• ज्योतिष – JYOTIṢA- Principais Indicações Astrológicas – Ano 2023

    Apesar do ano astrológico apenas iniciar quando o Sol dá entrada no rāśi (signo) de Mesha (Carneiro / Áries) no mês de Abril, é comum, no ocidente, considerar o início do ano civil como um momento importante de reflexão e de previsão acerca das promessas mais importantes para o ano que se inicia.

    Desta forma, a minha proposta neste texto, é colocar as principais orientações astrológicas para este ano de 2023, para que cada um possa refletir nas mesmas, tentando integrar todas essas energias na sua vida, quer externa como interna, de forma a navegar nas ondas do samsara de forma mais segura, firme e consciente, tomando as melhores decisões a todo o momento, sempre que possível.

    O ano de 2023 é um ano com uma energia muito forte. Uma energia dinâmica, rápida e intensa que poderá levar a mudanças muito significativas. No entanto, essas mudanças não serão efetuadas de forma tranquila e lenta, mas sim de forma mais impulsiva e talvez até abrupta. É, sem dúvida, um ano de grandes oportunidades para aqueles que estão dispostos a abrir mão do controlo e fluir com a vida, numa atitude de maior flexibilidade e desapego do que já não faz mais sentido permanecer nas suas vidas.

    Um ano que nos vai levar a quebrar padrões, se queremos aproveitar as novas oportunidades que a vida tem reservada para nós.

    Um ano que nos vai trazer desafios quer a nível material como a nível espiritual. O maior deles será tentar encontrar uma ponte segura entre os dois lados, o que apenas será possível se existir uma verdadeira conexão interna e uma vontade sincera no nosso crescimento.

     Se essa vontade estiver presente, assim como a nossa entrega, fé e confiança na consciência divina, então não haverá motivos para preocupação. Tudo ocorre dentro da ordem universal!

           Śani (Saturno) em Kumbha (Aquário)

    A entrada de Śani no signo de Aquário, a 17 de janeiro, é, sem dúvida, um dos assuntos mais relevantes. 

    Śani ficará neste signo até 29 de março de 2025. Neste signo, para além de ser um dos signos regidos por Śani, é o signo onde detém mais força.

    É um signo de ar e de modalidade fixa, muito associado ao coletivo, pelo que o tema social e mudanças na sociedade em geral, estarão em destaque durante este período.

    Antes de continuar, convido todos os que não tiveram ainda oportunidade de ler a newsletter na qual falo acerca de Saturno, para o fazerem, pois entender o que Saturno representa, é fundamental para perceber tudo aquilo pelo qual ele nos poderá fazer passar ao longo deste período. Saturno não é apenas o que restringe e pune, é também aquele com maior capacidade de nos ensinar e fazer crescer. Não da forma mais leve, isso é certo, mas da forma como precisamos e, claro, sempre de acordo com os nossos karmas.

    Importante verificar, em primeiro lugar, em que casa astrológica temos o signo de aquário no nosso mapa e quais os grahas (planetas) ali presentes assim como as casas e os planetas situados nos signos de Áries (carneiro), Leão e Escorpião, pois serão ativados também pelo olhar de Śani.

    Como graha maléfico, Śani atua predominantemente de forma mais severa, podendo levar a perdas e prejuízos, desonras, infortúnios, medos e inseguranças, desentendimentos, mas, atuando de forma mais benéfica, pode levar a progresso material, vitórias, capacidade de trabalho e foco, persistência, honras.

    Tudo irá depender do mapa de cada um, dos karmas individuais espelhados nas diferentes configurações presentes no mapa natal. Desta forma, os resultados poderão variar muito consoante a pessoa em questão.

    No entanto, e de forma mais generalizada, coloco abaixo os possíveis principais resultados para este trânsito de Śani em Aquário, pelas casas, tendo em conta o lagna (ascendente):

    Lagna/Ascendente

    Mesha (Carneiro / Áries)

    Śani estará na casa 11 a partir do lagna, é o regente da casa 10 na casa 11 e aspecta (olha), com maior força, as casas 1, 5 e 8.

    O trabalho árduo poderá vir a ser recompensado, com progresso económico e material. Importante não deixar para depois o que há para fazer. Não perder tempo e trabalhar com dedicação, para colher esses frutos.

    Poderão existir algumas dificuldades para a mãe e para os amigos. É um excelente momento para refletir acerca das verdadeiras amizades.

    Vrshabha (Touro)

    Śani estará na casa 10 a partir do lagna, é o regente da casa 9 na casa 10 e aspecta (olha), com maior força, as casas 12, 4 e 7.

    Posicionamento muito favorável para progresso na carreira, honras, prosperidade. Possibilidade de mudanças a nível profissional e a nível de residência.

    É tempo para investir na profissão e ter em atenção os possíveis conflitos a nível relacional.

     Mithuna (Gémeos)

    Śani estará na casa 9 a partir do lagna, é o regente da casa 8 na casa 9 e aspecta (olha), com maior força, as casas 11, 3 e 6.

    É o final da passagem de Śani pela casa 8 nos últimos 2,5 anos o que pode ter trazido alguns infortúnios. Não ficar preso ao passado, mas, apesar disso, é importante evitar o excesso de otimismo.

    Possibilidade de viagens e deslocações, tendência para problemas de saúde, problemas com inimigos. Conselho: dedicação a causas sociais.

    Karka (Caranguejo /Câncer)

    Śani estará na casa 8 a partir do lagna, é o regente da casa 7 na casa 8 e aspecta (olha), com maior força, as casas 10, 2 e 5.

    É o início do período da passagem de Śani pela casa 8, o que pode representar um período desafiante. Perdas, doenças e sofrimentos, mudanças no trabalho, incapacidade de levar projetos para a frente, são alguns dos possíveis resultados. É muito importante fortalecer a mente e o corpo. Poderão existir ganhos materiais provenientes de heranças e recursos de outros.

    Simha (Leão)

    Śani estará na casa 7 a partir do lagna, é o regente da casa 6 na casa 7 e aspecta (olha), com maior força, as casas 9, 1 e 4.

    O tema afetivo estará em destaque. Ter em atenção os relacionamentos (afetivos e parcerias profissionais), os quais poderão passar por uma fase mais delicada. Possibilidade de problemas de saúde. Necessidade de observar os desejos com cuidado e tomar decisões acertadas e objetivas.

    Kanya (Virgem)

    Śani estará na casa 6 a partir do lagna, é o regente da casa 5 na casa 6 e aspecta (olha), com maior força, as casas 8, 12 e 3.

    Possibilidade de prosperidade, vitória sobre os inimigos e boa saúde. Importante cuidar do corpo, instaurar bons hábitos, focar em pensamentos positivos, escutar os outros e não cair em comportamentos de procrastinação.

    Tula (Balança / Libra)

    Śani estará na casa 5 a partir do lagna, é o regente da casa 4 na casa 5 e aspecta (olha), com maior força, as casas 7, 11 e 2.

    O principal foco estará no tema dos filhos (poderá haver algumas questões mais difíceis de lidar). Possibilidade de mudanças na carreira, estabilidade financeira (evitar empréstimos e dívidas). Maior interesse pelos estudos.

    Vrishkha (Escorpião)

    Śani estará na casa 4 a partir do lagna, é o regente da casa 3 na casa 4 e aspecta (olha), com maior força, as casas 6, 10 e 1.

    Aqui, o principal objetivo de Śani é fazer com que a pessoa saia da sua zona de conforto. Aprender a deixar fluir e usufruir de novas experiências. Poderão existir mudanças/problemas familiares e relacionados com habitação, imóveis. Possibilidade de deslocações e mudanças de residência.

    Dhanus (Sagitário)

    Śani estará na casa 3 a partir do lagna, é o regente da casa 2 na casa 3 e aspecta (olha), com maior força, as casas 5, 9 e 12.

    Boas perspetivas: vitórias, felicidade, honras, aquisições, coragem capacidade de iniciativa, libertação de medos. Cuidado com as promessas irrealistas.

     É o fim do Sade Sati para os que possuem a Lua (Chandra) neste signo – período difícil de 7,5 anos no qual Śani transita pelo signo da lua, pelo signo anterior (casa 12 a partir da lua) e pelo signo seguinte (casa 2 a partir da lua).

    Possíveis problemas relacionados com o pai e irmãos.

    Makara (Capricórnio)

    Śani estará na casa 2 a partir do lagna, é o regente da casa 1 na casa 2 e aspecta (olha), com maior força, as casas 4, 8 e 11.

    Última fase do Sade Sati (últimos 2,5 anos) para os que possuem a Lua (Chandra) neste signo – período difícil de 7,5 anos no qual Śani transita pelo signo da lua, pelo signo anterior (casa 12 a partir da lua) e pelo signo seguinte (casa 2 a partir da lua).

    Infortúnios, problemas com familiares e financeiros, deslocações e mudanças de residência. Necessidade de ter em atenção a forma de comunicação. Bom momento para tratar do corpo, para dietas.

    Kumbha (Aquário)

    Śani estará na casa 1 a partir do lagna, é o regente da casa 12 na casa 1 e aspecta (olha), com maior força, as casas 3, 7 e 10.

    Auge do Sade Sati (últimos 2,5 anos) para os que possuem a Lua (Chandra) neste signo – período difícil de 7,5 anos no qual Śani transita pelo signo da lua, pelo signo anterior (casa 12 a partir da lua) e pelo signo seguinte (casa 2 a partir da lua).

    Possibilidade de dificuldades nos relacionamentos, problemas de saúde (necessidade de prestar muita atenção à saúde). Probabilidade de conquistas e honras. Possibilidade de deslocações e mudança de residência. Necessidade de maior conexão interna e capacidade de desapego dos resultados.

    Mina (Peixes)

    Śani estará na casa 12 a partir do lagna, é o regente da casa 11 na casa 12 e aspecta (olha), com maior força, as casas 2, 6 e 9.

    Início do Sade Sati (últimos 2,5 anos) para os que possuem a Lua (Chandra) neste signo – período difícil de 7,5 anos no qual Śani transita pelo signo da lua, pelo signo anterior (casa 12 a partir da lua) e pelo signo seguinte (casa 2 a partir da lua).

    Possibilidade de aumento dos gastos, despesas, prejuízos, tristezas, isolamento, mudanças de residência e deslocações. Aprender a diminuir as expectativas e fluir com a vida.

    Guru (Júpiter) em Mesha (Carneiro / Áries)

    Guru entrará no signo de Mesha (Áries/Carneiro) em 21 de abril. Guru sairá de Peixes, signo que rege e ficará em Áries por cerca de um ano, disposto por Maṅgala (Marte), regente deste signo.

    Sendo Áries um signo de fogo e cardinal, ou seja, com uma energia de impulso, iniciativa e ígnea, podemos verificar que a passagem de Guru por este signo não passará despercebida.

    Os aspectos materiais da vida poderão vir a estar em destaque, trazendo conquistas e ganhos e persecução de objetivos mais práticos e lógicos. Como significador máximo do conhecimento e da espiritualidade, Guru, no signo de Áries poderá trazer muita vontade de enveredar por estudos e práticas espirituais, com grande energia, com muito fogo, mas com risco de pouco aprofundamento. A conjunção que acontecerá em abril entre Guru e Rāhu, um dos nodos lunares, contribuirá eventualmente ainda mais por uma busca repentina e obsessiva, mas com alguma falta de discernimento e ilusão.

    De qualquer forma, tudo aquilo em que Guru toca, tem tendência para expandir e ser abençoado. É esperada uma energia bastante ativa no que toca a todos os assuntos significados por Guru, assim como o que ele representa no nosso mapa natal e a casa onde está situado no nosso mapa natal.

    A casa no nosso mapa por onde transitará Guru, em Áries, terá tendência a ser expandida e beneficiada. Se durante este trânsito Guru tocar em grahas maléficos, tenderá a suavizá-los e se tocar em grahas benéficos, trará boa fortuna, mas possivelmente alguma indulgência.

    Guru aspecta com a máxima força as casas 7, 5 e 9 a partir da sua posição, logo, em Áries, poderá ter um impacto maior nas casas onde temos os signos de Libra (Balança), Leão e Sagitário.

    O impacto mais ou menos positivo dependerá muito da força do Guru no nosso mapa e das configurações restantes. Mais uma vez, aconselho a leitura da newsletter que foca o tema de Guru, para melhor entendimento.

    Eclipses 2023

    Nota: Para melhor entendimento do fenómeno dos eclipses, aconselho a leitura das newsletters referentes aos nodos lunares: Rāhu e Ketu.

    Os nodos lunares andam sempre em sentido retrógrado e demoram cerca de 19 meses em cada signo. Rāhu e Ketu, os Chāyā grahas (planetas sombra) correspondem aos pontos do eclipse.

    Desde 2022 que o eixo no qual os eclipses têm ocorrido corresponde ao eixo. Áries – Libra e assim continuará durante todo o ano de 2023.

     A nível pessoal, este eixo está relacionado a questões envolvendo o eu e o outro, o desejo de se afirmar, ter iniciativas e agir conforme a própria individualidade versus a manutenção de relações e acordos. 

    Este eixo vai continuar a despertar questões como o quanto cada um consegue manter a sua individualidade e independência (Áries) versus a sua participação em parcerias, relações e a sua habilidade de interação (Libra).

    Os eclipses ocorrerão nas seguintes datas:

    20 abril – eclipse solar (total) em Áries

    Será visível na Austrália Ocidental, Timor-Leste, Indonésia, Sudeste Asiático e Nova Zelândia.

    5 de maio – eclipse lunar (penumbral) em Libra

    Será visível na Europa, Ásia, Austrália e África.

    14 de outubro – eclipse solar (anelar) em Libra

    Será visível na América do Sul (exceto sul do Chile e da Argentina), América do Norte (exceto Groenlândia) e América Central. 

    28 de outubro – eclipse lunar (parcial) em Áries

    Será visível na Europa, Ásia e África, extremo leste da América e parte da Austrália. No Brasil, parte da Região centro-Norte poderá contemplar o fenômeno.

    Quanto mais visível o eclipse na região onde nos encontramos, maior os seus efeitos.

    Os eclipses afetarão em particular quem tiver grahas no eixo áries – libra ou quando esse eixo corresponde a áreas importantes do mapa. De qualquer forma, as casas onde ocorrem os eclipses terão os seus temas afetados por estas energias.

    Os efeitos dos eclipses podem ocorrer até cerca de seis meses após a sua ocorrência, sendo responsáveis, muitas vezes, por mudanças abruptas na vida da pessoa, correspondendo a finais ou inícios de novos ciclos. São períodos que fogem por completo ao nosso controlo e quando decisões são tomadas, mudam, por completo, a nossa vida.

    Como o eixo é o mesmo de 2022, é natural que os temas em foco permaneçam os mesmos, com variações dos seus efeitos, mais ou menos positivas. Tudo irá sempre depender das configurações gerais do mapa de cada um.

    Estes eclipses ativarão também Guru e os temas e casa a ele associados, pois durante a sua passagem pelo signo de Áries, estará sujeito a uma influência maior destes eventos.

    Períodos de Retrogradação

    Os períodos de retrogradação são períodos para fazer pausas, de reflexão, de revisitar assuntos pendentes, períodos em que os assuntos significados pelo graha retrógrado, são convidados a serem revistos e ponderados.

    São vários os grahas que ficam retrógrados todos os anos e encontram, nesse período, possibilidade de estarem em destaque nas nossas mentes, nas nossas vidas.

    Listo aqui os períodos de retrogradação dos diferentes grahas neste ano de 2023:

    Śani – 17/06/23 a 4/11/23

    Guru – 5/09/23 a 31/12/23

    Maṅgala- esteve retrógrado desde final de outubro e ficou em movimento direto a 12 de janeiro. Nâo volta a retrogradar este ano.

    Śukra – 22/07/23 a 3/09/23

    Budha – Fica hoje, 18/01/23, em movimento direto

                   21/04/23 a 14/05/23

                   23/08/23 a 15/09/23

                   13/12/23 a 31/12/23

    Ciclos lunares

    É também muito importante estar atento aos ciclos lunares, observando os diferentes momentos da lua cheia e da lua nova, movimentos naturais aos quais também nós nos devemos adaptar e fluir com os mesmos.

    Porque há momentos de expansão, de dinamismo e de trabalho, mas também são necessários os momentos de pausa, descanso e interiorização, é fundamental que entendamos que, tal como a natureza, tudo é cíclico e devemos observar, aceitar e integrar esses mesmos ciclos nas nossas vidas.

    Na próxima edição da Mukti, elaborarei e anexarei um documento com todas as lunações do ano de 2023 com os seus posicionamentos por rāśi (signo) e por nakshatra (consultar este tema na newsletter do mês de dezembro).

    Hari Om

    Maria João Coelho

    Imagem – Fonte: https://marceladiomede.es/

  • ज्योतिष – JYOTIṢA- Nākṣatra

    O nakṣatras são vinte e sete asterismos que foram descritos na antiguidade, nos Vedas, tendo por base o ciclo sideral lunar de 27,321 dias. Na mitologia, os nakṣatras são considerados as noivas de Chandra, o deva que preside a Lua e que, por ser inquieto e lascivo, cada dia deita-se com uma das suas esposas, percorrendo, desta forma, os 27 nakṣatras ao longo de um mês.  De acordo com a astrologia, o zodíaco tem 360 graus, sendo que cada um dos nakṣatras ou constelações se estende por cerca de treze graus e vinte minutos., iniciando no grau zero do signo de Áries. Estes signos lunares ou mansões lunares constituem a referência mais antiga nos textos clássicos e são de crucial importância, possuindo um sistema de interpretação próprio e independente dos signos solares. Daqui se depreende a importância da análise efetuada a partir de Chandra (lua) e do signo que ela ocupa. No entanto, para certas análises, é igualmente importante verificar qual o nakṣatra do lagna (ascendente), do regente do ascendente e outros grahas.

    Ainda hoje são extremamente utilizados não só na análise das caraterísticas individuais de cada pessoa (como o seu temperamento e motivações) e na confirmação dos karmas desta vida, como também para eleger dias propícios para a realização de rituais (como casamentos) e início de atividades específicas e momentos mais auspiciosos para certas atividades (astrologia eletiva ou Muhūrta). São igualmente utilizados nas sinastrias (verificação de compatibilidade entre mapas), retificação de horário de nascimento e cálculo das daśās (períodos planetários).

    Na medida em que os 27 nakṣatras podem ser convenientemente divididos em três grupos de nove, e visto que 9 vezes 13 graus e 20 minutos equivale a 120 graus, o que equivale a três signos completos (4 vezes 30 graus), os primeiros nove nakṣatras, de Ashvini até Ashlesha, cobre as constelações de Áries até Câncer; o segundo grupo, de Magha até Jyeshtha, calha precisamente dentro das constelações de Leão até Escorpião, e o último grupo, de Mula até Revati, cai entre Sagitário e Peixes. Cada um destes grupos começa com um signo de fogo (Áries, Leão e Sagitário) e termina num signo de água (Câncer, Escorpião e Peixes).

    A interpretação dos nakṣatras é feita a partir de referências deixadas na literatura sagrada, ou seja, nos Vedas, Pūraṇas e Tantras. Nela encontramos histórias sobre os devas que foram relacionados a cada nakṣatra, o que nos auxilia no processo de compreensão deles. Outra referência importante em relação à interpretação dos nakṣatras são os atributos que foram listados nos clássicos de jyotiṣa, o que inclui classificação relativamente a varṇa, guṇa, natureza, tattva, Śakti, meta, atividade, qualidades, gaṇa, gênero, natureza, nāḍī, partes do corpo, etc., além de descrições dos autores clássicos a respeito dos resultados a serem esperados de Chandra em cada nakṣatra.

    Nas próximas edições, irei focar nestes aspetos mais específicos dos nakṣatras.

    Abaixo apresento a listagem dos nakṣatras, com a sua distribuição longitudinal ao longo dos rāśis (signos) e o deva/devī relacionado a cada um deles.

    Fonte tabela: https://sriganesa.blogspot.com/

    Hari Om

    Maria João Coelho

    Fonte foto https://atcaminhante.wordpress.com

  • ज्योतिष – JYOTIṢA- Períodos Planetários

    A mudança na vida é inevitável! Embora o mapa natal evidencie os karmas a frutificar nesta vida, eles irão manifestar-se em períodos específicos. A influência de cada graha (planeta) tornar-se á- mais proeminente em certos períodos da vida de uma pessoa. O Jyotish avalia e mostra tanto a permanência como a mudança na vida. Enquanto que uma avaliação mais estática revela todo o potencial do mapa, uma avaliação dinâmica mostra quando esse potencial se irá desenvolver.

    O Jyotish utiliza várias técnicas de previsão que auxiliarão o astrólogo na determinação dos períodos mais prováveis para a manifestação dos karmas de um indivíduo. Uma dessas técnicas tem o nome de daśā ou período planetário. É sobre ela que falaremos hoje.

    A palavra daśā significa estado ou condição de vida, indicando as condições das experiências na vida de um indivíduo e a cronologia das mesmas.

    Algumas das daśās mais utilizadas são a Kālacakra daśā, a Yogiṇī daśā, a Ashtottari daśā e a Vimshottari daśa.

    A daśā mais utilizada na Índia, pela sua precisão e simplicidade de cálculo é a Vimshottari daśa, também conhecida como Nakṣatra daśā ou Udu daśā.

    Vimshottari daśa

    Vimshottari daśa é igualmente conhecida como Nakṣatra daśā, pois o ponto inicial dos vários períodos planetários é a nakṣatra da lua, ou seja, a janma nakṣatra ou “estrela de nascimento” correspondente à posição da lua no mapa no momento do nascimento. Na próxima edição focarei no tema das nakṣatras. Cada nakṣatra tem um planeta regente e a cada um desses regentes é atribuído um período de regência entre 6 e 20 anos.

    Vimshottari significa literalmente 120, logo um ciclo inteiro que abarca todos os regentes, duraria cerca de 120 anos, embora seja muito difícil alguém viver todos os períodos planetários.

    O início dos períodos variará de indivíduo para indivíduo, de acordo com a sua janma nakṣatra, a partir da qual todo o cálculo é efetuado.

    Cada período pode ser dividido no período principal, denominado de mahādaśa e no período secundário (uma divisão do principal), denominado de bukti ou antardaśa. Existem outros subperíodos, subdivisões, mas nem sempre a sua precisão é 100% fiável, pois é necessária uma exatidão muito grande no horário de nascimento.

     Assim, teremos um regente principal e um co-regente. O planeta da mahādaśa, o regente principal, confere a tonalidade para aquele período específico e o regente da antardaśa, o co-regente, irá trazer nuances a esse período. Os efeitos dos grahas (planetas) no mapa natal, irão manifestar-se principalmente durante os seus períodos de ativação. Estes períodos, daśas, vão trazer à tona todos os significados desses planetas no mapa natal. A qualidade da manifestação irá depender da natureza funcional benéfica ou maléfica dos grahas envolvidos. As daśas mais favoráveis serão aquelas em que os planetas regentes têm qualidades, força e boas configurações no mapa natal, tal como foi pormenorizado para cada graha, nas edições anteriores. Caso contrário, os efeitos nesses períodos serão mais desfavoráveis.

    Normalmente são mais impactantes os períodos iniciais e finais de cada daśa e antardaśa, pois são considerados momentos de transição, logo mais delicados.

    A duração de cada ciclo de Mahādaśa de cada planeta é a seguinte:

    Chandra (Lua): 10 anos; Maṅgala (Marte): 7 anos; Rahu: 18 anos; Guru (Júpiter): 16 anos; Śani (Saturno): 19 anos; Budha (Mercúrio): 17 anos; Ketu: 7 anos; Śukra (Vénus): 20 anos; Sūrya (Sol): 6 anos.

    Relembro que todos os indivíduos iniciam as suas vidas em períodos distintos (conforme referido anteriormente) e que não irão vivenciar todos os períodos.

    Uma boa análise do mapa será muito importante para entender os desafios, obstáculos e oportunidades que cada período trará para a vida de um indivíduo. Esta análise está sempre afeta ao mapa natal, pois é com base nele que podemos averiguar da qualidade de manifestação de cada graha.

    No fim, está sempre tudo no tempo e lugar certos, para que cada indivíduo possa experienciar tudo aquilo que faz parte do seu caminho! O autoconhecimento é, sem dúvida, a pérola que, residindo dentro de cada um, contribuirá para uma viagem da vida mais consciente e plena, mais feliz!

    Hari Om

    Maria João Coelho

    Imagem – fonte: https://www.ayurvedicayoga.com/

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  • ज्योतिष – JYOTIṢA –  Ketu

    Este mês, com Ketu, terminamos o tema dos navagraha (9 planetas), que nos acompanhou durante os últimos meses.

    Por ter muito em comum com Rahu, e porque muitos poderão não ter tido oportunidade de ler a edição da newsletter sobre Rahu, tudo o que é comum a ambos, inclusive a história mitológica que lhes está associada, volta a estar presente aqui neste texto, nesta parte inicial.

    Ketu e Rahu (este último foi abordado na última edição), são os chamados chāyā grahas, ou planetas sombra/invisíveis, pois não possuem corpo físico. Correspondem aos pontos astronómicos no céu chamados de nodo norte da Lua ou cabeça do dragão (Rahu) e nodo sul da Lua ou cauda do dragão (Ketu). Fazem parte do eixo kármico das nossas vidas – uma espécie de ligação invisível entre vidas passadas e os nossos dilemas psicológicos desta vida atual. Estes pontos, os nodos lunares, são os lugares de interseção entre a órbita da Lua e a órbita aparente do Sol – o caminho simbólico traçado pelo astro rei no decorrer do ano, tendo como ponto de referência a observação aqui da Terra.  Nos dois pontos em que as trajetórias lunar e solar se cruzam, são delimitados o Nodo Norte (Rahu) e o Nodo Sul (Ketu). Nestes pontos acontecem os chamados eclipses solar ou lunar. O eclipse Solar ocorre durante a Lua Nova, quando o Sol está em exato alinhamento com a Terra e a Lua está mais ou menos 18° distante dos Nodos; o eclipse Lunar acontece quando a Terra está em exato alinhamento entre a Lua Cheia e o Sol, e a Lua está mais ou menos 11° distante da posição nodal.

    Os Nodos são exatamente contrários, diametralmente opostos. Se o Nodo Norte está em Áries (Carneiro), por exemplo, o Nodo Sul estará em Libra (Balança), que é o signo oposto.

    São considerados inimigos do Sol e da Lua, pois no momento dos eclipses, eles escurecem o céu, tirando todo e qualquer brilho, luz e força a estes. Estes momentos de eclipse (grahaṇa), são bastante poderosos e transformadores, normalmente relacionados com mudanças, inícios e finais.

    Existe uma história da mitologia védica que está associada ao surgimento de Rahu e Ketu:

    “O Simbolismo do Oceano de Leite e o Néctar da Imortalidade”

    “Para descobrir o néctar da imortalidade, devas e asuras resolveram se juntar para bater o Oceano de leite. Pegaram uma montanha e colocaram no meio do oceano. Amarraram uma cobra no meio e cada um deles puxou de um lado fazendo a cobra como corda para que, assim, a montanha batesse o oceano de leite.  Começaram a bater e coisas lindas e maravilhosas surgiram desse oceano de leite. As coisas que foram surgindo e foram sendo divididas entre eles. Porém, antes de surgirem essas coisas lindas, surgiu um veneno. O veneno (halahalā) começou a se espalhar pela superfície do oceano e a matar todos os seres do oceano. Devas e asuras assustados, chamaram Shiva para resolver a situação. Ele resolveu tomar o veneno inteiro. Após ele tomar, Uma, apertou o seu pescoço que começou a ficar a azul (nīlakaṇṭha). Então eles continuaram a bater e bater.

    Finalmente conseguiram o Amrita, o néctar da imortalidade. Assim que apareceu esse Amrita, os asuras o roubaram e fugiram com o veneno. Os Devas então chamaram Vishnu para restaurar a harmonia. Vishnu transformou-se numa mulher linda, chamada Mohini e assim apareceu entre os asuras e todos ficaram surpresos e maravilhados e começaram a ouvi-la. Ela então sugeriu que poderia ela mesma distribuir o néctar. Atônitos com rara beleza, obviamente os asuras aceitaram a proposta e logo Mohini começou a distribuir o néctar entre todos, devas e asuras.

    O plano dele era distribuir entre os devas e quando chegasse a vez dos asuras ele diria que o acabou o néctar. Mas entre os asuras havia um espertinho que entrou na fila dos devas para receber o néctar. Então, quando a primeira gota caiu em sua boca, Vishnu se deu conta, mas a gota já havia caído. Ele jogou seu disco e cortou a cabeça do asura. Mas como o asura bebeu o néctar, ele já era imortal. Então a Cabeça foi para um lado e o corpo para o outro: estes são Rahu e Ketu. Cabeça do dragão e cauda do dragão, que estão presentes na astrologia védica.

    Detalhe, na hora que Mohini estava distribuindo o néctar, a lua e o sol estavam lá e se deram conta de que o asura não era deva e o denunciaram para Vishnu. O asura viu e ficou com raiva. E por isso eles, divididos, Rahu e Ketu, tiram o brilho do sol e da lua de vez em quando, causando os eclipses.”

    Retirado de www.vidadeyoga.com.br (Tales Nunes) (Texto baseado em aulas de Marília, do Centro de Estudos Vidya Mandir www.vidyamandir.org.br)

    Nos textos clássicos, Ketu é descrito da seguinte forma: “Os olhos de Ketu são avermelhados e a sua aparência é feroz. Sua língua é venenosa, o corpo elevado, ele porta armas e é um pária. O seu corpo é da cor do fumo, está sempre a fumar, tem marcas de feridas, é magro e brutal por natureza.”

    Ketu é a cauda da serpente, a outra metade da serpente e é um corpo sem cabeça. Enquanto Rahu é obsessivo com a vida material, Ketu procura a libertação. São opostos. Ketu consegue ver a essência de tudo, mas é insatisfeito com os aspetos materiais do mundo, buscando a renúncia e a transcendência. Enquanto que Rahu é muito ativo e extravagante, Ketu é passivo e introvertido. Devido à sua retração, constante insatisfação e com tendência para a dúvida, Ketu tem medo de avançar e então estagna.

    Dado à contemplação e ao recolhimento, Ketu é dotado de um controlo obsessivo, mas como lhe falta iniciativa, o seu descontentamento pode gerar efeitos muito negativos, principalmente na casa do mapa onde se situa, tal como quando ativado por trânsito a fazer algum aspeto importante no mapa natal (tal como Rahu), sobretudo se a pessoa não vivenciar a espiritualidade na sua vida.

    Outros nomes para Ketu são: Śikhi, Dhūma, Mṛtyuputra, Dhvaja.

    Em termos de associação com uma deidade, associa-se Ketu a Gaṇeśa.

    Outras caraterísticas de Ketu

    É do género feminino, de natureza vāta, krūra(cruel) e tamas (inércia, escuridão). Está associado ao elemento ar (vāyu) e engloba varṇas mistas. Está associado à cor de nevoeiro.

    Não rege nenhum rāśi (signo) e não se exalta nem se debilita em nenhum rāśi (embora existam correntes astrológicas que consideram que sim, eu sigo opiniões de astrólogos, com as quais concordo, que não consideram). É significador do bhāva 12, bhāva de mokṣa, pois é significador de temas como renúncia, libertação, transcendência.

    O seu movimento é bastante lento e retrógrado, transitando cerca de um rāśi (signo) a cada ano e meio.

     As melhores posições por casa (bhāvas) num mapa para Ketu são os bhāvas 3, 6, 10 e 11.

    Alguns dos seus principais significados são: mokṣa, renúncia, isolamento, experiências místicas, silêncio, contemplação, ilusão, sensibilidade, mudanças, dúvidas, enganos, práticas espirituais austeras, conhecimento oculto, intuição, desapego, qualidades obtidas numa vida anterior.

    Algumas caraterísticas positivas associadas a Ketu são: intuição, contemplação, compaixão, espiritualidade, desapego, introversão, capacidade de renúncia, autocontrolo.

    Algumas caraterísticas negativas associadas a Ketu são: ilusão, desequilíbrio, impulsão, fanatismo, extremismo, apatia, descontrolo, desmotivação, passividade, antissocial, falta de rumo.

    Ketu, tal como Rahu está associado às doenças de vāta, doenças do foro psicológico, loucura, doenças incuráveis e / ou de difícil diagnóstico, lepra, problemas com espíritos e fobias, medos, envenenamentos e picadas de animais como serpentes e escorpiões, assim como problemas de audição, da fala e infeções virais.

    Hari Om

    Maria João Coelho

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  • ज्योतिष – JYOTIṢA –  Rahu

     Rahu

    Rahu e Ketu (irá ser abordado no próximo mês), são os chamados chāyā grahas, ou planetas sombra/invisíveis, pois não possuem corpo físico. Correspondem aos pontos astronómicos no céu chamados de nodo norte da Lua ou cabeça do dragão (Rahu) e nodo sul da Lua ou cauda do dragão (Ketu). Fazem parte do eixo kármico das nossas vidas – uma espécie de ligação invisível entre vidas passadas e os nossos dilemas psicológicos desta vida atual. Estes pontos, os nodos lunares, são os lugares de interseção entre a órbita da Lua e a órbita aparente do Sol – o caminho simbólico traçado pelo astro rei no decorrer do ano, tendo como ponto de referência a observação aqui da Terra.  Nos dois pontos em que as trajetórias lunar e solar se cruzam, são delimitados o Nodo Norte (Rahu) e o Nodo Sul (Ketu). Nestes pontos acontecem os chamados eclipses solar ou lunar. O eclipse Solar ocorre durante a Lua Nova, quando o Sol está em exato alinhamento com a Terra e a Lua está mais ou menos 18° distante dos Nodos; o eclipse Lunar acontece quando a Terra está em exato alinhamento entre a Lua Cheia e o Sol, e a Lua está mais ou menos 11° distante da posição nodal.

    Os Nodos são exatamente contrários, diametralmente opostos. Se o Nodo Norte está em Áries (Carneiro), por exemplo, o Nodo Sul estará em Libra (Balança), que é o signo oposto.

    São considerados inimigos do Sol e da Lua, pois no momento dos eclipses, eles escurecem o céu, tirando todo e qualquer brilho, luz e força a estes. Estes momentos de eclipse (grahaṇa), são bastante poderosos e transformadores, normalmente relacionados com mudanças, inícios e finais.

    Existe uma história da mitologia védica que está associada ao surgimento de Rahu e Ketu:

    “O Simbolismo do Oceano de Leite e o Néctar da Imortalidade”

    “Para descobrir o néctar da imortalidade, devas e asuras resolveram se juntar para bater o Oceano de leite. Pegaram uma montanha e colocaram no meio do oceano. Amarraram uma cobra no meio e cada um deles puxou de um lado fazendo a cobra como corda para que, assim, a montanha batesse o oceano de leite.  Começaram a bater e coisas lindas e maravilhosas surgiram desse oceano de leite. As coisas que foram surgindo e foram sendo divididas entre eles. Porém, antes de surgirem essas coisas lindas, surgiu um veneno. O veneno (halahalā) começou a se espalhar pela superfície do oceano e a matar todos os seres do oceano. Devas e asuras assustados, chamaram Shiva para resolver a situação. Ele resolveu tomar o veneno inteiro. Após ele tomar, Uma, apertou o seu pescoço que começou a ficar a azul (nīlakaṇṭha). Então eles continuaram a bater e bater.

    Finalmente conseguiram o Amrita, o néctar da imortalidade. Assim que apareceu esse Amrita, os asuras o roubaram e fugiram com o veneno. Os Devas então chamaram Vishnu para restaurar a harmonia. Vishnu transformou-se numa mulher linda, chamada Mohini e assim apareceu entre os asuras e todos ficaram surpresos e maravilhados e começaram a ouvi-la. Ela então sugeriu que poderia ela mesma distribuir o néctar. Atônitos com rara beleza, obviamente os asuras aceitaram a proposta e logo Mohini começou a distribuir o néctar entre todos, devas e asuras.

    O plano dele era distribuir entre os devas e quando chegasse a vez dos asuras ele diria que o acabou o néctar. Mas entre os asuras havia um espertinho que entrou na fila dos devas para receber o néctar. Então, quando a primeira gota caiu em sua boca, Vishnu se deu conta, mas a gota já havia caído. Ele jogou seu disco e cortou a cabeça do asura. Mas como o asura bebeu o néctar, ele já era imortal. Então a Cabeça foi para um lado e o corpo para o outro: estes são Rahu e Ketu. Cabeça do dragão e cauda do dragão, que estão presentes na astrologia védica.

    Detalhe, na hora que Mohini estava distribuindo o néctar, a lua e o sol estavam lá e se deram conta de que o asura não era deva e o denunciaram para Vishnu. O asura viu e ficou com raiva. E por isso eles, divididos, Rahu e Ketu, tiram o brilho do sol e da lua de vez em quando, causando os eclipses.”

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    Nos textos clássicos, Rahu é descrito da seguinte forma: “Rahu tem um corpo azulado como a fumaça, vive em florestas e é horrível. O seu temperamento é vāta e é inteligente. É de casta inferior, sofre de doenças de pele, é irreligioso e sofre com soluços.”

    Rahu é a cabeça da serpente e está ligado ao nosso karma material, pelo que Rahu representa o desejo pela matéria. Pelo facto de não ter um corpo físico, este desejo manifesta-se mais ao nível do subconsciente. Rahu representa as nossas obsessões e apegos e leva-nos ao limite, para que possamos transcender a matéria e libertar-nos da ilusão. Mas até isso acontecer, as lições que Rahu traz consigo, são habitualmente acompanhadas de grandes sofrimentos.

    Outros nomes para Rahu são: Tamas, Asura, Sarpa, Agu, Svarbhānu, Vidhuntuda, Bhujaṅga.

    Associa-se Rahu especialmente a Durgā, mas associa-se a espíritos e demónios quando posicionado em krūra rāśi. 

    Outras caraterísticas de Rahu

    É do género masculino, de natureza vāta, krūra(cruel) e tamas (inércia, escuridão). Está associado ao elemento ar (vāyu) e pertence àvarṇa dos mlecchas e chandalas (párias e comedores de cães). Está associado à cor esfumaçada e à direção sudoeste.

    Não rege nenhum rāśi (signo) e não se exalta nem se debilita em nenhum rāśi (embora existam correntes astrológicas que consideram que sim, eu sigo opiniões de astrólogos, com as quais concordo, que não consideram). É significador do bhāva 8, pois é significador de temas como doenças crónicas e incuráveis, escândalos, heterodoxia.

    O seu movimento é bastante lento e retrógrado, transitando cerca de um rāśi (signo) a cada ano e meio.

     As melhores posições por casa (bhāvas) num mapa para Rahu são os bhāvas 3, 6, 10 e 11.

    O bhāva no nosso mapa onde está posicionado, é o local/área da nossa vida onde temos a maior tendência para gerar apegos e desejos e onde manifestamos a nossa singularidade e /ou excentricidade.

    Alguns dos seus principais significados são pessoas estrangeiras, loucura, desilusões, deceções, roubos, serpentes e outros répteis, sonhos, heterodoxia, ladrões e espiões, pecado, hipocrisia, deficiências, florestas, terras distantes.

    Algumas caraterísticas positivas associadas a Rahu são: independência, audácia, coragem, pioneirismo, iniciativa, força de vontade, aventura, originalidade, curiosidade, ambição.

    Algumas caraterísticas negativas associadas a Rahu são: loucura, ganância, corrupção, obsessão, alucinação, vícios, perturbações, crueldade, confusão, escapismo, excesso, ilusão, excentricidade.

    Rahu está associado às doenças de vāta, doenças do foro psicológico, loucura, doenças incuráveis e / ou de difícil diagnóstico, lepra, problemas com espíritos e fobias, medos, envenenamentos e picadas de animais como serpentes e escorpiões.

    Hari Om

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  • ज्योतिष – JYOTIṢA

    Śani (Saturno)

    Nos textos clássicos, Śani é descrito da seguinte forma:” Śani tem um corpo magro, alto, olhos cor de mel, um temperamento vāta, dentes grandes, cabelo grosso e áspero, é indolente e manco.”

    Filho de Sūrya (Sol) e de Chāyā (sombra), esposa de Sūrya, e irmão de Yama (Senhor da Morte), Śani (Saturno) é o mais temido dos grahas, na medida em que representa tudo aquilo que o ser humano tende a evitar na vida, como responsabilidade, lentidão, desapego, maturidade, disciplina, paciência, miséria, tristeza, sofrimento, isolamento, morte.

    É o Senhor do tempo (Kāla), aquele que se move lentamente (Śanaiścara) e cujos resultados do karma demoram a frutificar, na medida em que o seu trânsito em cada rāśi (signo)dura cerca de 2,5 anos, ou seja, uma volta completa ao zodíaco demora cerca de 29, 5 anos.

    Por ser o graha mais distante de Sūrya (Sol), Śani é associado à escuridão, ao contrário deSūrya que representa a luz, a consciência. No entanto, esta escuridão é a própria ignorância do ser humano relativamente, não só à forma de viver neste mundo terreno, mas também ao conhecimento da sua própria natureza.  A humildade e as adversidades trazidas por Śani à nossa vida, permitem-nos fazer uma viagem de introspeção bem profunda e, através da aceitação, força de vontade e de um esforço bem direcionado, destruir falsas ideias e conduzir-nos em direção a um bem maior, a uma superação das nossas batalhas internas e externas.

    Os rāśis (signos) ebhāvas (casas) regidos e /ou afetados por Śani no nosso mapa, representam áreas da vida de grande aprendizagem, muitas vezes com bastante sofrimento e dificuldade, mas com um enorme amadurecimento.

    Outros nomes para Śani são: Manda, Sūryaputra, Kṛṣṇa, Śanaiścara, Kāla, Yama, Chāyāsuta.  

    Associa-se Śani especialmente a Yama, mas também a Nārāyaṇa. 

    Outras caraterísticas de Śani

    É eunuco (sem género definido), frio e seco, de constituição vāta e de natureza krūra(cruel) e tamas (inércia, escuridão). Está associado ao elemento ar (vāyu), à cor negro e azul escuro, rege a direção oeste e o sábado e pertence àvarṇa dos śūdra (classe dos trabalhadores).

    É regente do signo Capricórnio (rāśi makara) e do signo de Aquário (rāśi kumbha).  Exalta-se no signo de Libra/Balança (rāśi tulā) e tem a sua debilitação no signo de Áries/Carneiro (rāśi meṣa).

    O seu movimento é muito lento, transitando cerca de um rāśi (signo) a cada dois anos e meio.

     As melhores posições por casa (bhāvas) num mapa para Śani são o bhāva 7 onde detém força máxima, e nos bhāvas 3, 6 e 11.

    O bhāva no nosso mapa onde está posicionado, é o local/área da nossa vida onde podemos experimentar maiores atrasos, dificuldades, inseguranças e necessidade de maior esforço.

    Os grahas amigos de Śani (Saturno) são Śukra (Vénus) e Budha (Mercúrio). Sūrya (Sol), Chandra (Lua) e Maṅgala (Marte) são inimigos e Guru (Júpiter) é neutro.

    Śani é significador de doenças e servidão (bhāva 6), longevidade, morte e doenças crónicas (bhāva 8) e de perdas, renúncia e isolamento (bhāva 12).  

    Alguns dos seus principais significados são sofrimentos, perdas, morte, longevidade, tempo, disciplina, responsabilidade, pobreza, doença, dificuldade, trabalho árduo, lentidão, desconforto, velhice, cansaço, preguiça, limitações, ignorância, solidão, agricultura, antepassados, pecados, desgraça, fundações, animais de grande porte, humilhação, coisas sujas e feias.

    Quando bem-disposto num mapa (bem configurado e bem posicionado por signo e casa), pode manifestar qualidades como determinação, responsabilidade, cautela, maturidade, disciplina, organização, concentração, capacidade de trabalho, humildade, honestidade, sinceridade, resiliência, seriedade, sabedoria.

    Por outro lado, quando mal posicionado/configurado num mapa (mal configurado e mal posicionado por signo e casa), pode revelar, entre outras, caraterísticas como preguiça, sonolência, medo, timidez, melancolia, sentido crítico, maldade, hipocrisia, frieza, rigidez, mesquinhez, perversidade, controlo e manipulação, estupidez, ignorância, infelicidade, loucura, oportunismo, negligência.

    Relativamente ao corpo, podemos associar Śani ao intestino grosso, ossos, coluna, dentes, joelhos, pés, pernas, ânus, sistema linfático.

    Está associado às doenças de vāta, às doenças crónicas ou incuráveis, doenças dos nervos, pés, pernas, cólon, problemas de audição, dentes e ossos, depressão, esgotamento, fraqueza e paralisia, tumores, insanidade, problemas causados por quedas e problemas com espíritos e fantasmas.

    Hari Om

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  • ज्योतिष – JYOTIṢA

    Śukra (Vénus)

    Nos textos clássicos, Śukra é descrito da seguinte forma:” Śukra é alegre, de um corpo encantador, olhos belos e brilhantes, cabelo ondulado, constituição mista kapha e vāta, além de ser um poeta.”

    Śukra (Vénus), é o guru dos Asuras, em oposição a Bṛhaspati, Júpiter, guru dos Devas. Está relacionado aos desejos e prazeres de todo tipo, em especial às artes e à sexualidade e fertilidade. Estando ligado ao sémen e ao ato gerador e criativo, Śukra é Śakti, tem a capacidade de geral algo novo. Śukra é pura arte e amor!

    Após os luminares, Śukra é o graha mais brilhante do céu, aquele com capacidade e força que nos impele à ação, a qual faz movimentar a nossa vida. É um grande benéfico, tal como Guru, e possui uma forte influência na nossa vida. Śukra representa a força e o entusiasmo de viver.

    Outros nomes para Śukra são: Bhārgava, Bhrigusutha, Sītā, Kāvya, Bhṛgu.

    Associa-se Śukra especialmente a MahāLakṣmī e outras deidades femininas.

    Outras caraterísticas de Śukra 

    É do género feminino e de constituição mista, kapha e vāta e de natureza saumya (gentil) e rajas (ação). Está associado ao elemento água (jāla), à cor branco, rege a direção sudeste e a sexta feira e pertence àvarṇa dos Brāhmaṇas (classe intelectual e dos sacerdotes), tal como Guru.

    É regente do signo Touro (rāśi vṛṣabha) e do signo de balança ou libra (rāśi tulā).  Exalta-se no signo de peixes (rāśi mīna) e tem a sua debilitação no signo de virgem (rāśi kanyā).

    O seu movimento é rápido, transitando cerca de um rāśi (signo) por mês.

     As melhores posições por casa (bhāvas) num mapa para Śukra são o bhāva 4 onde detém força máxima, e em todos os outros bhāvas, exceto os bhāvas 6, 8 e 12.

    O bhāva no nosso mapa onde está posicionado Śukra, é o local/área da nossa onde expressamos mais a nossa criatividade, beleza, talentos artísticos, os nossos gostos, paixões, romantismo e sexualidade.

    Os grahas amigos de Śukra (Vénus) são Budha (Mercúrio) e Śani (Saturno). Sūrya (Sol) e Chandra (Lua) são inimigos e Maṅgala (Marte) e Guru (Júpiter) são neutros.

    Śukra é significador de ornamentos (bhāva 2), de habilidades artísticas (bhāva 3) de conforto, luxo e veículos (bhāva 4), de paixões (bhāva 5) e de casamento e sexualidade (bhāva 7).

    Alguns dos seus principais significados são relacionamentos, amor, sexualidade, confortos, veículos, riqueza, beleza, prazeres, pedras preciosas, joias, criatividade, artes, música, instrumentos musicais, dança, poesia, harmonia, diplomacia, recetividade, feminilidade, festas, casamento, recetividade, amabilidade, virilidade, paixões, cultura, habilidades, fama, prosperidade, felicidade conjugal.

    Quando bem-disposto num mapa (bem configurado e bem posicionado por signo e casa), pode manifestar qualidades como felicidade conjugal, sensualidade, conforto, equilíbrio, gentileza, harmonia, afeto, gratidão, compaixão, diplomacia, elegância, alegria, bom-humor, sensibilidade, sociabilidade, sentido estético, cultura, refinamento.

    Por outro lado, quando mal posicionado/configurado num mapa (mal configurado e mal posicionado por signo e casa), pode revelar, entre outras, caraterísticas como vaidade, preguiça, futilidade, comportamento lascivo, ignorância, ciúmes, orgulho, vícios, vulgaridade.

    Relativamente ao corpo, podemos associar Śukra à garganta, rins, veias, ovários, útero, sémen, sistema endócrino e sistema urinário.

    Está associado às doenças de kapha e vāta tais como excessos, fraqueza física, doenças do sistema urinário e do sistema reprodutor, infertilidade, impotência, doenças dos rins, tiroide, diabetes e doenças do pâncreas.

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    Guru (Júpiter)

    Nos textos clássicos, Guru é descrito da seguinte forma:” Guru é corpulento, tem olhos e cabelo cor de mel, é kapha, inteligente e versado em todos os Śāstras.”
    Bṛhaspati ou Guru é considerado o grande benéfico, de natureza bondosa e compassiva, sinónimo de tolerância e sabedoria. Preside os seres humanos e relaciona-se com tudo o que é digno e sublime. Guru abençoa e tem a capacidade de mitigar grandes males. É o mais sábio de todos os grahas. É o mestre dos devas, o Guru, aquele que remove a escuridão com a luz do conhecimento divino. É o conselheiro, aquele que detém o mais nobre conhecimento e que confere uma visão otimista e espiritual da vida. É através de Guru que temos acesso ao conhecimento mais elevado, o conhecimento do “Eu” e a oportunidade de nele mergulhar profundamente.
    Outros nomes para Guru são: Bṛhaspati, Angirasa, Vachaspati, Śūri, Vāgīśā.
    Associa-se Guru a Indra, Vāmana, MahāViṣṇu e Sadāśiva.

    Outras caraterísticas de Guru
    É do género masculino e de constituição kapha e de natureza saumya (gentil) e sattva (pura e bondosa). Está associado ao elemento éter (ākāśa), à cor amarelo, rege a direção nordeste e a quinta feira e pertence à varṇa dos Brāhmaṇas (classe intelectual e dos sacerdotes).
    É regente do signo Sagitário (rāśi dhanu) e do signo de peixes (rāśi mīna). Exalta-se no signo de câncer (rāśi karka) e tem a sua debilitação no signo de capricórnio (rāśi makara).
    O seu movimento é lento, sendo o seu ciclo de cerca de 12 anos (uma volta completa ao zodíaco) transitando um rāśi (signo) em cada ano.
    As melhores posições por casa (bhāvas) num mapa para Guru são o bhāva 1, onde detém força máxima, e em todos os outros bhāvas, exceto os bhāvas 3, 6, 8 e 12.
    Ainda assim, em casa menos favoráveis, dada a sua natureza, Guru tem a capacidade de beneficiar tudo aquilo em que toca ou que influencia.
    O bhāva no nosso mapa onde está posicionado Guru, é o local/área da nossa vida com maior oportunidade de expansão, de conhecimento, de sabedoria e prosperidade.
    Os grahas amigos de Guru (Júpiter) são Sūrya (Sol), Chandra (Lua) e Maṅgala (Marte). Os inimigos são Budha (Mercúrio) e Śukra (Vénus) e Śani (Saturno) é neutro.
    Guru é significador de riqueza (bhāva 2), de felicidade (bhāva 4), de filhos, estudos e práticas espirituais (bhāva 5), de boa fortuna, leis, professores, dharma, filosofias, educação superior e viagens (bhāva 9) e de ganhos e irmãos mais velhos (bhāva 11).
    Alguns dos seus principais significados são: justiça, conhecimento, expansão, riqueza, sabedoria, otimismo, confiança, caridade, educação, religião, filosofia, espiritualidade, fé, graça divina, professores, conselheiros, boas ações, humildade, tolerância, devoção, nobreza, altruísmo, eloquência, filhos e netos, avós, dharma, educação superior, compaixão, ideais.
    Quando bem-disposto num mapa (bem configurado e bem posicionado por signo e casa), pode manifestar qualidades como generosidade, compaixão, sabedoria, eloquência, conhecimento, educação, respeito, devoção, confiança, equilíbrio, otimismo, erudição, idealismo, lealdade, ética, nobreza, pureza, bondade, caridade, justiça, jovialidade, responsabilidade.
    Por outro lado, quando mal posicionado/configurado num mapa (mal configurado e mal posicionado por signo e casa), pode revelar, entre outras, caraterísticas como exagero, irrealismo, preguiça, imoralidade, preconceito, mentira, deslealdade, hipocrisia, intolerância, arrogância, fundamentalismo, extravagância, imprudência e falta de fé.
    Relativamente ao corpo, podemos associar Guru ao crescimento, ao fígado, coxas, glândula pituitária, baço, vesícula, abdómen, pâncreas, circulação sanguínea, garganta e ouvidos.
    Está associado às doenças de kapha, tais como doenças do fígado e vesícula, baço, pâncreas, gorduras, fadiga, sistema imunitário deficiente, diabetes, excessos, preguiça e tumores.

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    Imagem – Fonte: https://mahabharata.fandom.com/wiki/Brihaspati

  • ज्योतिष – JYOTIṢA

    Nos textos clássicos, Maṅgala é descrito da seguinte forma:” Maṅgala é cruel, tem olhos vermelhos como o sangue, é inquieto, liberal, de constituição pitta, dotado de uma cintura fina e de um corpo magro”.

    Filho da Terra, de natureza maléfica, Maṅgala é a deidade que preside a guerra e a disputa. Relaciona-se com a ambição e o desejo. É ele quem comanda os sentidos e o instinto animal do homem. Diferente do fogo de Sūrya, o fogo de Maṅgala destrói. Num mapa, Maṅgala “queima” e danifica os grahas a ele relacionados, devido à sua energia da juventude, mais impulsiva, apaixonada e violenta.

    Outros nomes para Maṅgala são: Angāraka, Raktavarna, Kuja, Bhauma, Lohitānga, Kartika.

    Associa-se Maṅgala a deidades como Skanda ou Rudra (em signos masculinos), Narasiṁha (quando exaltado) ou Bhadrakālī e Cāmuṇḍā (em signos femininos).

    Caraterísticas de Maṅgala

    É do género masculino e de natureza krūra (cruel), ligado ao elemento fogo (pitta), associado à cor vermelho-sangue, rege a direção sul e a terça feira. Pertence àvarṇa dos kṣatriyas (guerreiros – classe militar).

    É regente do signo áries/carneiro (rāśi meṣa) e do signo de escorpião (rāśi vṛścika).  Exalta-se no signo de capricórnio (rāśi makara) e tem a sua debilitação no signo de câncer/caranguejo (rāśi karka).

     As melhores posições por casa (bhāvas) num mapa para Maṅgala são o bhāva 10 (onde detém máxima força) e os bhāvas 3, 6 e 11.

    Os grahas amigos de Maṅgala (Marte) são Sūrya (Sol), Chandra (Lua) e Guru (Júpiter). Śani (Saturno) e Śukra (Vénus) são neutros e Buddha (Mercúrio) é inimigo.

    Maṅgala, no bhāva 3 é significador de irmãos, armas e coragem, no bhāva 4 de terras e propriedades e no bhāva 6 é significador de inimigos, acidentes e cirurgias.

    O bhāva no nosso mapa onde está posicionado Maṅgala, é o local/área da nossa vida onde colocamos a nossa energia, força, a nossa resiliência e coragem.

    Alguns dos seus principais significados são: força, coragem, poder, energia, paixão, atividade física, irmãos, homens jovens, amantes, esposo, armas, fogo, guerreiros, competições, acidentes, propriedades, lógica, objetividade, liderança, rapidez, sexo, inimigos, litígios, conflitos, coisas quentes, objetos afiados e que cortam, máquinas, crimes, ladrões, luxúria.

    Quando bem-disposto num mapa (bem configurado e bem posicionado por signo e casa), pode manifestar qualidades como coragem, força de vontade, energia, determinação, ambição, foco, dinamismo, lógica, independência, força, destreza, concentração, ousadia, cooperação, entre outros.

    Por outro lado, quando mal posicionado/configurado num mapa (mal configurado e mal posicionado por signo e casa), pode revelar, entre outras, caraterísticas como fúria, impulsividade, acidentes, traição, egoísmo, intensidade, hostilidade, impaciência, inflexibilidade, vícios, inveja, violência, imoralidade, mentira, insensibilidade, secura, má conduta.

    Relativamente ao corpo, podemos associar Maṅgala ao sangue, vesícula, medula óssea, músculos, órgãos reprodutores, bexiga, sentido do olfato e paladar e cabeça.

    Está associado às doenças ligadas ao calor, como as febres, às erupções cutâneas, doenças do fígado, úlceras e a todo o tipo de queimaduras, cortes e cirurgias.

    Hari Om


    Maria João Coelho

    Foto: https://www.pillaicenter.com

  • ज्योतिष – JYOTIṢA – 7

    Sūrya (Sol)

    Sūrya (Sol) é vital para a nossa existência. Sem a sua energia, o seu calor, não seria possível vivermos esta realidade física. Sendo o centro do nosso sistema solar, é a força e a energia da vida (prana). É o rei de todos os grahas, pois é ele quem sustenta todo o sistema, a vida. Como deidade, é adorado por muitos, pois é considerado o Ātman, a alma. Sūrya rege a vida e a consciência e é a luz que permite que todo o universo de manifeste. Sūrya representa a nossa força e propósito de vida. Representa igualmente a nossa personalidade, brilho, carisma e vitalidade.


    Embora de natureza sattvica, pura, ele é considerado um graha maléfico pois pelo seu excesso de calor e secura pode ser causa de dificuldades, principalmente se existir algum graha muito próximo dele. Nesse caso, dá-se um fenómeno chamado de “combustão”, quando grahas estão conjuntos a sūrya e as suas energias ficam “queimadas” com esta proximidade.


    Nos textos clássicos ele é descrito “com olhos cor de mel, um corpo quadrado, inteligente, masculino, pitta e com hábitos puros”.
    Viaja pelo céu numa carruagem de ouro puxada por sete cavalos e conduzida por Aruṇa, de cor vermelha, a personificação do alvorecer.
    Outros nomes de Sūrya são Āditya, Bhāskara, Divākara, Ravi, Ina, Aruṇa, Savitṛ, Bhānu, Prabhākara, Mitra, Arka. Está profundamente ligado a Śiva, a Agni e a Rāma.

    Caraterísticas de Sūrya


    É do género masculino e diurno, de natureza pitta (ligado ao elemento fogo – agni), associado à cor vermelha, rege a direção leste e o domingo. De natureza sattvica, mas medianamente cruel, ele é regente do signo Leão (rāśi Siṃha) e pertence à varṇa dos kṣatryas.
    Os signos (rāśis) nos quais está mais forte é em Carneiro/ Áries (Meṣa) e Leão (Siṃha). O seu signo ou rāśi de debilitação é balança/libra (Tula).
    As melhores posições por casa (bhāvas) num mapa para Sūrya são o bhāva 10 (onde detém máxima força) e os bhāvas 3, 6 e 11.
    Os grahas amigos de Sūrya são Chandra (Lua), Maṅgala (Marte) e Guru (Júpiter). Śukra (Vénus) e Śani (Saturno) são inimigos e Budha (Mercúrio) é neutro.

    Alguns dos seus principais significados são: personalidade, vitalidade, saúde, carisma, liderança, consciência, propósito de vida, singularidade, confiança, fama, vitória, luz, fogo, brilho, status, nobreza, generosidade, pai, homens em geral, líderes, administração, governo, autoridade.
    Quando bem-disposto num mapa (bem configurado e bem posicionado por signo e casa), pode manifestar qualidades como confiança, generosidade, carisma, liderança, lealdade, resistência, força de vontade, coragem, vitalidade, clareza, integridade e criatividade.


    Por outro lado, quando mal posicionado/configurado num mapa, pode revelar, entre outras, caraterísticas como arrogância, vaidade, egoísmo, excesso de ambição, crueldade, autoritarismo, controlo, manipulação, falta de confiança.
    Relativamente ao corpo, podemos associá-lo com a saúde e a vitalidade em geral, com o peito, coração, estômago, cabeça, ossos e visão. Em matéria de doenças relaciona-se principalmente com baixa vitalidade e fraca resistência física, com problemas de visão, estômago, problemas cardíacos, febres, queimaduras, dores de cabeça, perturbações da circulação, doenças cutâneas e questões ósseas.

    Hari Om
    Maria João Coelho
    Foto: https://segredosdomundo.r7.com/surya-deus/

  • ज्योतिष – JYOTIṢA – 6

     

    Grahas

    No ocidente falamos em planetas. Mas a palavra graha vai mais longe do que a simples tradução para o sânscrito da palavra planeta. Na verdade, a palavra graha inclui em si significado como “algo que segura”, “algo que prende”, “algo que aprisiona”. Isto acontece na medida em que os grahas (planetas), conforme o seu posicionamento celeste e terrestre, indicam o karma a ser experienciado pelo indivíduo nesta manifestação terrena, conforme karmas passados acumulados, conforme já tivemos oportunidade de abordar na newsletter de junho. E este fato, só por si, acaba por nos aprisionar, retirar alguma liberdade. Passado, presente, futuro, existência física, emocional, mental, tudo se move ao sabor das leis cósmicas refletidas também nestes corpos celestiais.

    Os grahas relacionam-se com cada aspeto da vida na Terra: vida vegetal, vida animal, vida humana, todo o destino individual se entrega a esta dança cósmica, representada pelos grahas, que não são mais que diferentes níveis de consciência.

    Os grahas são nove (navagrahas):  os dois maṇḍala-grahas Sūrya (Sol) e Chandra (Lua), os luminares que são aqui também considerados e que possuem discos amplos; os cinco tārā –grahas, Maṅgala (Marte), Budha (Mercúrio), Guru (Júpiter), Śukra (Vénus) e Śani (Saturno), que do ponto de vista terrestre se assemelham a estrelas errantes e dois ChāyāGrahas, os nodos lunares, Rāhu e Ketu, que são sombras da Lua, pois não possuem corpo físico.

    Sūrya e Chandra são os mais importantes, pois enquanto que Sūrya lidera e ilumina todos os outros grahas, estando associado à consciência Ātman, Chandra, reflete o brilho de Sūrya durante a noite e está associada à mente (manas). Os tārā –grahas estão associados aos cinco elementos do corpo físico e aos cinco sentidos. Os ChāyāGrahas representam inclinações da mente: Rāhu está ligado ao caminho da experiência e do prazer, enquanto que Ketu relaciona-se com a renúncia e a introspeção.

    No ocidente consideram-se também os planetas Urano, Neptuno e Plutão. Embora tradicionalmente na astrologia védica eles não sejam referidos na literatura clássica (apenas os planetas visíveis a olho nú), existem vários astrólogos védicos que os consideram nas suas análises, pois efetivamente podemos constatar uma real influência destes no mapa natal de um indivíduo.

    Cada um dos grahas vai ter a sua própria natureza, vai estar associado a determinadas caraterísticas bem específicas, vai ter a sua força, vai estar relacionado a determinados rāśis (signos) e determinados bhāvas (casas astrológicas), e vai ser significador de determinados assuntos, pessoas ou eventos.

    A foto acima, foca na personalização dos grahas, de acordo com a deidade que preside a cada um deles.

    Compreender as qualidades de cada graha, é uma maravilhosa oportunidade para entender melhor os arquétipos associados a cada um deles e meditar no seu significado mais profundo!

    Nas próximas edições iremos abordar pormenorizadamente cada um dos navagrahas.

    Hari Om

    Maria João Coelho

    Fonte foto: https://astrologiaabav.org/blog/2019/07/22/planetas/

  • ज्योतिष – JYOTIṢA – 5

    Bhāvas (Casas Astrológicas)

    A palavra “bhāva” é utilizada para designar as casas astrológicas, divisões imaginárias, divisões do céu a partir da perspetiva terrestre. Mas o seu significado vai muito além desta definição, é muito mais profundo. Na realidade a palavra “bhāva” refere-se a um sentimento, a um estado da mente, a um estado da existência. É um campo de ação onde se desenrolam várias experiências de um indivíduo, de acordo com os seus karmas. Cada bhāva vai relacionar-se com uma área específica da vida do ser humano e será o palco da experimentação dos assuntos tratados por si.
    Existem 12 bhāvas, sendo que o primeiro corresponde ao “lagna” ou ascendente. Este corresponde ao grau exato em que um “rāśi” (signo) ascende a leste. Para o seu cálculo é fundamental conhecer a hora exata de nascimento e local (coordenadas terrestres).
    Através destas doze divisões, é colocada à luz toda a vida do indivíduo e respetivos karmas, desde o nascimento até à morte.

    Tendo por base o mapa modelo do Norte da Índia, analisemos estes 12 bhāvas.

    Classificação dos bhāvas

    1- De acordo com o Puruṣārtha:

    – Dharma: bhāvas 1, 5 e 9. Estes bhāvas relacionam-se com o desenvolvimento espiritual e moral do indivíduo, com o sentido de dever, de missão de vida, filosofia de vida, a forma como se progride a nível espiritual. São consideradas as casas mais auspiciosas.

    – Artha: bhāvas 2, 6 e 10. Estes bhāvas relacionam-se com o desenvolvimento material do indivíduo, nomeadamente a prosperidade, a riqueza, o trabalho, sucesso e o reconhecimento material.

    –  Kāma: bhāvas 3, 7 e 11. Estes bhāvas relacionam-se com os desejos e a forma de os realizar, o que implica também a interação com os outros.

    Mokṣa: bhāvas 4, 8 e 12. Estes bhāvas estão relacionados com a libertação do mundo material e emocional, implicando o desapego pelo mundo.

    2 – De acordo com a sua natureza.

    – Kendras: bhāvas angulares – bhāvas 1, 4, 7 e 10. Representam as áreas mais importantes do mapa e são a força do mapa pois tratam dos temas mais relevantes da vida da pessoa: (1) a vida pessoal, (4) a vida familiar, (7) a vida conjugal e (10) a vida profissional.

    Koṇas: bhāvas 5 e 9.  São consideradas as casas mais auspiciosas do mapa, pois estão relacionadas com os méritos das vidas passadas e sua influência nesta vida. Estão ligadas à boa sorte, sabedoria, conhecimento, sucesso e virtude.

    Upachayas: bhāvas 3, 6, 10 e 11. São as chamadas casas de crescimento e ajudam a ultrapassar dificuldades que surgem ao longo da vida. Estão muito ligadas à vida material, pois tratam das lutas diárias e da sobrevivência.

    Dusthanas: bhāvas 2, 6 e 8. São as chamadas casas de sofrimento e dificuldades. Relacionam-se com experiências difíceis, mas que também contribuem para o desenvolvimento espiritual.

    Marakas: bhāvas 2 e 7. São chamadas de casas destruidoras ou assassinas pois causam morte e sofrimento, na medida em que desgastam a vida.

    12 bhāvas: Temas associados

    De forma sucinta, apresento aqui apenas alguns dos assuntos que estão ligados a cada bhāva.

    1 – Tanu Bhāva (corpo / lagna) – O nascimento, a pessoa, o seu corpo, a vitalidade, a longevidade, a aparência física, a saúde, a felicidade, a coragem, a inteligência, a disposição geral da vida, a cabeça.
    2 – Dhana Bhāva (riqueza) – Riqueza, dinheiro, meios de subsistência, nutrição, alimentos e roupas, longevidade do casamento ou cônjuge, oratória, suporte familiar, olhos, boca, garganta, face.
    3 -Bhrātṛ Bhāva (Irmãos) – Irmãos mais novos, vizinhos, coragem, iniciativa, viagens curtas, deslocações, escrita, capacidade de comunicar, vigor, ouvido direito, ombros, braços, mãos, tiroide.
    4 – Mātṛ Bhāva (Mãe) – A mãe, casas, propriedades, felicidade familiar, agricultura, ancestrais, confortos, educação, amigos, caixa torácica, pulmões, coração, peito e seios.
    5 – Putra Bhāva (Filhos) – Filhos, estudos, conhecimento, devoção, virtudes, capacidade de discernimento, intelecto e talentos, memória, felicidade emocional, amor e romance, capacidade de organização e gestão, investimentos, crianças, sabedoria, barriga, digestão, fígado, vesícula, pâncreas, baço, estômago.
    6 – Ari Bhāva (Inimigos) – Disputas, doenças, lutas, inimigos, acidentes, medo, preocupações, trabalho árduo, serviço, tios maternos, confrontos, mal-entendidos, madrastas, escravos, intestinos, costas.
    7 – Yuvati Bhāva (jovem mulher) – Casamento, relacionamentos, desejos e sexualidade, parcerias de negócio, conduta moral, prazeres, adultério, comércio, vida conjugal, órgãos sexuais, rins, região pélvica.
    8 – Randhra Bhāva (Buraco) – Longevidade, locais escuros e horríveis, agonias mentais, stress, culpa, batalhas, impureza, transformação, experiências místicas, heranças, morte, medo, perdas, desgraças, conhecimentos místicos, órgãos excretores.
    9 – Dharma Bhāva (Religião) – Pai, Gurus, devoção, espiritualidade, estrangeiro, viagens longas, estudos superiores, peregrinações, religiosidade, caráter, sorte, fortuna em geral, benevolência, filosofias, direito, méritos de vidas passadas, os mais velhos, coxas, articulações.
    10 – Karma Bhāva (Ocupação) – Ocupação profissional, honra, reconhecimento, sucesso, liderança, fama, pai, conduta, cargos importantes, carreira, vocação, status, ambição, joelhos, ossos.
    11 – Labha Bhāva (Ganhos) – Ganhos em geral, salários, lucros, prosperidade, amigos, dinâmica social, irmãos mais velhos, aspirações, esperanças e projetos, ambições, ouvido esquerdo, calcanhares.
    12 – Vyaya Bhāva (Perdas) – perdas, despesas, isolamento, renúncia, terras distantes, prisões, hospitais, centros de retiro, ascetismo, caridade, exílio, fim da vida, separações, transcendência, prazeres carnais, destino após a morte, pobreza, pecado, inconsciente, sono, sonho, pernas, pés.

    Maria João Coelho

    Foto 1: https://www.astrologiatradicional.com.br/

    Foto 2: http://astrologiaabav.org/

  • ज्योतिष – JYOTIṢA -IV

    Dvādaśa-rāśi – Os doze signos na Astrologia Védica

    A palavra rāśi designa uma das doze frações de 30º presentes ao longo dos 360º da eclíptica (cinturão dentro da esfera celeste observável), o caminho aparente do Sol. Rāśi ou signo descreve as doze frações do zodíaco, palavra originária do grego “zōdiakós kýklos” ou “círculo de animais”.


    Na Índia, apenas no séc. I a. c., o termo zodíaco encontrou significado, uma vez que a divisão do céu pelos indianos continha 27/28 partes, as nakṣatras, (acerca das quais falaremos noutra altura), baseadas no mês lunar sideral de 27,32 dias.

    Nos textos clássicos, é descrita a forma (svarupa) dos rāśis, tantos em termos da sua imagem constelacional como em relação aos seus atributos.

    Os 12 rāśis:

    Carneiro (Áries): Mesha
    Touro: Vrshabha
    Gémeos: Mithuna
    Caranguejo (Câncer): Karka
    Leão: Simha
    Virgem: Kanya
    Balança (Libra): Tula
    Escorpião: Vrishkha
    Sagitário: Dhanus
    Capricórnio: Makara
    Aquário: Kumbha
    Peixes: Mina

    Graha (planeta) que rege cada rāśi

    Chandra (Lua): Caranguejo
    Sūrya (Sol): Leão
    Budha (Mercúrio): Gémeos e Virgem
    Śukra (Vénus): Touro e Balança
    Maṅgala (Marte): Carneiro e Escorpião
    Guru (Júpiter): Sagitário e Peixes
    Śani (Saturno): Capricórnio e Aquário

    Classificação dos rāśis

    1- Género: Masculino e feminino
    Masculinos: Carneiro, Gêmeos, Leão, Balança, Sagitário e Aquário
    Femininos: Touro, Caranguejo, Virgem, Escorpião, Capricórnio e Peixes

    2- Grupo: Quadrúpedes, bípedes, centípedes e aquáticos
    Quadrúpedes: Carneiro, Touro e Leão
    Bípedes: Gêmeos, Virgem, Balança e Aquário
    Centípedes: Caranguejo e Escorpião
    Aquáticos: Peixes
    Sagitário é metade bípede e metade quadrúpede
    Capricórnio é metade quadrúpede e metade aquático

    1- Natureza: Krūra (cruel) e saumya (gentil)
    Os krūra-rāśis (signos de natureza cruel) são: Carneiro, Leão, Escorpião, Capricórnio e Aquário.
    Os saumya-rāśis (signos de natureza gentil) são: Touro, Gêmeos, Caranguejo, Virgem, Balança, Sagitário e Peixes.

    2- Qualidade: Móvel, fixo ou dual
    Cardinais ou Móveis: Carneiro, Caranguejo, Balança e Capricórnio
    Fixos: Touro, Leão, Escorpião e Aquário
    Duais ou mutáveis: Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes

    3- Tattva: Agni (fogo), pṛthvī (terra), vāyu (ar) e jala (água)
    Elemento fogo: Carneiro, Leão e Sagitário
    Elemento terra: Touro, Virgem e Capricórnio
    Elemento ar: Gêmeos, Balança e Aquário
    Elemento água: Caranguejo, Escorpião e Peixes

    4- Guṇa: Sattva, rajas e tamas
    Rajas: Carneiro, Touro, Gêmeos e Balança
    Sattva: Caranguejo, Leão, Sagitário e Peixes
    Tamas: Virgem, Escorpião, Capricórnio e Aquário

    5- Varṇa: Brāhmaṇas (sacerdotes), Kṣatriyās (militares e governantes), Vaiśyas (comerciantes) e Śūdras (trabalhadores de quarta classe)
    Kṣatriyās: Carneiro, Leão e Sagitário
    Śūdras: Touro, Virgem e Capricórnio
    Vaiśyas: Gêmeos, Balança e Aquário
    Brāhmaṇas: Caranguejo, Escorpião e Peixes

    6- Puruṣārtha: Artha, kāma dharma, mokṣa
    Artha: Touro, Virgem e Capricórnio
    Kāma: Gémeos, Balança e Aquário
    Dharma: Carneiro, Leão e Sagitário
    Mokṣa: Caranguejo, Escorpião e Peixes

    Os rāśis e as partes do corpo

    Kālapuruṣa representa a personificação do tempo, ŚrīViṣṇu manifesta a Sua forma através dos doze rāśis, na qual cada signo corresponde regiões específicas do corpo.

    Carneiro: Cabeça, cérebro, nervos
    Touro: Face/pescoço/garganta
    Gêmeos: Ombro, braços, mãos, parte superior do tórax, pescoço, boca e ouvidos
    Caranguejo: Peito, coração, pulmões
    Leão: Estômago, coração, fígado, vesícula biliar, baço, intestino delgado
    Virgem: Intestino grosso e parte abdominal inferior
    Balança: Região pélvica, órgãos reprodutores, rins, bexiga
    Escorpião: Partes íntimas e órgãos excretores
    Sagitário: Coxas, região lombar
    Capricórnio: Joelhos
    Aquário: Tornozelos e calcanhares
    Peixes: Pés