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A minha jornada no Jyotish

Este é apenas o meu caminho. Poderia ter sido outro, mas foi este que o Divino desenhou para mim.

Na realidade, as sementes foram lançadas bem cedo.Lembro-me que, quando adolescente, já manifestava interesse e profudo respeito pelos mistérios do Universo e da vida: na altura olhava as linhas das mãos com uma curiosidade sagrada!

Após anos de afastamento, a vida encarregou-se de me conduzir de volta. Em 2013, num momento de profunda provação — daqueles em que a dor nos obriga a mergulhar no nosso interior — a Astrologia surgiu. 

Movida pelo respeito absoluto pelas tradições e pela vontade de beber diretamente da fonte, entreguei-me, durante 3 anos, ao estudo da Astrologia Ocidental Tradicional Clássica, sob a orientação da professora Patrícia Fidalgo Henriques. Foi um momento divisor de águas: simplesmente senti-me em “casa”!

Um pouco mais tarde Vedanta cruzou o meu destino. Como praticante de Yoga, fui apresentada a este conhecimento sagrado pelo meu professor, Paulo Vieira, a quem guardo uma gratidão eterna. Há uma vida antes do Vedanta e outra, inteiramente nova, depois dele.

Foi o Professor Paulo quem me estendeu a mão para o mundo do Jyotish. Confesso que, no início, hesitei. Tinha investido anos na astrologia ocidental; a ideia de mudar de sistema, de reeducar o olhar e a mente, parecia uma montanha intransponível e sem sentido. Mas quando o destino chama, a resistência dissolve-se. Os sinais eram inegáveis. Aceitei o convite do Universo e mergulhei na luz da Astrologia Védica.

A graça divina guiou-me então ao encontro de Goura Hari Dasa, um mestre devoto, fiel ao Shastra (escrituras), com quem sigo a aprender esta arte. Hoje, continuo a expandir este horizonte com outro mestre, o professor Marc Boney, pois no Jyotish, o estudo é uma constante.

Transmitir este conhecimento aos outros é, simultaneamente, uma honra e uma enorme responsabilidade. Ao ensinar, testemunho a beleza do desabrochar do outro, o entusiasmo de quem vê a luz acender-se pela primeira vez. 

O caminho de um Jyotishi é o de um eterno aprendiz. A tradição védica é um oceano vasto, complexo e divino. Não se pode parar; a própria riqueza do conhecimento impulsiona-nos a ir mais longe.

É fascinante observar como a vida opera. Muitas vezes, entramos num caminho para nos conhecermos, e a vida, na sua inteligência infinita, transforma essa caminho na nossa profissão. É a “cereja no topo do bolo”: quando o trabalho não nasce de uma escolha racional, mas de uma paixão avassaladora que nos transcende!

Vejo essa mesma chama nos olhos das minhas alunas, e isso confirma que o caminho é este. 

O entendimento desta linguagem exige esforço intelectual, rigor técnico e memória. Mas, acima de tudo, exige coração aberto. Aprendi que nada depende apenas de nós. Somos meros instrumentos, canais por onde o conhecimento divino flui para tocar o coração de quem procura. Por isso, a prática espiritual e a gratidão são imprescindíveis!

Agradeço a Deus! Estudar e compreender o Jyotish não é um mérito meu: é uma bênção que recebi. E por essa luz, sou eternamente grata!

Hari Om

Maria João 

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