• ज्योतिष – JYOTIṢA –  Rahu

     Rahu

    Rahu e Ketu (irá ser abordado no próximo mês), são os chamados chāyā grahas, ou planetas sombra/invisíveis, pois não possuem corpo físico. Correspondem aos pontos astronómicos no céu chamados de nodo norte da Lua ou cabeça do dragão (Rahu) e nodo sul da Lua ou cauda do dragão (Ketu). Fazem parte do eixo kármico das nossas vidas – uma espécie de ligação invisível entre vidas passadas e os nossos dilemas psicológicos desta vida atual. Estes pontos, os nodos lunares, são os lugares de interseção entre a órbita da Lua e a órbita aparente do Sol – o caminho simbólico traçado pelo astro rei no decorrer do ano, tendo como ponto de referência a observação aqui da Terra.  Nos dois pontos em que as trajetórias lunar e solar se cruzam, são delimitados o Nodo Norte (Rahu) e o Nodo Sul (Ketu). Nestes pontos acontecem os chamados eclipses solar ou lunar. O eclipse Solar ocorre durante a Lua Nova, quando o Sol está em exato alinhamento com a Terra e a Lua está mais ou menos 18° distante dos Nodos; o eclipse Lunar acontece quando a Terra está em exato alinhamento entre a Lua Cheia e o Sol, e a Lua está mais ou menos 11° distante da posição nodal.

    Os Nodos são exatamente contrários, diametralmente opostos. Se o Nodo Norte está em Áries (Carneiro), por exemplo, o Nodo Sul estará em Libra (Balança), que é o signo oposto.

    São considerados inimigos do Sol e da Lua, pois no momento dos eclipses, eles escurecem o céu, tirando todo e qualquer brilho, luz e força a estes. Estes momentos de eclipse (grahaṇa), são bastante poderosos e transformadores, normalmente relacionados com mudanças, inícios e finais.

    Existe uma história da mitologia védica que está associada ao surgimento de Rahu e Ketu:

    “O Simbolismo do Oceano de Leite e o Néctar da Imortalidade”

    “Para descobrir o néctar da imortalidade, devas e asuras resolveram se juntar para bater o Oceano de leite. Pegaram uma montanha e colocaram no meio do oceano. Amarraram uma cobra no meio e cada um deles puxou de um lado fazendo a cobra como corda para que, assim, a montanha batesse o oceano de leite.  Começaram a bater e coisas lindas e maravilhosas surgiram desse oceano de leite. As coisas que foram surgindo e foram sendo divididas entre eles. Porém, antes de surgirem essas coisas lindas, surgiu um veneno. O veneno (halahalā) começou a se espalhar pela superfície do oceano e a matar todos os seres do oceano. Devas e asuras assustados, chamaram Shiva para resolver a situação. Ele resolveu tomar o veneno inteiro. Após ele tomar, Uma, apertou o seu pescoço que começou a ficar a azul (nīlakaṇṭha). Então eles continuaram a bater e bater.

    Finalmente conseguiram o Amrita, o néctar da imortalidade. Assim que apareceu esse Amrita, os asuras o roubaram e fugiram com o veneno. Os Devas então chamaram Vishnu para restaurar a harmonia. Vishnu transformou-se numa mulher linda, chamada Mohini e assim apareceu entre os asuras e todos ficaram surpresos e maravilhados e começaram a ouvi-la. Ela então sugeriu que poderia ela mesma distribuir o néctar. Atônitos com rara beleza, obviamente os asuras aceitaram a proposta e logo Mohini começou a distribuir o néctar entre todos, devas e asuras.

    O plano dele era distribuir entre os devas e quando chegasse a vez dos asuras ele diria que o acabou o néctar. Mas entre os asuras havia um espertinho que entrou na fila dos devas para receber o néctar. Então, quando a primeira gota caiu em sua boca, Vishnu se deu conta, mas a gota já havia caído. Ele jogou seu disco e cortou a cabeça do asura. Mas como o asura bebeu o néctar, ele já era imortal. Então a Cabeça foi para um lado e o corpo para o outro: estes são Rahu e Ketu. Cabeça do dragão e cauda do dragão, que estão presentes na astrologia védica.

    Detalhe, na hora que Mohini estava distribuindo o néctar, a lua e o sol estavam lá e se deram conta de que o asura não era deva e o denunciaram para Vishnu. O asura viu e ficou com raiva. E por isso eles, divididos, Rahu e Ketu, tiram o brilho do sol e da lua de vez em quando, causando os eclipses.”

    Retirado de www.vidadeyoga.com.br (Tales Nunes) (Texto baseado em aulas de Marília, do Centro de Estudos Vidya Mandir www.vidyamandir.org.br)

    Nos textos clássicos, Rahu é descrito da seguinte forma: “Rahu tem um corpo azulado como a fumaça, vive em florestas e é horrível. O seu temperamento é vāta e é inteligente. É de casta inferior, sofre de doenças de pele, é irreligioso e sofre com soluços.”

    Rahu é a cabeça da serpente e está ligado ao nosso karma material, pelo que Rahu representa o desejo pela matéria. Pelo facto de não ter um corpo físico, este desejo manifesta-se mais ao nível do subconsciente. Rahu representa as nossas obsessões e apegos e leva-nos ao limite, para que possamos transcender a matéria e libertar-nos da ilusão. Mas até isso acontecer, as lições que Rahu traz consigo, são habitualmente acompanhadas de grandes sofrimentos.

    Outros nomes para Rahu são: Tamas, Asura, Sarpa, Agu, Svarbhānu, Vidhuntuda, Bhujaṅga.

    Associa-se Rahu especialmente a Durgā, mas associa-se a espíritos e demónios quando posicionado em krūra rāśi. 

    Outras caraterísticas de Rahu

    É do género masculino, de natureza vāta, krūra(cruel) e tamas (inércia, escuridão). Está associado ao elemento ar (vāyu) e pertence àvarṇa dos mlecchas e chandalas (párias e comedores de cães). Está associado à cor esfumaçada e à direção sudoeste.

    Não rege nenhum rāśi (signo) e não se exalta nem se debilita em nenhum rāśi (embora existam correntes astrológicas que consideram que sim, eu sigo opiniões de astrólogos, com as quais concordo, que não consideram). É significador do bhāva 8, pois é significador de temas como doenças crónicas e incuráveis, escândalos, heterodoxia.

    O seu movimento é bastante lento e retrógrado, transitando cerca de um rāśi (signo) a cada ano e meio.

     As melhores posições por casa (bhāvas) num mapa para Rahu são os bhāvas 3, 6, 10 e 11.

    O bhāva no nosso mapa onde está posicionado, é o local/área da nossa vida onde temos a maior tendência para gerar apegos e desejos e onde manifestamos a nossa singularidade e /ou excentricidade.

    Alguns dos seus principais significados são pessoas estrangeiras, loucura, desilusões, deceções, roubos, serpentes e outros répteis, sonhos, heterodoxia, ladrões e espiões, pecado, hipocrisia, deficiências, florestas, terras distantes.

    Algumas caraterísticas positivas associadas a Rahu são: independência, audácia, coragem, pioneirismo, iniciativa, força de vontade, aventura, originalidade, curiosidade, ambição.

    Algumas caraterísticas negativas associadas a Rahu são: loucura, ganância, corrupção, obsessão, alucinação, vícios, perturbações, crueldade, confusão, escapismo, excesso, ilusão, excentricidade.

    Rahu está associado às doenças de vāta, doenças do foro psicológico, loucura, doenças incuráveis e / ou de difícil diagnóstico, lepra, problemas com espíritos e fobias, medos, envenenamentos e picadas de animais como serpentes e escorpiões.

    Hari Om

    Maria João Coelho

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    Śani (Saturno)

    Nos textos clássicos, Śani é descrito da seguinte forma:” Śani tem um corpo magro, alto, olhos cor de mel, um temperamento vāta, dentes grandes, cabelo grosso e áspero, é indolente e manco.”

    Filho de Sūrya (Sol) e de Chāyā (sombra), esposa de Sūrya, e irmão de Yama (Senhor da Morte), Śani (Saturno) é o mais temido dos grahas, na medida em que representa tudo aquilo que o ser humano tende a evitar na vida, como responsabilidade, lentidão, desapego, maturidade, disciplina, paciência, miséria, tristeza, sofrimento, isolamento, morte.

    É o Senhor do tempo (Kāla), aquele que se move lentamente (Śanaiścara) e cujos resultados do karma demoram a frutificar, na medida em que o seu trânsito em cada rāśi (signo)dura cerca de 2,5 anos, ou seja, uma volta completa ao zodíaco demora cerca de 29, 5 anos.

    Por ser o graha mais distante de Sūrya (Sol), Śani é associado à escuridão, ao contrário deSūrya que representa a luz, a consciência. No entanto, esta escuridão é a própria ignorância do ser humano relativamente, não só à forma de viver neste mundo terreno, mas também ao conhecimento da sua própria natureza.  A humildade e as adversidades trazidas por Śani à nossa vida, permitem-nos fazer uma viagem de introspeção bem profunda e, através da aceitação, força de vontade e de um esforço bem direcionado, destruir falsas ideias e conduzir-nos em direção a um bem maior, a uma superação das nossas batalhas internas e externas.

    Os rāśis (signos) ebhāvas (casas) regidos e /ou afetados por Śani no nosso mapa, representam áreas da vida de grande aprendizagem, muitas vezes com bastante sofrimento e dificuldade, mas com um enorme amadurecimento.

    Outros nomes para Śani são: Manda, Sūryaputra, Kṛṣṇa, Śanaiścara, Kāla, Yama, Chāyāsuta.  

    Associa-se Śani especialmente a Yama, mas também a Nārāyaṇa. 

    Outras caraterísticas de Śani

    É eunuco (sem género definido), frio e seco, de constituição vāta e de natureza krūra(cruel) e tamas (inércia, escuridão). Está associado ao elemento ar (vāyu), à cor negro e azul escuro, rege a direção oeste e o sábado e pertence àvarṇa dos śūdra (classe dos trabalhadores).

    É regente do signo Capricórnio (rāśi makara) e do signo de Aquário (rāśi kumbha).  Exalta-se no signo de Libra/Balança (rāśi tulā) e tem a sua debilitação no signo de Áries/Carneiro (rāśi meṣa).

    O seu movimento é muito lento, transitando cerca de um rāśi (signo) a cada dois anos e meio.

     As melhores posições por casa (bhāvas) num mapa para Śani são o bhāva 7 onde detém força máxima, e nos bhāvas 3, 6 e 11.

    O bhāva no nosso mapa onde está posicionado, é o local/área da nossa vida onde podemos experimentar maiores atrasos, dificuldades, inseguranças e necessidade de maior esforço.

    Os grahas amigos de Śani (Saturno) são Śukra (Vénus) e Budha (Mercúrio). Sūrya (Sol), Chandra (Lua) e Maṅgala (Marte) são inimigos e Guru (Júpiter) é neutro.

    Śani é significador de doenças e servidão (bhāva 6), longevidade, morte e doenças crónicas (bhāva 8) e de perdas, renúncia e isolamento (bhāva 12).  

    Alguns dos seus principais significados são sofrimentos, perdas, morte, longevidade, tempo, disciplina, responsabilidade, pobreza, doença, dificuldade, trabalho árduo, lentidão, desconforto, velhice, cansaço, preguiça, limitações, ignorância, solidão, agricultura, antepassados, pecados, desgraça, fundações, animais de grande porte, humilhação, coisas sujas e feias.

    Quando bem-disposto num mapa (bem configurado e bem posicionado por signo e casa), pode manifestar qualidades como determinação, responsabilidade, cautela, maturidade, disciplina, organização, concentração, capacidade de trabalho, humildade, honestidade, sinceridade, resiliência, seriedade, sabedoria.

    Por outro lado, quando mal posicionado/configurado num mapa (mal configurado e mal posicionado por signo e casa), pode revelar, entre outras, caraterísticas como preguiça, sonolência, medo, timidez, melancolia, sentido crítico, maldade, hipocrisia, frieza, rigidez, mesquinhez, perversidade, controlo e manipulação, estupidez, ignorância, infelicidade, loucura, oportunismo, negligência.

    Relativamente ao corpo, podemos associar Śani ao intestino grosso, ossos, coluna, dentes, joelhos, pés, pernas, ânus, sistema linfático.

    Está associado às doenças de vāta, às doenças crónicas ou incuráveis, doenças dos nervos, pés, pernas, cólon, problemas de audição, dentes e ossos, depressão, esgotamento, fraqueza e paralisia, tumores, insanidade, problemas causados por quedas e problemas com espíritos e fantasmas.

    Hari Om

    Maria João Coelho

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    Śukra (Vénus)

    Nos textos clássicos, Śukra é descrito da seguinte forma:” Śukra é alegre, de um corpo encantador, olhos belos e brilhantes, cabelo ondulado, constituição mista kapha e vāta, além de ser um poeta.”

    Śukra (Vénus), é o guru dos Asuras, em oposição a Bṛhaspati, Júpiter, guru dos Devas. Está relacionado aos desejos e prazeres de todo tipo, em especial às artes e à sexualidade e fertilidade. Estando ligado ao sémen e ao ato gerador e criativo, Śukra é Śakti, tem a capacidade de geral algo novo. Śukra é pura arte e amor!

    Após os luminares, Śukra é o graha mais brilhante do céu, aquele com capacidade e força que nos impele à ação, a qual faz movimentar a nossa vida. É um grande benéfico, tal como Guru, e possui uma forte influência na nossa vida. Śukra representa a força e o entusiasmo de viver.

    Outros nomes para Śukra são: Bhārgava, Bhrigusutha, Sītā, Kāvya, Bhṛgu.

    Associa-se Śukra especialmente a MahāLakṣmī e outras deidades femininas.

    Outras caraterísticas de Śukra 

    É do género feminino e de constituição mista, kapha e vāta e de natureza saumya (gentil) e rajas (ação). Está associado ao elemento água (jāla), à cor branco, rege a direção sudeste e a sexta feira e pertence àvarṇa dos Brāhmaṇas (classe intelectual e dos sacerdotes), tal como Guru.

    É regente do signo Touro (rāśi vṛṣabha) e do signo de balança ou libra (rāśi tulā).  Exalta-se no signo de peixes (rāśi mīna) e tem a sua debilitação no signo de virgem (rāśi kanyā).

    O seu movimento é rápido, transitando cerca de um rāśi (signo) por mês.

     As melhores posições por casa (bhāvas) num mapa para Śukra são o bhāva 4 onde detém força máxima, e em todos os outros bhāvas, exceto os bhāvas 6, 8 e 12.

    O bhāva no nosso mapa onde está posicionado Śukra, é o local/área da nossa onde expressamos mais a nossa criatividade, beleza, talentos artísticos, os nossos gostos, paixões, romantismo e sexualidade.

    Os grahas amigos de Śukra (Vénus) são Budha (Mercúrio) e Śani (Saturno). Sūrya (Sol) e Chandra (Lua) são inimigos e Maṅgala (Marte) e Guru (Júpiter) são neutros.

    Śukra é significador de ornamentos (bhāva 2), de habilidades artísticas (bhāva 3) de conforto, luxo e veículos (bhāva 4), de paixões (bhāva 5) e de casamento e sexualidade (bhāva 7).

    Alguns dos seus principais significados são relacionamentos, amor, sexualidade, confortos, veículos, riqueza, beleza, prazeres, pedras preciosas, joias, criatividade, artes, música, instrumentos musicais, dança, poesia, harmonia, diplomacia, recetividade, feminilidade, festas, casamento, recetividade, amabilidade, virilidade, paixões, cultura, habilidades, fama, prosperidade, felicidade conjugal.

    Quando bem-disposto num mapa (bem configurado e bem posicionado por signo e casa), pode manifestar qualidades como felicidade conjugal, sensualidade, conforto, equilíbrio, gentileza, harmonia, afeto, gratidão, compaixão, diplomacia, elegância, alegria, bom-humor, sensibilidade, sociabilidade, sentido estético, cultura, refinamento.

    Por outro lado, quando mal posicionado/configurado num mapa (mal configurado e mal posicionado por signo e casa), pode revelar, entre outras, caraterísticas como vaidade, preguiça, futilidade, comportamento lascivo, ignorância, ciúmes, orgulho, vícios, vulgaridade.

    Relativamente ao corpo, podemos associar Śukra à garganta, rins, veias, ovários, útero, sémen, sistema endócrino e sistema urinário.

    Está associado às doenças de kapha e vāta tais como excessos, fraqueza física, doenças do sistema urinário e do sistema reprodutor, infertilidade, impotência, doenças dos rins, tiroide, diabetes e doenças do pâncreas.

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    Guru (Júpiter)

    Nos textos clássicos, Guru é descrito da seguinte forma:” Guru é corpulento, tem olhos e cabelo cor de mel, é kapha, inteligente e versado em todos os Śāstras.”
    Bṛhaspati ou Guru é considerado o grande benéfico, de natureza bondosa e compassiva, sinónimo de tolerância e sabedoria. Preside os seres humanos e relaciona-se com tudo o que é digno e sublime. Guru abençoa e tem a capacidade de mitigar grandes males. É o mais sábio de todos os grahas. É o mestre dos devas, o Guru, aquele que remove a escuridão com a luz do conhecimento divino. É o conselheiro, aquele que detém o mais nobre conhecimento e que confere uma visão otimista e espiritual da vida. É através de Guru que temos acesso ao conhecimento mais elevado, o conhecimento do “Eu” e a oportunidade de nele mergulhar profundamente.
    Outros nomes para Guru são: Bṛhaspati, Angirasa, Vachaspati, Śūri, Vāgīśā.
    Associa-se Guru a Indra, Vāmana, MahāViṣṇu e Sadāśiva.

    Outras caraterísticas de Guru
    É do género masculino e de constituição kapha e de natureza saumya (gentil) e sattva (pura e bondosa). Está associado ao elemento éter (ākāśa), à cor amarelo, rege a direção nordeste e a quinta feira e pertence à varṇa dos Brāhmaṇas (classe intelectual e dos sacerdotes).
    É regente do signo Sagitário (rāśi dhanu) e do signo de peixes (rāśi mīna). Exalta-se no signo de câncer (rāśi karka) e tem a sua debilitação no signo de capricórnio (rāśi makara).
    O seu movimento é lento, sendo o seu ciclo de cerca de 12 anos (uma volta completa ao zodíaco) transitando um rāśi (signo) em cada ano.
    As melhores posições por casa (bhāvas) num mapa para Guru são o bhāva 1, onde detém força máxima, e em todos os outros bhāvas, exceto os bhāvas 3, 6, 8 e 12.
    Ainda assim, em casa menos favoráveis, dada a sua natureza, Guru tem a capacidade de beneficiar tudo aquilo em que toca ou que influencia.
    O bhāva no nosso mapa onde está posicionado Guru, é o local/área da nossa vida com maior oportunidade de expansão, de conhecimento, de sabedoria e prosperidade.
    Os grahas amigos de Guru (Júpiter) são Sūrya (Sol), Chandra (Lua) e Maṅgala (Marte). Os inimigos são Budha (Mercúrio) e Śukra (Vénus) e Śani (Saturno) é neutro.
    Guru é significador de riqueza (bhāva 2), de felicidade (bhāva 4), de filhos, estudos e práticas espirituais (bhāva 5), de boa fortuna, leis, professores, dharma, filosofias, educação superior e viagens (bhāva 9) e de ganhos e irmãos mais velhos (bhāva 11).
    Alguns dos seus principais significados são: justiça, conhecimento, expansão, riqueza, sabedoria, otimismo, confiança, caridade, educação, religião, filosofia, espiritualidade, fé, graça divina, professores, conselheiros, boas ações, humildade, tolerância, devoção, nobreza, altruísmo, eloquência, filhos e netos, avós, dharma, educação superior, compaixão, ideais.
    Quando bem-disposto num mapa (bem configurado e bem posicionado por signo e casa), pode manifestar qualidades como generosidade, compaixão, sabedoria, eloquência, conhecimento, educação, respeito, devoção, confiança, equilíbrio, otimismo, erudição, idealismo, lealdade, ética, nobreza, pureza, bondade, caridade, justiça, jovialidade, responsabilidade.
    Por outro lado, quando mal posicionado/configurado num mapa (mal configurado e mal posicionado por signo e casa), pode revelar, entre outras, caraterísticas como exagero, irrealismo, preguiça, imoralidade, preconceito, mentira, deslealdade, hipocrisia, intolerância, arrogância, fundamentalismo, extravagância, imprudência e falta de fé.
    Relativamente ao corpo, podemos associar Guru ao crescimento, ao fígado, coxas, glândula pituitária, baço, vesícula, abdómen, pâncreas, circulação sanguínea, garganta e ouvidos.
    Está associado às doenças de kapha, tais como doenças do fígado e vesícula, baço, pâncreas, gorduras, fadiga, sistema imunitário deficiente, diabetes, excessos, preguiça e tumores.

    Hari Om
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    Imagem – Fonte: https://mahabharata.fandom.com/wiki/Brihaspati

  • ज्योतिष – JYOTIṢA

    Nos textos clássicos, Maṅgala é descrito da seguinte forma:” Maṅgala é cruel, tem olhos vermelhos como o sangue, é inquieto, liberal, de constituição pitta, dotado de uma cintura fina e de um corpo magro”.

    Filho da Terra, de natureza maléfica, Maṅgala é a deidade que preside a guerra e a disputa. Relaciona-se com a ambição e o desejo. É ele quem comanda os sentidos e o instinto animal do homem. Diferente do fogo de Sūrya, o fogo de Maṅgala destrói. Num mapa, Maṅgala “queima” e danifica os grahas a ele relacionados, devido à sua energia da juventude, mais impulsiva, apaixonada e violenta.

    Outros nomes para Maṅgala são: Angāraka, Raktavarna, Kuja, Bhauma, Lohitānga, Kartika.

    Associa-se Maṅgala a deidades como Skanda ou Rudra (em signos masculinos), Narasiṁha (quando exaltado) ou Bhadrakālī e Cāmuṇḍā (em signos femininos).

    Caraterísticas de Maṅgala

    É do género masculino e de natureza krūra (cruel), ligado ao elemento fogo (pitta), associado à cor vermelho-sangue, rege a direção sul e a terça feira. Pertence àvarṇa dos kṣatriyas (guerreiros – classe militar).

    É regente do signo áries/carneiro (rāśi meṣa) e do signo de escorpião (rāśi vṛścika).  Exalta-se no signo de capricórnio (rāśi makara) e tem a sua debilitação no signo de câncer/caranguejo (rāśi karka).

     As melhores posições por casa (bhāvas) num mapa para Maṅgala são o bhāva 10 (onde detém máxima força) e os bhāvas 3, 6 e 11.

    Os grahas amigos de Maṅgala (Marte) são Sūrya (Sol), Chandra (Lua) e Guru (Júpiter). Śani (Saturno) e Śukra (Vénus) são neutros e Buddha (Mercúrio) é inimigo.

    Maṅgala, no bhāva 3 é significador de irmãos, armas e coragem, no bhāva 4 de terras e propriedades e no bhāva 6 é significador de inimigos, acidentes e cirurgias.

    O bhāva no nosso mapa onde está posicionado Maṅgala, é o local/área da nossa vida onde colocamos a nossa energia, força, a nossa resiliência e coragem.

    Alguns dos seus principais significados são: força, coragem, poder, energia, paixão, atividade física, irmãos, homens jovens, amantes, esposo, armas, fogo, guerreiros, competições, acidentes, propriedades, lógica, objetividade, liderança, rapidez, sexo, inimigos, litígios, conflitos, coisas quentes, objetos afiados e que cortam, máquinas, crimes, ladrões, luxúria.

    Quando bem-disposto num mapa (bem configurado e bem posicionado por signo e casa), pode manifestar qualidades como coragem, força de vontade, energia, determinação, ambição, foco, dinamismo, lógica, independência, força, destreza, concentração, ousadia, cooperação, entre outros.

    Por outro lado, quando mal posicionado/configurado num mapa (mal configurado e mal posicionado por signo e casa), pode revelar, entre outras, caraterísticas como fúria, impulsividade, acidentes, traição, egoísmo, intensidade, hostilidade, impaciência, inflexibilidade, vícios, inveja, violência, imoralidade, mentira, insensibilidade, secura, má conduta.

    Relativamente ao corpo, podemos associar Maṅgala ao sangue, vesícula, medula óssea, músculos, órgãos reprodutores, bexiga, sentido do olfato e paladar e cabeça.

    Está associado às doenças ligadas ao calor, como as febres, às erupções cutâneas, doenças do fígado, úlceras e a todo o tipo de queimaduras, cortes e cirurgias.

    Hari Om


    Maria João Coelho

    Foto: https://www.pillaicenter.com

  • ज्योतिष – JYOTIṢA – 7

    Sūrya (Sol)

    Sūrya (Sol) é vital para a nossa existência. Sem a sua energia, o seu calor, não seria possível vivermos esta realidade física. Sendo o centro do nosso sistema solar, é a força e a energia da vida (prana). É o rei de todos os grahas, pois é ele quem sustenta todo o sistema, a vida. Como deidade, é adorado por muitos, pois é considerado o Ātman, a alma. Sūrya rege a vida e a consciência e é a luz que permite que todo o universo de manifeste. Sūrya representa a nossa força e propósito de vida. Representa igualmente a nossa personalidade, brilho, carisma e vitalidade.


    Embora de natureza sattvica, pura, ele é considerado um graha maléfico pois pelo seu excesso de calor e secura pode ser causa de dificuldades, principalmente se existir algum graha muito próximo dele. Nesse caso, dá-se um fenómeno chamado de “combustão”, quando grahas estão conjuntos a sūrya e as suas energias ficam “queimadas” com esta proximidade.


    Nos textos clássicos ele é descrito “com olhos cor de mel, um corpo quadrado, inteligente, masculino, pitta e com hábitos puros”.
    Viaja pelo céu numa carruagem de ouro puxada por sete cavalos e conduzida por Aruṇa, de cor vermelha, a personificação do alvorecer.
    Outros nomes de Sūrya são Āditya, Bhāskara, Divākara, Ravi, Ina, Aruṇa, Savitṛ, Bhānu, Prabhākara, Mitra, Arka. Está profundamente ligado a Śiva, a Agni e a Rāma.

    Caraterísticas de Sūrya


    É do género masculino e diurno, de natureza pitta (ligado ao elemento fogo – agni), associado à cor vermelha, rege a direção leste e o domingo. De natureza sattvica, mas medianamente cruel, ele é regente do signo Leão (rāśi Siṃha) e pertence à varṇa dos kṣatryas.
    Os signos (rāśis) nos quais está mais forte é em Carneiro/ Áries (Meṣa) e Leão (Siṃha). O seu signo ou rāśi de debilitação é balança/libra (Tula).
    As melhores posições por casa (bhāvas) num mapa para Sūrya são o bhāva 10 (onde detém máxima força) e os bhāvas 3, 6 e 11.
    Os grahas amigos de Sūrya são Chandra (Lua), Maṅgala (Marte) e Guru (Júpiter). Śukra (Vénus) e Śani (Saturno) são inimigos e Budha (Mercúrio) é neutro.

    Alguns dos seus principais significados são: personalidade, vitalidade, saúde, carisma, liderança, consciência, propósito de vida, singularidade, confiança, fama, vitória, luz, fogo, brilho, status, nobreza, generosidade, pai, homens em geral, líderes, administração, governo, autoridade.
    Quando bem-disposto num mapa (bem configurado e bem posicionado por signo e casa), pode manifestar qualidades como confiança, generosidade, carisma, liderança, lealdade, resistência, força de vontade, coragem, vitalidade, clareza, integridade e criatividade.


    Por outro lado, quando mal posicionado/configurado num mapa, pode revelar, entre outras, caraterísticas como arrogância, vaidade, egoísmo, excesso de ambição, crueldade, autoritarismo, controlo, manipulação, falta de confiança.
    Relativamente ao corpo, podemos associá-lo com a saúde e a vitalidade em geral, com o peito, coração, estômago, cabeça, ossos e visão. Em matéria de doenças relaciona-se principalmente com baixa vitalidade e fraca resistência física, com problemas de visão, estômago, problemas cardíacos, febres, queimaduras, dores de cabeça, perturbações da circulação, doenças cutâneas e questões ósseas.

    Hari Om
    Maria João Coelho
    Foto: https://segredosdomundo.r7.com/surya-deus/

  • ज्योतिष – JYOTIṢA – 6

     

    Grahas

    No ocidente falamos em planetas. Mas a palavra graha vai mais longe do que a simples tradução para o sânscrito da palavra planeta. Na verdade, a palavra graha inclui em si significado como “algo que segura”, “algo que prende”, “algo que aprisiona”. Isto acontece na medida em que os grahas (planetas), conforme o seu posicionamento celeste e terrestre, indicam o karma a ser experienciado pelo indivíduo nesta manifestação terrena, conforme karmas passados acumulados, conforme já tivemos oportunidade de abordar na newsletter de junho. E este fato, só por si, acaba por nos aprisionar, retirar alguma liberdade. Passado, presente, futuro, existência física, emocional, mental, tudo se move ao sabor das leis cósmicas refletidas também nestes corpos celestiais.

    Os grahas relacionam-se com cada aspeto da vida na Terra: vida vegetal, vida animal, vida humana, todo o destino individual se entrega a esta dança cósmica, representada pelos grahas, que não são mais que diferentes níveis de consciência.

    Os grahas são nove (navagrahas):  os dois maṇḍala-grahas Sūrya (Sol) e Chandra (Lua), os luminares que são aqui também considerados e que possuem discos amplos; os cinco tārā –grahas, Maṅgala (Marte), Budha (Mercúrio), Guru (Júpiter), Śukra (Vénus) e Śani (Saturno), que do ponto de vista terrestre se assemelham a estrelas errantes e dois ChāyāGrahas, os nodos lunares, Rāhu e Ketu, que são sombras da Lua, pois não possuem corpo físico.

    Sūrya e Chandra são os mais importantes, pois enquanto que Sūrya lidera e ilumina todos os outros grahas, estando associado à consciência Ātman, Chandra, reflete o brilho de Sūrya durante a noite e está associada à mente (manas). Os tārā –grahas estão associados aos cinco elementos do corpo físico e aos cinco sentidos. Os ChāyāGrahas representam inclinações da mente: Rāhu está ligado ao caminho da experiência e do prazer, enquanto que Ketu relaciona-se com a renúncia e a introspeção.

    No ocidente consideram-se também os planetas Urano, Neptuno e Plutão. Embora tradicionalmente na astrologia védica eles não sejam referidos na literatura clássica (apenas os planetas visíveis a olho nú), existem vários astrólogos védicos que os consideram nas suas análises, pois efetivamente podemos constatar uma real influência destes no mapa natal de um indivíduo.

    Cada um dos grahas vai ter a sua própria natureza, vai estar associado a determinadas caraterísticas bem específicas, vai ter a sua força, vai estar relacionado a determinados rāśis (signos) e determinados bhāvas (casas astrológicas), e vai ser significador de determinados assuntos, pessoas ou eventos.

    A foto acima, foca na personalização dos grahas, de acordo com a deidade que preside a cada um deles.

    Compreender as qualidades de cada graha, é uma maravilhosa oportunidade para entender melhor os arquétipos associados a cada um deles e meditar no seu significado mais profundo!

    Nas próximas edições iremos abordar pormenorizadamente cada um dos navagrahas.

    Hari Om

    Maria João Coelho

    Fonte foto: https://astrologiaabav.org/blog/2019/07/22/planetas/

  • ज्योतिष – JYOTIṢA – 5

    Bhāvas (Casas Astrológicas)

    A palavra “bhāva” é utilizada para designar as casas astrológicas, divisões imaginárias, divisões do céu a partir da perspetiva terrestre. Mas o seu significado vai muito além desta definição, é muito mais profundo. Na realidade a palavra “bhāva” refere-se a um sentimento, a um estado da mente, a um estado da existência. É um campo de ação onde se desenrolam várias experiências de um indivíduo, de acordo com os seus karmas. Cada bhāva vai relacionar-se com uma área específica da vida do ser humano e será o palco da experimentação dos assuntos tratados por si.
    Existem 12 bhāvas, sendo que o primeiro corresponde ao “lagna” ou ascendente. Este corresponde ao grau exato em que um “rāśi” (signo) ascende a leste. Para o seu cálculo é fundamental conhecer a hora exata de nascimento e local (coordenadas terrestres).
    Através destas doze divisões, é colocada à luz toda a vida do indivíduo e respetivos karmas, desde o nascimento até à morte.

    Tendo por base o mapa modelo do Norte da Índia, analisemos estes 12 bhāvas.

    Classificação dos bhāvas

    1- De acordo com o Puruṣārtha:

    – Dharma: bhāvas 1, 5 e 9. Estes bhāvas relacionam-se com o desenvolvimento espiritual e moral do indivíduo, com o sentido de dever, de missão de vida, filosofia de vida, a forma como se progride a nível espiritual. São consideradas as casas mais auspiciosas.

    – Artha: bhāvas 2, 6 e 10. Estes bhāvas relacionam-se com o desenvolvimento material do indivíduo, nomeadamente a prosperidade, a riqueza, o trabalho, sucesso e o reconhecimento material.

    –  Kāma: bhāvas 3, 7 e 11. Estes bhāvas relacionam-se com os desejos e a forma de os realizar, o que implica também a interação com os outros.

    Mokṣa: bhāvas 4, 8 e 12. Estes bhāvas estão relacionados com a libertação do mundo material e emocional, implicando o desapego pelo mundo.

    2 – De acordo com a sua natureza.

    – Kendras: bhāvas angulares – bhāvas 1, 4, 7 e 10. Representam as áreas mais importantes do mapa e são a força do mapa pois tratam dos temas mais relevantes da vida da pessoa: (1) a vida pessoal, (4) a vida familiar, (7) a vida conjugal e (10) a vida profissional.

    Koṇas: bhāvas 5 e 9.  São consideradas as casas mais auspiciosas do mapa, pois estão relacionadas com os méritos das vidas passadas e sua influência nesta vida. Estão ligadas à boa sorte, sabedoria, conhecimento, sucesso e virtude.

    Upachayas: bhāvas 3, 6, 10 e 11. São as chamadas casas de crescimento e ajudam a ultrapassar dificuldades que surgem ao longo da vida. Estão muito ligadas à vida material, pois tratam das lutas diárias e da sobrevivência.

    Dusthanas: bhāvas 2, 6 e 8. São as chamadas casas de sofrimento e dificuldades. Relacionam-se com experiências difíceis, mas que também contribuem para o desenvolvimento espiritual.

    Marakas: bhāvas 2 e 7. São chamadas de casas destruidoras ou assassinas pois causam morte e sofrimento, na medida em que desgastam a vida.

    12 bhāvas: Temas associados

    De forma sucinta, apresento aqui apenas alguns dos assuntos que estão ligados a cada bhāva.

    1 – Tanu Bhāva (corpo / lagna) – O nascimento, a pessoa, o seu corpo, a vitalidade, a longevidade, a aparência física, a saúde, a felicidade, a coragem, a inteligência, a disposição geral da vida, a cabeça.
    2 – Dhana Bhāva (riqueza) – Riqueza, dinheiro, meios de subsistência, nutrição, alimentos e roupas, longevidade do casamento ou cônjuge, oratória, suporte familiar, olhos, boca, garganta, face.
    3 -Bhrātṛ Bhāva (Irmãos) – Irmãos mais novos, vizinhos, coragem, iniciativa, viagens curtas, deslocações, escrita, capacidade de comunicar, vigor, ouvido direito, ombros, braços, mãos, tiroide.
    4 – Mātṛ Bhāva (Mãe) – A mãe, casas, propriedades, felicidade familiar, agricultura, ancestrais, confortos, educação, amigos, caixa torácica, pulmões, coração, peito e seios.
    5 – Putra Bhāva (Filhos) – Filhos, estudos, conhecimento, devoção, virtudes, capacidade de discernimento, intelecto e talentos, memória, felicidade emocional, amor e romance, capacidade de organização e gestão, investimentos, crianças, sabedoria, barriga, digestão, fígado, vesícula, pâncreas, baço, estômago.
    6 – Ari Bhāva (Inimigos) – Disputas, doenças, lutas, inimigos, acidentes, medo, preocupações, trabalho árduo, serviço, tios maternos, confrontos, mal-entendidos, madrastas, escravos, intestinos, costas.
    7 – Yuvati Bhāva (jovem mulher) – Casamento, relacionamentos, desejos e sexualidade, parcerias de negócio, conduta moral, prazeres, adultério, comércio, vida conjugal, órgãos sexuais, rins, região pélvica.
    8 – Randhra Bhāva (Buraco) – Longevidade, locais escuros e horríveis, agonias mentais, stress, culpa, batalhas, impureza, transformação, experiências místicas, heranças, morte, medo, perdas, desgraças, conhecimentos místicos, órgãos excretores.
    9 – Dharma Bhāva (Religião) – Pai, Gurus, devoção, espiritualidade, estrangeiro, viagens longas, estudos superiores, peregrinações, religiosidade, caráter, sorte, fortuna em geral, benevolência, filosofias, direito, méritos de vidas passadas, os mais velhos, coxas, articulações.
    10 – Karma Bhāva (Ocupação) – Ocupação profissional, honra, reconhecimento, sucesso, liderança, fama, pai, conduta, cargos importantes, carreira, vocação, status, ambição, joelhos, ossos.
    11 – Labha Bhāva (Ganhos) – Ganhos em geral, salários, lucros, prosperidade, amigos, dinâmica social, irmãos mais velhos, aspirações, esperanças e projetos, ambições, ouvido esquerdo, calcanhares.
    12 – Vyaya Bhāva (Perdas) – perdas, despesas, isolamento, renúncia, terras distantes, prisões, hospitais, centros de retiro, ascetismo, caridade, exílio, fim da vida, separações, transcendência, prazeres carnais, destino após a morte, pobreza, pecado, inconsciente, sono, sonho, pernas, pés.

    Maria João Coelho

    Foto 1: https://www.astrologiatradicional.com.br/

    Foto 2: http://astrologiaabav.org/

  • ज्योतिष – JYOTIṢA -IV

    Dvādaśa-rāśi – Os doze signos na Astrologia Védica

    A palavra rāśi designa uma das doze frações de 30º presentes ao longo dos 360º da eclíptica (cinturão dentro da esfera celeste observável), o caminho aparente do Sol. Rāśi ou signo descreve as doze frações do zodíaco, palavra originária do grego “zōdiakós kýklos” ou “círculo de animais”.


    Na Índia, apenas no séc. I a. c., o termo zodíaco encontrou significado, uma vez que a divisão do céu pelos indianos continha 27/28 partes, as nakṣatras, (acerca das quais falaremos noutra altura), baseadas no mês lunar sideral de 27,32 dias.

    Nos textos clássicos, é descrita a forma (svarupa) dos rāśis, tantos em termos da sua imagem constelacional como em relação aos seus atributos.

    Os 12 rāśis:

    Carneiro (Áries): Mesha
    Touro: Vrshabha
    Gémeos: Mithuna
    Caranguejo (Câncer): Karka
    Leão: Simha
    Virgem: Kanya
    Balança (Libra): Tula
    Escorpião: Vrishkha
    Sagitário: Dhanus
    Capricórnio: Makara
    Aquário: Kumbha
    Peixes: Mina

    Graha (planeta) que rege cada rāśi

    Chandra (Lua): Caranguejo
    Sūrya (Sol): Leão
    Budha (Mercúrio): Gémeos e Virgem
    Śukra (Vénus): Touro e Balança
    Maṅgala (Marte): Carneiro e Escorpião
    Guru (Júpiter): Sagitário e Peixes
    Śani (Saturno): Capricórnio e Aquário

    Classificação dos rāśis

    1- Género: Masculino e feminino
    Masculinos: Carneiro, Gêmeos, Leão, Balança, Sagitário e Aquário
    Femininos: Touro, Caranguejo, Virgem, Escorpião, Capricórnio e Peixes

    2- Grupo: Quadrúpedes, bípedes, centípedes e aquáticos
    Quadrúpedes: Carneiro, Touro e Leão
    Bípedes: Gêmeos, Virgem, Balança e Aquário
    Centípedes: Caranguejo e Escorpião
    Aquáticos: Peixes
    Sagitário é metade bípede e metade quadrúpede
    Capricórnio é metade quadrúpede e metade aquático

    1- Natureza: Krūra (cruel) e saumya (gentil)
    Os krūra-rāśis (signos de natureza cruel) são: Carneiro, Leão, Escorpião, Capricórnio e Aquário.
    Os saumya-rāśis (signos de natureza gentil) são: Touro, Gêmeos, Caranguejo, Virgem, Balança, Sagitário e Peixes.

    2- Qualidade: Móvel, fixo ou dual
    Cardinais ou Móveis: Carneiro, Caranguejo, Balança e Capricórnio
    Fixos: Touro, Leão, Escorpião e Aquário
    Duais ou mutáveis: Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes

    3- Tattva: Agni (fogo), pṛthvī (terra), vāyu (ar) e jala (água)
    Elemento fogo: Carneiro, Leão e Sagitário
    Elemento terra: Touro, Virgem e Capricórnio
    Elemento ar: Gêmeos, Balança e Aquário
    Elemento água: Caranguejo, Escorpião e Peixes

    4- Guṇa: Sattva, rajas e tamas
    Rajas: Carneiro, Touro, Gêmeos e Balança
    Sattva: Caranguejo, Leão, Sagitário e Peixes
    Tamas: Virgem, Escorpião, Capricórnio e Aquário

    5- Varṇa: Brāhmaṇas (sacerdotes), Kṣatriyās (militares e governantes), Vaiśyas (comerciantes) e Śūdras (trabalhadores de quarta classe)
    Kṣatriyās: Carneiro, Leão e Sagitário
    Śūdras: Touro, Virgem e Capricórnio
    Vaiśyas: Gêmeos, Balança e Aquário
    Brāhmaṇas: Caranguejo, Escorpião e Peixes

    6- Puruṣārtha: Artha, kāma dharma, mokṣa
    Artha: Touro, Virgem e Capricórnio
    Kāma: Gémeos, Balança e Aquário
    Dharma: Carneiro, Leão e Sagitário
    Mokṣa: Caranguejo, Escorpião e Peixes

    Os rāśis e as partes do corpo

    Kālapuruṣa representa a personificação do tempo, ŚrīViṣṇu manifesta a Sua forma através dos doze rāśis, na qual cada signo corresponde regiões específicas do corpo.

    Carneiro: Cabeça, cérebro, nervos
    Touro: Face/pescoço/garganta
    Gêmeos: Ombro, braços, mãos, parte superior do tórax, pescoço, boca e ouvidos
    Caranguejo: Peito, coração, pulmões
    Leão: Estômago, coração, fígado, vesícula biliar, baço, intestino delgado
    Virgem: Intestino grosso e parte abdominal inferior
    Balança: Região pélvica, órgãos reprodutores, rins, bexiga
    Escorpião: Partes íntimas e órgãos excretores
    Sagitário: Coxas, região lombar
    Capricórnio: Joelhos
    Aquário: Tornozelos e calcanhares
    Peixes: Pés

  • ज्योतिष – JYOTIṢA -III

    III – O mapa natal (Jātaka)

    A posição dos corpos celestes num determinado momento e local é simbolicamente representada num mapa, denominado horóscopo ou mapa natal, quer estejamos perante o nascimento de um indivíduo ou perante um determinado evento.Apenas quando está perante dados muito precisos em termos temporais e espaciais, o astrólogo possui condições para efetuar interpretações e previsões corretas e fiáveis.A representação gráfica do mapa natal na astrologia védica (imagem A) difere graficamente do que é utlizado na astrologia ocidental (imagem B).
    Imagem A

    Imagem B

    Dentro da representação gráfica dos mapas védicos, os astrólogos do norte da Índia utilizam o estilo de losango (Imagem A, lado esquerdo) enquanto que os astrólogos do sul da Índia utilizam o estilo em formato de quadrado (imagem A, lado direito).Em todos os mapas a divisão é feita em 12 partes ou casas (bhavas) representando 12 áreas da vida de um ser humano, sendo que cada casa corresponderá, na maior parte das abordagens dos astrólogos, a um signo inteiro: 12 casas, 12 signos.No mapa do norte da Índia, o mapa é lido no sentido anti-horário. Todos os ângulos de cada casa apontam para o centro e são bem visíveis. Neste estilo, as casas (de 1 a 12) são fixas nesta posição e os signos vão “rodando” de acordo com o signo do ascendente (acerca do qual falaremos mais tarde), um dos pontos mais importantes do mapa (a posição da lua é igualmente muito importante na astrologia védica, sendo muitas vezes utilizada esta posição também como ponto ascendente).

    No mapa do sul da Índia, o mapa é lido no sentido horário. Aqui cada signo é uma “caixa”. Os signos estão fixos e são as casas astrológicas que “rodam”, com os signos na mesma posição fixa. Muitas vezes o signo ascendente é marcado com uma linha diagonal.Ao contrário do que acontece na representação utilizada no ocidente, estes mapas védicos contêm muito pouca informação no interior dos mesmos. São utilizadas tabelas anexas com toda a informação.

    O mapa é o palco onde todos os karmas se expressam e revelam. Campo material, mental, emocional, espiritual, tudo se manifesta e interage neste grande jogo que é a vida. Através dos corpos celestes, das suas posições no mapa e das relações que estabelecem entre si, o jīva (indivíduo) obtém a oportunidade de se conhecer melhor, compreender os seus múltiplos papéis nesta sua manifestação física, compreender e aceitar os seus karmas e com base numa maturidade emocional e vivência espiritual, transcender o ahaṃkāra (ego, senso de individualidade) e integrar a visão da realidade única, ilimitada e plena da consciência divina universal.

    Maria João Coelho

  • ज्योतिष – JYOTIṢA -Parte II

    Antes de prosseguimos pelos caminhos luminosos do jyotiṣa, convém começar por entender as diferenças existentes entre o zodíaco sideral, no qual o jyotiṣa se baseia, e o zodíaco tropical, base da astrologia ocidental.Começo por enfatizar que ambos os sistemas funcionam muitíssimo bem, de acordo com pressupostos distintos.A grande diferença entre as duas astrologias consiste na utilização de diferentes sistemas zodiacais.
    O sistema védico, ou “astrologia sideral” é uma representação astronómica da posição do Sol em relação ao Céu, enquanto a astrologia ocidental, ou “astrologia tropical” enfatiza a relação do Sol com a Terra.Na astrologia sideral, os planetas e os seus movimentos são estudados e examinados tendo por base a posição das estrelas fixas e, por esse motivo, favorece a posição astral.A astrologia tropical beneficia o ponto de vista da Terra, estudando e avaliando os planetas e seus movimentos em referência aos equinócios.Assim, presume-se que o Sol esteja a zero graus do signo de Carneiro no Equinócio da Primavera. Desta forma, todos os outros planetas são ajustados para uma posição teórica com base nas estações observáveis ​​e não representam a posição real dos planetas no céu em relação às estrelas.
    Há cerca de 2000 anos, as duas astrologias coincidiam e o signo de Carneiro começava quando o Sol efetivamente entrava em Carneiro, ou seja, quando os signos tropicais e as constelações estavam na mesma posição.Devido ao fenómeno da “Precessão dos Equinócios”, que era conhecido na era védica, os signos tropicais sofreram um afastamento das constelações, o que se traduz hoje numa diferença de cerca de 24º (vinte e quatro graus) relativamente ao início do ano astrológico, entre um e outro sistema.
    No Equinócio Vernal (Primavera), o Sol visto da Terra não está no mesmo ponto contra o fundo das estrelas fixas em relação ao ponto onde se situava na mesma época um ano atrás. Ele chega ao ponto do equinócio vernal uma fração mais cedo, tornando o ano sazonal cerca de 20 minutos mais curto do que o ano sideral.Isso ocorre porque a Terra balança como um topo conforme gira em torno do Sol devido à sua leve inclinação. O eixo polar não aponta para a mesma estrela ao longo de uma órbita ao redor do Sol, ele desloca-se ligeiramente para trás. Como a direção da oscilação em torno do eixo da Terra está em oposição ao Sol, parece que o ponto vernal está se movendo para trás através dos 12 signos (traçando um cone imaginário). Isso é chamado de Precessão do Equinócio e o processo é tão lento, que o movimento é de cerca de um grau por 72 anos ou leva quase 2.160 anos para regredir através de um signo inteiro e 25.920 anos para traçar uma forma semelhante a um cone (ver figura abaixo).Devido a este fenómeno, hoje, o 1º grau de Carneiro na astrologia ocidental corresponde aproximadamente a 7º do signo de Peixes na astrologia védica.

    Maria João Coelho

  • ज्योतिष – Jyotisha – Parte 1

    I – Origem e Fundamentos
    A palavra jyotisha vem da palavra jyoti que significa luz, ou corpo celeste. Desta forma o jyotisha é definido como o estudo das luzes, ou seja, o estudo dos ciclos dos corpos celestes e os seus efeitos na vida de todos os seres.Em termos simbólicos, a luz é vista como o princípio divino da vida, pois onde não existe luz não existe vida. Tal como a luz dissipa a escuridão, a luz do conhecimento dissipa a ignorância.Estima-se que o jyotisha se tenha começado a desenvolver por volta do terceiro milénio antes de Cristo, no vale do Indo, com base em certas passagens contidas do ṛgveda. Na medida em que este conhecimento surge nos Vedas, é também denominado de astrologia védica. Porém, o primeiro texto que fala diretamente sobre o assunto é o Vedāṇgajyotisha, do sábio Laghada, que data de aproximadamente 1900 a.C. Nesse texto podemos ver que o conhecimento astrológico e astronómico da época se restringia ao cálculo de calendários e a eleição de momentos auspiciosos para a realização de certas atividades religiosas. Inclusive, signos, planetas e casas não eram ainda considerados nesse período, mas apenas os nakṣatras e os luminares – Sūrya e Chandra.
    Um dos fundamentos principais do jyotisha está presente na afirmação “o que há no macrocosmo está também presente no microcosmo”. O céu que vemos acima de nós, com suas estrelas e grahas (planetas) errantes, refletem o nosso próprio espaço interior, com todos os seus elementos em movimento contínuo. Por outras palavras, todos os movimentos do macrocosmo, pela lei da sincronicidade, refletem os movimentos do microcosmo. Por isso é possível, pelo estudo dos ciclos dos grahas, compreendermos os nossos próprios ciclos pessoais. Assim, é possível entender que existe uma analogia entre os movimentos do céu e os eventos na Terra.
    O jyotisha baseia-se também na lei do karma. Tudo no universo está sob o controle do karma e é por meio dos três corpos, o grosso (sthulaśarīra), o subtil (sukṣmaśarīra) e o causal (karaṇaśarīra), que o karma aprisiona os seres às suas leis desde um tempo sem princípio, condicionando o jīva (indivíduo) aos três guṇas, o que o leva consequentemente ao enredamento no ciclo de repetidos nascimentos e mortes (saṁsāra).Com base em dados e cálculos astronómicos, é possível analisar, medir e concluir acerca dos eventos e respetivos efeitos na vida passada, presente e futura de um indivíduo.O karma que estudamos num mapa astrológico é o prārabdhakarma, ou seja, aquela porção que amadureceu, o karma que nos fez reencarnar e que determina o nosso destino atual. O prārabdha nada mais é do que o somatório de frutos do karma passado a serem experienciados nesta vida, por meio dos sentidos que se agruparam num novo corpo. O astrólogo, estuda, principalmente este tipo de karma.
    Quando uma pessoa, através do seu corpo atual, termina de experimentar os frutos de suas ações em vidas passadas – prārabdha-karma –, a sua morte é certa. Após a morte, ela inevitavelmente nascerá novamente para poder experimentar os resultados das ações de sua vida anterior. Ninguém pode escapar do inevitável ciclo de nascimento e morte.”
    Śrīla Viśvanātha Chakravarti Ṭhākura (Séc.XVII)

    Na medida em que o jyotisha se baseia na compreensão das causas do sofrimento, na tomada de consciência acerca do karma e na aceitação do destino, funciona também como um sistema holístico de cura. Esta visão espiritual da vida é fundamental no jyotisha e está bem presente nos textos clássicos, tais como Bṛhat Jātaka, Sārāvalī, Phaladīpikā e Jātaka Pārījāta, que são descritos pelos paṇḍitas do jyotiṣha como os quatro textos mais importantes. O livro Brihat Parashara Hora Shastra é também um livro fundamental do jyotisha.
    Dentro do jyotisha, podemos encontrar três secções distintas ou skandhas: siddhānta, horā e saṁhitā.Horā é a seção genetlíaca ou natal da astrologia a qual Maitreya, discípulo de Parāśara, se refere como sendo superior. Consiste na interpretação dos dados objetivos, a compreensão daquilo que os grahas (planetas), bhāvas (casas), rāśis (signos), nakṣatras (asterismos), etc., representam. Horā divide-se em vários membros como horóscopo (jātaka), horária (praśna), eletiva (muhūrta) e uma parte do estudo de sinais (nimitta).Jātaka, a astrologia natal, é a aquela que mais me fascina e com a qual trabalho no meu dia-a-dia. Falarei mais em pormenor em textos posteriores.

    Maria João Coelho
    Bibliografia:http://hora-sastra.blogspot.com/“Light on Life”, Hart de Fouw & Robert Svoboda”The Essentials of Vedic Astrology”, Komilla Sutton