horária (praśna), eletiva (muhūrta) e uma parte do estudo de sinais (nimitta).Jātaka, a astrologia natal, é a aquela que mais me fascina e com a qual trabalho no meu dia-a-dia. Falarei mais em pormenor em textos posteriores.Maria João Coelho
Bibliografia:http://hora-sastra.blogspot.com/“Light on Life”, Hart de Fouw & Robert Svoboda”The Essentials of Vedic Astrology”, Komilla Sutton